23 de abril de 2021
Nunca, como hoje, foi tão necessário concretizar a Regionalização
19 de abril de 2021
Simão Oliveira e a vitória pelo que (en)canta
Quando concluir este apontamento que vou escrevendo noite dentro, com o The Voice Kids em fundo, já o Simão, muito provavelmente, venceu esta edição do programa e todos estejam a festejar ou a associar-se aos festejos da vitória e a comentar a sua prestação, não havendo, provavelmente, muito a acrescentar, para além de, como arouquense e amigo da família, me associar também e manifestar o orgulho pelo tanto que (en)cantou.
Gala após Gala, a crescente mobilização dos arouquenses, que se evidencia pelas redes sociais, com o pessoal do comércio e instituições locais, e até a própria presidente da Câmara, a ostentar o cartaz do Simão, como declaração de apoio, indicia uma forte possibilidade de vitória. Com efeito, é o público, pelo seu voto, que tem o poder efetivo de decisão e, por isso, a importância da mobilização.
Não vale a pena questionar agora as regras do concurso. São conhecidas de todos, especialmente dos interessados, desde o início e todos têm ao seu alcance fazer o que mais puderem com vista ao melhor resultado possível. A decisão podia, muito naturalmente, ser dos mentores ou de um júri, mas, das galas à final, não é, e todos sabem que não é. E, também por isso, se sabe que não estão em jogo apenas as interpretações musicais, mas também o mais que cada um dos concorrentes é e faz por merecer eliminatória após eliminatória, e até mesmo independentemente destas.
Se não fosse de Arouca e não conhecesse o Simão, a minha eleita seria a Rita Rocha. Mas sou de Arouca e conheço o Simão, pese embora nunca tenha falado com ele para além da circunstância em que me cruzo e converso com o pai na sua companhia; e, provavelmente, ele não me conheça até tão bem como eu o conheço, mas, a verdade é que também não sou nem serei já tão conhecido e famoso como ele é, ainda com apenas 14 anos. Porém, o facto de ser seu conterrâneo e o conhecer, é-me mais e bastante para, independentemente das interpretações - que aprecio pelo que lhes empresta de genuíno e sentido -, lhe dar o(s) meu(s) voto(s) e torcer pela sua vitória.
Acresce que o Simão, para além do seu singular talento e inegável preferência pelo fado, revelou sempre uma faceta e personalidade genuínas - como sabemos -, mas raras e peculiares nessa idade, o que muito engradeceu a participação e colmatou qualquer insuficiência e até a invariabilidade do género musical, não deixando ninguém indiferente, dentro e fora do concurso, como, de resto, foi sendo manifestado por todos os mentores e pela esmagadora maioria do público. Por isso, independentemente do desfecho desta noite, o Simão, pelo que (en)canta, já venceu.
18 de abril de 2021
Rotas e Trilhos: da Terra ao Mar
"O Município de Arouca em parceria com o BTTArouca, iniciou o programa ROTAS E TRILHOS. O programa consiste em lançar desafios ao longo do ano, nas vertentes de caminhada, corrida de montanha e BTT, pelos recantos do território do Arouca Geoparque."
Aos organizadores parabéns, a todos os outros deixo a sugestão: aventurem-se
11 de abril de 2021
Santo Ivo me ajude e me perdoe!
Santo Ivo me ajude sempre a ter um comportamento público e profissional adequado à dignidade e responsabilidades das funções que exerço, cumprindo pontual e escrupulosamente os deveres que me são consignados pelos estatutos do meu oficio e todos aqueles que a lei, os usos, costumes e tradições profissionais me impõem, não descurando nunca a honestidade, probidade, retidão, lealdade, cortesia e sinceridade como obrigações profissionais.
Santo Ivo me ajude, no exercício da profissão, a manter sempre e em quaisquer circunstâncias a minha independência, de modo a agir livre de qualquer pressão, especialmente a que resulte dos meus próprios interesses ou de influências exteriores, abstendo-me de negligenciar a deontologia profissional no intuito de agradar a clientes, colegas, tribunais ou terceiros.
Santo Ivo me ajude a não me pronunciar publicamente, na imprensa ou noutros meios de comunicação social, sobre questões profissionais pendentes e, muito menos, a emitir publicamente opinião sobre questões que saiba confiadas a outros colegas, cavalgando as ondas dos dias e fazendo paragonas da espuma que fica.
Mas, Santo Ivo, perdoe-me também não contribuir muito mais para o esclarecimento público e assim, pelo menos, tentar demover muitos daqueles que se deixam arrastar pela enxurrada da desacreditação e descredibilização das instituições, da Justiça e da Democracia, mesmo sem saberem muito bem onde os leva essa imprudente e irrefletida voracidade.
Perdoe-me Santo Ivo, não conseguir a disponibilidade que tais almas requerem, quantas vezes em vão! Pois na maior parte dos casos, motivadas por informações dúbias, mal googladas ou incompletas, que absorvem e difundem, sem cuidar de esclarecer - porque nem querem -, quantas delas só porque sim, mas talvez até porque, mais do que exigir e pugnar pela boa administração da Justiça e bom funcionamento da Democracia, precisam exorcizar pecados ainda por remir, ocultar ou compensar frustrações pessoais ou vingar a pronúncia por comportamentos ainda não prescritos.
E ajude-me, Santo Ivo, a aceitar e preservar o principio de que as decisões não são boas ou más por serem ou não condizentes com a minha opinião, pois não devo ignorar que esta Justiça é Humana e o Direito não é matemática e, por isso, tenho de estar preparado para aceitar que haja decisões e formas de apreciação, interpretação e fundamentação, diferentes das minhas. Na certeza, porém, de que a Justiça, embora vendada às partes, não é cega à melhor subsunção dos factos nem surda aos mais verosímeis argumentos, e, por isso, se necessário, sempre me será possibilitado requerer a reapreciação e sindicância dessas decisões.
