23 de janeiro de 2021

Rodrigo Fernandes de Pinho volta a vencer a "Pergunta do Dia!"

Apesar de só terminar amanhã, já é conhecido, desde a sétima pergunta, o vencedor da 2.ª Edição da "Pergunta do Dia!". Depois de já ter vencido a primeira Edição, realizada no ano passado, Rodrigo Fernandes de Pinho, natural da freguesia de Rossas, volta a vencer esta edição da "Pergunta do Dia!".

O desafio colocado nos últimos dez dias na página de Facebook do blog "Defesa de Arouca", também com o objetivo de ajudar a distrair e desanuviar das contingências derivadas da pandemia que estamos a enfrentar, consistiu em 10 perguntas, cujas respostas, mais do que de conhecimento geral sobre Arouca e os Arouquenses, implicavam alguma pesquisa.

Talvez pela necessidade de maior pesquisa, esta edição acabou por não ter a adesão de mais participantes, apesar das estatísticas de visitas e interações geradas pelas perguntas terem estado muito acima da média das publicações habituais nessa página.

Quando falta apenas a pergunta de amanhã, que será sobre a sua freguesia natal, Rodrigo Fernandes de Pinho só não acertou em duas respostas, pese embora tenha andado muito perto de o conseguir. Muitos parabéns e obrigado ao Rodrigo pela sua participação!

As Perguntas foram as seguintes: 

PERGUNTA DO DIA! (1/10) – Recentemente faleceu o professor e autarca José Soares Correia Belém, natural de Silgueiros, Viseu, o qual casou no final da década de cinquenta com a arouquense Irene Monteiro de Sousa. Onde se realizou a cerimónia de casamento?

PERGUNTA DO DIA! (2/10) – Foi eternizado na toponímia da vila de Arouca com patente militar inferior ou pelo menos diferente daquela com que faleceu. De quem se trata, qual a patente com que morreu e onde foi sepultado?

PERGUNTA DO DIA! (3/10) - Após a sua extinção definitiva o Mosteiro de Arouca, para além dos espaços da Paróquia e da Real Irmandade, já foi destinado (independentemente de se concretizarem ou não) a albergar diversas valências, a última das quais uma Unidade Hoteleira na Ala Sul. A quem foi concedido o remanescente do Mosteiro e para que finalidade logo após o falecimento da última monja? 

PERGUNTA DO DIA! (4/10) – Foi há precisamente treze anos que a "Defesa de Arouca" publicou o último número do seu jornal, que se editou quase ininterruptamente desde 2 de Janeiro de 1926. Houve, porém, um curto período em que quase não se publicou qualquer número e perdeu mesmo o direito ao título. Que período foi esse, o que originou essa instabilidade e a que se deveu a perda do direito ao título?

PERGUNTA DO DIA! (5/10) – A atual imagem gráfica do Município de Arouca foi adotada em 14 de Setembro de 2019. No entanto, esta não é já a primeira imagem gráfica utilizada pelo município. Antes desta, existiu uma outra sintetizada numa logomarca sob o lema «Arouca, Vale da Fertilidade». Em que data foi então apresentada pelo município essa logomarca e qual a entidade que ainda hoje faz uso dela? 

PERGUNTA DO DIA! (6/10) – O que significam e/ou a que entidades correspondem ou corresponderam as siglas ou abreviaturas CODA, A4, EXCOMAR, AMC, SICOMAR, ADCA, GACA, CAAEAFCA, ADITUR, AAA, ARDA e SAJU.

PERGUNTA DO DIA! (7/10) – “NON SINE INVIDIA ANNO 1686” diz-se ainda uma das mais remotas e enigmáticas inscrições datadas da nossa vila. No entanto, ao percorrermos a zona histórica conseguimos descortinar pelo menos quatro datas mais antigas. Quais são e onde se encontram inscritas?

PERGUNTA DO DIA! (8/10) – Este ano completam-se vinte anos sobre o começo das obras da 1.ª Fase da Variante à EN326. No entanto, são ainda as velhinhas estradas nacionais que nos levam ao litoral. Em que ano começou a rasgar-se a ligação entre Arouca e Oliveira de Azeméis (EN224) e, sabendo que, entre a vila de Arouca e a Farrapa, se fez em quatro lanços e que cada um deles transpôs pelo menos um rio ou ribeiro, entre que lugares se compreendeu o terceiro lanço?

PERGUNTA DO DIA! (9/10) – «Porque a data 6 de Dezembro de 1937 marca a luta dos camponeses arouquenses contra os lacaios (…) dos exploradores do povo trabalhador». Onde podemos ler esta frase e o que é que desencadeou aquela luta que se saldou num morto e vários feridos?

PERGUNTA DO DIA! (10/10) – Dada a excelente participação de Rodrigo Fernandes de Pinho nesta 2.ª Edição da “PERGUNTA DO DIA!”, é justo que a última pergunta seja sobre a sua freguesia natal. Em que data foi criada a escola de ensino oficial primário de Rossas e em que data para ela se nomeou o primeiro professor?

17 de janeiro de 2021

IRS - Taxa Municipal

Os municípios portugueses, através de decisão do seu executivo e aprovação em assembleia municipal, têm a possibilidade de devolver parte do IRS cobrado pelo Estado aos seus habitantes. Chama-se “Participação variável no IRS” e consta no Regime Financeiro das Autarquias e Entidades Intermunicipais. Em Portugal encontramos todas as situações desde municípios que devolvem a totalidade desta taxa até aos que não devolvem qualquer valor. Arouca, mantém uma taxa de participação variável no IRS de 5%, ou seja optou por não abdicar de qualquer parte deste valor em favor dos munícipes.

