15 de maio de 2021

Futebol Clube de Arouca: queda, continuidade e ascensão...

Há precisamente dois anos, sob o título "Futebol Clube de Arouca: ascensão, queda e continuidade...", escrevi aqui que: «depois de quase vinte dourados anos em que vertiginosamente atingiu o principal escalão do futebol nacional e até um vislumbre entre os grandes do futebol europeu; com a queda inesperada de divisão logo a seguir, o Futebol Clube de Arouca ficou de tal modo combalido e periclitante que, no passado domingo, não conseguiu evitar nova descida de divisão, confirmando o desdouro futebolístico e ameaçando o desgoverno financeiro da instituição».

Mas também escrevi que: «Agora, é preciso é cair com dignidade e estar à altura de não transformar o orgulho em vergonha. De não permitir que se escreva uma página negra que seja, sobre tantas de história digna, humilde e, principalmente, das destes últimos e gloriosos quase vinte anos, que tanto nos orgulharam e muito contribuíram para apontar e fixar Arouca no mapa de Portugal e do Mundo».

Acrescentando que: «Por isso, mais do que nunca, mais do que ontem e durante todo o tempo de sucesso, é preciso agora estar à altura da história de mais de sessenta anos e da glória destes últimos quase vinte. Haja esperança e determinação! Se o Futebol Clube de Arouca antes de o ser já o era, e tantas vezes superou o espectro da extinção, também não é agora que deixará de o ser. Como consta da sabedoria popular doutro povo que frequentemente gostamos de citar: "caia sete vezes, levante-se oito", porque, "as dificuldades são como as montanhas: só se aplainam quando avançamos sobre elas"».

Volvidos apenas dois anos, o Futebol Clube de Arouca está novamente à beira de inscrever mais uma gloriosa página no seu historial, depois de em apenas duas épocas ter subido do Campeonato de Portugal à Segunda Liga e estar agora muito próximo de subir à Primeira, como aconteceu na época 2012/2013.

A confirmar-se, para além do grande orgulho para todos os arouquenses, não deixa de ser uma ascensão notável, porventura muito mais significativa que a de 2012/2013, se tivermos em conta o contexto de pandemia que estamos a viver e, principalmente, que ainda recentemente pairou o espectro da extinção como nunca antes tinha pairado sobre o Futebol Clube de Arouca. Conseguir tão glorioso sucesso desportivo sobre tão debilitada e insolvente situação financeira, é muito meritório e merecedor de redobrado reconhecimento e aplauso. Oxalá se concretize a subida!

13 de maio de 2021

A Ponte 516 Arouca será um grande sucesso internacional: -é preciso localizar bem Arouca, no contexto global

Estou a dirigir-me aos Arouquenses e às instituições de Arouca...
Como é óbvio, a nova Ponte 516 Arouca será, com toda a certeza, um grande sucesso, não apenas a nível nacional, mas a nível internacional. Pela sua singularidade, desperta, facilmente, interesse e curiosidade a pessoas de todas as idades, para além de ser também uma obra de engenharia com beleza estética, de onde se pode disfrutar de uma panorâmica impressionante e vertiginosa. Logo nos primeiros dias em que foi anunciada a sua inauguração, muitos «mass media» de várias partes do Mundo informavam o assunto com agrado e interesse. E Arouca e os Arouquenses bem o merecem.
Contudo, há um elemento, em todo este «fenómeno da Ponte 516 Arouca», que não é adequado e pode ser contraproducente para a funcionalidade do acesso directo à nova ponte, no contexto global: -trata-se da menção, que aparece, com frequência excessiva, nos «mass media» e na internet, de ligar a ponte, para além de Arouca, unicamente ao distrito de Aveiro.
Essa ocorrência, que a Câmara Municipal de Arouca e o Arouca Geopark deveriam, impreterivelmente, corrigir, ao descreverem, antes, nos «mass media» e na internet, a ligação da nova ponte ao Porto e à Região Norte, com os acessos a partir do contexto da Área Metropolitana do Porto. E não do distrito de Aveiro. Porque os acessos directos e funcionais, nos vários tipos de transportes, a Arouca, são mesmo feitos a partir da «nossa área metropolitana».
Ao aparecer excessivamente a menção ao distrito de Aveiro (e, como se sabe, os Arouquenses estão pouquíssimo ligados a Aveiro), os visitantes e as pessoas exógenas que não conhecem bem Arouca ficam, erroneamente, a pensar que Arouca e os Arouquenses (que são pessoas autóctones da Região Norte de Portugal) têm uma ligação forte a Aveiro (que é uma cidade da Região Centro de Portugal), quando, na realidade, não têm, como nunca tiveram. Arouca foi, erroneamente, integrada no distrito de Aveiro no ano de 1835.
Arouca não tem acessos directos e funcionais com Aveiro nem tem que os ter urgentemente, até porque os seus acessos directos com o Porto (que sempre foi «a cidade principal dos Arouquenses») são muitíssimo mais prioritários e, infelizmente, por paradoxo, como se sabe, ainda não estão concluídos, com «a já velha e bafienta história da variante à EN326»...
Mas, para além de tudo o mais, entre outros factos, o rio Paiva é, oficialmente, um rio metropolitano do Porto e um dos afluentes estruturantes do rio Douro. A Ponte 516 Arouca localiza-se em plena Bacia e Região Hidrográfica do Douro. A Associação Geoparque Arouca pertence à Associação de Turismo do Porto e Norte de Portugal - Porto Convention & Visitors Bureau. O concelho tipicamente nortenho de Arouca é gerido pela CCDR-Norte. etc. etc.
Então porquê esta insistência despropositada de mencionarem, quase sempre, unicamente o distrito de Aveiro, numa altura em que os distritos pouco representam e, neste caso específico, para os Arouquenses, Aveiro pouco ou quase nada lhes diz?!...
Como é óbvio, na cerimónia de inauguração desta nova ponte pedonal, presidida pela Ministra da Coesão Territorial, a nível das instituições macro que, realmente, dizem respeito a Arouca e que representam mesmo Arouca, estiveram presentes os presidentes da CCDR-Norte e do 'Turismo do Porto e Norte de Portugal'. O Conselho Metropolitano do Porto foi representado pela sua vice-presidente, que é a presidente da câmara municipal de Arouca. Não estava lá ninguém a representar o quase extinto distrito de Aveiro, porque não tinha mesmo nada que lá estar, porque quase nada iria representar de Arouca.
foto: jornal Roda-Viva

Há um artigo de qualidade, publicado neste blogue, da autoria do colaborador Carlos S. Sousa, 'A estrada para o Porto', que descreve, de modo vivido e genuíno, durante o século XX, essa forte ligação empática e enraízada dos Arouquenses ao Porto e território circundante. Nesse contexto vivencial e noutra geração de Arouquenses mais antiga, estou a lembrar-me da descrição de meu avô, António de Almeida Brandão, no seu livro de Memórias, ao referir que, por razões sócio-económicas, eram muitos os Arouquenses que se deslocavam a pé, todos os dias, de Arouca ao Porto, por Fiães, pelo atalho da Devesa da Lebre...Era frequente também deslocarem-se em carros-de-bois...E foi para o Porto que se criaram, a partir de Arouca, os primeiros transportes regulares...etc. etc.

Portanto, que as instituições de Arouca coloquem, de vez, nos «mass media» e na internet, a ligação da nova ponte ao Porto e à Região Norte de Portugal, bem como os verdadeiros acessos directos e identitários ao território de Arouca: que são feitos no actual contexto da Área Metropolitana do Porto. E não do distrito de Aveiro. Ou será que têm de ser mesmo os estrangeiros a lembrar esse facto, como a CNN, para, a nível global, os visitantes localizarem bem Arouca, em termos territoriais e identitários?!:
Não será a partir de Aveiro, mas sim a partir da parte litoral da Área Metropolitana do Porto (onde se localizam os principais locais físicos e identitários dos vários tipos de transportes estruturais de acesso a Arouca) que vão acorrer, ao concelho de Arouca, muitos, muitos e muitos visitantes das mais variadas partes do Mundo, para ver a nova Ponte 516 Arouca, que, para além de se deslocarem por estrada, antes também se deslocarão via aérea (Aeroporto Francisco Sá Carneiro e Aeródromo Municipal da Maia), via ferroviária (Estação Ferroviária de Porto-Campanhã), via marítima (Porto de Leixões e Marina 'Porto-Atlântico') ou via fluvial (Marina 'Douro-Marina' e Marina do Freixo).

