22 de agosto de 2021

Casa Grande dos Brandão-Malafaia

Embora pareça provocador, o título, como se saberá, é fiel à génese da Casa. No entanto, trata-se, como é evidente, para quem conhece, da hoje simplesmente denominada Casa Grande ou Casa dos Malafaias, sita na antiga Rua d'Arca, atual Rua Dr. Figueiredo Sobrinho, no centro histórico da vila de Arouca.

Porém, sendo possível balizar, com precisão, a curta presença desta linhagem de Malafaias em Arouca e, especificamente, nesta Casa, o mesmo já não acontece com a presença dos nossos Brandões na rua d'Arca e, particularmente, na parte mais antiga daquela; a qual, antes de ter passado aos Malafaias - que depois a ampliaram para Sul e lhe adossaram a capela a Norte -, lhes pertenceu.

Com efeito, é com o casamento de Diogo Malafaia Mascarenhas (avô do erroneamente referido "Alferes Diogo Malafaia"), da freguesia de Várzea, com Antónia de Pinho Brandão, filha de Marquesa de Pinho e Roque Brandão, da freguesia de Rossas, moradores na rua d'Arca, que aqueles "estabelecem" o hífen entre Brandão e Malafaia (simbolizado no passadiço alpendrado entre as duas partes desse singular edifício), que aqueles passam a titular o imóvel entre os seus bens.

Podia ter sido efetivamente assim e a casa ter andado por algumas gerações em apelidos mais consentâneos com aquele matrimónio, o qual, de resto, como se vê, trouxe avultado e estratégico dote aos Malafaias. Mas, o falecimento da mãe à nascença do primeiro e único filho, não tendo feito com que se revertesse o dote, fez com que se perdesse o apelido, tanto mais quando este veio a ser criado pela madrasta.

A verdade é que: se por um lado, não fazia muito tempo que os Malafaia Mascarenhas haviam chegado a Arouca (não à vila, onde entram mais tarde, mas a Várzea, onde começaram por estanciar); por outro, os nossos Brandões já há muito ali tinham domicilio, nas artérias ao coração da vila, onde receberam e acomodaram aqueles nobres conimbricenses.

Entraram esses pela comenda da Ordem de Cristo de São Salvador de Várzea (quiçá por angariação dos parentes abades que cá haviam chegado primeiro) no começo da centúria de seiscentos, para em breve capitanearem o concelho a beneplácito da Abadessa do Mosteiro. Consentimento que, contudo, depressa evidenciaria os antagonismos que o muro da Cerca visava conter, mas que as ingerências mútuas, comprometendo a autoridade de uns e outros, insistiam em fender.

Domingos, o filho de Diogo e Antónia, foi também casar a Rossas, com a prima materna da Quinta de Terçoso, onde para o efeito se terá erigido a capela, contemporânea do púlpito do Calvário, e não tardou, também o governo do concelho entrou na linhagem destes, pelos cunhados Tavares Teixeira e pelos sobrinhos Vasconcelos e Cirne. Entre uns e outros governou o delfim "Alferes" Diogo Malafaia, cujo falecimento e inumação na Misericórdia, encerrou cerca de um século de protagonismo Malafaia por estas terras, que deixaram para se estabelecerem em São Pedro do Sul.

Porém, tendo-se revertido o hífen dos apelidos, a que sucumbiu o nosso, por força do efémero matrimónio, não se desfez o passadiço entre as duas partes da Casa, patrocinado pelo dote matrimonial. E ali permanece ainda hoje para, mais do que ser visto, ser lido. Com muito mais significado histórico até (para nós) que o próprio brasão, que é ali meramente circunstancial e daquele desvia a atenção.

21 de agosto de 2021

A mancha florestal de Arouca - 72% Eucalipto

Arouca é, ainda hoje, um território maioritariamente agrícola e florestal. A enorme mancha verde que se espalha por todo o concelho pode ser vista e verificada subindo a qualquer um dos montes e serras do concelho ou percorrendo as estradas e caminhos rurais que serpenteiam todas as encostas e vales. 

O último grande incêndio de Arouca ocorreu nos anos de 2016 e 2017, em que no somatório dos dois anos cerca de 70 % da área de floresta e mato do concelho se perdeu. De lá para cá o que de diferente se fez? Que politicas florestais se implementaram? Que espécies autóctones se promoveram e plantaram? Que controlo se fez da monocultura desenfreada do eucalipto? 

O parque florestal municipal, já por mim apresentado, aqui e noutros locais, quando sairá do papel? Passaram 5 anos desde 2016. Temos uma mancha florestal com uma idade de corte das árvores e matos muito semelhante pois todos arderam faz 5 anos. De que estamos à espera? De mais 5 anos para voltarmos a zero? 


Deixo um número em forma de questão para possamos refletir: num concelho que se pretende exemplar num turismo de natureza e práticas ambientais de vanguarda termos cerca de 72% da mancha florestal coberta por eucalipto. Será um bom exemplo e o caminho a seguir?

15 de agosto de 2021

O Chafariz da Praça, nos encontros e desencontros da sua própria história

Por esta altura, há precisamente 120 anos, estava concluído e a brotar linfa cristalina o Chafariz da Praça. As obras de estabelecimento haviam arrancado em janeiro desse ano, de 1901, e, com este, ficava também concluído o arranjo da praça central da vila, que não havia muito tempo servia de adro e cemitério da antiquíssima matriz de São Bartolomeu e da seiscentista capela da Misericórdia, mas que d'agora em diante constituiria o mais pitoresco postal de Arouca.


Por essa altura, a vila estendia-se por pouco mais do que o casario em redor das praças de baixo e de cima e duas ou três ruas apertadas e de curta extensão. Os poderes, religioso, administrativo e judicial, estavam ali concentrados, paredes meias com pequenas vendas, tabernas, pensões e serviços, pelo que a nova praça prometia ser o palco para os encontros e desencontros da vida local.

Não havia luz, saneamento nem abastecimento de água potável, sendo então este o mais essencial dos referidos serviços. Como o foi, de resto, até há não muitos anos. E por isso, o estabelecimento de bicas, fontanários ou chafarizes públicos de água bebível era considerado uma obra muito importante. Pelo que a proposta de estabelecer um chafariz no centro da renovada praça logo recolheu o agrado e empenho das autoridades municipais.

A proposta ficou certamente a dever-se a António Teixeira Brandão de Vasconcelos, tanto mais que sabia com que manancial de água se haveria de abastecer o fontanário. Com efeito, dele terá tomado conhecimento aquando da execução do Inventário de Extinção do Mosteiro, que foi da sua responsabilidade, enquanto vice-presidente da Câmara, no exercício de 1874/1875.

Porém, por volta de 1890-1892, precisamente durante a sua segunda presidência da Câmara, procuradas as águas do desejado manancial, ter-se-á percebido que a Junta de Paróquia, para além doutras habilidades, havia feito um desvio das mesmas, sem dar qualquer satisfação à Repartição da Fazenda ou à Administração do Concelho, o que desencadeou um diferendo que culminou em várias participações e queixas por parte daquelas entidades.

Paralelamente, logo a Câmara requereu a cedência das referidas águas e, nomeadamente, do manancial que abastecia o extinto Mosteiro, mas os factos acima relatados e a morosidade dos respetivos processos acabou por dificultar a cedência. Passados meia-dúzia de anos, estando já Brandão de Vasconcelos há muito afastado destas lides e a persentir os seus últimos dias, ainda não se havia concretizado. Faleceu em 1897 sem ver um chafariz a jorrar água no centro da "sua" Praça.

A cedência da almejada água só viria a concretizar-se, depois de mais alguma insistência, durante a presidência de José Gomes de Figueiredo Sobrinho, em 1899, justificando-se assim o estabelecimento do respetivo Chafariz, que começou a ser composto logo nos primeiros dias de 1901, ficando concluído e a brotar a ansiada linfa poucos meses depois.

