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23 de fevereiro de 2021

No território de Arouca, não se devem enfatizar as montanhas em detrimento dos vales...

Na sequência de ter visto um vídeo da Câmara Municipal que promove Arouca, senti, por uma questão de rigor científico e factual, que seria necessário referir que, no território de Arouca, nunca se devem enfatizar as montanhas em detrimento dos vales, porque isso não corresponderia à realidade do território arouquense.
Repito o óbvio, que é imediatamente observável e constatável: A Vila de Arouca, que tem cerca de 5 200 habitantes, sede de um concelho da Área Metropolitana do Porto e da Região Norte com cerca de 22 360 habitantes, localiza-se num vale de grande dimensão e não na Serra da Freita. A Vila de Arouca localiza-se no Vale do rio Arda, na Bacia e na Região Hidrográfica do rio Douro. As zonas de vale e de meia-encosta do concelho de Arouca são as mais populosas e não as zonas de serra, que são muito pouco populosas. Nesse sentido, a componente humana do concelho de Arouca que mais contribui para a definição identitária do concelho de Arouca como um todo, em termos estruturais, é, como sempre foi, forjada a partir da identidade das populações das zonas de vale e de meia-encosta do concelho e não das zonas de serra, que são exíguas em habitantes. A Vila de Arouca e o Vale do rio Arda, que se distende, depois, no espaço administrativo de várias freguesias arouquenses, para oeste e que se liga, em Rôssas, ao Vale do rio Urtigosa, são o território mais populoso que mais contribui, em termos de componente humana, para a definição identitária do concelho de Arouca como um todo.
gravura: Arouca Geopark

O território do município de Arouca apresenta as características típicas do Douro Litoral, em plena bacia hidrográfica do rio Douro, que tem, como capital, a cidade do Porto: é um tipo de território constituído por vales, planaltos e meias-encostas férteis, com uma parte montanhosa considerável, onde a agricultura e a silvicultura têm uma expressão significativa e complementar na economia local, que é parcialmente industrializada e terciarizada e em forte conexão sócio-económica com os concelhos vizinhos, mais industrializados, localizados a oeste e a noroeste. Território que tem, portanto, abundância de cursos de água que nascem nos cumes das montanhas e formam os vales típicos do Douro Litoral, como o vale do rio Arda, onde se localiza a sede do concelho, que se distende do sopé do monte cónico da Senhora da Mó até ao lugar da Pedra Má, na freguesia de Rossas, onde, por sua vez, se localiza um vale fértil, irrigado pelo rio Arda e pelo Rio Urtigosa. O vale de Moldes (Arouca) ou os planaltos de Alvarenga, de Chave (Arouca) e de Mansores também são exemplos desse território autóctone, típico da região do Douro Litoral. "

14 de janeiro de 2021

Sobre os antigos modos de pesca nos rios de Arouca

O texto anterior da autoria de Paulo Teixeira, sobre 'O Guarda-Rios', remeteu-me para a parte de uma Tese académica e científica que defendi no ano de 2002, onde descrevo alguns dos antigos modos de pesca nos rios de Arouca. Por pensar que terá bastante interesse, decidi partilhar essa parte da Tese com os leitores deste blogue «Defesa de Arouca»:
     