2 de maio de 2021

Para memória da gloriosa obra que se operou entre nós.


Mais de oito séculos volvidos sobre a chegada de D. Mafalda a Arouca, são ainda muitas as divergências, lapsos, gralhas e imprecisões sobre as datas, nomeadamente de nascimento e morte, bem como sobre as circunstâncias e local em que esta se deu. Por mais obras, artigos e apontamentos que versem sobre a biografia da notável e bondosa Senhora que imortalizamos como Rainha Santa - o que também se presta a inúmeros equívocos -, raras são aquelas que consensualizam uma versão integral dos principais factos da vida desta Serva de Deus, beatificada pelas suas imensas virtudes cristãs e milagrosas intercessões, cujos restos mortais de um corpo que se conservou incorrupto e perfumado por vários séculos se guardam no Mosteiro de Arouca.

Poucas são, com efeito, as biografias que concordam maioritariamente em afirmar e fundamentar que D. Mafalda Sanches nasceu em Coimbra, no dia 11 de Maio de 1195, onde permaneceu até ao falecimento de sua mãe, D. Dulce, data em que foi entregue ao especial cuidado de D. Urraca Viegas, primeiro, e companhia de suas irmãs no mosteiro de Lorvão, depois, até ao falecimento de seu pai, D. Sancho I, altura em que ficou sob tutela de seu irmão, D. Afonso II, até se emancipar. O que aconteceu quando contava já quase vinte anos, ao contrair matrimónio com Henrique I de Castela, que contava apenas onze, mas cujo casamento foi contestado e não confirmado pelo Papa, por alegados motivos de "consanguinidade", nunca se tendo consumado a união, tanto mais que o jovem rei morreu entretanto, tudo ditando o imediato regresso de D. Mafalda a Portugal e o ingresso, por sua vontade, no Mosteiro de Arouca, ainda antes de completar vinte e cinco anos. Também por sua vontade, expressa no seu testamento redigido em Bouças poucos dias antes de morrer em Tuías, aqui foi sepultado o seu corpo.

Por outro lado, são muitas as biografias, artigos e apontamentos que prometem relatar-nos os milagres que contribuíram para a conclusão do processo de beatificação, em 27 de Junho de 1792, mas, não raro, ficam-se pela narração do lendário transporte da sua tumba por uma mulinha, do facto do seu corpo ter sido encontrado incorrupto vários séculos depois, e pela sua aparição no incêndio nas oficinas do Mosteiro, em que, segundo a tradição, quando as monjas se preparavam para retirar da enfermaria os doentes internados, viram D. Mafalda a apagar as chamas com o sinal da cruz, possibilitando a salvação de todos os que ali se encontravam. O que, em todo caso, já não é pouco e seria até suficiente para a sua canonização.

Porém, outras alegadas aparições, devidamente relatadas conforme a tradição, e miraculosas curas, detalhadas pela experiência de testemunhas examinadas presencialmente, contribuíram para que D. Mafalda fosse beatificada. Nomeadamente, a tradição de ter aparecido logo depois da sua morte a algumas religiosas do Mosteiro de Rio Tinto, onde estanciava frequentemente nas suas deslocações, e que lamentavam a falta da sua companhia e, por outra ocasião, sobre a vila do Burgo a cercar e lançar bênçãos para não chegar, como não chegou, o contagioso mal de peste que ali grassava à vila e Mosteiro de Arouca. Esta última tão significativa que se estranha não ter merecido as graças da arte e pouco se compreende não ser sequer recordada, mormente neste tempo e peste que também estamos a viver.

Mas relatadas ficaram também várias curas miraculosas, por alegada intercessão desta Venerável Serva de Deus, como a sanação de um tumor cirroso no fígado, de que padecia a Madre Dona Maria Helena Sofia Pinto de Magalhães, religiosa do Mosteiro; a sanação de um tumor e cancro na face, de que padecia Maria Fernandes, viúva, de Pé do Monte, Santa Eulália; a sanação das alporcas de que padecia Bernardina, solteira, da vila; a sanação de um fonte lacrimal de que padecia António, jovem, solteiro, do lugar de Santo António; e até a surpreendente multiplicação de azeite que se observou numa talha chamada da Rainha Santa; e tanto mais que de 1753 por diante terá ficado por testemunhar e registar...

Acrescem, pois, ao modelo de vida penitente e imensas virtudes de D. Mafalda, sobejas, concretas e gloriosas obras operadas entre nós - que bem podiam e deviam ser mais divulgadas para nosso consolo e esperança -, pois que nem as próprias monjas do Mosteiro resistiram à tentação de tocar a santidade, como ocorreu em 1616, 1617 e, nomeadamente, em 07 de Agosto de 1619, quando se realizou a trasladação da urna primitiva para o jazigo de pedra, também este aberto em 1749 e, particularmente, em 16 de Junho de 1793, quando se deu a composição e trasladação dos restos mortais para o busto de vulto relicário da Rainha Santa que repousa na urna de ébano e prata, que hoje se pode observar na igreja do Mosteiro.

23 de abril de 2021

Nunca, como hoje, foi tão necessário concretizar a Regionalização

Arouca é um município que não se desenvolve tão rapidamente devido, em grande parte, ao fenómeno do ultra-centralismo ultra-parasita do Poder Central de Lisboa e arredores. Por essa razão, para referir, de novo, o exemplo mais óbvio, a variante à EN326 demora tanto tempo a concluir, apesar de estar localizada em plena Área Metropolitana do Porto!...
Com o concretizar do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), já se começa a vislumbrar a rapace injusta, auto-referente e oportunista do ultra-centralismo ultra-parasita de Lisboa em relação ao resto do país, sobretudo em relação à Região Norte.
O antigo Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Castro Almeida, afirma, com toda a razão, que é um erro centralizar em Lisboa a gestão do PRR, realçando que a gestão dos milhões da 'bazuca' parece servir para remediar as contas públicas. E ele tem toda a razão.
Apesar dos «artifícios retóricos» do actual ministro do Planeamento, Nelson de Souza, ao alegar que haverá descentralização no processo, vislumbra-se, na prática, que, de modo muito injusto e imoral, Lisboa e arredores irão receber grande parte dos novos fundos europeus. Ainda para mais porque, ao contrário das verbas do quadro Portugal 2020, estas novas verbas não precisam, obrigatoriamente, de ser canalizadas para outras regiões portuguesas. Assim, parece que, infelizmente, o actual Governo, que é ultra-centralista lisboeta, pretende canalizar grande parte das verbas para a Área Metropolitana de Lisboa.
E essa situação é imoral, revoltante, muita injusta e não pode continuar mais assim. Não pode mesmo mais continuar assim. Alguém tem de pôr cobro a isto. Alguém tem «de fazer alguma coisa, com muita urgência».
Estamos prestes a comemorar os 47 anos do 25 de Abril, que nos conduziu, felizmente, ao regime de Liberdade, que é a Democracia Parlamentar e Representativa com a Constituição da República Portuguesa de 1976, mas cuja configuração só se começou a efectivar com a extinção do Conselho da Revolução no ano de 1982.
A Constituição estipula a criação das regiões administrativas em Portugal Continental, que são cinco: já estão bem identificadas. Ninguém, no Estado português, tem poder sobre a Constituição da República Portuguesa. 
Nunca, como hoje, foi tão necessário concretizar a Regionalização. Para bem de Portugal e de todos os Portugueses. Para bem de Portugal como um todo.

Mais uma vez e agora com a gestão ultra-centralista do PRR, a Região Norte, que é «o motor económico de Portugal», será, provavelmente, a região portuguesa mais injustiçada.
Refiro, de novo, aos leitores deste blogue, que há um ensaio de muitíssima qualidade, da autoria de Henrique Raposo, publicado na revista Exame de Julho de 2016, que terá todo o interesse para os Arouquenses e para as instituições de Arouca, porque descreve bem, com rigor e lucidez, como a Região Norte (onde Arouca pertence e sempre pertenceu e onde Arouca, de modo identitário, se insere e sempre se inseriu) é, de facto, o «motor económico» de Portugal.
 