Em Junho de 1940, correspondendo a um pedido da Representação Municipal da Acção Católica, a Câmara Municipal deliberou remover o Chafariz do centro da Praça para aí ser erigido um Cruzeiro da Independência ou dos Centenários. Porém, volvido um mês sem que viesse a autorização, por parte da Direção Geral dos Monumentos Nacionais, para mudança do Chafariz para junto da escadaria do antigo edifício dos Paços do Concelho (onde em 1989 veio a ser reimplantado o Pelourinho), a Câmara deliberou indicar àquela Representação a colocação do Cruzeiro da Independência no Largo de Santa Mafalda.

O Cruzeiro da Independência foi então erigido no Largo de Santa Mafalda, onde esteve até há cerca de dez anos, altura em que foi removido, para, até à data, não mais se levantar. Por mera coincidência, na mesma altura, e no mesmo âmbito da Regeneração Urbana do Centro Histórico então realizada, o Chafariz acabou por também ser mudado, mas apenas para o canto da Praça, estando agora no local onde outrora se encontrava o Pelourinho, que está agora onde em 1940 esteve para ser colocado o Chafariz.

10 de agosto de 2021

Terá sido o Memorial de Santo António uma obra dos Cavaleiros Hospitalários?

É uma hipótese que nunca vi colocada, nomeadamente, por algum dos vários autores que escreveram sobre este Memorial, sobre o conjunto de memoriais (de Ermida e Sobrado e até mesmo o de Alpendurada) que a este associam num eventual percurso do cortejo fúnebre da Rainha Santa Mafalda, ou sobre o local e circunstâncias do seu falecimento; mas, a possibilidade de, pelo menos o dito Memorial de Santo António do Burgo (sito na freguesia de Santa Eulália), ter sido uma obra dos Cavaleiros Hospitalários, pode não ser descabida.

Com efeito, pode até estar ali devidamente patenteada essa possibilidade, mas a que nunca se terá prestado a devida atenção, com exceção - que eu conheça - ainda que por mera hipótese, do arqueólogo Manuel António Silva, já na década de oitenta (e eu apenas no passado fim-de-semana). Pois é, sem grande margem para dúvidas, uma cruz hospitalária ou de Malta (de oito pontas) que fecha o arco de volta perfeita simples do Memorial de Santo António do Burgo, a qual sobressai, em chefe, e se distingue perfeitamente da restante decoração, predominantemente geométrica e vegetalista, que emoldura a arquivolta daquele monumento.


Pese embora a possibilidade deste Memorial ser uma obra dos Cavaleiros Hospitalários nunca tenha sido colocada, a verdade é que, a haver uma relação deste com o cortejo fúnebre de Dona Mafalda Sanches, como é de tradição, assume bastante mais sustentação, entre as várias teses de explicação formal ou simbólica sobre o local e circunstâncias da sua morte, a possibilidade de ter falecido em Rio Tinto, quando regressava precisamente do também seu Mosteiro de Bouças, então compreendido em terras detidas pelos Hospitalários.

Em todo o caso, a tratar-se, como parece de forma muito notória, de uma cruz hospitalária ou de Malta, independentemente da atribuição que se possa fazer ao cortejo fúnebre de Dona Mafalda, é evidente, - se não mais -, a atribuição da edificação deste Memorial aos Cavaleiros Hospitalários, que nesta proximidade detinham a Comenda de Rossas desde os alvores da nacionalidade, com propriedades e direitos, para além doutras, na freguesia do Burgo (a que Dona Mafalda havia atribuído Foral em 1229), onde, de resto, aqueles estabeleceram o seu lagar de Azeite, no lugar do Pisão, ao fundo das lavouras de Alhavaite.


As boas relações de Dona Mafalda Sanches com os Cavaleiros da Ordem do Hospital de São João de Jerusalém (mais tarde ditos também de Rodes e de Malta), são conhecidas, nomeadamente, aquando da proteção e abrigo que estes lhe prestaram por ocasião do diferendo que teve com seu sobrinho e futuro Rei D. Afonso III. Por cá, ficaram célebres as capitulações de pazes feitas em Rossas, em 1234, a que assistiu o bispo do Porto D. Pedro Salvadores, entre a própria Dona Mafalda e os Cavaleiros da Ordem do Hospital, em virtude de uma briga entre criados daquela e certos cavaleiros desta.

Relações que bem se deduzem, ainda por certas e mútuas doações de bens e objetos, como seja a queixada com três dentes atribuída a São Brás, na altura uma das mais significativas e veneradas relíquias introduzidas em Portugal pelos Freires do Hospital, doada por estes a Dona Mafalda; ou a deixa testamentária destinada por esta em favor daqueles. 

O que tudo terá contribuído para que, em 1309, se outorgasse uma Carta de Confraternidade entre o Mosteiro de Arouca e a Ordem do Hospital, então sediada no Mosteiro de Leça do Balio e pode muito bem ter(-se) justificado (n)o patrocínio e/ou edificação do Memorial de Santo António ou Arco da Rainha Santa. Na certeza, porém, de que não se tratou de uma obra de iniciativa popular, das monjas de Arouca ou de qualquer outro Mosteiro.

30 de julho de 2021

45 Anos de Poder Local Democrático

Com as eleições de 26 de Setembro próximo cumprem-se 45 Anos de Poder Local Democrático e 13 idas às urnas para eleição dos respetivos órgãos autárquicos. A foto acima, de um conhecido edifício municipal - sede dos Paços do Concelho entre 1864 e 1933 -, tirada por Adílio Ferreira da Silva e colecionada em "Contributos para o Futuro Arquivo de Arouca", reportar-se-á precisamente à propaganda para as primeiras eleições autárquicas realizadas após o 25 de Abril de 1974, que tiveram lugar em 12 de Dezembro de 1976.

Em Arouca, concorreram a esse primeiro sufrágio quatro forças políticas: o Partido Social Democrata (PPD/PSD), o Partido Socialista (PS), o Centro Democrático Social (CDS) e a Frente Eleitoral Povo Unido (FEPU), de que saiu largamente vencedor o Partido Social Democrata, que elegeu o Presidente da Câmara e três Vereadores, assegurou a eleição da Mesa da Assembleia Municipal, ao eleger 12 deputados diretos, e venceu em 12 Juntas de Freguesia.

A tendência vitoriosa do PSD no concelho de Arouca saiu ainda mais reforçada nas eleições seguintes, de 1979, 1982, 1985 e 1989. Os principais protagonistas deste feito, dada a maior relevância sempre atribuída ao candidato à Câmara, foram Zeferino Duarte Brandão e Joaquim Brandão de Almeida, ambos naturais da freguesia de Várzea, que também presidiram à Assembleia Municipal por vários mandatos, depois dos três primeiros mandatos liderados por Maria Salomé Valente Martingo Serdoura.

Com as eleições de 1993 deu-se uma mudança de ciclo na Câmara Municipal, protagonizada pelo Partido Socialista e, nomeadamente, por José Armando de Pinho Oliveira, até então sempre candidato e eleito deputado à Assembleia Municipal por partidos e coligações mais à esquerda, designadamente, pela FEPU, APU e MDP/CDE-PRD. Nesse primeiro mandato socialista a Assembleia Municipal ainda se manteve social-democrata, mas nas eleições seguintes foi também conquistada pelo PS, cuja lista foi encabeçada por Carlos Alberto Gomes Ferreira. De 1993 para 1997, o PSD perdeu também mais de metade das freguesias.

Desde então, a tendência vitoriosa do PS para a Câmara Municipal consolidou-se e reforçou-se com a eleição e reeleição sucessiva de José Armando de Pinho Oliveira e José Artur Neves, que lideraram o município entre 1994 e 2017, ano em que foi eleita, também pelas listas do PS, Maria Margarida de Sousa Correia Belém, que já integrava o executivo municipal desde 2010.

Nestas próximas eleições, ao que tudo indica, apresentar-se-ão a sufrágio quatro forças políticas: o PS, a coligação PSD/CDS/PPM/IL, a CDU (PCP/PEV) e o ERGUE-TE, cujas listas à Câmara Municipal serão encabeçadas, respetivamente, por Margarida Belém, Vítor Carvalho, Lara Pinho e Anselmo Filipe Oliveira, os quais têm agora o palanque e a palavra, a oportunidade de perspetivarem o futuro e de contribuírem para o desenvolvimento do nosso concelho, e honrar 45 Anos de Poder Local Democrático. Que seja uma campanha construtiva, esclarecedora e mobilizadora!