Tenho, pois, esperança no bom funcionamento da Justiça, e não estou disponível para contribuir - antes pelo contrário - para a desacreditação e enfraquecimento do significado dos símbolos que lhe são próprios: a venda nos olhos, que simboliza a imparcialidade e a ideia de que todos são iguais perante a lei; a balança, que simboliza o equilíbrio das forças desencadeadas e a ponderação; e a espada, que simboliza a capacidade de exercer o poder de decisão com rigor e firmeza.
Esteja, no entanto, também o Direito à altura, expurgado de expedientes dilatórios e vedado de brechas e escapatórias. O que numa primeira fase não compete ao poder Judicial, mas sim ao poder Legislativo.
Nota: para quem não saiba, mas, principalmente, para aqueles que até já nem aqui chegaram, dado formarem logo uma ideia sobre o texto a partir do título, tomando a aparência pela realidade e o parcial pelo integral, estoutro Ivo é um Santo católico, padroeiro de todos os profissionais de Direito, especialmente dos advogados.
31 de março de 2021
Sobre a polémica em torno dos prémios do turismo
Depois do presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve ter sugerido que os prémios do turismo são comprados, os World Travel Awards e, nomeadamente, os prémios repetidamente atribuídos aos Passadiços do Paiva naquele evento, têm estado a ser questionados e até desacreditados, por algumas pessoas de Arouca e mesmo por forasteiros.
A alegada compra dos prémios prende-se com o facto dos interessados em colocar locais ou equipamentos de atração turística a concurso, terem de pagar uma inscrição e depois terem que pagar também o respetivo troféu e diploma, bem como suportar os custos da presença na respetiva gala.
E, ao que julgo saber, é isto que tem causado estranheza, estupefação e indignação a algumas pessoas, que, por isso, estão empenhadas em questionar, desacreditar e, também assim, desmerecer os prémios que o Município tem repetidamente alcançado com aquele equipamento turístico ou, simplesmente, como convém à época de concurso ao poder, apenas ver o "circo a arder". Assim, como se fosse a cereja no topo do bolo de todos quantos regressam dos Passadiços do Paiva, com o sentimento de que não valeu a pena ou de que foram enganados. Só que não!
Abstendo-me de comentar o funcionamento desse tipo de eventos e prémios, pois é o que mais para aí há, mesmo entre nós, como, por exemplo, as também bem pagas "7 Maravilhas de Portugal"; em minha opinião, "levantada a lebre", quando muito, poderá questionar-se (em órgão próprio) o custo/benefício "da compra" para o município e para os arouquenses, tal como se faria com o investimento num qualquer tipo de publicidade. Mais do que isso, é pura demagogia e populismo e, em alguns casos, mero oportunismo eleitoralista, que não beneficia ninguém.
Pessoalmente, acho plenamente justificado o investimento (que não conheço, mas que também nunca vi questionado por deputados municipais e vereadores, pelo que não será de grande monta), pois, para além de efetivamente existir um concurso, "comprado" ou "por comprar", com mais participantes (alguns dos quais até ficarão aquém do prémio pretendido, apesar do investimento, imagine-se...), tem sido evidente a publicidade e retorno para Arouca e para os Arouquenses, nomeadamente para a hotelaria e restauração.
30 de março de 2021
Planta rara e em perigo de extinção foi encontrada no Arouca Geopark
26 de março de 2021
A Pensar Alto! Vamos todos ficar bem... O arco-íris de cores carregadas.
Um ano. Passou um ano que de repente sem grandes discussões, experimentamos pela primeira vez o confinamento, uma espécie de prisão dourada, quase todos nos domicílios sem contactos ,o mínimo de companhias, com receios a substituir as conversas e futuros negros nos pensamentos. Num instante, lá foi a vida que julgávamos nunca sofreria tais alterações, nunca na pior das hipóteses e logo da maneira que foi. Assustados, intimidados com as notícias e mais, cada um se fechou num casulo de aparente segurança, e esperou que os dias passassem com muita rapidez, para numa qualquer manhã quando os olhos se abrem mais, com sol mais quente e pensamentos mais brilhantes, tudo tivesse terminado e lá íamos de novo para o costume, aquelas rotinas de que temos saudades. Sem abraços, sem beijos, muitos sem família, sós com os receios que podíamos ser os escolhidos pelo vírus invisível e mais assustador, presente em todo o lado, até nos sorrisos de uma inocente criança. Raio de doença, e logo nesta altura, como se houvesse data escolhida para mal de tal dimensão. Como conforto à medida do passar dos dias, os arco-íris com coloridos a apagar o negro da situação, e muitas esperanças que no fim, sim, porque isto ia ter um fim, íamos ficar todos bem. Mas não era só isso, no final o mundo ia ficar diferente, passe de mágica que o tal estranho vírus ia conseguir. Nunca mais se repetiriam erros tão habituais, de ganância a atropelar homens e natureza, o ambiente ia ficar um brinco, as sociedades iam cair em si e alterar as produções, a poluição reduzida a quase zero, enfim cada respiro só com ar do mais puro, tudo embrulhado naquela solidariedade de oportunidades que muitos já nem se lembravam que existia e que finalmente iria permitir um mundo mais solidário e igual. Passou um ano, um ano e mais alguns dias. Alguns, muitos, não conseguiram terminá-lo porque as coisas foram ficando mais complicadas, ora melhor ora menos pior, sempre os receios presentes, a esperança a ter dias, os desânimos a aparecer cada vez mais como aquelas visitas que nem precisam que se abra