Fazer, por favor, o «download» do ensaio, em ficheiro pdf, aqui:

Repito: Apesar de ter algumas imprecisões, esse ensaio é dos melhores textos que se escreveram, nos últimos anos, sobre o assunto, onde se revela a idiossincrasia empreendedora e inovadora, de trabalho e de poupança, das gentes do Norte (em particular do Noroeste de Portugal) e como ela se mantém, de modo consolidado, com os seus fortes traços identitários milenares, no actual contexto de Modernidade avançada, em que Portugal está integrado no espaço político e económico da União Europeia. 
Mas esse esforço pessoal, familiar e colectivo das pessoas do Norte é, infelizmente, em grande parte, parasitado, de modo muitíssimo injusto, por Lisboa e arredores, devido ao modo ultra-centralista como funciona, há muito tempo, o Estado português. E esta situação muitíssimo injusta não pode mesmo continuar mais assim...
Tem, de facto, de haver uma inversão urgente desta situação muitíssimo prejudicial para a Região Norte (que é também a mais populosa do país, com cerca de 3 690 000 habitantes), visto que se constata que o ultra-centralismo e o ultra-parasitismo de Lisboa e arredores continuam vigorosos, agora com a gestão ultra-centralista do Plano de Recuperação e Resiliência.
Nunca, como hoje, foi tão necessário concretizar a Regionalização. E a Constituição da República Portuguesa assim o prevê e assim o exige.

19 de abril de 2021

Simão Oliveira e a vitória pelo que (en)canta

Quando concluir este apontamento que vou escrevendo noite dentro, com o The Voice Kids em fundo, já o Simão, muito provavelmente, venceu esta edição do programa e todos estejam a festejar ou a associar-se aos festejos da vitória e a comentar a sua prestação, não havendo, provavelmente, muito a acrescentar, para além de, como arouquense e amigo da família, me associar também e manifestar o orgulho pelo tanto que (en)cantou.

Gala após Gala, a crescente mobilização dos arouquenses, que se evidencia pelas redes sociais, com o pessoal do comércio e instituições locais, e até a própria presidente da Câmara, a ostentar o cartaz do Simão, como declaração de apoio, indicia uma forte possibilidade de vitória. Com efeito, é o público, pelo seu voto, que tem o poder efetivo de decisão e, por isso, a importância da mobilização.

Não vale a pena questionar agora as regras do concurso. São conhecidas de todos, especialmente dos interessados, desde o início e todos têm ao seu alcance fazer o que mais puderem com vista ao melhor resultado possível. A decisão podia, muito naturalmente, ser dos mentores ou de um júri, mas, das galas à final, não é, e todos sabem que não é. E, também por isso, se sabe que não estão em jogo apenas as interpretações musicais, mas também o mais que cada um dos concorrentes é e faz por merecer eliminatória após eliminatória, e até mesmo independentemente destas.

Se não fosse de Arouca e não conhecesse o Simão, a minha eleita seria a Rita Rocha. Mas sou de Arouca e conheço o Simão, pese embora nunca tenha falado com ele para além da circunstância em que me cruzo e converso com o pai na sua companhia; e, provavelmente, ele não me conheça até tão bem como eu o conheço, mas, a verdade é que também não sou nem serei já tão conhecido e famoso como ele é, ainda com apenas 14 anos. Porém, o facto de ser seu conterrâneo e o conhecer, é-me mais e bastante para, independentemente das interpretações - que aprecio pelo que lhes empresta de genuíno e sentido -, lhe dar o(s) meu(s) voto(s) e torcer pela sua vitória.

Acresce que o Simão, para além do seu singular talento e inegável preferência pelo fado, revelou sempre uma faceta e personalidade genuínas - como sabemos -, mas raras e peculiares nessa idade, o que muito engradeceu a participação e colmatou qualquer insuficiência e até a invariabilidade do género musical, não deixando ninguém indiferente, dentro e fora do concurso, como, de resto, foi sendo manifestado por todos os mentores e pela esmagadora maioria do público. Por isso, independentemente do desfecho desta noite, o Simão, pelo que (en)canta, já venceu.

18 de abril de 2021

Rotas e Trilhos: da Terra ao Mar

"O Município de Arouca em parceria com o BTTArouca, iniciou o programa ROTAS E TRILHOS. O programa consiste em lançar desafios ao longo do ano, nas vertentes de caminhada, corrida de montanha e BTT, pelos recantos do território do Arouca Geoparque." 

Após ter efetuado o primeiro e segundo rotas e trilhos na vertente caminhada/corrida percorri esta semana o rotas e trilhos " da terra ao mar" que decorre por inteiro na freguesia de Mansores. O conceito é interessantíssimo pois é estudado e preparado previamente pela organização um percurso que percorre lugares e locais, que muito provavelmente não visitaríamos ou não conheceríamos, por serem muitos deles inacessíveis sem uma devida preparação e estudo do terreno. Os percursos até agora apresentados seguem um denominador comum que é o de terem as linhas de água (rios ou ribeiros) como  orientadores gerais do trajecto. Caminhos antigos, velhos moinhos, velhas quintas abandonadas, levadas, cascatas de água escondidas e muito mais podemos encontrar nestes percursos. Uma aventura que vale muito pena e que está ao alcance de uma simples inscrição ao que se segue o descarregar do trajeto para o nosso smartphone ou GPS e  já está... ou, então, sigam simplesmente as fitas sinalizadoras. Em minha opinião terá sido um dos programas recentes na vertente de turismo de aventura e natureza mais bem conseguidos do concelho.

Resumidamente o nome "da terra ao mar" surge, segundo a página de facebook da organização, da alusão à neblina que frequentemente se forma no vale de Mansores resultado dos processos físicos de evaporação e condensação da água do Arda dando origem ao "Mar de Mansores". Conheço uma outra teoria que diz que o mar de Mansores nasce na história das varinas de Ovar que vinham Arouca vender o seu peixe, em cestas e a pé, e que aquando do regresso e algum do peixe sobrava e já em mau estado para consumo,  deitavam-no fora ali pelos lados de Mansores. Começaram a surgir algumas " sardinhas" no meio dos campos verdes o que só se justificaria pela existência de um mar : "o mar de Mansores". 

Histórias à parte o percurso está muito bem conseguido e acessível a qualquer aventureiro seja em ritmo de passeio ou desporto. São 14 km de pura descoberta. Infelizmente durante o percurso na zona junto ao rio Arda, é possível verificarmos a quantidade de plantas invasores nomeadamente as "mimosas" que ganham terreno e dominam a flora . Algo a considerar em planos futuros de conservação e preservação da biodiversidade. Mas, no geral, a maioria do percurso apresenta ribeiros e terrenos com galerias ripícolas ainda intactas e preservadas. Um percurso onde não nos safamos de andar dentro de água e por exemplo passarmos por baixo da EN326, só para deixar aqui duas curiosidades. 

Aos organizadores parabéns, a todos os outros deixo a sugestão:  aventurem-se

11 de abril de 2021

Santo Ivo me ajude e me perdoe!

 

Santo Ivo me ajude sempre a ter um comportamento público e profissional adequado à dignidade e responsabilidades das funções que exerço, cumprindo pontual e escrupulosamente os deveres que me são consignados pelos estatutos do meu oficio e todos aqueles que a lei, os usos, costumes e tradições profissionais me impõem, não descurando nunca a honestidade, probidade, retidão, lealdade, cortesia e sinceridade como obrigações profissionais.

Santo Ivo me ajude, no exercício da profissão, a manter sempre e em quaisquer circunstâncias a minha independência, de modo a agir livre de qualquer pressão, especialmente a que resulte dos meus próprios interesses ou de influências exteriores, abstendo-me de negligenciar a deontologia profissional no intuito de agradar a clientes, colegas, tribunais ou terceiros.

Santo Ivo me ajude a não me pronunciar publicamente, na imprensa ou noutros meios de comunicação social, sobre questões profissionais pendentes e, muito menos, a emitir publicamente opinião sobre questões que saiba confiadas a outros colegas, cavalgando as ondas dos dias e fazendo paragonas da espuma que fica.