As espécies piscícolas que abundam, nos cursos de água da freguesia, são a enguia (Anguilla anguilla), a truta fário (Salmo trutta fario), considerado, pelos autóctones, o peixe mais nobre, por ser o mais difícil de pescar, de temperamento irrequieto e individualista, o escalo (Leuciscus leuciscus), também denominado bordalo, e a boga (Chondrostoma polylesis), estes dois últimos vivem em cardumes e são considerados de menor valor. No curso de água do concelho com maior caudal, podem-se encontrar também o barbo (Barbus barbus) e a carpa (Ciprinus carpio). Se surgiram, nas casas dos lavradores, ao longo do tempo, várias receitas gastronómicas de confecção da truta com algum requinte, os bordalos e as bogas são confeccionados de modo uniforme, normalmente em caldeirada, escabeche ou em fritadas. 
 Várias técnicas arcaicas de pesca ainda hoje se mantêm, nas populações ribeirinhas, como a pesca ‘à chumbeira’, rede muito apertada com pedaços de chumbo nas pontas que é lançada sobre os cardumes, recorrendo a um fio que aperta a rede, aprisionando, desse modo, os peixes; a ‘naça’, saco de rede, com a abertura em redondo, que se puxa em sentido contrário à corrente, entrando o peixe na armadilha donde não consegue sair; o ‘tozom’, saco de rede seguro por dois paus que se arrasta pelas margens do rio, ao mesmo tempo que os pescadores batem nas pedras e nos arbustos laterais que o rodeiam, onde se escondem os peixes; o ‘tramalho’, utilização, no período de Verão, durante o dia e durante a noite, de duas ou mais redes compridas que abrangem as duas margens do rio - em equipa, alguns pescadores seguram as redes e outros afugentam o peixe em direcção ao local onde as redes se encontram armadas; e a captura de enguia com um tipo de anzóis denominados ‘âncoras’, com iscos de bogas ou escalos partidos ao meio e ensanguentados, atados por fios grossos aos arbustos situados nas margens dos rios e que são colocados durante a noite. 
 São técnicas arcaicas de pesca que têm sobrevivido ao longo dos séculos, apesar de serem, quase todas, proibidas pelo poder central do Estado, mas que não desapareceram por fazerem parte dos costumes endógenos das populações autóctones. A técnica de envenenamento do peixe dos rios com uma planta denominada ‘trovisco’ (Daphne Gnadium L.), vegetal arbustivo venenoso da família das Dafnáceas, introduzida em sacos de serapilheira que eram colocados nos açudes, também era uma prática corrente pelos habitantes da freguesia até aos anos sessenta do século vinte, mas que já desapareceu, por ser reprimida pelo poder estatal. 
foto: Mapionet
O rio Paivó, no lugar de Celadinha - freguesia de Moldes - Arouca

 Os rurais atribuem grande importância aos cursos de água por terem sido, durante milénios, uma das condições básicas da sua sobrevivência, para além da relação sagrada que os velhos rurais tinham pelos rios, criando-se vários mitos nos poços mais profundos, de que servem de exemplos, entre muitos, na freguesia de Rôssas, a lenda da existência de uma “grade de ouro" escondida pelos Mouros no fundo de um dos poços do rio Arda ou o facto das populações da freguesia de Espiunca, em épocas de grande seca, costumarem ir, em procissão, à capela de Santo Adrião, localizada na vertente das bacias do Paiva e do rio Sardoura, transportando, depois, a imagem do santo até junto do rio Sardoura, onde praticavam rituais de mergulho da imagem para pedir uma mudança no tempo. 
 Estes fenómenos são um indicador da importância que a água tem para as populações rurais. É na conjugação desses dois elementos físicos, a terra e a água, que o ambiente rural se moldou ao longo dos milénios. As ‘presas’, reservatórios de água com as paredes feitas de terra e com um orifício para a saída de água chamado ‘boeiro’, situadas nas imediações dos aglomerados populacionais, e as ‘lobadas’, desvios de água nos açudes do rio destinada à rega dos campos ribeirinhos e utilizada como força motriz dos moinhos de água, dos engenhos do linho e dos lagares de azeite, normalmente possuída em rateio entre consortes (denominados também ‘quinhoeiros’) de acordo com sistemas tradicionais de partilha, são exemplos paradigmáticos da complementaridade e da dependência entre esses dois elementos físicos nos espaços rurais. "

24 de novembro de 2020

Preocupo-me muito com Arouca e com os Arouquenses...