a porta principal e vão entrando nem que seja pelos fundos mais escondidos. Mais um dia, de repente outro, mais um mês e é verdade mais um ano, um instantinho. Agora sei que não vamos ficar todos bem, pelo contrário, muitos vão ficar bem piores, outros além de se esconderem do horrível diário, ensaiam já a indiferença que foi sempre o rumo que mais os orienta. Não está para contemplações como dizia o meu pai quando jogava o Porto. Salve-se quem puder, ou cada um por si e logo se vê. Afinal está tudo na mesma e não vamos ficar todos bem, uns melhores que outros, o costume sem novidades. As vacinas chegaram. Primeiro passo ou último, para que regressem os abraços e o estalar dos dedos num aperto de mão a que temos que nos habituar de novo antes que isto se prolongue tanto tempo que já nem nos iremos lembrar do calor de coisas tão banais. Critérios sempre a deixar dúvidas, “porque ele e não eu??” Casos a aparecer em catadupa, “sou eu o prioritário”, “e eu?” “ainda mais prioritário que todos os outros”, “estou em contato com muita gente,” “foi para aproveitar pois iam para o lixo”, em resumo, “eu é que devo ser o primeiro, perguntem ao meu médico,” “logo vão ver que a minha intenção era a melhor.” Tudo na mesma, bastou caírem os primeiros raios de sol de uma possível melhoria que tudo voltou, o pior voltou. Fraco sinal para o que ainda nos aguarda. Agora são as marcas, entendidos em marcas de vacinas aparecem como cogumelos, “só tomo a tal, as outras não me servem”, “não inspiram confiança”, organismos diferenciados neste retorno que não aparenta ser definitivo. Tudo igual. Com a cabeça mais enfeudada às tristes e longuíssimas horas de televisão com a acefalia no máximo, estão de regresso. Pelo menos não enganam, durou pouco a esperança de melhores dias e melhores tempos. Vai ficar tudo pior ou é impressão minha? Aguardemos para ver. Foi bonito enquanto durou e é pena mudar as cores ao arco-íris da esperança para um arco-íris de cores quase negras que perpetuem a falta de esperança. Isto sou eu a pensar, porque estou num momento de pessimismo e as luzes ao fundo do túnel estão a ficar raras e muito caras para quem começa a ficar sem grandes alternativas. Estamos a ficar assim a modos de esgotados, nervosos e os dias passam e as soluções de tanto procuradas parecem querer brincar ao esconde, esconde, aparecendo num dia e desaparecendo no outro. De resto a vida prossegue cavando ainda mais as diferenças e isso não há arco-íris capaz de esconder, isso será mais uma coisa que irá depender de todos, de nós, de si em particular. Não contribuamos para ser culpados neste retrocesso que se aproxima na vida de muita gente, por omissão ou comodismo. Da mesma forma que acreditamos nas vacinas e no esforço que muitos fazem para a nossa saúde, devemos acreditar que ninguém vai ser abandonado e mesmo com dificuldades o indispensável não está perdido. Temos que acreditar no bom senso e em que vale a pena acreditar nos desenhos das crianças porque estas os fazem com o coração pequenino, mas os sentimentos muito grandes.
23 de março de 2021
Silveiras - fragmentos quotidianos de uma aldeia beirã
O filme é de 1981 , a produção do Clube Cinematográfico de São João da Madeira. Um raro filme documentário sobre as vivências daquelas gentes serranas há 40 anos atrás. Dos poucos filmes a cores onde podemos por exemplo ver o complexo mineiro da Poça da cadela em Regoufe antes de ser vandalizado e muito, muito mais...
18 de março de 2021
O Plano de Recuperação e Resiliência e a conclusão da 3.ª fase da Variante à EN326 de Arouca
12 de março de 2021
Poema publicado há precisamente 100 anos!
Completa hoje, 12 de março de 2021, precisamente, uma centena de anos que José Pereira Pinto publicou o poema "Junto a um berço", na Gazeta de Arouca e que abaixo se transcreve:
Junto a um berço
Oh! Quanto é bela, ó Sol, a tua luz calma
E lindo o teu sorrir - beleza estranha! -
Que arroubos que prazer se sente n'alma
Quando despontas no alto da montanha!
Mas mais belo que tu, Sol cristalino
Que vejo despontar no Oriente,
É o fulgor que do berço pequenino
Esparge uma criança, um inocente.
escrito em março de 1917 por José Pereira Pinto,
publicado na Gazeta de Arouca, a 12 de março de 1921
José Pereira Pinto é um ilustre arouquense, nascido na freguesia de Alvarenga a 16 de janeiro de 1898, que concluiu o curso da Escola Normal do Porto, em 12 de agosto de 1920, com 17 valores.
Iniciou a carreira docente em Nespereira, concelho de Cinfães, em dezembro de 1920. Transitou para a escola do Paço, em Alvarenga, onde tomou posse como professor efetivo em 1926, ainda a escola não estava concluída. Entre 1926 e 1945 José Pereira Pinto deu aulas em Alvarenga e viveu na escola onde estava instalada a "casa do professor". Em 1945, muda-se para o Porto com a esposa e com os seis filhos, para que estes pudessem prosseguir os seus estudos.
Em 1949 foi nomeado professor de Didáctica Especial e Legislação e Administração Escolar na Escola do Magistério Primário do Porto. Aposentou-se em 1966, após 42 anos de lecionação.
Além de professor, José Pereira Pinto foi autarca, assumindo o pelouro de Vereador da Câmara Municipal do Porto no quadriénio de 1969-1972, presidindo à Comissão Municipal das Construções Escolares, sendo Vogal do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Gás e Eletricidade, foi Vereador Delegado à Junta Distrital do Porto, etc.
É reconhecido o seu mérito no Porto pelo seu trabalho em prol da Educação e da Cultura e por ter constituído uma família ilustre, com numerosa prole, todos dedicados ao ensino.