Mas, Santo Ivo, perdoe-me também não contribuir muito mais para o esclarecimento público e assim, pelo menos, tentar demover muitos daqueles que se deixam arrastar pela enxurrada da desacreditação e descredibilização das instituições, da Justiça e da Democracia, mesmo sem saberem muito bem onde os leva essa imprudente e irrefletida voracidade.

Perdoe-me Santo Ivo, não conseguir a disponibilidade que tais almas requerem, quantas vezes em vão! Pois na maior parte dos casos, motivadas por informações dúbias, mal googladas ou incompletas, que absorvem e difundem, sem cuidar de esclarecer - porque nem querem -, quantas delas só porque sim, mas talvez até porque, mais do que exigir e pugnar pela boa administração da Justiça e bom funcionamento da Democracia, precisam exorcizar pecados ainda por remir, ocultar ou compensar frustrações pessoais ou vingar a pronúncia por comportamentos ainda não prescritos.

E ajude-me, Santo Ivo, a aceitar e preservar o principio de que as decisões não são boas ou más por serem ou não condizentes com a minha opinião, pois não devo ignorar que esta Justiça é Humana e o Direito não é matemática e, por isso, tenho de estar preparado para aceitar que haja decisões e formas de apreciação, interpretação e fundamentação, diferentes das minhas. Na certeza, porém, de que a Justiça, embora vendada às partes, não é cega à melhor subsunção dos factos nem surda aos mais verosímeis argumentos, e, por isso, se necessário, sempre me será possibilitado requerer a reapreciação e sindicância dessas decisões.

Tenho, pois, esperança no bom funcionamento da Justiça, e não estou disponível para contribuir - antes pelo contrário - para a desacreditação e enfraquecimento do significado dos símbolos que lhe são próprios: a venda nos olhos, que simboliza a imparcialidade e a ideia de que todos são iguais perante a lei; a balança, que simboliza o equilíbrio das forças desencadeadas e a ponderação; e a espada, que simboliza a capacidade de exercer o poder de decisão com rigor e firmeza. 

Esteja, no entanto, também o Direito à altura, expurgado de expedientes dilatórios e vedado de brechas e escapatórias. O que numa primeira fase não compete ao poder Judicial, mas sim ao poder Legislativo.

Nota: para quem não saiba, mas, principalmente, para aqueles que até já nem aqui chegaram, dado formarem logo uma ideia sobre o texto a partir do título, tomando a aparência pela realidade e o parcial pelo integral, estoutro Ivo é um Santo católico, padroeiro de todos os profissionais de Direito, especialmente dos advogados.

31 de março de 2021

Sobre a polémica em torno dos prémios do turismo

Depois do presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve ter sugerido que os prémios do turismo são comprados, os World Travel Awards e, nomeadamente, os prémios repetidamente atribuídos aos Passadiços do Paiva naquele evento, têm estado a ser questionados e até desacreditados, por algumas pessoas de Arouca e mesmo por forasteiros.

A alegada compra dos prémios prende-se com o facto dos interessados em colocar locais ou equipamentos de atração turística a concurso, terem de pagar uma inscrição e depois terem que pagar também o respetivo troféu e diploma, bem como suportar os custos da presença na respetiva gala.

E, ao que julgo saber, é isto que tem causado estranheza, estupefação e indignação a algumas pessoas, que, por isso, estão empenhadas em questionar, desacreditar e, também assim, desmerecer os prémios que o Município tem repetidamente alcançado com aquele equipamento turístico ou, simplesmente, como convém à época de concurso ao poder, apenas ver o "circo a arder". Assim, como se fosse a cereja no topo do bolo de todos quantos regressam dos Passadiços do Paiva, com o sentimento de que não valeu a pena ou de que foram enganados. Só que não!

Abstendo-me de comentar o funcionamento desse tipo de eventos e prémios, pois é o que mais para aí há, mesmo entre nós, como, por exemplo, as também bem pagas "7 Maravilhas de Portugal"; em minha opinião, "levantada a lebre", quando muito, poderá questionar-se (em órgão próprio) o custo/benefício "da compra" para o município e para os arouquenses, tal como se faria com o investimento num qualquer tipo de publicidade. Mais do que isso, é pura demagogia e populismo e, em alguns casos, mero oportunismo eleitoralista, que não beneficia ninguém.

Pessoalmente, acho plenamente justificado o investimento (que não conheço, mas que também nunca vi questionado por deputados municipais e vereadores, pelo que não será de grande monta), pois, para além de efetivamente existir um concurso, "comprado" ou "por comprar", com mais participantes (alguns dos quais até ficarão aquém do prémio pretendido, apesar do investimento, imagine-se...),  tem sido evidente a publicidade e retorno para Arouca e para os Arouquenses, nomeadamente para a hotelaria e restauração.

30 de março de 2021

Planta rara e em perigo de extinção foi encontrada no Arouca Geopark

Uma planta rara e em perigo de extinção - a Potentilha-dos-Montes (Potentilla Montana) - foi encontrada no Arouca Geopark, segundo informa o site oficial, referindo que "Carminda Santos, naturalista do projeto ciência-cidadã ‘Biodiversidade do Arouca Geopark’, observou e registou esta planta neste território, pela primeira vez, e acrescentou uma nova localização no mapa nacional de distribuição da espécie. Com distribuição restrita a Portugal, esta planta habita em locais rochosos, taludes, prados e orlas, sendo apenas conhecidos, até ao momento, três núcleos populacionais."

Potentilha-dos-Montes (Potentilla Montana)
Foto: Arouca Geopark

Alguém me perguntou, há um tempo, qual é o pior problema que o mundo hoje enfrenta. Não creio que seja a crise económica, mas sim a destruição do meio-ambiente. Milhares de espécies são destruídas todos os anos, desaparecem simplesmente e não as podemos reproduzir. 
Palavras do Professor Doutor Robert Aumann, Catedrático da Universidade Hebraica de Jerusalém - Israel, economista e Prémio Nobel da Economia de 2005, numa entrevista publicada no semanário Expresso de 29 de Novembro de 2008, concedida ao jornalista portuense Henrique Cymerman.

26 de março de 2021

A Pensar Alto! Vamos todos ficar bem... O arco-íris de cores carregadas.