Recentemente uma força politica local fez noticia de uma proposta para que este valor fosse devolvido aos munícipes, sendo esta opção rejeitada pelo executivo. Este apresentou como parte da argumentação para a decisão de recusa o facto de que só seriam beneficiados com a medida os mais privilegiados economicamente e que o cariz social se esfumaria não tendo impacto nas camadas económicas mais necessitadas da população. 

Concordo com argumentação e percebo-a, no entanto esta situação leva-nos para uma outra reflexão mais profunda. 

Cerca de 50% da população Arouquense não teria qualquer beneficio com esta medida, principalmente os mais necessitados. Isto é o mesmo que dizer que metade da população não tem rendimentos suficientes para serem taxados em sede de IRS. Isto é o mesmo que dizer que o rendimento médio e poder de compra da população Arouquense é baixo, o mais baixo da Grande Área Metropolitana do Porto. É aqui que esta reflexão se impõe. É preciso pensar, refletir, agir e encontrar estratégias e linhas orientadoras para que este ponto fulcral para a qualidade de vida dos arouquenses (o seu poder económico) acompanhe em igual escala o desenvolvimento e destaque que Arouca enquanto concelho tem tido no panorama nacional. Assim não acontecendo, como atrás se descreve, o objetivo último e final da gestão municipal fica por cumprir: o melhoramento da qualidade de vida de todos. 

Nota: Aquando da consulta no portal das finanças das taxas de IRS associadas aos municípios, Arouca misteriosamente desaparece das listagens nos anos de 2020 e 2021, sendo o último dado de 2019. Pode consultar aqui 

15 de janeiro de 2021

A Pensar Alto! 2021 o Ano farol.

Se fim de ano houve em que os votos de bons desejos para o futuro foram sinceros e carregados de esperança, foi neste passado fecho de 2020. Os votos de bom ano transmitiam a esperança dos regressos e a vontade enorme de não nos esquecer mos do que é um abraço, ou até uma palmada nas costas. De beijos e mais afagos nem quero falar. Fomos atravessando estes dias esperando novidades boas e deitando para o ar as novas regras e todos os impedimentos que 2020 de repente nos atribuiu. Será que basta ter esperança? Pelo menos ajuda e sempre é um fator de auto motivação sem grandes pesquisas. E 2020 nem terminou muito mal. A noticia do primeiro passo para a normalização, com as vacinas a abrir todas as portas para o novo velho mundo, a mudança nos E.U.A. com o regresso da dignidade e do respeito social arredados muito temporariamente por um ignóbil  arremedo de Presidente que tanto queria perpetuar-se, como se fosse possível manter o embrutecimento sem fim à vista. As preocupações com as mudanças climáticas que os períodos de confinamento trouxeram ao dia a dia, tornaram se mais entendíveis e apressaram a urgência em tentar recuperar dos enormes erros cometidos que se devem evitar repetir a todo o custo, e mais noticias boas foram chegando ao final de 2020 mesmo que as ampliássemos para compensar o rol enorme de noticias horríveis que todos os dias nos apareciam e teimam em aparecer por todo o lado, assim a modos daquele cobertor que apesar de fininho sempre tapa algum do frio nas noites invernosas. E como as autoridades facilitaram lá se passou o Natal e o fim de Ano a fingir normalidades, mas com as sensações de que se iriam arranjar sucedâneos, e a felicidade se bem que mais pequena iria ser compensada com essa intensidade. E lá entramos em 2021 a avistar bem longe o farol, mas a avistar e isso é o que importa. Com a mudança veio o frio, frio antigo que nem todos os anos nos visita mas quando volta obriga a rostos espantados e desenhos com as respirações enregeladas. Frio nos corpos mas calor na alma com o futuro já ali, parecia tão próximo. De repente, ainda não é desta, novo passo atrás e vamos confinar de novo. Desta vez somos já experientes, começam a ganhar se hábitos estranhos e a surpresa inicial é o dia a dia. Importa é prevenir e dar o contributo para quem é obrigado a assumir riscos para sobreviver, afinal pouco sacrifício o nosso, se comparar mos com a maioria. Lá fora, as eleições, desta vez, diferentes, sem campanhas, sem grandes ruídos com candidatos desinspirados, fica o prazer de contribuir para uma  escolha  que só a democracia consegue. Espero pelo menos que os candidatos que não atinjam a finalidade para que concorrem, não façam birras, nem ameaças, nem se mostrem adeptos de exemplos que nos aparecem de onde menos se espera. Trumpzinhos há em todo o lado e tristes crédulos vão aparecendo nem que seja para exercitar o ego de quem gosta de viver em situações que lhe permitam dar aqueles passos em que todos fiquem de boca aberta, seja pelo bom ou pelo mau, é igual, logo que não sejam os próprios os prejudicados. Alguns têm umbigos muito sensíveis. De resto, para desanuviar, este confinamento que se inicia por estes dias nem deveria ter esse nome, é assim a modos de uma recolha voluntária para quem quer e pode. Vamos ver os resultados e já temos dois para esperar, as eleições e o confinamento. Neste primeiro dia, dia claro, frio mas com muito sol que aproveitamos para aquecer as emoções e os desânimos. Continuamos a pensar que no fim, bem ou mal alguma coisa se há de arranjar. Fica a esperança, esta é mesmo a ultima coisa a morrer. Em confinamento II.