José Pereira Pinto, professor, poeta, músico, pai e amante das árvores e da natureza, desde novo publicou nos jornais da sua terra natal poemas como o que agora se relembra e livros de sua autoria, em vida e póstumos, pela mão do seu filho José Nuno Pereira Pinto.
Bibliografia:
Pinto, José Pereira, Esparsos. Arouca: edição de José Nuno Pereira Pinto, maio de 2019
11 de março de 2021
"Mas eu li um estudo que dizia..."
Não poucas vezes damos por nós, numa qualquer conversa, a ouvir ou a dizer, como forma de argumentar uma opinião, o seguinte: "Mas eu li um estudo que dizia..."
A verdade é que, realmente, existem estudos para tudo e mais alguma coisa, sobre qualquer tema ou assunto e com as mais diversas conclusões. Somos capazes, inclusive, sobre uma mesma matéria, de encontrarmos não só conclusões diferentes como contraditórias. E porquê? Como hei-de saber se aquilo que estou a ler é ou não fiável? Por que o "meu" estudo é melhor que "teu"?
A minha ideia não é, de todo, dar uma aula de epidemiologia. Não pretendo, tão pouco, maçar o leitor com uma explicação demasiado exaustiva sobre o tema. Aliás, para que saibam, a área é tão complexa que há teses de mestrado e doutoramento dedicadas ao estudo de estudos.
Ainda assim, acho necessário fazer uma explicação um pouco mais técnica para tornar o assunto mais perceptível.
De forma bem simples, existem 3 grandes tipos de estudos: os Observacionais (descritivos e analíticos), os Experimentais (randomizados) e os Quase experimentais (não randomizados). Ainda existem as meta análises.
Nos primeiros não existe intervenção de quem faz o estudo, enquanto que nos outros, sim. Ou seja, nos estudos observacionais, o investigador apenas descreve o que se propõe a investigar (tira uma espécie de fotografia da realidade) enquanto que nos experimentais e quase experimentais o investigador cria as condições para realizar uma determinada experiência. Intervém, objectivamente, na mesma. E chega. Para o meu objectivo, esta explicação simples e sucinta, serve perfeitamente.
Muito importante, então, para sabermos interpretar as conclusões que nos entram pelos olhos, é sabermos que existe uma hierarquia no que à fiabilidade diz respeito. Em teoria, uma conclusão dum estudo experimental randomizado será a mais fiável. A seguir são os quase experimentais e, só depois, os Observacionais. Ainda pudemos apertar mais o crivo e escolher as chamadas meta análises (análise das conclusões de vários estudos sobre um mesmo tema e perceber para onde tende as diversas teorias).
Por exemplo, se alguém me disser que viu num estudo observacional que o bagaço com mel cura a constipação e se eu, num estudo experimental, randomizado, duplamente cego e estatisticamente significativo verificar que não faz rigorosamente nada, em teoria, serei eu a ter razão.
Para complicar isto tudo, mesmo dentro da categoria dos estudos mais fiáveis, existem inúmeros pouco recomendados. Por diversos motivos mas, essencialmente, por serem feitos de forma enviesada. São tendenciosos ou servem determinada agenda. Cheios de conflitos de interesse. E isso sabe-se. Isso está estudado e identificado. A título de exemplo, perceba o leitor que, uma conclusão dum estudo sobre cafés que tenha sido pago por uma determinada marca desse produto, não será muito rigoroso.
Embora este processo de análise pareça complexo, nós, os comuns cidadãos, temos a vida facilitada. Todo este crivo já foi feito por alguém. Apenas precisamos de consultar as melhores revistas e os melhores sites. Lá estarão, em teoria, os melhores estudos e os mais bem feitos. As conclusões mais fidedignas estarão, por exemplo, numa The Lancet, numa Nature ou numa Cell (no que à ciência diz respeito). Pouco me importa, honestamente, o que diz a Men's Health ou a revista Maria.
Para concluir, gostava apenas de reforçar que não tenho a pretensão de ensinar absolutamente nada. Trata-se, apenas, dum complemento ao artigo que aqui (link) escrevi anteriormente na esperança, humilde, em aumentar um pouquinho a literacia em ciência e, com isso, ajudar na selecção de boa informação.
João Pedro Ferreira
28 de fevereiro de 2021
A influência dos influencers
Tenho 39 anos. Acho que já tenho idade para dizer "Isto no meu tempo..." Pois bem.
No meu tempo, aquando da primeira licenciatura, há cerca de 20 anos, as aulas eram dadas com o auxílio de acetatos. Mal havia Internet. Os telemóveis serviam para (imagine-se) telefonar. Estudava para os exames na biblioteca ou através de sebentas impressas na reprografia. Para fazer a monografia recebíamos artigos pelo correio. O acesso à melhor e mais actual evidência era cara e demorava tempo. Era assim, ontem. Hoje não.
Hoje a informação chega-nos à velocidade da luz. A rodes. A boa, a má, a verdadeira ou a falsa. Tudo nos chega ultra rápido. Aliás, com esta história dos algoritmos, a informação chega-nos mesmo que não a procuremos. Através do nosso perfil, comportamentos, etc, o que nos entra pelos olhos dentro já está adaptado ao nosso padrão. Sem contraditório ou outras visões. Ajustado às nossas crenças, ideologias e interesses pessoais. E nós todos, sem excepção, somos levados a crer que aquilo é que está correcto. Sem questionarmos, sem duvidarmos, sem tomarmos a iniciativa de fazermos as nossas próprias pesquisas.
Este tem sido um drama enorme nos dias onde já não se aprende por acetatos. Associado à baixa literacia, nomeadamente na ciência, está a ausência de crítica e este fenómeno está a revelar-se surreal. Acompanhemos meia dúzia de comentários nas redes sociais e percebe-se fácil, acho eu, que o panorama da discussão pública está pela rua da amargura. Hoje, uma opinião é-nos apresentada como se de um facto se tratasse. Irrefutável, indiscutível e sem direito a contraditório. Somos bombardeados com as mais diversas aldrabices e não questionamos. Não criticamos. Não conferimos. Aliás, em tom de brincadeira, vai-se dizendo, até, que se está no Facebook é verdade. E isto não tem nada de engraçado. É perigoso e molda comportamentos.