Um ano. Passou um ano que de repente sem grandes discussões, experimentamos pela primeira vez o confinamento, uma espécie de prisão dourada, quase todos nos domicílios sem contactos ,o mínimo de  companhias, com receios a substituir as conversas e futuros negros nos pensamentos. Num instante, lá foi a vida que julgávamos nunca sofreria tais alterações, nunca na pior das hipóteses e logo da maneira que foi. Assustados, intimidados com as notícias e mais, cada um se fechou num casulo de aparente segurança, e esperou que os dias passassem com muita rapidez, para numa qualquer manhã quando os olhos se abrem mais, com sol mais quente e pensamentos mais brilhantes, tudo tivesse terminado e lá íamos de novo para o costume, aquelas rotinas de que temos saudades. Sem abraços, sem beijos, muitos sem família, sós com os receios que podíamos ser os escolhidos pelo vírus invisível e mais assustador, presente em todo o lado, até nos sorrisos de uma inocente criança. Raio de doença, e logo nesta altura, como se houvesse data escolhida para mal de tal dimensão. Como conforto à medida do passar dos dias, os arco-íris com coloridos a apagar o negro da situação, e muitas esperanças que no fim, sim, porque isto ia ter um fim, íamos ficar todos bem. Mas não era só isso, no final o mundo ia ficar diferente, passe de mágica que o tal estranho vírus ia conseguir. Nunca mais se repetiriam erros tão habituais, de ganância a atropelar homens e natureza, o ambiente ia ficar um brinco, as sociedades iam cair em si e alterar as produções, a poluição reduzida a quase zero, enfim cada respiro só com ar do mais puro, tudo embrulhado naquela solidariedade de oportunidades que muitos já nem se lembravam que existia e que finalmente iria permitir um mundo mais solidário e igual. Passou um ano, um ano e mais alguns dias. Alguns, muitos, não conseguiram terminá-lo porque as coisas foram ficando mais complicadas, ora melhor ora menos pior, sempre os receios presentes, a esperança a ter dias, os desânimos a aparecer cada vez mais como aquelas visitas que nem precisam que se abra a porta principal e vão entrando nem que seja pelos fundos mais escondidos.  Mais um dia, de repente outro, mais um mês e é verdade mais um ano, um instantinho. Agora sei que não vamos ficar todos bem, pelo contrário, muitos vão ficar bem piores, outros além de se esconderem do horrível diário, ensaiam já a indiferença que foi sempre o rumo que mais os orienta. Não está para contemplações como dizia o meu pai quando jogava o Porto. Salve-se quem puder, ou cada um por si e logo se vê. Afinal está tudo na mesma e não vamos ficar todos bem, uns melhores que outros, o costume sem novidades. As vacinas chegaram. Primeiro passo ou último, para que regressem os abraços e o estalar dos dedos num aperto de mão a que temos que nos habituar de novo antes que isto se prolongue tanto tempo que já nem nos iremos lembrar do calor de coisas tão banais. Critérios sempre a deixar dúvidas, “porque ele e não eu??” Casos a aparecer em catadupa, “sou eu o prioritário”, “e eu?” “ainda mais prioritário que todos os outros”, “estou em contato com muita gente,” “foi para aproveitar pois iam para o lixo”, em resumo, “eu é que devo ser o primeiro, perguntem ao meu médico,” “logo vão ver que a minha intenção era a melhor.”  Tudo na mesma, bastou caírem os primeiros raios de sol de uma possível melhoria que tudo voltou, o pior voltou. Fraco sinal para o que ainda nos aguarda. Agora são as marcas, entendidos em marcas de vacinas aparecem como cogumelos, “só tomo a tal, as outras não me servem”, “não inspiram confiança”, organismos diferenciados neste retorno que não aparenta ser definitivo. Tudo igual. Com a cabeça mais enfeudada às tristes e longuíssimas horas de televisão com a acefalia no máximo, estão de regresso. Pelo menos não enganam, durou pouco a esperança de melhores dias e melhores tempos. Vai ficar tudo pior ou é impressão minha? Aguardemos para ver. Foi bonito enquanto durou e é pena mudar as cores ao arco-íris da esperança para um arco-íris de cores quase negras que perpetuem a falta de esperança. Isto sou eu a pensar, porque estou num momento de pessimismo e as luzes ao fundo do túnel estão a ficar raras e muito caras para quem começa a ficar sem grandes alternativas. Estamos a ficar assim a modos de esgotados, nervosos e os dias passam e as soluções de tanto procuradas parecem querer brincar ao esconde, esconde, aparecendo num dia e desaparecendo no outro. De resto a vida prossegue cavando ainda mais as diferenças e isso não há arco-íris capaz de esconder, isso será mais uma coisa que irá depender de todos, de nós, de si em particular. Não contribuamos para ser culpados neste retrocesso que se aproxima na vida de muita gente, por omissão ou comodismo. Da mesma forma que acreditamos nas vacinas e no esforço que muitos fazem para a nossa saúde, devemos acreditar que ninguém vai ser abandonado e mesmo com dificuldades o indispensável não está perdido. Temos que acreditar no bom senso e em que vale a pena acreditar nos desenhos das crianças porque estas os fazem com o coração pequenino, mas os sentimentos muito grandes.

23 de março de 2021

Silveiras - fragmentos quotidianos de uma aldeia beirã

O filme é de 1981 , a produção do Clube Cinematográfico de São João da Madeira.  Um raro filme documentário sobre as vivências daquelas gentes serranas há 40 anos atrás. Dos poucos filmes a cores onde podemos por exemplo ver o complexo mineiro da Poça da cadela em Regoufe antes de ser vandalizado e muito, muito mais...



18 de março de 2021

O Plano de Recuperação e Resiliência e a conclusão da 3.ª fase da Variante à EN326 de Arouca

Com o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), parece mesmo ser a GRANDE OPORTUNIDADE para, no futuro próximo, se concluir a terceira fase da variante à EN326 de Arouca, entre a localidade da Abelheira (Escariz) e a Ponte da Cela / Ribeira (Tropêço)...Portugal, nos próximos anos, vai receber mesmo muito dinheiro de fundos europeus...
Segundo informa a imprensa arouquense, relativamente à presente 2.ª fase"a empreitada de ligação do Parque de Negócios de Escariz à A32 prossegue a bom ritmo. Neste momento, decorrem obras de arte corrente, obras de arte especiais, obras de contenção, bem como trabalhos de drenagem, terraplanagens e levantamentos arqueológicos. Prevê-se que até final do mês de março, se construam os pilares dos diferentes viadutos", referindo que "o Executivo Municipal já sinalizou junto do Governo a imperiosa necessidade de este (o PRR) contemplar a 3.ª fase da variante".
Portanto, mais do que nunca e em ano de eleições autárquicas, as instituições de Arouca e os Arouquenses têm que se fazer ouvir e reivindicar aquilo a que, há muito tempo, têm, impreterivelmente, direito: a conclusão da Variante à EN326. Sobretudo essa 3.ª fase, o mais rápido possível, que é mesmo urgente e que vai tornar muito mais rápido e muito mais funcional a tradicional, enraízada, empática e muita antiga mobilidade dos Arouquenses para o território do Porto e do denominado Grande Porto, no actual contexto da Área Metropolitana do Porto.
obras na actual 2ªfase da Variante à EN326 de Arouca
foto: jornal Discurso Directo

E há muito boas notícias para a «nossa área metropolitana», com a expansão, nos próximos anos, das linhas do Metro do Porto e com a construção de uma nova ponte sobre o rio Douro para o Metro do Porto, com uma componente de ciclovia e com uma componente pedonal. 
Contudo, como descreveu o chefe de redacção do JN, "não se celebre, ainda, o fim do centralismo. Feitas as contas ao investimento nos transportes para as duas grandes áreas metropolitanas, Lisboa receberá quase o dobro (2300 milhões) do Porto (1350 milhões). Há coisas que nunca mudam. Nem a tiro de bazuca." Ou seja, este ano (mais uma vez num muitíssimo injusto acto do ultra-pernicioso ultra-centralismo ultra-parasita lisboeta do Orçamento do Estado e do Poder Central lisboeta), na área dos transportes, a Área Metropolitana de Lisboa recebe mais 950 milhões de euros do que a Área Metropolitana do Porto. 
Bastava a aplicação desse dinheiro adicional de 950 milhões de euros da Área Metropolitana de Lisboa em relação à Área Metropolitana do Porto para que o Metro do Porto chegasse até Arouca, numa linha que continuaria a de Vila Nova de Gaia, pelo «Fundo do Concelho», até à Vila de Arouca, traçada, de modo estratégico, no território, pelas localidades mais centrais desse percurso. E, depois, noutro percurso, com aplicação de mais fundos, partiria da Vila de Arouca para Vale de Cambra, Oliveira de Azeméis, São João da Madeira, Santa Maria da Feira, Espinho e, de novo, Vila Nova de Gaia e Porto. Ou vice-versa, na ordem cronológica da construção dessas duas linhas do Metro do Porto.
Repito o que escrevi neste blogue: a Área Metropolitana do Porto e os seus habitantes bem merecem que isso se concretize, pois está-se, aqui, a descrever alguns dos municípios mais industrializados e que mais produzem, sendo dos mais dinâmicos, em termos económicos, de todo o país e que mais contribuem para o Orçamento do Estado, inseridos na Região Norte, que é a região mais populosa de Portugal, a que mais produz, a mais industrializada, a que mais contribui para o PIB e a que mais exporta, entre outros e variados bons e benévolos aspectos... Portanto, é necessário que se inverta mesmo, de vez, o ultra-centralismo e o ultra-parasitismo lisboeta do Orçamento do Estado, bem como o ultra-centralismo e o ultra-parasitismo lisboeta de captação dos fundos europeus e da sua aplicação ultra-centralista em Lisboa e arredores. Se o Metro de Lisboa se expande com pujança, porque é que o Metro do Porto não se há-de expandir também?!...Visto que o Metro do Porto é mesmo muito necessário para os municípios industrializados das partes centro-sul e sul da Área Metropolitana do Porto.
O Metro do Porto em Arouca não é uma situação utópica, irrealista ou não concretizável...Se o Metro do Porto, hoje, chega até à Póvoa de Varzim, porque é que não poderia chegar até Arouca?!...Poderia, perfeitamente, chegar a Arouca. E bastavam apenas aqueles referidos 950 milhões de euros deste ano para isso se concretizar. O custo médio de construção do Metro do Porto é de 16 milhões de euros por Km. 950 milhões correspondem a cerca de 60Km.