20 de julho de 2021

Gentil Moreira de Sousa (1929-2021)


Foi com profunda tristeza que recebi na noite passada a noticia de falecimento do meu amigo senhor Gentil Moreira de Sousa, um arouquense que se fez ilustre no outro lado do Atlântico, mais precisamente em Niterói, no Rio de Janeiro, onde foi um empresário de sucesso, reconhecido e agraciado com vários títulos e condecorações pelos Estados do Brasil e Portugal.

Traçar o perfil, fazer a história biográfica e estudar os ancestrais de Gentil Moreira de Sousa é não só um prazer como uma honra. Com efeito, este inveterado arouquense, - que o refere sempre com orgulho -, ambicionando melhores condições do que aquelas que a sua terra natal de então perspetivava oferecer-lhe - dar continuidade ao comércio e indústria de roupas de seu pai -, fez-se ao mundo, mais propriamente às terras outrora descobertas por Álvares Cabral, para onde emigrou na década de cinquenta do século passado, mais especificamente no dia 11 de Maio de 1951, como escrevi no perfil biográfico e genealógico que, a seu pedido, elaborei em 2017.

Escritor e poeta, com quatro livros publicados, músico e empresário luso-brasileiro, Gentil Moreira de Sousa, era filho de Adriano Teixeira de Sousa, alfaiate, músico e maestro da Banda Musical do Burgo, e Helena Moreira de Sousa, moradores no lugar e freguesia do Burgo, onde nasceu em 20 de Junho de 1929, sendo o mais velho de sete irmãos. Casou em Niterói com Clarice Pinto Quaresma, natural de São João da Boa Vista, concelho de Tábua, onde nasceu em 2 de Agosto de 1927, de que teve dois filhos e três netos.

O negócio que mais o notabilizou em Niterói foi a Confeitaria Beira Mar, fundada há mais de quatro décadas, contando hoje com cerca de 300 trabalhadores, cuja marca e logotipo ostenta o brasão heráldico do município de Arouca.

Neste doloroso momento de despedida de Gentil Moreira de Sousa, Axel Grael, Prefeito de Niterói, homenageou o legado de Gentil deixado naquela cidade, referido que «Ele será sempre lembrado com muito carinho por nossa cidade».

Gentil Moreira de Sousa foi ainda uma boa referência para muitos familiares, amigos e compatriotas, em geral, que também emigraram para o Brasil, e sempre contaram com a sua boa-vontade e generosidade para singrar naquele país.

Que descanse em paz!

Os meus sentimentos à família e amigos!

19 de julho de 2021

A Pensar Alto! Coisas menores... ou maiores. A Pista.

Começou há dias a circular nos estabelecimentos do Burgo e nas mãos de muitos moradores, um abaixo assinado a enviar à Exma. Presidente da Câmara para alertar para um enorme problema à entrada da Vila e a pedir uma solução que tarda apesar de anteriores alertas. Com a devida autorização dos que tomaram a iniciativa e como morador apresento a minha concordância para a urgência em resolver um problema que a todos afeta. Bastaria elevar um pouco as passadeiras, só isso. Coisa menor que até parece grande...

Abaixo assinado

À Exma. Sra. Pres. da Câmara municipal de Arouca

Nós, abaixo assinados, moradores e frequentadores da estrada nacional 224, atual Av. 25 de Abril, no troço compreendido entre o Cimo do Burgo e a partilha com Santa Eulália, pretendemos desta forma alertar mais uma vez para o sentimento de abandono com que nos defrontamos diariamente ao constatar as situações anómalas de circulação nesse pequeno troço que põe em causa a segurança de todos os munícipes que por cá circulam.

A nossa segurança, dos nossos amigos, dos nossos familiares, de todos os que são obrigados a circular, seja a pé ou nas viaturas, está constantemente em causa pelo incumprimento de muitos que não cumprem minimamente as regras de trânsito circulando a altas velocidades sem respeito pelas próprias vidas e principalmente a dos outros.

Apesar da sua curta extensão, é um percurso com imensos perigos para quem lá circula, para quem tem de percorrer os estreitos passeios, para quem é obrigado a diminuir a marcha ou entrar na via por lá ter habitação, para quem pretende utilizar os serviços da meia dúzia de estabelecimentos comerciais existentes, para todos os utilizadores. Sabemos que existem meia dúzia de passadeiras devidamente assinaladas, existem mais de uma dúzia de rampas de acesso ás residências e estabelecimentos, existem algumas placas, poucas, limitadoras, mas tudo é insuficiente e tudo permite os maiores desmandos aos motoristas pouco cumpridores que por lá demonstram as potências dos veículos e o arrojo de circular a velocidades desaconselhadas a auto-estradas, quanto mais a uma estrada que se vê já como avenida urbana.

Atravessar qualquer uma das passadeiras é um exercício que faz subir a adrenalina tal o perigo de vida que se corre. As autoridades a quem cabe a fiscalização de tais desmandos não podem estar sempre presentes o que facilita a sensação de impunidade. Solicitamos por isso a sua intervenção para a resolução desta situação. Só lhe pedimos como autoridade, que nos permita ter segurança e o mínimo de tranquilidade pois nós como munícipes deste Concelho tão falado pelas iniciativas de sucesso, lhe agradeceremos entusiasticamente. Atravessar uma rua não pode colocar a vida em risco, circular num passeio não deve colocar a vida em risco, entrar nos acessos das residências ou dirigir se a uma casa comercial, não deve colocar a vida em risco. Sabemos que está de acordo e dirigimo-nos a si com fundadas expectativas na resolução deste problema, seja com lombas redutoras, semáforos limitadores, mais e melhor sinalização, aumento de fiscalização, e tudo o mais que normalize esta perigosa situação na entrada da nossa Vila.

Certos que nos lerá com toda a atenção, agradecemos lhe antecipadamente a resolução urgente desta situação. Com cumprimentos, os moradores, e utilizadores que sentem permanentemente as suas vidas em perigo…

Assinaturas:

4 de julho de 2021

Figueiredo Sobrinho e Simões Júnior: dois homens, dois apelidos e duas alcunhas

Escrevo este pequeno apontamento a propósito do ilustre Professor Doutor Manuel Sobrinho Simões e a sua especial afeição pela nossa terra, como se evidenciará na entrevista na "Primeira Pessoa", conduzida por Fátima Campos Ferreira, a ir para o ar esta segunda-feira, pelas 21h00, na RTP1, e que valerá a pena ver, tanto mais que é feita a partir de Arouca.

Apesar de já muito se ter dito e escrito sobre este reputadíssimo e influente “médico”, professor, investigador e, também, sobre a sua ligação a Arouca - o que muito nos orgulha -, nem sempre resulta clara, do ponto de vista biográfico e genealógico, essa ligação, uma vez que, de facto, Sobrinho Simões, ao contrário do pai, do avô e toda a ascendência da avó paterna, não é natural de Arouca nem de Arouca são originários os seus distintos apelidos.

No entanto, apesar de não ser natural de Arouca nem de Arouca serem originários os seus apelidos, foi nesta vila que os mesmos se aprimoraram e hoje melhor o distinguem: Sobrinho, pelo bisavô José Gomes de Figueiredo Sobrinho, com ascendência em Covelo de Paivó (então pertencente a São Pedro do Sul), onde nasceu em 21 de Julho de 1861, e Simões, pelo avô Manuel Rodrigues de Simões Júnior, com ascendência paterna em Anadia, que nasceu em 11 de Setembro de 1891, em Arouca, onde um e outro se ligaram, para além da amizade, pelo casamento deste com uma filha daquele, em 1 de Setembro de 1916.

Dá-se ainda a coincidência e curiosidade de ambos se terem alcunhado para se distinguirem da homonomia de nomes, com o tio, padrinho, padre e autarca, no caso de José Gomes de Figueiredo "Sobrinho", e com o pai, médico, no caso de Manuel Rodrigues Simões "Júnior". Contudo, apesar de assim se terem afirmado e notabilizado, e assim terem sido imortalizados nomeadamente na toponímia arouquense, ao contrário de "Sobrinho", "Júnior", como melhor se compreende, não passou às gerações seguintes como apelido.