E depois, como se não bastasse, todos os dias e nas melhores horas, ouvimos e vemos aqueles que tudo sabem. Não sou contra que estas pessoas digam o que mais bem lhes apetecer. Sou é a favor que se critique, que se investigue, que se confronte e que se compare com o que os especialistas dizem. E, para mim, está aqui a chave. Ouvir e ver especialistas. Se quero saber sobre vírus, ouço um virologista. Se quero saber sobre pandemias, ouço um epidemiologista. Se quero saber sobre a vacina da Pfizer, ouço um especialista em biologia celular. E por aí fora...
Hoje, na palma da mão, posso encontrar o método do Dr. Noronha na operação ao ligamento cruzado anterior. Hoje, na palma da mão, posso saber na hora como está o tempo em Marte.
Hoje não são precisos acetatos para aprendermos e estamos a desperdiçar o melhor tempo que a humanidade já teve no que ao acesso à informação diz respeito.
Serve, portanto, este meu artigo de opinião, para incentivar as pessoas a criticarem. Incentivar as pessoas a fazerem boas pesquisas. Incentivar as pessoas a não se deixar influenciar por influencers.
João Pedro Ferreira
27 de fevereiro de 2021
Não metam mais água nem deixem que a um mau negócio se acresça uma má fatura!
A última vez que aqui escrevi sobre o tema que por estes dias faz correr mais tinta…, comecei por referir que: «Volvidos apenas cinco anos da concessão dos serviços de água e saneamento por parte do Município de Arouca à atualmente denominada Águas do Norte, está cada vez mais evidente uma “rutura” carecida de reparação ou substituição. No entanto, é preciso alguma prudência, não vá a emenda revelar-se pior que o soneto».
Por essa altura e pelas razões já por demais conhecidas, o executivo camarário acabava de tomar a decisão de avaliar e verificar se os pressupostos e objetivos que suportaram a decisão de aderir ao “Sistema de Águas da Região do Noroeste” estão a ser cumpridos, para, em última análise, rever ou até mesmo desvincular-se da participação naquele sistema multimunicipal, conforme a opção que melhor sirva os interesses dos arouquenses.
Ainda não são conhecidos os resultados dessa avaliação, mas a turbulência está a aumentar e o executivo camarário começa a acusar a pressão da água, ao ponto de tomar agora, com a abstenção dos vereadores do PSD e CDS, uma medida mais radical, que acentua a vontade do município em abandonar aquela parceria, mediante pagamento de uma indemnização no valor correspondente ao investimento realizado no concelho.
É evidente que essa proposta não será aceite, que a questão não é assim tão simples nem se reduz ao mero investimento realizado, tanto mais que o comprometimento do município com os sistemas de água e saneamento não se reduz já apenas ao contrato de parceria pública assinado em 5 de Julho de 2013. Mas imaginemos que era assim tão simples e que aquela proposta era aceite. Estaria o município à altura de se desvincular das parcerias assumidas nesta matéria e implementar os respetivos sistemas e serviços, com maior eficiência e resultado, com reflexos mais em conta na fatura dos consumidores? Terá o executivo feito as contas e estará em posse de dados que o garantam?
Há apenas cinco anos, José Artur Neves, então presidente da Câmara, de que Margarida Belém era número dois, garantia ao jornal Roda Viva – como se pode ler nesta última edição - que o município, para além de ter um sistema altamente deficitário, não tinha alternativa se não aderir a um sistema multimunicipal. E que só dessa maneira se evitava que a tarifa não atingisse valores incomportáveis para a população. Mais asseverava que, para além do sistema económico-financeiro do município não ser viável, estava vedada a possibilidade de conseguir financiamento comunitário para os investimentos de que o município carecia e que rondavam cerca de 20 milhões de euros, concluindo que o município com o seu orçamento jamais conseguiria fazer tais investimentos.
Estará o atual executivo camarário em situação de garantir que tudo mudou em apenas cinco anos e que o município está agora em condições de resgatar a concessão e fazer o investimento que falta, sem sacrifício desmesurado para o seu orçamento, e em condições de implementar aqueles sistemas e serviços com maior eficiência e resultado, e mais em conta para a população? Ou é apenas um não sei por onde vou, só sei que não quero ir por aí?
Talvez seja mais prudente exigirem-se as conclusões da avaliação e as correções que em resultado daquela devam ser feitas, colmatando depois o que subsistir desarrazoado com medidas ao alcance de serem tomadas pelo município; e continuar a cumprir os termos da concessão, exigindo-se melhor serviço e maior investimento, até que o concelho fique totalmente coberto, e depois, então depois, já mais próximo do prazo contratualmente previsto, pondere-se a desvinculação do município e resgate da concessão. Não se meta é agora mais água nem se deixe que a um mau negócio se acresça uma má fatura!
26 de fevereiro de 2021
Ainda a água...
O tema da água tem marcado agenda pública e politica de Arouca nos últimos largos meses. Mas muito mais que um tema que "nos" separa, anuindo ao artigo de opinião que a presidente da Câmara Municipal de Arouca fez publicar no Diário de Notícias (agora exclusivamente digital), deveria ser, antes de tudo, um tema que "nos" une. Nos une, principalmente na clarificação da nossa posição com a da empresa Águas do Norte (AdN), também ela pública e a prestar serviço público.Escrever sobre todo este processo de forma leve e não exaustiva é um enorme desafio. Neste artigo vou unicamente expor algumas questões que penso que já deveriam ter sido esclarecidas há muito para uma tomada de consciência cívica e politica mais assertiva.