12 de março de 2021

Poema publicado há precisamente 100 anos!

Completa hoje, 12 de março de 2021, precisamente, uma centena de anos que José Pereira Pinto publicou o poema "Junto a um berço", na Gazeta de Arouca e que abaixo se transcreve:

Junto a um berço

Oh! Quanto é bela, ó Sol, a tua luz calma

E lindo o teu sorrir - beleza estranha! -

Que arroubos que prazer se sente n'alma

Quando despontas no alto da montanha!


Mas mais belo que tu, Sol cristalino

Que vejo despontar no Oriente,

É o fulgor que do berço pequenino

Esparge uma criança, um inocente.


escrito em março de 1917 por José Pereira Pinto, 

publicado na Gazeta de Arouca, a 12 de março de 1921


José Pereira Pinto é um ilustre arouquense, nascido na freguesia de Alvarenga a 16 de janeiro de 1898, que concluiu o curso da Escola Normal do Porto, em 12 de agosto de 1920, com 17 valores.

Iniciou a carreira docente em Nespereira, concelho de Cinfães, em dezembro de 1920. Transitou para a escola do Paço, em Alvarenga, onde tomou posse como professor efetivo em 1926, ainda a escola não estava concluída. Entre 1926 e 1945 José Pereira Pinto deu aulas em Alvarenga e viveu na escola onde estava instalada a "casa do professor". Em 1945, muda-se para o Porto com a esposa e com os seis filhos, para que estes pudessem prosseguir os seus estudos.

Em 1949 foi nomeado professor de Didáctica Especial e Legislação e Administração Escolar na Escola do Magistério Primário do Porto. Aposentou-se em 1966, após 42 anos de lecionação.

Além de professor, José Pereira Pinto foi autarca, assumindo o pelouro de Vereador da Câmara Municipal do Porto no quadriénio de 1969-1972, presidindo à Comissão Municipal das Construções Escolares, sendo Vogal do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Gás e Eletricidade, foi Vereador Delegado à Junta Distrital do Porto, etc.

É reconhecido o seu mérito no Porto pelo seu trabalho em prol da Educação e da Cultura e por ter constituído uma família ilustre, com numerosa prole, todos dedicados ao ensino.

José Pereira Pinto, professor, poeta, músico, pai e amante das árvores e da natureza, desde novo publicou nos jornais da sua terra natal poemas como o que agora se relembra e livros de sua autoria, em vida e póstumos, pela mão do seu filho José Nuno Pereira Pinto.

Bibliografia:

Pinto, José Pereira, Esparsos. Arouca: edição de José Nuno Pereira Pinto, maio de 2019

11 de março de 2021

"Mas eu li um estudo que dizia..."


Não poucas vezes damos por nós, numa qualquer conversa, a ouvir ou a dizer, como forma de argumentar uma opinião, o seguinte: "Mas eu li um estudo que dizia..."

A verdade é que, realmente, existem estudos para tudo e mais alguma coisa, sobre qualquer tema ou assunto e com as mais diversas conclusões. Somos capazes, inclusive, sobre uma mesma matéria, de encontrarmos não só conclusões diferentes como contraditórias. E porquê? Como hei-de saber se aquilo que estou a ler é ou não fiável? Por que o "meu" estudo é melhor que "teu"?

A minha ideia não é, de todo, dar uma aula de epidemiologia. Não pretendo, tão pouco, maçar o leitor com uma explicação demasiado exaustiva sobre o tema. Aliás, para que saibam, a área é tão complexa que há teses de mestrado e doutoramento dedicadas ao estudo de estudos.

Ainda assim, acho necessário fazer uma explicação um pouco mais técnica para tornar o assunto mais perceptível. 

De forma bem simples, existem 3 grandes tipos de estudos: os Observacionais (descritivos e analíticos), os Experimentais (randomizados) e os Quase experimentais (não randomizados). Ainda existem as meta análises.

Nos primeiros não existe intervenção de quem faz o estudo, enquanto que nos outros, sim. Ou seja, nos estudos observacionais, o investigador apenas descreve o que se propõe a investigar (tira uma espécie de fotografia da realidade) enquanto que nos experimentais e quase experimentais o investigador cria as condições para realizar uma determinada experiência. Intervém, objectivamente, na mesma. E chega. Para o meu objectivo, esta explicação simples e sucinta, serve perfeitamente. 

Muito importante, então, para sabermos interpretar as conclusões que nos entram pelos olhos, é sabermos que existe uma hierarquia no que à fiabilidade diz respeito. Em teoria, uma conclusão dum estudo experimental randomizado será a mais fiável. A seguir são os quase experimentais e, só depois, os Observacionais. Ainda pudemos apertar mais o crivo e escolher as chamadas  meta análises (análise das conclusões de vários estudos sobre um mesmo tema e perceber para onde tende as diversas teorias). 

Por exemplo, se alguém me disser que viu num estudo observacional que o bagaço com mel cura a constipação e se eu, num estudo experimental, randomizado, duplamente cego e estatisticamente significativo verificar que não faz rigorosamente nada, em teoria, serei eu a ter razão. 

Para complicar isto tudo, mesmo dentro da categoria dos estudos mais fiáveis, existem inúmeros pouco recomendados. Por diversos motivos mas, essencialmente, por serem feitos de forma enviesada. São tendenciosos ou servem determinada agenda. Cheios de conflitos de interesse. E isso sabe-se. Isso está estudado e identificado. A título de exemplo, perceba o leitor que, uma conclusão dum estudo sobre cafés que tenha sido pago por uma determinada marca desse produto, não será muito rigoroso.

Embora este processo de análise pareça complexo, nós, os comuns cidadãos, temos a vida facilitada. Todo este crivo já foi feito por alguém. Apenas precisamos de consultar as melhores revistas e os melhores sites. Lá estarão, em teoria, os melhores estudos e os mais bem feitos. As conclusões mais fidedignas estarão, por exemplo, numa The Lancet, numa Nature ou numa Cell (no que à ciência diz respeito). Pouco me importa, honestamente, o que diz a Men's Health ou a revista Maria.

Para concluir,  gostava apenas de reforçar que não tenho a pretensão de ensinar absolutamente  nada. Trata-se, apenas, dum complemento ao artigo que aqui (link) escrevi anteriormente na esperança, humilde, em aumentar um pouquinho a literacia em ciência e, com isso, ajudar na selecção de boa informação. 

João Pedro Ferreira 

28 de fevereiro de 2021

A influência dos influencers

Tenho 39 anos. Acho que já tenho idade para dizer "Isto no meu tempo..." Pois bem. 

No meu tempo, aquando da primeira licenciatura, há cerca de 20 anos, as aulas eram dadas com o auxílio de acetatos. Mal havia Internet. Os telemóveis serviam para (imagine-se) telefonar. Estudava para os exames na biblioteca ou através de sebentas impressas na reprografia. Para fazer a monografia recebíamos artigos pelo correio. O acesso à melhor e mais actual evidência era cara e demorava tempo. Era assim, ontem. Hoje não. 

Hoje a informação chega-nos à velocidade da luz. A rodes. A boa, a má, a verdadeira ou a falsa. Tudo nos chega ultra rápido. Aliás, com esta história dos algoritmos, a informação chega-nos mesmo que não a procuremos. Através do nosso perfil, comportamentos, etc, o que nos entra pelos olhos dentro já está adaptado ao nosso padrão. Sem contraditório ou outras visões. Ajustado às nossas crenças, ideologias e interesses pessoais. E nós todos, sem excepção, somos levados a crer que aquilo é que está correcto. Sem questionarmos, sem duvidarmos, sem tomarmos a iniciativa de fazermos as nossas próprias pesquisas. 