Figueiredo Sobrinho e Simões Júnior (na imagem), para além de dois homens, dois apelidos e duas alcunhas, eram qualificadíssimos (por unanimidade e 19 valores) nas respetivas áreas de formação - Direito e Medicina -, e são duas personalidades relevantes e incontornáveis da história e cultura de Arouca, não só pelo exercício profissional a que se dedicaram e pelas causas em que se empenharam, mas também pelos cargos e funções que exerceram e pelos princípios pelos quais se pautaram. Faleceram em 13 de Junho de 1938 e 17 de Abril de 1972, respetivamente.

Do casamento de Manuel Rodrigues Simões Júnior, do Agualva, com Maria Luísa de Figueiredo Sobrinho, da então rua D'Arca, nasceu, em 31 de Março de 1918, o professor e investigador Manuel Sobrinho Rodrigues Simões, que se licenciou e doutorou com 18 valores e, por sua vez, contraiu matrimónio com Maria Alexandrina Martins Coimbra, natural do Bombarral, os quais se estabeleceram na cidade do Porto, onde tiveram, entre outros, o médico, professor e investigador Manuel Alberto Coimbra Sobrinho Simões, nascido pela Senhora da Mó de 1947, o qual não se ficou ao pai nem ao avô e se licenciou e doutorou com 19 valores.

Maria Luísa de Figueiredo Sobrinho, era filha de José Gomes de Figueiredo Sobrinho e Eulália de Sousa Brito, da rua D'Arca, tendo nascido na Praça em 21 de Setembro de 1895; esta, filha de António Soares de Sousa e Ana Emília de Sousa Brito, de Pousada, Santa Eulália, onde nasceu em 26 de Dezembro de 1859, estes com ascendência, gerada e criada no vale de Arouca, tratada e conhecida até, pelo menos, meados do século XVII.

20 de junho de 2021

Uma conquista de todos nós!


Passadas que estão três semanas sobre a data que marcou o regresso do Futebol Clube de Arouca à I Liga Portuguesa uma reflexão que procure não ser influenciada pela emoção do momento e do feito histórico impõe-se.

“Uma conquista de todos nós” foi uma frase que o FCA colocou nas suas redes sociais aquando a efetivação da subida e que me fez pensar no “todos nós”.

Nós, somos Armando Evangelista e a sua equipa técnica, uma aposta acertada para almejar objetivo. Não sei se o objetivo no início da época seria a subida, talvez nos melhores sonhos, mas a verdade é que ao longo da temporada este treinador veio demonstrando e cimentando a qualidade que já lhe era reconhecida nas lides do futebol e que aguardava somente o momento certo.

Nós, somos o conjunto de jogadores, alguns já com alguns anos de casa e com a escola do Arouca que acredito  tenham já em si; aquele sentimento tantas vezes apregoado a entrada de cada jogo “o orgulho Arouquense”.

Nós, somos, acima de tudo e antes de tudo, a equipa diretiva liderada por Carlos Pinho. Os feitos desportivos alcançados por este presidente na história do FCA são inacreditáveis e incomparáveis se narrados na lógica do futebol de milhões e de massas de hoje. Passamos de um clube de distrital a jogar num campo pelado, há pouco mais de uma dúzia de anos, para um clube que consegue uma classificação para a liga Europa e que vai jogar a Atenas contra o Olympiacos ou um clube que vai ganhar ao estádio do Dragão só para citar dois exemplos.  E quando tudo parecia estar a desmoronar-se com duas descidas de divisão, com uma crise financeira, com um plano de insolvência e um PER eis que, como Fénix, liderado novamente por Carlos Pinho, o FCA volta a ribalta e aos grandes do futebol português. Anacrónico que na mesma temporada em que a “existência” do FCA enquanto clube e associação desportiva se vê ameaçada consiga voltar a surpreender tudo e todos e voltar ao topo do futebol nacional. Sendo o futebol um negócio, muito dificilmente uma empresa que estaria para falir conseguiria no mesmo ano apresentar os melhores resultados de sempre. Mas o futebol é isto mesmo, acima de tudo muito acreditar e muita paixão.

Carlos Pinho e a sua gestão não são unânimes entre os arouquenses e na suas relações com outras entidades locais como é sabido e público. Por vezes estas relações têm sido discordantes mas, para o bem ou para o mal, é ele que temos como principal figura de tudo o que tem decorrido na história mais recente do clube.

Nós, temos que voltar a ser também todos os sócios e arouquenses, que se viram afastados do clube nos últimos dois anos. A pandemia veio agravar muito este afastamento que já vinha ocorrendo. Temos de voltar a estar com o clube e o clube tem de voltar a conquistar todos os sócios. O clube tem que saber também cativar os seus adeptos pois só assim fará sentido: um clube , uma terra , uma população unida para que os feitos sejam ainda mais grandiosos.

Somos uma vila pequena que se fez grande, não só, mas também, à custa do seu clube e da sua direção. A expressão todos seremos poucos faz agora e mais do que nunca todo sentido.

Vamos! Orgulho Arouquense. 

5 de junho de 2021

A Pensar Alto! Penso, logo existo...

O interior do nosso País está repleto de pequenos lugares de nomes variados, alguns dão até a impressão de largo futuro, outros nem por isso. Mas uns e outros tirando o pormenor dos nomes são semelhantes, as mesmas queixas repetidas vezes sem conta, a esperança resignada de que até o fácil é absurdamente difícil e o mesmo olhar para os dias futuros, sem brilhos e a esconder a tristeza. Arouca não foge à regra e tem também alguns desses exemplos que de tanto nos entrarem pelos olhos já nem exemplos são. Um destes dias, se calhar hoje, por acaso fui até Penso. Penso é um lugar que todos os habitantes da Vila ou arredores, se não conhecem já ouviram falar porque é muito próximo da Vila. É um pequeno lugar com uma mão cheia de casas e talvez a mesma mão cheia de moradores, deitado numa pequena encosta entre a zona industrial e Figueiredo, pertinho da Vila, mas não lhe consegue deitar a vista, parece escondido entre o arvoredo e recebe apesar disso o sol bem de frente. Penso, nome algo estranho, tem uma estradinha estreita que, e disso pode gabar se, entra por um lado e sai pelo outro, qual variante de uma importante zona urbana. Terrenos de cultivo agrícola apertados pela floresta, mas a imporem a diferença. Tem os seus terrenos agrícolas bem cultivados, tem árvores de fruto com boa cara e muitos sabores, todo o tipo de novidades que as saladas não dispensam, o gado de criação que qualquer zona agrícola tem que mostrar a todos, tem tudo o que os moradores que por lá vivem conseguem rentabilizar com o mesmo trabalho dos seus pais e outros antepassados. Uns já foram fora olhar para outros Países e melhorar a vida, e agora regressaram, outros conseguiram ficar e pelo muito trabalho ter êxito, outros vão lá dormir e descansar de ocupações diferentes, mas que merecem também o conforto do descanso num local tão tranquilo. Gentes que não desistem. Penso, tão pertinho da Vila que serve de referência, não tem saneamento, verdade, pela estradinha não pode passar nem sei porquê, e pelos campos agrícolas a máquina que perfura os solos não passa, de água, da que salta tratada pelas nossas torneiras, cada um tem a sua, de mina ou poço, O estranho disto é que serve de leito para as condutas que a levam para os que a podem ter canalizada pelo vale e outras terras, mas por estranho que pareça fica por aí este pequeno luxo que para muitos de tão banal nem isso é. Tão perto e tão longe. A pequena e apertada estrada é invadida pela abundante vegetação e tem momentos que até parece andar mos por longe numa floresta das que vão desaparecendo. Tem carências que muitos lugares podem gritar também como suas, tem imensas reclamações a cair em saco rôto, mas os seus habitantes vão mantendo o mesmo amor pela terra que é o seu lar, que nos deixa surpreendidos com a paciência e as expetativas de muitos Portugueses. Recebemos dos nossos passados um País e uma terra muito diferente da que vamos deixar ficar para os futuros, e como os dias vão continuando é impossível emendar o muito que se estragou e deixou estragar, sem ter uma justificação coerente e digna. O que será da nossa terra sem estes pequenos lugares com gentes que nos enchem as dispensas, gentes que não perdem tempos em engarrafamentos, gentes sem horários, gentes que decidiram continuar a lutar cada vez mais quixotescamente para não perder aquele espírito que nos fez há muito tempo já, sermos conquistadores do Mundo e olhar orgulhosamente para todo o lado. Que será de um País e de uma terra em que todos viverão empilhados, abraçados por shoppings e com o lazer num ecrã de tamanho a escolher. Temos que lutar por todos estes pequenos lugares pelo menos para que nos ativem a consciência que apesar de tudo continuamos a percorrer maus caminhos, sei lá que mais. O Interior do nosso País não pode continuar a servir para acumular casas que ninguém habita ou paisagens de silvados imensos atravessados de longe a longe por auto estradas sem destino. O poder político deve assumir de vez as suas responsabilidades e nós eleitores não podemos esquecer e até decidir de uma vez por todas o que queremos para o futuro. De resto é falar para o boneco, e desculpas é o mais fácil de arranjar, o problema é que o tempo não pára e cada dia sem soluções e sem vontade para as admitir é menos um. Apesar de tudo continuo otimista e a aguardar que estes tempos de pós confinamentos que tanto possibilitaram muitas horas de imensos pensamentos e olhares para os lugares mais isolados, terminem os problemas com soluções diferentes do costume. Queremos uma terra saudável e feliz, lutemos por isso. Queremos uma vida como a vida deve ser vivida, por todos, com respeito pelas raízes e ansiosos pelo futuro que só pode ser melhor. Que todos os Pensos deste País sintam que estamos com eles.