- Está a empresa a cumprir com o estipulado no contracto inicial?
- Como justifica a empresa e o porquê dos aumentos? "água aumentar 76%, e o do saneamento 239%"
- O serviço (ignorando pra já o valor) prestado pela empresa AdN está de acordo com o esperado e apresenta qualidade?
- O investimento realizado à data em saneamento e água pela AdN em Arouca está dentro do acordado?
- Quanto custará na realidade o resgaste do contrato?
- Terá a autarquia que pagar unicamente o investimento da AdN no concelho como já li por aí? E os funcionários? Os equipamentos? A Frota?
- Qual o valor da indeminização adicional a que obriga o resgaste?
- Tem a autarquia capacidade de prestação de um serviço de qualidade em fornecimento de água e rede de saneamento a preço justo se assumir este serviço?
- Qual o diferencial entre as receitas geradas pela água e saneamento e o custo real destes serviços, com respetivos investimentos e manutenção? Sabemos que nos resíduos sólidos as receitas cobrem 45,4% do custo e a autarquia coloca do erário público 328.056.00 Euros para cobrir o diferencial. Como será na água e saneamento? de que valores falamos?
- É possível "obrigar" a empresa a renegociar ou a única solução é sair?
23 de fevereiro de 2021
No território de Arouca, não se devem enfatizar as montanhas em detrimento dos vales...
20 de fevereiro de 2021
A Pensar Alto! Por aí... O Percurso.
Comecei a escrever este pequeno texto sem uma ideia bem definida acerca do tema e de que iria tentar falar, mesmo que em pensamento. A preocupação maior é não resvalar para o óbvio e desatar a dar-me de entendido acerca da covid 19, porque destes está tudo cheio. Basta passar os olhos por um jornal, ouvir um debate ou uma conversa na tv, e berço dos berços ler atentamente os comentários nas tão modernas redes sociais. Entendidos, especialistas, analistas, experientes em nada e mais alguma coisa, tudo escreve. Erros de ortografia à parte, todos querem dar a opinião, passou a ser um direito, melhor, uma obrigação, calado é que eu não fico, mesmo que corra o risco de a mosca entrar. Admira me não ser criada uma associação nas redes sociais, para se fazer ouvir junto dos especialistas a sério, dos que aconselham as autoridades, também eles por vezes em tão grande número que as opiniões até se contradizem, e se umas são mais reais outras são de morrer com o susto. País original este. Avancemos. De eleições também não quero falar, o que passou lá vai e das próximas se bem que já me parece ver alguns candidatos ou pseudocandidatos em bicos de pés a pensar que a hora está próxima, nem se sabe bem quando são. Uns querem nas datas previstas, outros lá mais para a frente, pode ser que melhore qualquer coisa. Assim como aquele passeio de domingo que promete chuva, mas há sempre a esperança de só começar quando já estamos em casa. De confinamentos, é tema que esgota a paciência de um santo, é um atrás do outro. De crise, tinha pano para mangas o dia a dia é fértil nesse assunto e é como o vento de verão, sopra de todo o lado. De resto, para quem sabe o que é confinamento as conversas são muito menos, os contatos resumem se ao indispensável e mesmo estes com racionamento, mas muito ricos como se a língua tivesse medo de não recuperar a ligeireza dos tempos antigos. A vida deu uma volta que demoram todos a digerir. Até o otimismo tem que ser embrulhado em reticências, não vá parecer algo tipo blasfémia. A morte passou a ter contador, e os números ora sobem ora descem a embalar estes dias em que as descrenças começam a ganhar terreno, e lá vão amigos e conhecidos. Avancemos, em resumo, dias e noites, noites e dias muito iguais, mas com todo o tempo a ser aproveitado da melhor maneira que cada um se permite. Escrever faz parte disso. Ainda bem que Arouca tem sempre assuntos novos. O novo percurso ao longo do vale que nasce ali pela Vila e acompanha o rio, é verdadeiramente um sucesso, não sei se vai ser ciclo ou eco, sei que vão ter de coexistir e partilhar o mesmo chão, ouvir os mesmos cantares que sobem do rio, ora com mais ora com menos água, fazer as mesmas pausas e conviver com os colegas de rotas. Um percurso em versão soft daqueles antigos que nos enlameavam as botas e faziam chegar a casa com os pés molhados e reprimenda calorosa. Moderno, tranquilo e de fácil acesso, com as comodidades dos dias de hoje, rapidamente vai ficar repleto de muitos passos, rápidos ou lentos conforme o ânimo e a intenção do passeio. Ainda em obras, já se vai adivinhando o traçado completo e será uma forma de todos poderem ter mais saúde, se o que dizem é verdade, que caminhar traz saúde. Anda muita gente por lá durante quase todo o dia. A maior parte com todos os cuidados e a cumprir as regras, sejam casos individuais com os pensamentos sombrios a manterem se distantes, se calhar por causa daquele verde semeado de pássaros e coisas belas, outros em grupos pequenos e quase sempre familiares, uma partilha de encantamento físico distribuído por várias gerações. Este percurso, que até pode ficar caro, ter uma manutenção pesada, mas vale o esforço pelo que nos devolve em horas de exercício, convívio e aproxima das raízes de camponeses que quase todos transportamos. E tudo isto em segurança, sem fugas apressadas de veículos que trazem sempre a pressa no destino. Foi uma ideia que me parece agradar à grande maioria, mas esperemos pelo desenvolvimento destes tempos pandémicos, porque aí sim se tirarão as dúvidas. O investimento feito servirá também para atrair de novo os muitos turistas que nos visitavam e tão satisfeitos encontravam de novo as estradas para suas casas. Para nós e para eles. A nossa economia precisará de novo que o turismo regresse, que as estruturas existentes abram de novo as portas, que as filas nos restaurantes e cafés se acumulem ao longo do dia, e este percurso vai contribuir com a sua parte, tenho a certeza. Afinal vou terminar com noticias agradáveis, se calhar por causa das rabanadas de vento frio e alguma chuva que ainda estou a tentar secar da ultima caminhada. Que bom. Agora até tinha mais assuntos, a nova ponte, o aniversário da ASARC, a organização da vacinação com os seus passos muito curtos, as contrariedades que vão surgindo, a população que por estas bandas vai diminuindo, mas hoje, fico por aqui. Corre lentamente o ano de 2021. Continuamos em confinamento, mas acredito que o futuro irá regressar. Cada um tem que cumprir a sua parte, só isso. Cá ficamos á espera da vacina.