14 de janeiro de 2021

Sobre os antigos modos de pesca nos rios de Arouca

O texto anterior da autoria de Paulo Teixeira, sobre 'O Guarda-Rios', remeteu-me para a parte de uma Tese académica e científica que defendi no ano de 2002, onde descrevo alguns dos antigos modos de pesca nos rios de Arouca. Por pensar que terá bastante interesse, decidi partilhar essa parte da Tese com os leitores deste blogue «Defesa de Arouca»:
     
As espécies piscícolas que abundam, nos cursos de água da freguesia, são a enguia (Anguilla anguilla), a truta fário (Salmo trutta fario), considerado, pelos autóctones, o peixe mais nobre, por ser o mais difícil de pescar, de temperamento irrequieto e individualista, o escalo (Leuciscus leuciscus), também denominado bordalo, e a boga (Chondrostoma polylesis), estes dois últimos vivem em cardumes e são considerados de menor valor. No curso de água do concelho com maior caudal, podem-se encontrar também o barbo (Barbus barbus) e a carpa (Ciprinus carpio). Se surgiram, nas casas dos lavradores, ao longo do tempo, várias receitas gastronómicas de confecção da truta com algum requinte, os bordalos e as bogas são confeccionados de modo uniforme, normalmente em caldeirada, escabeche ou em fritadas. 
 Várias técnicas arcaicas de pesca ainda hoje se mantêm, nas populações ribeirinhas, como a pesca ‘à chumbeira’, rede muito apertada com pedaços de chumbo nas pontas que é lançada sobre os cardumes, recorrendo a um fio que aperta a rede, aprisionando, desse modo, os peixes; a ‘naça’, saco de rede, com a abertura em redondo, que se puxa em sentido contrário à corrente, entrando o peixe na armadilha donde não consegue sair; o ‘tozom’, saco de rede seguro por dois paus que se arrasta pelas margens do rio, ao mesmo tempo que os pescadores batem nas pedras e nos arbustos laterais que o rodeiam, onde se escondem os peixes; o ‘tramalho’, utilização, no período de Verão, durante o dia e durante a noite, de duas ou mais redes compridas que abrangem as duas margens do rio - em equipa, alguns pescadores seguram as redes e outros afugentam o peixe em direcção ao local onde as redes se encontram armadas; e a captura de enguia com um tipo de anzóis denominados ‘âncoras’, com iscos de bogas ou escalos partidos ao meio e ensanguentados, atados por fios grossos aos arbustos situados nas margens dos rios e que são colocados durante a noite. 
 São técnicas arcaicas de pesca que têm sobrevivido ao longo dos séculos, apesar de serem, quase todas, proibidas pelo poder central do Estado, mas que não desapareceram por fazerem parte dos costumes endógenos das populações autóctones. A técnica de envenenamento do peixe dos rios com uma planta denominada ‘trovisco’ (Daphne Gnadium L.), vegetal arbustivo venenoso da família das Dafnáceas, introduzida em sacos de serapilheira que eram colocados nos açudes, também era uma prática corrente pelos habitantes da freguesia até aos anos sessenta do século vinte, mas que já desapareceu, por ser reprimida pelo poder estatal. 
foto: Mapionet
O rio Paivó, no lugar de Celadinha - freguesia de Moldes - Arouca

 Os rurais atribuem grande importância aos cursos de água por terem sido, durante milénios, uma das condições básicas da sua sobrevivência, para além da relação sagrada que os velhos rurais tinham pelos rios, criando-se vários mitos nos poços mais profundos, de que servem de exemplos, entre muitos, na freguesia de Rôssas, a lenda da existência de uma “grade de ouro" escondida pelos Mouros no fundo de um dos poços do rio Arda ou o facto das populações da freguesia de Espiunca, em épocas de grande seca, costumarem ir, em procissão, à capela de Santo Adrião, localizada na vertente das bacias do Paiva e do rio Sardoura, transportando, depois, a imagem do santo até junto do rio Sardoura, onde praticavam rituais de mergulho da imagem para pedir uma mudança no tempo. 
 Estes fenómenos são um indicador da importância que a água tem para as populações rurais. É na conjugação desses dois elementos físicos, a terra e a água, que o ambiente rural se moldou ao longo dos milénios. As ‘presas’, reservatórios de água com as paredes feitas de terra e com um orifício para a saída de água chamado ‘boeiro’, situadas nas imediações dos aglomerados populacionais, e as ‘lobadas’, desvios de água nos açudes do rio destinada à rega dos campos ribeirinhos e utilizada como força motriz dos moinhos de água, dos engenhos do linho e dos lagares de azeite, normalmente possuída em rateio entre consortes (denominados também ‘quinhoeiros’) de acordo com sistemas tradicionais de partilha, são exemplos paradigmáticos da complementaridade e da dependência entre esses dois elementos físicos nos espaços rurais. "

12 de janeiro de 2021

O Guarda-Rios


A figura do Guarda-Rios faz parte de um passado não muito distante. Os guarda-rios, assim como os guarda-florestais, eram cargos públicos, mas que, por decisão política, foram "desaparecendo" à medida que os indivíduos que desempenhavam essas funções se foram reformando ou deslocando para outros serviços. 

As casas florestais foram botadas a um esquecimento lastimável, a floresta foi negligenciada e os rios ficaram à mercê da cultura ambiental e bom-senso das populações, que, infelizmente, muitas vezes, não abunda.

O Guarda-Rios faz parte da história recente também de Arouca, onde, por exemplo, patrulhava as margens dos rios Paiva, Paivô e Frades, na altura da exploração do volfrâmio. Procuravam, entre outras situações, evitar as descargas ilegais e a poluição das águas e das suas margens.

Arouca tem e terá a breve prazo duas estruturas que têm e terão os rios como ponto fulcral, a saber: os Passadiços do Paiva e a Ciclovia do Arda. Ou seja, dois rios como "cenário" preponderante destas apostas turísticas, mas também de lazer e bem-estar da população.

Porque não voltar a reavivar a figura do Guarda-Rios, que, basicamente, e em termos mais modernos, corresponderá a um vigilante, zelador e controlador do asseios dos rios, suas margens e estruturas?

Fica a sugestão.

10 de janeiro de 2021

103.2 FM

103.2 , Rádio Regional de Arouca, a rádio que gosta de ouvir!

Foi assim que ao longo dos anos me fui habituando a ouvir o "gingle" da rádio de Arouca, quando por vezes a sintonizo no rádio.