A regressar de um pequeno passeio pelo lugar de Penso na freguesia de Arouca, ali pertinho da nossa Vila. E nem é muito distante do tal litoral. Pelo menos desta vez serviu como representante de muitos outros.

15 de maio de 2021

Futebol Clube de Arouca: queda, continuidade e ascensão...

Há precisamente dois anos, sob o título "Futebol Clube de Arouca: ascensão, queda e continuidade...", escrevi aqui que: «depois de quase vinte dourados anos em que vertiginosamente atingiu o principal escalão do futebol nacional e até um vislumbre entre os grandes do futebol europeu; com a queda inesperada de divisão logo a seguir, o Futebol Clube de Arouca ficou de tal modo combalido e periclitante que, no passado domingo, não conseguiu evitar nova descida de divisão, confirmando o desdouro futebolístico e ameaçando o desgoverno financeiro da instituição».

Mas também escrevi que: «Agora, é preciso é cair com dignidade e estar à altura de não transformar o orgulho em vergonha. De não permitir que se escreva uma página negra que seja, sobre tantas de história digna, humilde e, principalmente, das destes últimos e gloriosos quase vinte anos, que tanto nos orgulharam e muito contribuíram para apontar e fixar Arouca no mapa de Portugal e do Mundo».

Acrescentando que: «Por isso, mais do que nunca, mais do que ontem e durante todo o tempo de sucesso, é preciso agora estar à altura da história de mais de sessenta anos e da glória destes últimos quase vinte. Haja esperança e determinação! Se o Futebol Clube de Arouca antes de o ser já o era, e tantas vezes superou o espectro da extinção, também não é agora que deixará de o ser. Como consta da sabedoria popular doutro povo que frequentemente gostamos de citar: "caia sete vezes, levante-se oito", porque, "as dificuldades são como as montanhas: só se aplainam quando avançamos sobre elas"».

Volvidos apenas dois anos, o Futebol Clube de Arouca está novamente à beira de inscrever mais uma gloriosa página no seu historial, depois de em apenas duas épocas ter subido do Campeonato de Portugal à Segunda Liga e estar agora muito próximo de subir à Primeira, como aconteceu na época 2012/2013.

A confirmar-se, para além do grande orgulho para todos os arouquenses, não deixa de ser uma ascensão notável, porventura muito mais significativa que a de 2012/2013, se tivermos em conta o contexto de pandemia que estamos a viver e, principalmente, que ainda recentemente pairou o espectro da extinção como nunca antes tinha pairado sobre o Futebol Clube de Arouca. Conseguir tão glorioso sucesso desportivo sobre tão debilitada e insolvente situação financeira, é muito meritório e merecedor de redobrado reconhecimento e aplauso. Oxalá se concretize a subida!

13 de maio de 2021

A Ponte 516 Arouca será um grande sucesso internacional: -é preciso localizar bem Arouca, no contexto global

Estou a dirigir-me aos Arouquenses e às instituições de Arouca...
Como é óbvio, a nova Ponte 516 Arouca será, com toda a certeza, um grande sucesso, não apenas a nível nacional, mas a nível internacional. Pela sua singularidade, desperta, facilmente, interesse e curiosidade a pessoas de todas as idades, para além de ser também uma obra de engenharia com beleza estética, de onde se pode disfrutar de uma panorâmica impressionante e vertiginosa. Logo nos primeiros dias em que foi anunciada a sua inauguração, muitos «mass media» de várias partes do Mundo informavam o assunto com agrado e interesse. E Arouca e os Arouquenses bem o merecem.
Contudo, há um elemento, em todo este «fenómeno da Ponte 516 Arouca», que não é adequado e pode ser contraproducente para a funcionalidade do acesso directo à nova ponte, no contexto global: -trata-se da menção, que aparece, com frequência excessiva, nos «mass media» e na internet, de ligar a ponte, para além de Arouca, unicamente ao distrito de Aveiro.
Essa ocorrência, que a Câmara Municipal de Arouca e o Arouca Geopark deveriam, impreterivelmente, corrigir, ao descreverem, antes, nos «mass media» e na internet, a ligação da nova ponte ao Porto e à Região Norte, com os acessos a partir do contexto da Área Metropolitana do Porto. E não do distrito de Aveiro. Porque os acessos directos e funcionais, nos vários tipos de transportes, a Arouca, são mesmo feitos a partir da «nossa área metropolitana».
Ao aparecer excessivamente a menção ao distrito de Aveiro (e, como se sabe, os Arouquenses estão pouquíssimo ligados a Aveiro), os visitantes e as pessoas exógenas que não conhecem bem Arouca ficam, erroneamente, a pensar que Arouca e os Arouquenses (que são pessoas autóctones da Região Norte de Portugal) têm uma ligação forte a Aveiro (que é uma cidade da Região Centro de Portugal), quando, na realidade, não têm, como nunca tiveram. Arouca foi, erroneamente, integrada no distrito de Aveiro no ano de 1835.
Arouca não tem acessos directos e funcionais com Aveiro nem tem que os ter urgentemente, até porque os seus acessos directos com o Porto (que sempre foi «a cidade principal dos Arouquenses») são muitíssimo mais prioritários e, infelizmente, por paradoxo, como se sabe, ainda não estão concluídos, com «a já velha e bafienta história da variante à EN326»...
Mas, para além de tudo o mais, entre outros factos, o rio Paiva é, oficialmente, um rio metropolitano do Porto e um dos afluentes estruturantes do rio Douro. A Ponte 516 Arouca localiza-se em plena Bacia e Região Hidrográfica do Douro. A Associação Geoparque Arouca pertence à Associação de Turismo do Porto e Norte de Portugal - Porto Convention & Visitors Bureau. O concelho tipicamente nortenho de Arouca é gerido pela CCDR-Norte. etc. etc.
Então porquê esta insistência despropositada de mencionarem, quase sempre, unicamente o distrito de Aveiro, numa altura em que os distritos pouco representam e, neste caso específico, para os Arouquenses, Aveiro pouco ou quase nada lhes diz?!...
Como é óbvio, na cerimónia de inauguração desta nova ponte pedonal, presidida pela Ministra da Coesão Territorial, a nível das instituições macro que, realmente, dizem respeito a Arouca e que representam mesmo Arouca, estiveram presentes os presidentes da CCDR-Norte e do 'Turismo do Porto e Norte de Portugal'. O Conselho Metropolitano do Porto foi representado pela sua vice-presidente, que é a presidente da câmara municipal de Arouca. Não estava lá ninguém a representar o quase extinto distrito de Aveiro, porque não tinha mesmo nada que lá estar, porque quase nada iria representar de Arouca.
foto: jornal Roda-Viva

Há um artigo de qualidade, publicado neste blogue, da autoria do colaborador Carlos S. Sousa, 'A estrada para o Porto', que descreve, de modo vivido e genuíno, durante o século XX, essa forte ligação empática e enraízada dos Arouquenses ao Porto e território circundante. Nesse contexto vivencial e noutra geração de Arouquenses mais antiga, estou a lembrar-me da descrição de meu avô, António de Almeida Brandão, no seu livro de Memórias, ao referir que, por razões sócio-económicas, eram muitos os Arouquenses que se deslocavam a pé, todos os dias, de Arouca ao Porto, por Fiães, pelo atalho da Devesa da Lebre...Era frequente também deslocarem-se em carros-de-bois...E foi para o Porto que se criaram, a partir de Arouca, os primeiros transportes regulares...etc. etc.