16 de fevereiro de 2021
COVID(A) com Humor - Isto de usar máscara
“Isto de usar
máscara está-me a parecer uma grande treta”, ouvi de raspão, ao atravessar a
nossa linda Praça Brandão de Vasconcelos, em Arouca. Esta tirada tão sui
generis (ou talvez nem tanto), logo me despertou a curiosidade, como não podia
deixar de ser. Sou uma pessoa atenta aos que os outros pensam, interesso-me
pelas opiniões e modos de sentir as coisas daqueles que me rodeiam. Ser curioso
não é crime (por enquanto).
Abrandei
o passo, disfarçadamente, apurei os ouvidos e lá consegui apanhar mais algumas
coisitas da conversa entre dois senhores já de alguma idade. “Pois… não tenhas
dúvidas…foram os chineses, claro…estou em crer que isso do bicho até é invenção
só para nos prejudicarem”. “Achas?” “Acho, acho… não tenhas dúvidas… qual bicho
qual quê… primeiro inventam o bicho, depois é só vender máscaras.” “Às
tantas…eles têm é inveja… tinham de arranjar maneira de estragar a economia
mundial”. “Pois… e arranjaram… enquanto isso, a deles… é só subir à nossa custa!
É máscaras, é ventiladores…mas as máscaras então… ui, ui!”
Gostei,
sobremaneira, deste “ui, ui!”. Gostava de ter visto as caras que acompanharam
esta expressão, mas para isso, teria de olhar de frente os dois interlocutores,
e não me atrevi a tanto. Também gostei das máscaras colocadas no queixo (isso
ainda vi pelo canto do olho), usadas como quem diz “Se é obrigatório usar,
usa-se, mas que não servem para mais do que aquecer o queixo, lá isso bem
sabemos que não servem”.
Segui
o meu caminho, imersa em mil reflexões, como gosto de fazer quando deambulo
pelas ruas calmas da nossa linda Vila.
Ora
não é que aqueles senhores até não deixavam de ter razão?! Nunca tinha pensado
nisso desta forma, mas isto de usar máscaras… Acho que nos devíamos recusar a
cair nestas armadilhas dos chineses. É só mais uma forma de nos enganarem e nos
sugarem o nosso rico dinheirinho. As máscaras serão todas de fabrico chinês?
Que importa isso? É apenas um pormenor. O que importa é que estávamos muito bem
sem elas antes de eles terem inventado “o bicho”. Lá se vai o nosso rico
dinheirinho e pronto! Devíamos recusar-nos, volto a dizer!
Aliás…
pesando bem… se calhar, há muito mais coisas que são um perfeito abuso e não
são só as máscaras. E não é de agora, isto já dura há muito, muito mais tempo
do que podemos imaginar. Não sei se é tudo culpa dos chineses, mas enfim…
Se não, vejamos.
Nos bons e saudosos tempos do paraíso bíblico,
os nossos pais andavam nus. Hoje pode parecer-nos estranho e despropositado.
Mas, o facto é que para eles era bastante normal. É claro, temos de reconhecer,
que nos dias de hoje, esse uso (ou falta dele, depende do ponto de vista) seria
inadequado ao nosso clima. Mas, suspeito eu, que, precisamente desde aquela
decisão de se usar esses trapinhos a cobrir-nos, foi que o nosso corpo se desadaptou
do clima e começou a sentir necessidade de se cobrir para não morrer de frio.
Nós em Portugal, até temos um clima (dizem) bastante ameno, por isso, se
calhar, pensando bem, até poderíamos passar bem sem essas roupinhas inventadas
sabe-se lá por quem. Mas não. Pegou a moda e agora… temos todos de segui-la
como carneirinhos. É ou não verdade que, seguindo a versão das máscaras, são
tudo invenções para gastarmos o nosso rico dinheirinho e fazer subir a economia
de alguém que lucra à nossa custa? Devíamos pensar bem nisso e rever a nossa
posição em relação a esta questão.
Outro
exemplo. E este, parece que até é mesmo culpa (mais uma vez) dos chineses.
Estou a falar dos guarda-chuvas. Não há registo histórico de quem e em que data
exata foi este instrumento inventado. Mas, segundo se sabe, foi na China que
surgiu, por volta do séc. XI antes de Cristo. Ah, pois é! Mais uma perseguição
dessa cultura, e esta já de longa data. Ora, também me está a parecer que vou
deixar de comparar esse malfadado instrumento de tortura. Tortura, digo e
repito. Nem sei ao certo quantos guarda-chuvas compro por ano, mas vai em boa
conta. Estão sempre a perder-se, a ser deixados em todo o lado. Então para que
servem. Compramos… compramos… e, quando deles precisamos, nunca estão lá! E
ainda por cima, o melhor sítio para se comprarem, para além das feiras, é mesmo
nas lojas chinesas.