Tive conhecimento esta semana de um estudo da Marktest que aponta a Rádio Regional de Arouca como umas das rádios mais ouvidas  e com maior audiência na zona geográfica que engloba os "distritos de Aveiro e Porto e distritos próximos".  A saber a RRA ocupa o 10º lugar da lista, sendo superada na audiência unicamente por rádios de índole nacional. A 9ª classificada deste estudo a rádio Antena 1 tem somente mais 0.2 de share que a RRA. Incrível!!

É a rádio local/regional mais ouvida na zona geográfica do estudo, o que não é coisa de somenos tendo em conta as concorrentes de concelhos e regiões vizinhas! 

Adelino Pinho é a voz e a cara por detrás da RRA desde a sua fundação. Com o seu estilo como  sua imagem de marca,  incute à sua rádio um cunho pessoal que lhe faz hoje alcançar estes resultados. 

Independentemente de ser ou não o fm que mais vezes sintonizamos, é justo reconhecer este fabuloso resultado e dar os parabéns a toda a equipa. 



 

5 de janeiro de 2021

COVID(A) com Humor - Crescei e multiplicai-vos

“Pandemia pode acelerar perda da população portuguesa”, dão-nos conta as notícias recentes, referentes à diminuição da natalidade no nosso país. Não só em Portugal, mas no mundo em geral, parece que o Covid-19 está a fazer com que as nossas futuras criancinhas adiem os seus planos para nascer, deixando para melhores dias.

Este facto vem contrariar o que tanto ouvíamos dizer (por graça? por convicção?) nos tempos em que a quarentena se instalou: “Agora é que vai ser teletrabalhar em série. Daqui a nove meses é que vamos ver nascer meninos”. Pois, se calhar o problema terá sido mesmo esse: teletrabalhou-se demais e trabalhou-se ao vivo e em presença de menos. Deu nisto! Dizia-me, alguém, um destes dias, que “não admira, tem andado tudo com medo de se tocar, até um beijo é perigoso”. Isso ou a regressão económica, a perda de confiança no futuro, o medo de enfrentar uma gravidez covídica… Tantos podem ser os motivos!

O certo é que estão a nascer cada vez menos crianças. Parece que nada as convence a vir a um mundo infestado de vírus por todo o lado, mesmo com coloridos arco-íris a dizer-nos que “Tudo vai ficar bem”, pintados por outras criancinhas que já por cá andavam antes da “bomba” estourar e não tiveram tempo de adiar a viagem para cá. E isto não é nada bom, principalmente para um país tão envelhecido como o nosso. As nossas mais belas flores vão murchando e começa a não haver ninguém para fazer novas sementeiras.

“Crescei e multiplicai-vos”, disse Deus (Génesis, 9:7).

Pois bem: até agora sempre pensei que este dito de Deus se dirigia a nós humanos. E como eu, penso que muitos outros terão pensado o mesmo. Afinal, naquela altura, Ele falava com Noé e sua família, acabadinhos de ser salvos de um dilúvio que dizimara a humanidade inteirinha, e sem dúvida, era preciso começar a (re)produção em massa para substituir os afogados e repovoar a Terra (imagino a trabalheira que deve ter dado!).

            Mas não! Temos andado, todos estes milénios, completamente equivocados. Não podemos esquecer que, com Noé, na Arca por ele fabricada, estava também um casal de cada ser vivo do planeta, para que a Natureza também ela se refizesse. O engraçado é que, segundo as ilustrações que se divulgaram desde essa altura, e chegaram, sabe-se lá por que meios, até aos nossos dias, acostumámo-nos a ver, na Arca, elefantes, girafas, cobras, macacos, galinhas (não! nunca vimos galinhas, mas certamente teriam de estar lá, se não ter-se-iam extinguido). Sabe-se lá porquê, também nunca vimos, nessas belas ilustrações bíblicas, vacas arouquesas (nem de outra espécie, reparo agora), mas também devia haver. De outro modo, como teriam elas chegado a Arouca? Terá sido nesse dilúvio que se extinguiram os famosos dinossauros? Não, acho que estou a confundir as coisas. Mas também não é de galinhas, vacas arouquesas ou dinossauros que quero falar.

            De quem eu quero falar é desse bichinho estranho que dá pelo nome de SARS-COV-2 (mais conhecido como coronavírus), que, sem qualquer dúvida, também deve ter sido salvo na Arca (mal imaginavam eles as consequências para os descendentes de Noé). Ninguém o viu, mas disso não me admiro nada. Ainda não tinha sido inventado o microscópio.

            Chego agora à conclusão que, ao fim e ao cabo, era para esse famigerado vírus que Deus falava. Só não teria sido preciso o “crescei”. Essa parte está a mais. Este bichinho é tão minúsculo, tão minúsculo, que não há quem o enxergue. No entanto, lá multiplicar-se, multiplica-se ele. Bem mais do que seria de desejar.

Ter-se-á o Deus do Génesis enganado? Teria estado a enganar-nos a nós, fazendo-nos pensar que se nos dirigia, enquanto preconizava o crescimento de uma espécie tão malévola (pelo menos do nosso ponto de vista)? Isso não sei.

O que acho é que, a par das ordens de Deus para que crescêssemos e nos multiplicássemos (e isso, mal ou bem, até fomos cumprindo, porque até nos ia dando jeito) temos andado à ordem dos nossos póprios projetos (ou falta deles, às vezes mais parece), nos quais temos incluido como  meta primordial, a curto e longo prazo, a destruição da nossa habitação planetária, fazendo extinguir umas espécies e contribuindo para a disseminação de outras, a nosso bel-prazer. E pronto: cá estamos com o “crescei e multiplicai-vos”, mas no sentido inverso do que seria aceitável.