Portanto, que as instituições de Arouca coloquem, de vez, nos «mass media» e na internet, a ligação da nova ponte ao Porto e à Região Norte de Portugal, bem como os verdadeiros acessos directos e identitários ao território de Arouca: que são feitos no actual contexto da Área Metropolitana do Porto. E não do distrito de Aveiro. Ou será que têm de ser mesmo os estrangeiros a lembrar esse facto, como a CNN, para, a nível global, os visitantes localizarem bem Arouca, em termos territoriais e identitários?!:
Não será a partir de Aveiro, mas sim a partir da parte litoral da Área Metropolitana do Porto (onde se localizam os principais locais físicos e identitários dos vários tipos de transportes estruturais de acesso a Arouca) que vão acorrer, ao concelho de Arouca, muitos, muitos e muitos visitantes das mais variadas partes do Mundo, para ver a nova Ponte 516 Arouca, que, para além de se deslocarem por estrada, antes também se deslocarão via aérea (Aeroporto Francisco Sá Carneiro e Aeródromo Municipal da Maia), via ferroviária (Estação Ferroviária de Porto-Campanhã), via marítima (Porto de Leixões e Marina 'Porto-Atlântico') ou via fluvial (Marina 'Douro-Marina' e Marina do Freixo).

2 de maio de 2021

Para memória da gloriosa obra que se operou entre nós.


Mais de oito séculos volvidos sobre a chegada de D. Mafalda a Arouca, são ainda muitas as divergências, lapsos, gralhas e imprecisões sobre as datas, nomeadamente de nascimento e morte, bem como sobre as circunstâncias e local em que esta se deu. Por mais obras, artigos e apontamentos que versem sobre a biografia da notável e bondosa Senhora que imortalizamos como Rainha Santa - o que também se presta a inúmeros equívocos -, raras são aquelas que consensualizam uma versão integral dos principais factos da vida desta Serva de Deus, beatificada pelas suas imensas virtudes cristãs e milagrosas intercessões, cujos restos mortais de um corpo que se conservou incorrupto e perfumado por vários séculos se guardam no Mosteiro de Arouca.

Poucas são, com efeito, as biografias que concordam maioritariamente em afirmar e fundamentar que D. Mafalda Sanches nasceu em Coimbra, no dia 11 de Maio de 1195, onde permaneceu até ao falecimento de sua mãe, D. Dulce, data em que foi entregue ao especial cuidado de D. Urraca Viegas, primeiro, e companhia de suas irmãs no mosteiro de Lorvão, depois, até ao falecimento de seu pai, D. Sancho I, altura em que ficou sob tutela de seu irmão, D. Afonso II, até se emancipar. O que aconteceu quando contava já quase vinte anos, ao contrair matrimónio com Henrique I de Castela, que contava apenas onze, mas cujo casamento foi contestado e não confirmado pelo Papa, por alegados motivos de "consanguinidade", nunca se tendo consumado a união, tanto mais que o jovem rei morreu entretanto, tudo ditando o imediato regresso de D. Mafalda a Portugal e o ingresso, por sua vontade, no Mosteiro de Arouca, ainda antes de completar vinte e cinco anos. Também por sua vontade, expressa no seu testamento redigido em Bouças poucos dias antes de morrer em Tuías, aqui foi sepultado o seu corpo.

Por outro lado, são muitas as biografias, artigos e apontamentos que prometem relatar-nos os milagres que contribuíram para a conclusão do processo de beatificação, em 27 de Junho de 1792, mas, não raro, ficam-se pela narração do lendário transporte da sua tumba por uma mulinha, do facto do seu corpo ter sido encontrado incorrupto vários séculos depois, e pela sua aparição no incêndio nas oficinas do Mosteiro, em que, segundo a tradição, quando as monjas se preparavam para retirar da enfermaria os doentes internados, viram D. Mafalda a apagar as chamas com o sinal da cruz, possibilitando a salvação de todos os que ali se encontravam. O que, em todo caso, já não é pouco e seria até suficiente para a sua canonização.

Porém, outras alegadas aparições, devidamente relatadas conforme a tradição, e miraculosas curas, detalhadas pela experiência de testemunhas examinadas presencialmente, contribuíram para que D. Mafalda fosse beatificada. Nomeadamente, a tradição de ter aparecido logo depois da sua morte a algumas religiosas do Mosteiro de Rio Tinto, onde estanciava frequentemente nas suas deslocações, e que lamentavam a falta da sua companhia e, por outra ocasião, sobre a vila do Burgo a cercar e lançar bênçãos para não chegar, como não chegou, o contagioso mal de peste que ali grassava à vila e Mosteiro de Arouca. Esta última tão significativa que se estranha não ter merecido as graças da arte e pouco se compreende não ser sequer recordada, mormente neste tempo e peste que também estamos a viver.

Mas relatadas ficaram também várias curas miraculosas, por alegada intercessão desta Venerável Serva de Deus, como a sanação de um tumor cirroso no fígado, de que padecia a Madre Dona Maria Helena Sofia Pinto de Magalhães, religiosa do Mosteiro; a sanação de um tumor e cancro na face, de que padecia Maria Fernandes, viúva, de Pé do Monte, Santa Eulália; a sanação das alporcas de que padecia Bernardina, solteira, da vila; a sanação de um fonte lacrimal de que padecia António, jovem, solteiro, do lugar de Santo António; e até a surpreendente multiplicação de azeite que se observou numa talha chamada da Rainha Santa; e tanto mais que de 1753 por diante terá ficado por testemunhar e registar...

Acrescem, pois, ao modelo de vida penitente e imensas virtudes de D. Mafalda, sobejas, concretas e gloriosas obras operadas entre nós - que bem podiam e deviam ser mais divulgadas para nosso consolo e esperança -, pois que nem as próprias monjas do Mosteiro resistiram à tentação de tocar a santidade, como ocorreu em 1616, 1617 e, nomeadamente, em 07 de Agosto de 1619, quando se realizou a trasladação da urna primitiva para o jazigo de pedra, também este aberto em 1749 e, particularmente, em 16 de Junho de 1793, quando se deu a composição e trasladação dos restos mortais para o busto de vulto relicário da Rainha Santa que repousa na urna de ébano e prata, que hoje se pode observar na igreja do Mosteiro.