Em diálogo, por «e-mail», com dois dos colaboradores deste blogue «Defesa de Arouca», afirmei-lhes que me preocupo muito com a evolução de Arouca e dos Arouquenses...Quero que evoluam bem, no padrão ético e identitário são e correcto...É um sentimento espontâneo e congénito que, aliás, existe em qualquer arouquense (natural, residente ou espalhado pelo País ou pelo Mundo) que ame, verdadeiramente, Arouca e a sua identidade...Quando, neste blogue, expus, de modo muito insistente e muito repetido, a forte e muito consolidada ligação de Arouca ao Porto e à denominada área do 'Grande Porto' foi apenas para, em termos sociológicos, demonstrar factos sociais, óbvios e claros...Porque é importante que as pessoas exógenas ou que não conhecem Arouca saibam bem onde, de facto, Arouca, em termos ontológicos, se enquadra e sempre se enquadrou, em termos identitários e endógenos: no Entre-Douro-e-Minho e na Região do Norte, bem como na actual Euro-região Galiza-Norte de Portugal, no antigo distrito do Douro, no Douro Litoral, na Bacia e Região Hidrográfica do Douro e na actual Área Metropolitana do Porto. Que têm o Porto como capital, que sempre foi «a principal cidade central de referência para Arouca e para os Arouquenses»...
Porque é muitíssimo irritante ouvir-se, a todo o momento, nos «mass media», apelidar, de modo muitíssimo errado, os Arouquenses de «Aveirenses» ou «os de Aveiro». Visto que, comum com Aveiro, os Arouquenses têm apenas uma mera e absurda inserção burocrática, a partir de 1835, no distrito de Aveiro (que é apenas um (muitíssimo arbitrário e artificial, neste caso específico), entre outros, recortes administrativos e territoriais que existem no Estado português), numa altura em que os actuais distritos (que vão ser extintos, conforme aquilo que é previsto na Constituição da República Portuguesa) já pouco ou quase nada representam, como realçou, há uns tempos atrás, o presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Moreira.
Preocupo-me muito com a evolução de Arouca e dos Arouquenses...Quero que evoluam bem, no padrão ético e identitário são e correcto. E, assim, agora, aproveito para dedicar, a Arouca e a todos os Arouquenses, esta belíssima 'Tirana' do Conjunto Etnográfico de Moldes (cantada, de modo genuíno, pelo 'velho Samba' e pelo sr. António do Pelote, do lugar de Fuste - Moldes) que, em termos simbólicos, é uma expressão desse pulsar vital da nossa verdadeira identidade e que, por isso, é uma 'moda' e uma dança comum a todo o território nortenho do Douro Litoral, bem como comum ao território nortenho do Entre-Douro-e-Minho, que é o «território berço» da Nação de Portugal... 

12 de novembro de 2020

Será que, no futuro a médio-prazo, a '516 Arouca' deixará de ser a ponte pedonal suspensa mais longa do Mundo?!

Será que, no futuro a médio-prazo, a Ponte '516 Arouca' deixará de ser a ponte pedonal suspensa mais longa do Mundo?!...Isto, porque, como informa a comunicação social, o município de Torre de Moncorvo pretende ligar, nessa localidade transmontana, as duas margens do rio Douro, através da "maior ponte pedonal suspensa do mundo", prevendo a construção dessa nova ponte com 750 metros, num investimento de cerca de três milhões de euros.
Será que os transmontanos foram buscar a ideia a Arouca?!...
De qualquer modo, isso não significa que a Ponte '516 Arouca' não tenha sucesso garantido, porque, para além de outras inúmeras características positivas, a Ponte '516 Arouca' está enquadrada pelos premiadíssimos Passadiços do Paiva e pelo reconhecido Arouca Geopark.
Quando a nova ponte suspensa de Torre de Moncorvo estiver construída, Portugal terá não uma, mas as duas pontes pedonais suspensas mais longas do Mundo, em plena Região e Bacia Hidrográfica do Douro. É bom para Arouca e é bom para Torre de Moncorvo. É bom para Portugal. 
Até lá, a Ponte '516 Arouca', na nossa querida Arouca natal, será mesmo a ponte pedonal suspensa mais longa do Mundo e terá sempre sucesso garantido, mesmo com a construção da de Torre de Moncorvo.
Ponte '516 Arouca' - Foto: Agência Lusa

22 de julho de 2019

O território de Arouca localiza-se na Bacia e na Região Hidrográfica do Douro

Quase a totalidade do território do concelho de Arouca localiza-se na Bacia e na Região Hidrográfica do Douro. Os rios principais, em Arouca, que são afluentes do rio Douro e que fazem parte dessa bacia hidrográfica (desaguando, portanto, todos, no rio Douro) são o rio Arda; o rio Sardoura; o rio Inha e o rio Paiva. Esses rios (que formam alguns dos vales fertéis típicos do Douro Litoral) têm, por sua vez, alguns afluentes bastante relevantes no território de Arouca, como o rio Urtigosa, o rio Paivó ou o rio Ardena, para referir três exemplos principais. 