O que nos vale é que “Tudo vai ficar bem”, dizem alguns arco-íris que ainda vão havendo por aí, meio desbotados. Esperemos que, antes que desbotem de vez, a Esperança não se esvaia e a Humanidade ainda vá a tempo de crescer noutro sentido.

E já agora… quem tiver idade para isso, logo que estejam imunizados pela vacina (vamos a ver quando será), vá lá, multipliquem-se! Façam criancinhas, que bem precisamos delas.

 Entretanto, cuidem-se. Continuem a manter o necessário distanciamento social e a cumprir todas as regras previstas pela DGS, a ver se saímos desta o mais depressa possível. Já ninguém aguenta!

31 de dezembro de 2020

Mais uma importante descoberta em Escariz

O Roda Viva Jornal dá-nos hoje notícia de mais uma importante descoberta em Escariz, freguesia conhecida pela existência de vários vestígios e sítios arqueológicos. Desta feita, trata-se de um belíssimo lajeado, descoberto em sequência da movimentação de terras para construção da Variante entre Escariz e Milheirós de Poiares.

Ainda não se saberá ao certo o período histórico a que remonta a descoberta, mas, pela sua aparência, parece-me muito provável tratar-se do troço de uma antiga via romana, muito possivelmente do hipotético eixo viário secundário que ligava Santa Maria da Feira a Arouca, cruzando as então duas principais vias que atravessavam esta região: a Via Cale-Olisipo (Porto-Lisboa) e a Via Cale-Vissaium (Porto - Viseu). 

Ou até mesmo da própria Via Cale-Vissaium, que, no seu percurso inicial liga o Porto à denominada serra de Arouca e desta segue por São Pedro do Sul até Viseu, cujo troço, apesar de incerto, por não se ter confirmado ainda o ponto de derivação (se junto ao Castro do Monte Murado (Carvalhos), se mais à frente no castro de Monte Redondo (Fiães), mas que, em qualquer dos casos, atravessa a atual freguesia de Escariz.

De resto, nesta mesma freguesia, no sítio do Alto do Coruto, terá mesmo existido um castelo roqueiro associado ao controle da via Porto-Viseu, onde esta cruzava com uma via proveniente do castro de Arouca rumo ao litoral, passando junto ao castro de Romariz e por Santa Maria da Feira, até ao mar.

De Escariz a Arouca, aquele referido primeiro hipotético eixo viário romano, seguiria até ao cruzamento da Urreira, depois pela estrada velha de Ver, passando por Barrosas, até ao lugar da Estrada, freguesia de Mansores, continuando depois por Agras e Abitureira, até à travessia do rio Arda na ponte de Fontão Longo, freguesia de Tropeço, passando junto ao casal de Malafaia, na freguesia de Várzea, pela capela de São Lourenço, freguesia de Urrô, por Minhãos e Moção, freguesia de Santa Eulália, e desta a Arouca. 

Curiosamente, o traçado que há cerca de vinte anos apontei como mais indicado para a Via Estruturante de Arouca ao Litoral.

Não deixa também de ser muito curioso, ainda que previsível, dado o conhecimento da sua existência, que a tão almejada moderna ligação de Arouca à Feira, traga a descoberto troços da muito provável e antiga ligação romana da Feira a Arouca. Os quais, em todo o caso, pela sua inegável importância arqueológica, vale muito a pena estudar, classificar e preservar.

23 de dezembro de 2020


20 de dezembro de 2020

SIM! É NATAL!


Sim, já é Natal! Já as luzes se acendem na cidade,
Que se banqueteia em seu faustoso brilho;
Já as gentes se afadigam em loucas correrias,
Empurrando todos, no seu apressado trilho.
 
Sim, já é Natal! Mas a Terra continua chorando
A dor imensa dos seus filhos que sofrem:
A infância que não é, no coração das crianças
Sem pão, sem lar, sem ter quem as amem…
A velhice ao desamparo em profunda solidão,
Na falta de aconchego que só o amor impede…
A guerra que lá longe faz ribombar corações,
Sufocados pela dor que a ambição não mede…
As florestas queimadas, sem vida, desolação…
Humanidade tonta, destrói tudo num repente,
Animal enraivecido, que de tudo se acha dono,
Devastando o Lar que o acolhe em seu ventre.
 
Mas…sim!! É Natal!! Já outras mãos se abrem em Amor!!
Enquanto uns correm, se apressam loucamente,
Trabalham tantos outros, minorando sofrimentos,
Doando vida a outras vidas que acalentam, docemente
Em seus braços, abrigando, servindo, amando,
Trilhando ruas sem brilho, onde a solidão chora,
Onde o frio gela a alma e a fome embrutece,
Onde só o Amor resgatará a tristeza que ali mora.
 
Sim, é Natal!! Enquanto alguém se “esquecer” de si
E se doar a outro alguém, olhando-o como igual,
A Terra, grata, rejubila, enxuga o pranto e bendiz:
Cresça a Paz, em borbotões de Luz! SIM!! É NATAL!!

Torrão Natal


Guardado por alterosas montanhas
Nas suas faldas roçadas encaixado
Este vale de qualidades tamanhas
P'los caprichos orográficos afagado

P'los caprichos orográficos afagado
Pela intercessão Mariana protegido
Um destino sempre muito desejado
Por quem nele se viu à vida trazido

Por quem nele se viu à vida trazido
Nos seus campos desenvencilhado
Nunca será deste vale desaparecido
Pois a ele estará sempre destinado

Pois a ele estará sempre destinado
Quem vai com o aperto da saudade
Para realização do sonho desejado
De nele vir completar a felicidade

16 de dezembro de 2020

Apesar do ultra-centralismo, Hospital de Santo António, no Porto, é o melhor hospital pelo sexto ano consecutivo

O Hospital de Santo António (que diz muito a Arouca e aos Arouquenses) foi distinguido, pelo sexto ano consecutivo, como o melhor hospital de Portugal, na área da excelência clínica, numa avaliação da consultora multinacional IASIST, segundo os critérios de classificação das unidades de saúde definidos pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS). No grupo E, dos maiores e mais complexos hospitais, o vencedor foi o Centro Hospitalar Universitário do Porto, EPE. Também outros hospitais da Região Norte (de Braga, de Barcelos e a Unidade Local de Saúde do Alto Minho) foram, noutros grupos, os vencedores.