23 de abril de 2021

Nunca, como hoje, foi tão necessário concretizar a Regionalização

Arouca é um município que não se desenvolve tão rapidamente devido, em grande parte, ao fenómeno do ultra-centralismo ultra-parasita do Poder Central de Lisboa e arredores. Por essa razão, para referir, de novo, o exemplo mais óbvio, a variante à EN326 demora tanto tempo a concluir, apesar de estar localizada em plena Área Metropolitana do Porto!...
Com o concretizar do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), já se começa a vislumbrar a rapace injusta, auto-referente e oportunista do ultra-centralismo ultra-parasita de Lisboa em relação ao resto do país, sobretudo em relação à Região Norte.
O antigo Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Castro Almeida, afirma, com toda a razão, que é um erro centralizar em Lisboa a gestão do PRR, realçando que a gestão dos milhões da 'bazuca' parece servir para remediar as contas públicas. E ele tem toda a razão.
Apesar dos «artifícios retóricos» do actual ministro do Planeamento, Nelson de Souza, ao alegar que haverá descentralização no processo, vislumbra-se, na prática, que, de modo muito injusto e imoral, Lisboa e arredores irão receber grande parte dos novos fundos europeus. Ainda para mais porque, ao contrário das verbas do quadro Portugal 2020, estas novas verbas não precisam, obrigatoriamente, de ser canalizadas para outras regiões portuguesas. Assim, parece que, infelizmente, o actual Governo, que é ultra-centralista lisboeta, pretende canalizar grande parte das verbas para a Área Metropolitana de Lisboa.
E essa situação é imoral, revoltante, muita injusta e não pode continuar mais assim. Não pode mesmo mais continuar assim. Alguém tem de pôr cobro a isto. Alguém tem «de fazer alguma coisa, com muita urgência».
Estamos prestes a comemorar os 47 anos do 25 de Abril, que nos conduziu, felizmente, ao regime de Liberdade, que é a Democracia Parlamentar e Representativa com a Constituição da República Portuguesa de 1976, mas cuja configuração só se começou a efectivar com a extinção do Conselho da Revolução no ano de 1982.
A Constituição estipula a criação das regiões administrativas em Portugal Continental, que são cinco: já estão bem identificadas. Ninguém, no Estado português, tem poder sobre a Constituição da República Portuguesa. 
Nunca, como hoje, foi tão necessário concretizar a Regionalização. Para bem de Portugal e de todos os Portugueses. Para bem de Portugal como um todo.

Mais uma vez e agora com a gestão ultra-centralista do PRR, a Região Norte, que é «o motor económico de Portugal», será, provavelmente, a região portuguesa mais injustiçada.
Refiro, de novo, aos leitores deste blogue, que há um ensaio de muitíssima qualidade, da autoria de Henrique Raposo, publicado na revista Exame de Julho de 2016, que terá todo o interesse para os Arouquenses e para as instituições de Arouca, porque descreve bem, com rigor e lucidez, como a Região Norte (onde Arouca pertence e sempre pertenceu e onde Arouca, de modo identitário, se insere e sempre se inseriu) é, de facto, o «motor económico» de Portugal.
 
Fazer, por favor, o «download» do ensaio, em ficheiro pdf, aqui:

Repito: Apesar de ter algumas imprecisões, esse ensaio é dos melhores textos que se escreveram, nos últimos anos, sobre o assunto, onde se revela a idiossincrasia empreendedora e inovadora, de trabalho e de poupança, das gentes do Norte (em particular do Noroeste de Portugal) e como ela se mantém, de modo consolidado, com os seus fortes traços identitários milenares, no actual contexto de Modernidade avançada, em que Portugal está integrado no espaço político e económico da União Europeia. 
Mas esse esforço pessoal, familiar e colectivo das pessoas do Norte é, infelizmente, em grande parte, parasitado, de modo muitíssimo injusto, por Lisboa e arredores, devido ao modo ultra-centralista como funciona, há muito tempo, o Estado português. E esta situação muitíssimo injusta não pode mesmo continuar mais assim...
Tem, de facto, de haver uma inversão urgente desta situação muitíssimo prejudicial para a Região Norte (que é também a mais populosa do país, com cerca de 3 690 000 habitantes), visto que se constata que o ultra-centralismo e o ultra-parasitismo de Lisboa e arredores continuam vigorosos, agora com a gestão ultra-centralista do Plano de Recuperação e Resiliência.
Nunca, como hoje, foi tão necessário concretizar a Regionalização. E a Constituição da República Portuguesa assim o prevê e assim o exige.

19 de abril de 2021

Simão Oliveira e a vitória pelo que (en)canta

Quando concluir este apontamento que vou escrevendo noite dentro, com o The Voice Kids em fundo, já o Simão, muito provavelmente, venceu esta edição do programa e todos estejam a festejar ou a associar-se aos festejos da vitória e a comentar a sua prestação, não havendo, provavelmente, muito a acrescentar, para além de, como arouquense e amigo da família, me associar também e manifestar o orgulho pelo tanto que (en)cantou.

Gala após Gala, a crescente mobilização dos arouquenses, que se evidencia pelas redes sociais, com o pessoal do comércio e instituições locais, e até a própria presidente da Câmara, a ostentar o cartaz do Simão, como declaração de apoio, indicia uma forte possibilidade de vitória. Com efeito, é o público, pelo seu voto, que tem o poder efetivo de decisão e, por isso, a importância da mobilização.

Não vale a pena questionar agora as regras do concurso. São conhecidas de todos, especialmente dos interessados, desde o início e todos têm ao seu alcance fazer o que mais puderem com vista ao melhor resultado possível. A decisão podia, muito naturalmente, ser dos mentores ou de um júri, mas, das galas à final, não é, e todos sabem que não é. E, também por isso, se sabe que não estão em jogo apenas as interpretações musicais, mas também o mais que cada um dos concorrentes é e faz por merecer eliminatória após eliminatória, e até mesmo independentemente destas.

Se não fosse de Arouca e não conhecesse o Simão, a minha eleita seria a Rita Rocha. Mas sou de Arouca e conheço o Simão, pese embora nunca tenha falado com ele para além da circunstância em que me cruzo e converso com o pai na sua companhia; e, provavelmente, ele não me conheça até tão bem como eu o conheço, mas, a verdade é que também não sou nem serei já tão conhecido e famoso como ele é, ainda com apenas 14 anos. Porém, o facto de ser seu conterrâneo e o conhecer, é-me mais e bastante para, independentemente das interpretações - que aprecio pelo que lhes empresta de genuíno e sentido -, lhe dar o(s) meu(s) voto(s) e torcer pela sua vitória.

Acresce que o Simão, para além do seu singular talento e inegável preferência pelo fado, revelou sempre uma faceta e personalidade genuínas - como sabemos -, mas raras e peculiares nessa idade, o que muito engradeceu a participação e colmatou qualquer insuficiência e até a invariabilidade do género musical, não deixando ninguém indiferente, dentro e fora do concurso, como, de resto, foi sendo manifestado por todos os mentores e pela esmagadora maioria do público. Por isso, independentemente do desfecho desta noite, o Simão, pelo que (en)canta, já venceu.

18 de abril de 2021

Rotas e Trilhos: da Terra ao Mar

"O Município de Arouca em parceria com o BTTArouca, iniciou o programa ROTAS E TRILHOS. O programa consiste em lançar desafios ao longo do ano, nas vertentes de caminhada, corrida de montanha e BTT, pelos recantos do território do Arouca Geoparque." 

Após ter efetuado o primeiro e segundo rotas e trilhos na vertente caminhada/corrida percorri esta semana o rotas e trilhos " da terra ao mar" que decorre por inteiro na freguesia de Mansores. O conceito é interessantíssimo pois é estudado e preparado previamente pela organização um percurso que percorre lugares e locais, que muito provavelmente não visitaríamos ou não conheceríamos, por serem muitos deles inacessíveis sem uma devida preparação e estudo do terreno. Os percursos até agora apresentados seguem um denominador comum que é o de terem as linhas de água (rios ou ribeiros) como  orientadores gerais do trajecto. Caminhos antigos, velhos moinhos, velhas quintas abandonadas, levadas, cascatas de água escondidas e muito mais podemos encontrar nestes percursos. Uma aventura que vale muito pena e que está ao alcance de uma simples inscrição ao que se segue o descarregar do trajeto para o nosso smartphone ou GPS e  já está... ou, então, sigam simplesmente as fitas sinalizadoras. Em minha opinião terá sido um dos programas recentes na vertente de turismo de aventura e natureza mais bem conseguidos do concelho.

Resumidamente o nome "da terra ao mar" surge, segundo a página de facebook da organização, da alusão à neblina que frequentemente se forma no vale de Mansores resultado dos processos físicos de evaporação e condensação da água do Arda dando origem ao "Mar de Mansores". Conheço uma outra teoria que diz que o mar de Mansores nasce na história das varinas de Ovar que vinham Arouca vender o seu peixe, em cestas e a pé, e que aquando do regresso e algum do peixe sobrava e já em mau estado para consumo,  deitavam-no fora ali pelos lados de Mansores. Começaram a surgir algumas " sardinhas" no meio dos campos verdes o que só se justificaria pela existência de um mar : "o mar de Mansores". 