Não
que eu tenha alguma coisa contra esse povo. Antes pelo contrário. O mundo é um
lugar que obtemos de empréstimo (por sinal, por uns quantos anos, às vezes até
bem poucos) e que temos o dever de partilhar. Sinto-me, acima de qualquer outra
coisa, cidadã do mundo). Um pequeno quinhão chega-me bem (até me hei de, um
dia, contentar com bem menos). E, se os chineses inventam coisas, acho muito
bem. Eles ou quaisquer outros, evidentemente. Mas, o que me aborrece é que
tenhamos que usar tantas e tantas coisas, eu que até sou (digo eu!) pouco
consumista. Ou gostaria de ser.
Para
concluir, deixo aqui algumas dicas. Isto das máscaras, das roupinhas, dos
guarda-chuvas… e até das comidinhas, se pensarmos bem, não passam de invenções
para nos fazer gastar dinheiro e consumir a paciência.
Recuso-me!
Vou deixar-me disso! Máscaras, então, nem pensar!
O
vírus? Bem… não sei se é invenção, mas logo se vê. Se vier… bem… há hospitais,
não há? E UCIs, não há? E ventiladores, se me faltar a capacidade de respirar
sem ajuda, não há?
Esperem lá!... Quem terá inventado estas coisas?!
5 de fevereiro de 2021
Sobre a origem 'cripto-judaica' e 'cristã-nova' das famílias brasonadas de Arouca
23 de janeiro de 2021
Rodrigo Fernandes de Pinho volta a vencer a "Pergunta do Dia!"
O desafio colocado nos últimos dez dias na página de Facebook do blog "Defesa de Arouca", também com o objetivo de ajudar a distrair e desanuviar das contingências derivadas da pandemia que estamos a enfrentar, consistiu em 10 perguntas, cujas respostas, mais do que de conhecimento geral sobre Arouca e os Arouquenses, implicavam alguma pesquisa.
Talvez pela necessidade de maior pesquisa, esta edição acabou por não ter a adesão de mais participantes, apesar das estatísticas de visitas e interações geradas pelas perguntas terem estado muito acima da média das publicações habituais nessa página.
Quando falta apenas a pergunta de amanhã, que será sobre a sua freguesia natal, Rodrigo Fernandes de Pinho só não acertou em duas respostas, pese embora tenha andado muito perto de o conseguir. Muitos parabéns e obrigado ao Rodrigo pela sua participação!
As Perguntas foram as seguintes:
PERGUNTA DO DIA! (1/10) – Recentemente faleceu o professor e autarca José Soares Correia Belém, natural de Silgueiros, Viseu, o qual casou no final da década de cinquenta com a arouquense Irene Monteiro de Sousa. Onde se realizou a cerimónia de casamento?
PERGUNTA DO DIA! (2/10) – Foi eternizado na toponímia da vila de Arouca com patente militar inferior ou pelo menos diferente daquela com que faleceu. De quem se trata, qual a patente com que morreu e onde foi sepultado?
PERGUNTA DO DIA! (3/10) - Após a sua extinção definitiva o Mosteiro de Arouca, para além dos espaços da Paróquia e da Real Irmandade, já foi destinado (independentemente de se concretizarem ou não) a albergar diversas valências, a última das quais uma Unidade Hoteleira na Ala Sul. A quem foi concedido o remanescente do Mosteiro e para que finalidade logo após o falecimento da última monja?
PERGUNTA DO DIA! (4/10) – Foi há precisamente treze anos que a "Defesa de Arouca" publicou o último número do seu jornal, que se editou quase ininterruptamente desde 2 de Janeiro de 1926. Houve, porém, um curto período em que quase não se publicou qualquer número e perdeu mesmo o direito ao título. Que período foi esse, o que originou essa instabilidade e a que se deveu a perda do direito ao título?
PERGUNTA DO DIA! (5/10) – A atual imagem gráfica do Município de Arouca foi adotada em 14 de Setembro de 2019. No entanto, esta não é já a primeira imagem gráfica utilizada pelo município. Antes desta, existiu uma outra sintetizada numa logomarca sob o lema «Arouca, Vale da Fertilidade». Em que data foi então apresentada pelo município essa logomarca e qual a entidade que ainda hoje faz uso dela?
PERGUNTA DO DIA! (6/10) – O que significam e/ou a que entidades correspondem ou corresponderam as siglas ou abreviaturas CODA, A4, EXCOMAR, AMC, SICOMAR, ADCA, GACA, CAAEAFCA, ADITUR, AAA, ARDA e SAJU.
PERGUNTA DO DIA! (7/10) – “NON SINE INVIDIA ANNO 1686” diz-se ainda uma das mais remotas e enigmáticas inscrições datadas da nossa vila. No entanto, ao percorrermos a zona histórica conseguimos descortinar pelo menos quatro datas mais antigas. Quais são e onde se encontram inscritas?
PERGUNTA DO DIA! (8/10) – Este ano completam-se vinte anos sobre o começo das obras da 1.ª Fase da Variante à EN326. No entanto, são ainda as velhinhas estradas nacionais que nos levam ao litoral. Em que ano começou a rasgar-se a ligação entre Arouca e Oliveira de Azeméis (EN224) e, sabendo que, entre a vila de Arouca e a Farrapa, se fez em quatro lanços e que cada um deles transpôs pelo menos um rio ou ribeiro, entre que lugares se compreendeu o terceiro lanço?
PERGUNTA DO DIA! (9/10) – «Porque a data 6 de Dezembro de 1937 marca a luta dos camponeses arouquenses contra os lacaios (…) dos exploradores do povo trabalhador». Onde podemos ler esta frase e o que é que desencadeou aquela luta que se saldou num morto e vários feridos?
PERGUNTA DO DIA! (10/10) – Dada a excelente participação de Rodrigo Fernandes de Pinho nesta 2.ª Edição da “PERGUNTA DO DIA!”, é justo que a última pergunta seja sobre a sua freguesia natal. Em que data foi criada a escola de ensino oficial primário de Rossas e em que data para ela se nomeou o primeiro professor?