Este tem sido um drama enorme nos dias onde já não se aprende por acetatos. Associado à baixa literacia, nomeadamente na ciência, está a ausência de crítica e este fenómeno está a revelar-se surreal. Acompanhemos meia dúzia de comentários nas redes sociais e percebe-se fácil, acho eu, que o panorama da discussão pública está pela rua da amargura. Hoje, uma opinião é-nos apresentada como se de um facto se tratasse. Irrefutável, indiscutível e sem direito a contraditório. Somos bombardeados com as mais diversas aldrabices e não questionamos. Não criticamos. Não conferimos. Aliás, em tom de brincadeira, vai-se dizendo, até, que se está no Facebook é verdade. E isto não tem nada de engraçado. É perigoso e molda comportamentos. 

E depois, como se não bastasse, todos os dias e nas melhores horas, ouvimos e vemos aqueles que tudo sabem. Não sou contra que estas pessoas digam o que mais bem lhes apetecer. Sou é a favor que se critique, que se investigue, que se confronte e que se compare com o que os especialistas dizem. E, para mim, está aqui a chave. Ouvir e ver especialistas. Se quero saber sobre vírus, ouço um virologista. Se quero saber sobre pandemias, ouço um epidemiologista. Se quero saber sobre a vacina da Pfizer, ouço um especialista em biologia celular. E por aí fora... 

Hoje, na palma da mão, posso encontrar o método do Dr. Noronha na operação ao ligamento cruzado anterior. Hoje, na palma da mão, posso saber na hora como está o tempo em Marte. 

Hoje não são precisos acetatos para aprendermos e estamos a desperdiçar o melhor tempo que a humanidade já teve no que ao acesso à informação diz respeito. 

Serve, portanto, este meu artigo de opinião, para incentivar as pessoas a criticarem. Incentivar as pessoas a fazerem boas pesquisas. Incentivar as pessoas a não se deixar influenciar por influencers. 

João Pedro Ferreira

27 de fevereiro de 2021

Não metam mais água nem deixem que a um mau negócio se acresça uma má fatura!

A última vez que aqui escrevi sobre o tema que por estes dias faz correr mais tinta…, comecei por referir que: «Volvidos apenas cinco anos da concessão dos serviços de água e saneamento por parte do Município de Arouca à atualmente denominada Águas do Norte, está cada vez mais evidente uma “rutura” carecida de reparação ou substituição. No entanto, é preciso alguma prudência, não vá a emenda revelar-se pior que o soneto».

Por essa altura e pelas razões já por demais conhecidas, o executivo camarário acabava de tomar a decisão de avaliar e verificar se os pressupostos e objetivos que suportaram a decisão de aderir ao “Sistema de Águas da Região do Noroeste” estão a ser cumpridos, para, em última análise, rever ou até mesmo desvincular-se da participação naquele sistema multimunicipal, conforme a opção que melhor sirva os interesses dos arouquenses.

Ainda não são conhecidos os resultados dessa avaliação, mas a turbulência está a aumentar e o executivo camarário começa a acusar a pressão da água, ao ponto de tomar agora, com a abstenção dos vereadores do PSD e CDS, uma medida mais radical, que acentua a vontade do município em abandonar aquela parceria, mediante pagamento de uma indemnização no valor correspondente ao investimento realizado no concelho.

É evidente que essa proposta não será aceite, que a questão não é assim tão simples nem se reduz ao mero investimento realizado, tanto mais que o comprometimento do município com os sistemas de água e saneamento não se reduz já apenas ao contrato de parceria pública assinado em 5 de Julho de 2013. Mas imaginemos que era assim tão simples e que aquela proposta era aceite. Estaria o município à altura de se desvincular das parcerias assumidas nesta matéria e implementar os respetivos sistemas e serviços, com maior eficiência e resultado, com reflexos mais em conta na fatura dos consumidores? Terá o executivo feito as contas e estará em posse de dados que o garantam?

Há apenas cinco anos, José Artur Neves, então presidente da Câmara, de que Margarida Belém era número dois, garantia ao jornal Roda Viva – como se pode ler nesta última edição - que o município, para além de ter um sistema altamente deficitário, não tinha alternativa se não aderir a um sistema multimunicipal. E que só dessa maneira se evitava que a tarifa não atingisse valores incomportáveis para a população. Mais asseverava que, para além do sistema económico-financeiro do município não ser viável, estava vedada a possibilidade de conseguir financiamento comunitário para os investimentos de que o município carecia e que rondavam cerca de 20 milhões de euros, concluindo que o município com o seu orçamento jamais conseguiria fazer tais investimentos.

Estará o atual executivo camarário em situação de garantir que tudo mudou em apenas cinco anos e que o município está agora em condições de resgatar a concessão e fazer o investimento que falta, sem sacrifício desmesurado para o seu orçamento, e em condições de implementar aqueles sistemas e serviços com maior eficiência e resultado, e mais em conta para a população? Ou é apenas um não sei por onde vou, só sei que não quero ir por aí?

Talvez seja mais prudente exigirem-se as conclusões da avaliação e as correções que em resultado daquela devam ser feitas, colmatando depois o que subsistir desarrazoado com medidas ao alcance de serem tomadas pelo município; e continuar a cumprir os termos da concessão, exigindo-se melhor serviço e maior investimento, até que o concelho fique totalmente coberto, e depois, então depois, já mais próximo do prazo contratualmente previsto, pondere-se a desvinculação do município e resgate da concessão. Não se meta é agora mais água nem se deixe que a um mau negócio se acresça uma má fatura!

26 de fevereiro de 2021

Ainda a água...

O tema da água tem marcado agenda pública e politica de Arouca nos últimos largos meses. Mas muito mais que um tema que "nos" separa, anuindo ao artigo de opinião que a presidente da Câmara Municipal de Arouca fez publicar no Diário de Notícias (agora exclusivamente digital), deveria ser, antes de tudo, um tema que "nos" une. Nos une, principalmente na clarificação da nossa posição com a da empresa Águas do Norte (AdN), também ela pública e a prestar serviço público.

Acerca do complexo mundo da água já escrevi aqui (link) em Outubro de 2020 e sugiro a leitura para se perceber um pouco melhor essa complexidade ao nível do fornecimento e gestão.

Escrever sobre todo este processo de forma leve e não exaustiva é um enorme desafio. Neste artigo vou unicamente expor algumas questões que penso que já deveriam ter sido esclarecidas há muito para uma tomada de consciência cívica e politica mais assertiva.

  • Está a empresa a cumprir com o estipulado no contracto inicial?
  • Como justifica a empresa e o porquê dos aumentos? "água aumentar 76%, e o do saneamento 239%"
  • O serviço (ignorando pra já o valor) prestado pela empresa AdN está de acordo com o esperado e apresenta qualidade?
  • O investimento realizado à data em saneamento e água pela AdN em Arouca está dentro do acordado?
  • Quanto custará na realidade o resgaste do contrato?
  • Terá a autarquia que pagar unicamente o investimento da AdN no concelho como já li por aí? E os funcionários? Os equipamentos? A Frota?
  • Qual o valor da indeminização adicional a que obriga o resgaste?
  • Tem a autarquia capacidade de prestação de um serviço de qualidade em fornecimento de água e rede de saneamento a preço justo se assumir este serviço?
  • Qual o diferencial entre as receitas geradas pela água e saneamento e o custo real destes serviços, com respetivos investimentos e manutenção? Sabemos que nos resíduos sólidos as receitas cobrem 45,4% do custo e a autarquia coloca do erário público 328.056.00 Euros para cobrir o diferencial. Como será na água e saneamento? de que valores falamos?
  • É possível "obrigar" a empresa a renegociar ou a única solução é sair?
Estas são algumas, muito poucas, das questões que urgem ser respondidas. Continuo sem perceber porque é que este assunto tem sido tratado com tanto sigilo. Não se conhece, não se discute e, acima de tudo, não se "resume" para termos uma melhor perceção dos termos do contrato de adesão para que todos os arouquenses o possam perceber e não opinar sobre a espuma das ondas.

Não se conhece e não se discute a auditoria contratada para avaliação do assunto para que possam ser tomadas posições e decisões mais coerentes, menos dúbias e menos esclarecidas.

O tema da água é um assunto muito sensível e mais será nas próximas décadas em todo o Mundo e não apenas em Portugal, no Norte ou em Arouca. Não podemos basear as opiniões em argumentos como "Arouca é terra de rios e de muitas fontes que jorram água permanentemente"!!! Por isso, exige-se aos decisores e agentes políticos com responsabilidade na matéria, que se esforcem para que este processo seja "claro como a água", fornecendo toda a informação disponível.