Histórias à parte o percurso está muito bem conseguido e acessível a qualquer aventureiro seja em ritmo de passeio ou desporto. São 14 km de pura descoberta. Infelizmente durante o percurso na zona junto ao rio Arda, é possível verificarmos a quantidade de plantas invasores nomeadamente as "mimosas" que ganham terreno e dominam a flora . Algo a considerar em planos futuros de conservação e preservação da biodiversidade. Mas, no geral, a maioria do percurso apresenta ribeiros e terrenos com galerias ripícolas ainda intactas e preservadas. Um percurso onde não nos safamos de andar dentro de água e por exemplo passarmos por baixo da EN326, só para deixar aqui duas curiosidades. 

Aos organizadores parabéns, a todos os outros deixo a sugestão:  aventurem-se

11 de abril de 2021

Santo Ivo me ajude e me perdoe!

 

Santo Ivo me ajude sempre a ter um comportamento público e profissional adequado à dignidade e responsabilidades das funções que exerço, cumprindo pontual e escrupulosamente os deveres que me são consignados pelos estatutos do meu oficio e todos aqueles que a lei, os usos, costumes e tradições profissionais me impõem, não descurando nunca a honestidade, probidade, retidão, lealdade, cortesia e sinceridade como obrigações profissionais.

Santo Ivo me ajude, no exercício da profissão, a manter sempre e em quaisquer circunstâncias a minha independência, de modo a agir livre de qualquer pressão, especialmente a que resulte dos meus próprios interesses ou de influências exteriores, abstendo-me de negligenciar a deontologia profissional no intuito de agradar a clientes, colegas, tribunais ou terceiros.

Santo Ivo me ajude a não me pronunciar publicamente, na imprensa ou noutros meios de comunicação social, sobre questões profissionais pendentes e, muito menos, a emitir publicamente opinião sobre questões que saiba confiadas a outros colegas, cavalgando as ondas dos dias e fazendo paragonas da espuma que fica.

Mas, Santo Ivo, perdoe-me também não contribuir muito mais para o esclarecimento público e assim, pelo menos, tentar demover muitos daqueles que se deixam arrastar pela enxurrada da desacreditação e descredibilização das instituições, da Justiça e da Democracia, mesmo sem saberem muito bem onde os leva essa imprudente e irrefletida voracidade.

Perdoe-me Santo Ivo, não conseguir a disponibilidade que tais almas requerem, quantas vezes em vão! Pois na maior parte dos casos, motivadas por informações dúbias, mal googladas ou incompletas, que absorvem e difundem, sem cuidar de esclarecer - porque nem querem -, quantas delas só porque sim, mas talvez até porque, mais do que exigir e pugnar pela boa administração da Justiça e bom funcionamento da Democracia, precisam exorcizar pecados ainda por remir, ocultar ou compensar frustrações pessoais ou vingar a pronúncia por comportamentos ainda não prescritos.

E ajude-me, Santo Ivo, a aceitar e preservar o principio de que as decisões não são boas ou más por serem ou não condizentes com a minha opinião, pois não devo ignorar que esta Justiça é Humana e o Direito não é matemática e, por isso, tenho de estar preparado para aceitar que haja decisões e formas de apreciação, interpretação e fundamentação, diferentes das minhas. Na certeza, porém, de que a Justiça, embora vendada às partes, não é cega à melhor subsunção dos factos nem surda aos mais verosímeis argumentos, e, por isso, se necessário, sempre me será possibilitado requerer a reapreciação e sindicância dessas decisões.

Tenho, pois, esperança no bom funcionamento da Justiça, e não estou disponível para contribuir - antes pelo contrário - para a desacreditação e enfraquecimento do significado dos símbolos que lhe são próprios: a venda nos olhos, que simboliza a imparcialidade e a ideia de que todos são iguais perante a lei; a balança, que simboliza o equilíbrio das forças desencadeadas e a ponderação; e a espada, que simboliza a capacidade de exercer o poder de decisão com rigor e firmeza. 

Esteja, no entanto, também o Direito à altura, expurgado de expedientes dilatórios e vedado de brechas e escapatórias. O que numa primeira fase não compete ao poder Judicial, mas sim ao poder Legislativo.

Nota: para quem não saiba, mas, principalmente, para aqueles que até já nem aqui chegaram, dado formarem logo uma ideia sobre o texto a partir do título, tomando a aparência pela realidade e o parcial pelo integral, estoutro Ivo é um Santo católico, padroeiro de todos os profissionais de Direito, especialmente dos advogados.

31 de março de 2021

Sobre a polémica em torno dos prémios do turismo

Depois do presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve ter sugerido que os prémios do turismo são comprados, os World Travel Awards e, nomeadamente, os prémios repetidamente atribuídos aos Passadiços do Paiva naquele evento, têm estado a ser questionados e até desacreditados, por algumas pessoas de Arouca e mesmo por forasteiros.

A alegada compra dos prémios prende-se com o facto dos interessados em colocar locais ou equipamentos de atração turística a concurso, terem de pagar uma inscrição e depois terem que pagar também o respetivo troféu e diploma, bem como suportar os custos da presença na respetiva gala.

E, ao que julgo saber, é isto que tem causado estranheza, estupefação e indignação a algumas pessoas, que, por isso, estão empenhadas em questionar, desacreditar e, também assim, desmerecer os prémios que o Município tem repetidamente alcançado com aquele equipamento turístico ou, simplesmente, como convém à época de concurso ao poder, apenas ver o "circo a arder". Assim, como se fosse a cereja no topo do bolo de todos quantos regressam dos Passadiços do Paiva, com o sentimento de que não valeu a pena ou de que foram enganados. Só que não!

Abstendo-me de comentar o funcionamento desse tipo de eventos e prémios, pois é o que mais para aí há, mesmo entre nós, como, por exemplo, as também bem pagas "7 Maravilhas de Portugal"; em minha opinião, "levantada a lebre", quando muito, poderá questionar-se (em órgão próprio) o custo/benefício "da compra" para o município e para os arouquenses, tal como se faria com o investimento num qualquer tipo de publicidade. Mais do que isso, é pura demagogia e populismo e, em alguns casos, mero oportunismo eleitoralista, que não beneficia ninguém.

Pessoalmente, acho plenamente justificado o investimento (que não conheço, mas que também nunca vi questionado por deputados municipais e vereadores, pelo que não será de grande monta), pois, para além de efetivamente existir um concurso, "comprado" ou "por comprar", com mais participantes (alguns dos quais até ficarão aquém do prémio pretendido, apesar do investimento, imagine-se...),  tem sido evidente a publicidade e retorno para Arouca e para os Arouquenses, nomeadamente para a hotelaria e restauração.

30 de março de 2021

Planta rara e em perigo de extinção foi encontrada no Arouca Geopark

Uma planta rara e em perigo de extinção - a Potentilha-dos-Montes (Potentilla Montana) - foi encontrada no Arouca Geopark, segundo informa o site oficial, referindo que "Carminda Santos, naturalista do projeto ciência-cidadã ‘Biodiversidade do Arouca Geopark’, observou e registou esta planta neste território, pela primeira vez, e acrescentou uma nova localização no mapa nacional de distribuição da espécie. Com distribuição restrita a Portugal, esta planta habita em locais rochosos, taludes, prados e orlas, sendo apenas conhecidos, até ao momento, três núcleos populacionais."

Potentilha-dos-Montes (Potentilla Montana)
Foto: Arouca Geopark

Alguém me perguntou, há um tempo, qual é o pior problema que o mundo hoje enfrenta. Não creio que seja a crise económica, mas sim a destruição do meio-ambiente. Milhares de espécies são destruídas todos os anos, desaparecem simplesmente e não as podemos reproduzir. 
Palavras do Professor Doutor Robert Aumann, Catedrático da Universidade Hebraica de Jerusalém - Israel, economista e Prémio Nobel da Economia de 2005, numa entrevista publicada no semanário Expresso de 29 de Novembro de 2008, concedida ao jornalista portuense Henrique Cymerman.