Confirma-se, mais uma vez, aquilo que referiu o prestigiado investigador 'portuense e arouquense' Professor Doutor Manuel Sobrinho Simões, Catedrático Jubilado da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e director do IPATIMUP, de que, apesar de existir o ultra-centralismo ultra-parasita de Lisboa e arredores no campo da Saúde, os hospitais do Porto são os melhores hospitais de Portugal (tradição que já é muito antiga e enraízada e que tem a ver com a idiossincrasia identitária das gentes do Porto e do Norte),  estando, habitualmente, no topo do 'ranking' dos melhores hospitais portugueses, apesar de terem menos fundos e financiamento que os hospitais de Lisboa e arredores, devido a esse pernicioso e viciado ultra-centralismo ultra-parasita lisboeta, que tem de ser extinto, de vez, com muita urgência, com a concretização real do processo de Regionalização:


Certamente que estes resultados dessa avaliação são, mais uma vez, motivo de satistação para os habitantes e para os profissionais de Saúde da Área de Metropolitana do Porto e da Região Norte, relativamente aos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), que, como é óbvio, deve ser, cada vez mais, reforçado e expandido, porque existem, na realidade e na verdade, muitos fundos para o SNS ser sempre sustentável e ser, progressivamente, aperfeiçoado. Esses fundos têm é que deixar, de vez, de ser, maioritariamente, canalizados e aplicados em Lisboa e arredores, tal como tem vindo, infelizmente, a acontecer, de modo muito injusto e imerecido...Assim, a concretização lúcida e racional do processo de Regionalização é uma das reformas estruturais mais urgentes e mais necessárias para bem de Portugal como um todo e para bem de todos os Portugueses, em todos os campos do seu sistema social...   

Hospital de Santo António - Porto
foto: JN

14 de dezembro de 2020

Aqui no alto…


Ergueram-se aos Céus por Fé e devoção
A capelinha, a casa da ceia e o Cruzeiro
Neste monte entre a Freita e o Gamarão
Onde se fez lenda o cristão prisioneiro

Onde se fez lenda o cristão prisioneiro
dentro de uma arca segura por uma mó
por fazer preces neste monte altaneiro
Viu-se molestado sem piedade nem dó

Viu-se molestado sem piedade nem dó
Sem nunca ceder à sua Fé e devoção
Ficou para sempre da Senhora da Mó
Este monte entre a Freita e o Gamarão

Este monte entre a Freita e o Gamarão
Que do vale se levanta sobranceiro
Encimado pela Cruz acesa na escuridão
Onde se fez lenda o cristão prisioneiro

11 de dezembro de 2020

A Pensar Alto! Os Velhos

Há dias quando lia o jornal diário dei por mim a tentar assimilar o que representavam os números que iam surgindo, todos tendo por base a velhice em Portugal. Era uma descrição verdadeira mas não deixa de ser surpreendente como chegamos a este ponto. Os velhos agora tratados por idosos como se esta mudança de designação fosse como acrescentar açúcar a um café muito azedo e difícil de tomar, são cada vez mais, e ao longo destes últimos anos, foram se refinando as diversas  maneiras de ir tapando o sol com a peneira, mas o raio do vírus acaba por obrigar toda a gente a olhar bem de frente para a questão. Temos uma população com idade avançada e com este mediatismo passou a ser assunto diário.
Encontravam-se abandonados nos hospitais do nosso País, alguns há anos, mais de 1500 velhos, sem quaisquer perspetivas de solução, deitados, à espera que a burocracia instalada, principalmente quando se é pobre há sempre muita, arranjasse uma solução ou os dias trouxessem uma doença mais grave das que não perdoam. De repente tudo se mexeu e lá se esvaziaram as camas para a emergência dos dias de hoje sempre com o desenrascanço tradicional. Temos perto de 7500 lares, centros de dia e serviços de apoio domiciliário, uns legais outros ilegais uns a pagar muito, outros a pagar menos numa panóplia de tabelas que ninguém entende mas em muitos espera se pela morte muito em conta. Uns pagam o que tem e o que não tem, outros pagam muito menos com critérios de olho clínico para as questões, cada caso é um caso.  Temos 40000 velhos a viver sozinhos e só 20%  o fazem na própria casa, a maioria das vezes sem condições para novos quanto mais para gente com mais de 70 e 80 anos. Já nem quero escrever sobre os mais de 1500 velhos que têm mais de 90 anos. Não é difícil imaginar como muitos Portugueses terminam a sua vida. Agora com esta situação de crise pandémica tenta se recuperar o desleixo com que se olhou para esta situação ao longo dos anos. Afinal a malta dos lares tão estimada quando de eleições, tem muitos problemas, muitas carências, acumula muitas indignidades, e o Estado que tantos anos viveu à custa deles, vai arranjando umas soluções económicas porque o dinheiro é pouco e a malta do capital precisa de todas as migalhas. Onde já se viu investir num negócio sem solução à vista?
O nosso serviço Nacional de saúde está a passar algumas dificuldades desde que surgiu a pandemia. As consultas para os doentes crónicos diminuíram tanto que há doentes que acreditam ser algum santo que ainda os mantém vivos. As consultas ao médico de família, num centro de saúde, por exemplo no nosso, passaram a ser tipo raspadinhas, pode ser que sim pode ser que não. Quem inicia a saga de uma consulta, se telefonar não é atendido, se lá vai, mandam telefonar, o médico não aceita consultas, se está lá não atende, nem o Kafka conseguia um enredo destes. Cada dia é um dia e vai se vivendo assim. Já agora num dos últimos dias de Novembro não havia no nosso Centro de Saúde gel para higienizar as mãos, a resposta que obtive quando alertei a questão foi simples, não há. Num centro de saúde não se conseguia cumprir um dos novos  quatro mandamentos, a solução é levar as mãos limpas. Não está fácil ser velho, doente e ter poucas possibilidades económicas. Para quem tem algum ainda se vai remediando nos privados e mais não digo. Está tudo muito ligado e uma coisa é certa, se não vais de novo, de velho não escapas, é com essa fé que muitos se vão deixando ficar cada vez mais isolados e sozinhos. Ou se calhar sou eu que com tanto confinamento, recolhimento e tratamento  vou tendo umas alucinações de que é muito difícil acreditar no melhor, agora comer e calar isso não. Siga.