Gravura: Centro de Ensino Guroo
O facto de Arouca se localizar, em termos estruturais, na Bacia e na Região Hidrográfica do Douro é um factor fundamental para a correcta inserção identitária de Arouca: desde o início da formação de Portugal, na região do Entre-Douro-e-Minho e na Região Norte, bem como, durante o século XX da era comum, na província do Douro Litoral, que é a divisão territorial onde Arouca melhor se insere e onde melhor se enquadra em termos identitários, autóctones e endógenos. O Entre-Douro-e-Minho, a Região Norte e o Douro Litoral têm, como cidade principal e como cidade central, a cidade do Porto, que sempre foi (com o seu espaço circundante denominado 'Grande Porto') o espaço urbano principal de referência para Arouca e para os Arouquenses, facto que se acentuou e se vai acentuar ainda muito mais no futuro, com a evolução e a consolidação institucional da Área Metropolitana do Porto, onde o concelho de Arouca está muitíssimo bem inserido e onde está muitíssimo bem enquadrado, em termos identitários e sócio-económicos.
É entre a Praia do Cabedelo do Douro de Vila Nova de Gaia e a belíssima Foz do Douro da cidade do Porto que, no Oceano Atlântico, desagua o rio Douro, que é um dos rios mais belos do planeta Terra.

Foto: Arouca Geopark

28 de junho de 2019

A reabilitação dos rios de Arouca

Este 'Manual de Boas Práticas de Reabilitação de Rios', do concelho vizinho de Santa Maria da Feira (Área Metropolitana do Porto), tem informações que podem ser muito úteis para a reabilitação dos rios, ribeiros, riachos e cursos de água de Arouca, bem como da zona ripícola dos Passadiços do Paiva e da nova ponte '516 Arouca', no contexto do 'Arouca Geopark'.
' Ever Min HaChaiאֵבָר מִן הֶחָי ' - É uma expressão noahide, em hebraico, que simboliza e significa que os seres humanos devem cuidar, preservar e tratar bem os elementos físicos e naturais do planeta Terra que foram criados e formados, sendo uma das 7 leis universais noahides que O Criador Uno, Absoluto e Infinito dos Céus e da Terra, Bendito Seja O Seu Nome Sagrado, exige, a todos os seres humanos, que cumpram, impreterivelmente, em qualquer época e em qualquer lugar.
A reabilitação integral dos rios de Arouca é uma das tarefas que deve mobilizar, fortemente, as instituições de Arouca e os Arouquenses, no contexto do 'Arouca Geopark', para bem de Arouca e dos Arouquenses, sendo um forte indicador de avanço ético e civilizacional e também um modo correcto de valorizar o território arouquense.    


9 de junho de 2019

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA: Passadiços do Paiva conquistam 'WTA' pela quarta vez

Informa a actual imprensa arouquense que os "Passadiços do Paiva acabam de ser distinguidos, pelo 4.º ano consecutivo, como «Melhor Projecto de Desenvolvimento Turístico da Europa» nos 'World Travel Awards'. Conquistam também o prémio de «Melhor Atracção de Turismo de Aventura da Europa»".
Se os Passadiços do Paiva são um grande sucesso, como é óbvio a nova ponte pedonal suspensa «516 Arouca», sobre o rio Paiva, terá mais sucesso ainda. 

Parabéns a Arouca e parabéns aos Arouquenses.

Foto: jornal «Roda-Viva»

ENTREVISTA NO PORTO CANAL