É um tema que não deve compactuar com meias verdades, com subjetividade e confusão. É um tema demasiadamente importante para se vergar a populismos ou fundamentos eleitoralistas.

Tal como todos os arouquenses, estou certo, é o mínimo que exijo para que depois se tome a melhor decisão, seja ela fácil ou não, seja ela de permanecer, renegociar ou sair. 

23 de fevereiro de 2021

No território de Arouca, não se devem enfatizar as montanhas em detrimento dos vales...

Na sequência de ter visto um vídeo da Câmara Municipal que promove Arouca, senti, por uma questão de rigor científico e factual, que seria necessário referir que, no território de Arouca, nunca se devem enfatizar as montanhas em detrimento dos vales, porque isso não corresponderia à realidade do território arouquense.
Repito o óbvio, que é imediatamente observável e constatável: A Vila de Arouca, que tem cerca de 5 200 habitantes, sede de um concelho da Área Metropolitana do Porto e da Região Norte com cerca de 22 360 habitantes, localiza-se num vale de grande dimensão e não na Serra da Freita. A Vila de Arouca localiza-se no Vale do rio Arda, na Bacia e na Região Hidrográfica do rio Douro. As zonas de vale e de meia-encosta do concelho de Arouca são as mais populosas e não as zonas de serra, que são muito pouco populosas. Nesse sentido, a componente humana do concelho de Arouca que mais contribui para a definição identitária do concelho de Arouca como um todo, em termos estruturais, é, como sempre foi, forjada a partir da identidade das populações das zonas de vale e de meia-encosta do concelho e não das zonas de serra, que são exíguas em habitantes. A Vila de Arouca e o Vale do rio Arda, que se distende, depois, no espaço administrativo de várias freguesias arouquenses, para oeste e que se liga, em Rôssas, ao Vale do rio Urtigosa, são o território mais populoso que mais contribui, em termos de componente humana, para a definição identitária do concelho de Arouca como um todo.
gravura: Arouca Geopark

O território do município de Arouca apresenta as características típicas do Douro Litoral, em plena bacia hidrográfica do rio Douro, que tem, como capital, a cidade do Porto: é um tipo de território constituído por vales, planaltos e meias-encostas férteis, com uma parte montanhosa considerável, onde a agricultura e a silvicultura têm uma expressão significativa e complementar na economia local, que é parcialmente industrializada e terciarizada e em forte conexão sócio-económica com os concelhos vizinhos, mais industrializados, localizados a oeste e a noroeste. Território que tem, portanto, abundância de cursos de água que nascem nos cumes das montanhas e formam os vales típicos do Douro Litoral, como o vale do rio Arda, onde se localiza a sede do concelho, que se distende do sopé do monte cónico da Senhora da Mó até ao lugar da Pedra Má, na freguesia de Rossas, onde, por sua vez, se localiza um vale fértil, irrigado pelo rio Arda e pelo Rio Urtigosa. O vale de Moldes (Arouca) ou os planaltos de Alvarenga, de Chave (Arouca) e de Mansores também são exemplos desse território autóctone, típico da região do Douro Litoral. "

20 de fevereiro de 2021

A Pensar Alto! Por aí... O Percurso.

Comecei a escrever este pequeno texto sem uma ideia bem definida acerca do tema e de que iria tentar falar, mesmo que em pensamento. A preocupação maior é não resvalar para o óbvio e desatar a dar-me de entendido acerca da covid 19, porque destes está tudo cheio. Basta passar os olhos por um jornal, ouvir um debate ou uma conversa na tv, e berço dos berços ler atentamente os comentários nas tão modernas redes sociais. Entendidos, especialistas, analistas, experientes em nada e mais alguma coisa, tudo escreve. Erros de ortografia à parte, todos querem dar a opinião, passou a ser um direito, melhor, uma obrigação, calado é que eu não fico, mesmo que corra o risco de a mosca entrar. Admira me não ser criada uma associação nas redes sociais, para se fazer ouvir junto dos especialistas a sério, dos que aconselham as autoridades, também eles por vezes em tão grande número que as opiniões até se contradizem, e se umas são mais reais outras são de morrer com o susto. País original este. Avancemos. De eleições também não quero falar, o que passou lá vai e das próximas se bem que já me parece ver alguns candidatos ou pseudocandidatos em bicos de pés a pensar que a hora está próxima, nem se sabe bem quando são. Uns querem nas datas previstas, outros lá mais para a frente, pode ser que melhore qualquer coisa. Assim como aquele passeio de domingo que promete chuva, mas há sempre a esperança de só começar quando já estamos em casa. De confinamentos, é tema que esgota a paciência de um santo, é um atrás do outro. De crise, tinha pano para mangas o dia a dia é fértil nesse assunto e é como o vento de verão, sopra de todo o lado. De resto, para quem sabe o que é confinamento as conversas são muito menos, os contatos resumem se ao indispensável e mesmo estes com racionamento, mas muito ricos como se a língua tivesse medo de não recuperar a ligeireza dos tempos antigos. A vida deu uma volta que demoram todos a digerir. Até o otimismo tem que ser embrulhado em reticências, não vá parecer algo tipo blasfémia. A morte passou a ter contador, e os números ora sobem ora descem a embalar estes dias em que as descrenças começam a ganhar terreno, e lá vão amigos e conhecidos. Avancemos, em resumo, dias e noites, noites e dias muito iguais, mas com todo o tempo a ser aproveitado da melhor maneira que cada um se permite. Escrever faz parte disso. Ainda bem que  Arouca tem sempre assuntos novos. O novo percurso  ao longo do vale que nasce ali pela Vila e acompanha o rio, é verdadeiramente um sucesso, não sei se vai ser ciclo ou eco, sei que vão ter de coexistir e partilhar o mesmo chão, ouvir os mesmos cantares que sobem do rio, ora com mais ora com menos água, fazer as mesmas pausas e conviver com os colegas de rotas. Um percurso em versão soft daqueles antigos que nos enlameavam as botas e faziam chegar a casa com os pés molhados e reprimenda calorosa. Moderno, tranquilo e de fácil acesso, com as comodidades dos dias de hoje, rapidamente vai ficar repleto de muitos passos, rápidos ou lentos conforme o ânimo e a intenção do passeio. Ainda em obras, já se vai adivinhando o traçado completo e será uma forma de todos poderem ter mais saúde, se o que dizem é verdade, que caminhar traz saúde. Anda muita gente por lá durante quase todo o dia. A maior parte com todos os cuidados e a cumprir as regras, sejam casos individuais com os pensamentos sombrios a manterem se distantes, se calhar por causa daquele verde semeado de pássaros e coisas belas, outros em grupos pequenos e quase sempre familiares, uma partilha de encantamento físico distribuído por várias gerações. Este percurso, que até pode ficar caro, ter uma manutenção pesada, mas vale o esforço pelo que nos devolve em horas de exercício, convívio e aproxima das raízes de camponeses que quase todos transportamos. E tudo isto em segurança, sem fugas apressadas de veículos que trazem sempre a pressa no destino. Foi uma ideia que me parece agradar à grande maioria, mas esperemos pelo desenvolvimento destes tempos pandémicos, porque aí sim se tirarão as dúvidas. O investimento feito servirá também para atrair de novo os muitos turistas que nos visitavam e tão satisfeitos encontravam de novo as estradas para suas casas. Para nós e para eles. A nossa economia precisará de novo que o turismo regresse, que as estruturas existentes abram de novo as portas, que as filas nos restaurantes e cafés se acumulem ao longo do dia, e este percurso vai contribuir com a sua parte, tenho a certeza. Afinal vou terminar com noticias agradáveis, se calhar por causa das rabanadas de vento frio e alguma chuva que ainda estou a tentar secar da ultima caminhada. Que bom. Agora até tinha mais assuntos, a nova ponte, o aniversário da ASARC, a organização da vacinação com os seus passos muito curtos, as contrariedades que vão surgindo, a população que por estas bandas vai diminuindo, mas hoje, fico por aqui. Corre lentamente o ano de 2021. Continuamos em confinamento, mas acredito que o futuro irá regressar. Cada um tem que cumprir a sua parte, só isso. Cá ficamos á espera da vacina.