6 de dezembro de 2020

Devaneios - a estrada para Alvarenga

Conduzir tendo por companhia apenas os meus pensamentos, ou a ausência deles, é um dos prazeres que tenho, sobretudo se a condução acontecer sem pressa e se for pelas estradas sinuosas de Arouca.  Estas entregam-se voluptuosamente, caem aos nossos pés e guiam-nos por entre a respiração verde, húmida e sussurrante, em letargia, presa no mesmo lugar, entre o antes e o depois, entre o que já passou e o que está por vir, sem tempo, sem cronómetro nem relógio, alheia a qualquer pensamento, vontade ou emoção do visitante, um ponto efémero e ao mesmo tempo eterno, como efémeras e eternas são as manifestações da natureza que ciclicamente e sistematicamente existem e se repetem, em monotonia perfeita, pacífica, inexplicável…


Envolta em suaves brisas que teimosamente empurram a neblina diáfana, sepulcral e mística, observo e contemplo as montanhas, os sobreiros, os carvalhos, os socalcos construídos com os despojos das pedras esventradas pelo Homem...

A estrada está vazia.

Não há mais carros.

Desligo o rádio para ouvir melhor o silêncio.

Sinto-me a percorrer ritmadamente e a deambular no corpo das montanhas. 

Sinto as suas concavidades, subo os altos, desço os desfiladeiros, conquisto as encostas mais íngremes e as zonas mais encrespadas…

Perco-me no tempo.

Devaneio.

Não penso, só sinto.

Não sei o quê.

Invade-me uma paz messiânica (ou sebastiânica?).


Chego ao destino.

5 de dezembro de 2020

A nutricionista Ana Bravo visitou os Passadiços do Paiva, em Arouca

No passado mês de Novembro, a nutricionista Ana Bravo visitou os Passadiços do Paiva e publicitou esse facto no Instagram, com três 'posts', três fotografias e quatro vídeos...
Aprecio muitíssimo a defesa e a promoção que esta célebre nutricionista portuense e transmontana faz da Dieta Mediterrânica (onde se insere a gastronomia de Arouca): tipo de dieta que é, cada vez mais, reconhecida pela sua excelência frugal e pelos seus benefícios para a saúde humana...

E a nutricionista Ana Bravo, sem hesitações, constata: " A descrição dos PASSADIÇOS DO PAIVA é simples: são lindos! 🧡🧡Conhecem? "
Como sigo o Instagram da Ana, de imediato fiz-lhe o seguinte comentário, que ela agradeceu: " Está no meu concelho natal: Arouca. Tantas vezes que percorri o rio Paiva! É lindo! Penso que também deve visitar a vila de Arouca, que é linda! Os restaurantes e a gastronomia são excelentes. 👏"
Foi, sobretudo, no tempo da infância e da adolescência que percorri, muitas vezes, o rio Paiva, na altura em que acompanhava, frequentemente, alguns familiares meus, na pesca desportiva de truta fário no rio Ardena, afluente do rio Paiva, perto de Espiunca. Desde Rôssas ao rio Ardena, quando passávamos por Canelas durante a viagem, os meus familiares, no automóvel, referiam-me sempre que a mãe de meu avô, senhor António de Almeida Brandão, minha bisavó, Maria Soares de Figueiredo (que foi morar para a Casa de Telarda, em Rôssas, por se ter casado com o meu bisavô da Casa de Telarda) era da Família Soares de Figueiredo, da Quinta do Toural - Canelas. Como se sabe, os 'de Almeida Brandão' (da Casa de Telarda - Rôssas) e os 'Soares de Figueiredo' (da Quinta do Toural - Canelas), meus familiares directos pela linha paterna, são, como bem descreve este blogue, duas das famílias tradicionais mais emblemáticas de Arouca.    


A presença da nutricionista Ana Bravo em Arouca, nos Passadiços do Paiva, devido à sua defesa e promoção da Dieta Mediterrânica, é muito simbólica, sobretudo no sentido em que nos remete para a ideia que se deve, cada vez mais, reforçar e associar a gastronomia e a doçaria de Arouca aos Passadiços do Paiva e à Ponte 516 Arouca.
Porque as pessoas que nos visitam, nesse local identitário maravilhoso de Arouca, também ficam a conhecer, simultaneamente, dois dos elementos identitários melhores e mais valiosos de Arouca e dos Arouquenses, que são a sua gastronomia e a sua doçaria.      

1 de dezembro de 2020

ONLocal - está ON?

Foi hoje, 1 Dezembro, apresentada uma campanha do Município de Arouca que procura  promover as vendas no comércio tradicional e local. Após consulta do site da Câmara ficamos a saber que a campanha consiste  na distribuição de "sacos pelas lojas cuja a mensagem apela à compra em Arouca" e "um catálogo com vários produtos das lojas locais que inclui vouchers de oferta/desconto" e uma loja online. 

Não consegui destrinçar em que é que esta segunda parte da campanha se traduzirá, mas será certamente esta a que mais poderá fazer pelos comerciantes arouquenses. No global parece-me que é possível e obrigatório fazer mais.

Segundo o site, a campanha decorrerá durante este mês e ao longo do próximo ano. Tendo em conta as condições que vivemos de pandemia e as dificuldades gigantescas que os comerciantes atravessam, a que acrescem as consequentes dificuldades das suas famílias combinando esta dicotomia temporal vendedor/cliente e tendo  também em consideração que a autarquia deixou de gastar/investir muitos milhares de euros em actividades que foram adiadas ou canceladas pela covid19 ao longo do corrente ano, penso que seria esta a altura para "investir" de forma muito mais forte neste incentivo à compra no comércio concelhio.

Uma boa ideia seria a de criar uma dinâmica de economia circular através da entrega de vouchers aos clientes  nas compras realizadas em lojas de Arouca que poderiam ser trocados por dinheiro num valor de 10% da compra, mediante apresentação da factura com contribuinte na entidade coordenadora, com um limite mínimo de 25 Euros e máximo de 1000 por factura. Esta dinâmica poderia ser realizada durante o mês de Dezembro de 2020, como sabemos um dos meses mais fortes em termos de  comércio. 

Ao longo do ano 2021 esses vouchers poderiam dar direito a inscrição em concursos que semanalmente ou mensalmente atribuiriam novos vouchers de desconto no comércio local, promovendo assim a economia circular e local.

São duas sugestões que apesar de acarretarem um investimento grande por parte da autarquia me parecem importantes e necessárias.

Importante, independentemente de campanhas, será uma consciencialização que na possibilidade de opção, opte por comprar cá, no que é nosso. Compre no comércio Arouquense!

30 de novembro de 2020

Câmara Municipal incentiva e premeia a defesa, preservação e valorização de património por privados e particulares

Não é verdade, mas podia e devia ser. Com efeito, urge mudar o paradigma de relacionamento das autarquias, Câmara Municipal e Juntas de Freguesia, com os privados e particulares detentores e proprietários de sítios, edificações, elementos e objectos de reconhecido valor e importância histórica.

Não se pode mais estar à espera que os privados e particulares não façam o que não devem fazer, agindo apenas nos casos em que já quase nada se pode para evitar prejuízos e perdas, quantas vezes irreparáveis e insubstituíveis. É preciso inverter esta lógica de agir apenas em situações de prejuízo e perda, passando a incentivar, acompanhar e premiar quem valoriza e faz bem.

Se é possível e meritório premiar o efémero, temporário e imaterial, como acontece, e bem, em vários domínios e contextos, vale a pena pensar em premiar também o perene, duradouro e material. O património privado e particular ou classificado sito em propriedade privada, com importância, significado e valor para a nossa memória e história individual e colectiva.

Não estivesse já o património incluído nas atribuições do município e particularmente da Câmara Municipal em articulação com as freguesias, com vista à promoção e salvaguarda dos interesses próprios das respectivas populações, se é possível incentivar e promover, por exemplo, a criação de raça arouquesa por privados e particulares, sê-lo-á mais ainda incentivar e promover a preservação e valorização de bens com reconhecido valor histórico e patrimonial.

Talvez assim, só assim, se consiga inverter uma alegada incapacidade da Câmara Municipal e Juntas de Freguesia em sensibilizar, protocolizar e assegurar modos de salvaguarda e divulgação de património privado e particular ou património classificado sito em propriedades particulares, impedindo danos, destruições e perdas irreparáveis e permitindo ao mesmo passo a fruição, mais próxima ou mais distante, por terceiros.

Com a implementação de um prémio desta natureza, criava-se um momento anual, - que poderia ser no Dia Internacional dos Monumentos e Sítios -, também para divulgação e incentivo de boas práticas, servindo ao mesmo tempo para condenar práticas em sentido diverso e sair deste marasmo recorrente em que, face a danos, destruições e perdas, alegadamente, nada se pode fazer.

28 de novembro de 2020

Senti tristeza com a surpresa que tive

 





Há algum tempo que não escrevia neste blog, por diversas razões que à direção já expliquei. Voltei a fazê-lo porque numa destas minhas ultimas voltas habituais que realizo de BTT pelas estradas e trilhos do concelho, deparei-me com uma situação que me deixou bastante triste. E que certamente, não só a mim deixará.

No lugar da Povoa, em Moldes, existia uma casa, velha, desabitada, mas ainda em pé que fazia as minhas delicias sempre que por ali passava. Até acho que a fotografava sempre que lá passava. Fazia-o por tudo. Pela lição de história que esta nos dava. Pela lição de engenharia que era. E mais que tudo, um património arquitetónico que deveria ser cuidado e preservado para a tão necessária memória futura.

A varanda desapareceu. A casa foi amputada. Foi como se lhe tivesse cortado um “membro”. Não mais será a mesma. Seguramente, não voltará a ser fotografada pelas pessoas que percorrem aquele Percurso pedestre que por ali passa.

Decerto, e salvaguardo desde já, que este ato foi feito seguramente feito com a melhor das intenções. O propósito de quem o fez foi para si o melhor. Possivelmente, a dezena de carros que passa por aquele sitio por dia pode agora passar mais depressa. Mas a casa essa nunca mais será a mesma e é de facto uma enorme perda para o local e para todo o património arquitetónico municipal.

Em resumo a mensagem que quero deixar com este texto é apenas no sentido de apelar para que existam cuidados na salvaguarda do património arquitetónico e que se evitem a realização de atos como este. Lembrar que tal como as pessoas são os mais velhos que têm mais para nos ensinar.