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12 de janeiro de 2021

O Guarda-Rios


A figura do Guarda-Rios faz parte de um passado não muito distante. Os guarda-rios, assim como os guarda-florestais, eram cargos públicos, mas que, por decisão política, foram "desaparecendo" à medida que os indivíduos que desempenhavam essas funções se foram reformando ou deslocando para outros serviços. 

As casas florestais foram botadas a um esquecimento lastimável, a floresta foi negligenciada e os rios ficaram à mercê da cultura ambiental e bom-senso das populações, que, infelizmente, muitas vezes, não abunda.

O Guarda-Rios faz parte da história recente também de Arouca, onde, por exemplo, patrulhava as margens dos rios Paiva, Paivô e Frades, na altura da exploração do volfrâmio. Procuravam, entre outras situações, evitar as descargas ilegais e a poluição das águas e das suas margens.

Arouca tem e terá a breve prazo duas estruturas que têm e terão os rios como ponto fulcral, a saber: os Passadiços do Paiva e a Ciclovia do Arda. Ou seja, dois rios como "cenário" preponderante destas apostas turísticas, mas também de lazer e bem-estar da população.

Porque não voltar a reavivar a figura do Guarda-Rios, que, basicamente, e em termos mais modernos, corresponderá a um vigilante, zelador e controlador do asseios dos rios, suas margens e estruturas?

Fica a sugestão.

21 de novembro de 2020

Trail de São Martinho - saudável e obrigatório

As “Rotas e Trilhos” é o nome do novo programa para promover atividade física que a Câmara Municipal de Arouca desenvolve em parceria com o BTTArouca." 

O Trail de São Martinho é o primeiro trilho desenvolvido  pela organização onde as " folhas de castanheiro, as ribeiras serpenteadas pela água, as levadas até aos moinhos, as cores e nostalgia do outono acompanham os que ousarem calcorrear os bosques e as aldeias encantadas". A primeira parte do percurso que tem a ribeira da Aveneira, desconhecida por muitos, como traço orientador e principal companheira ao longo de uma grande parte do trilho é maravilhoso, inesperado e carregado de surpresas. Preparado para ser feito em modo de exercício ou simples caminhada deveria ser obrigatório para todos os que gostam de descobrir a natureza de Arouca. 

Poderão fazer o percurso em grupo ou sozinhos e podem fazer a vossa inscrição e obterem o trilho e as coordenadas GPS aqui. 

Excelente experiência de natureza que merece uma forte felicitação a todos os envolvidos.

Eu optei por fazer a solo num final de manhã  antes do almoço uma parte do trilho mas ficou a vontade e o desejo de completar o mesmo quando tiver tempo... e já agora pernas e pulmões.

11 de dezembro de 2018

Melhor Atração de Turismo Aventura do Mundo!!!

Ainda a comemorar a entrega do prémio de melhor atração de Turismo Aventura do Mundo ao Município de Arouca com o projeto “Passadiços do Paiva”, que considero relevante para a continuidade da estratégia política deste e do anterior executivo, focado essencialmente no Turismo e no desenvolvimento do setor terciário, não consigo evitar que dúvidas ou incertezas assombrem este orgulho que sinto enquanto arouquense. Dúvidas essas que se me colocam acerca da preservação ambiental, designadamente do ecossistema, flora e fauna existentes no rio Paiva e que pelo número reduzido de espécimes são consideradas raras ou em risco de extinção, privilegiando de normativas europeias de proteção. Refiro, a título de exemplo, as lontras, as toupeiras-de-água, as borboletas, algumas aves, peixes e a vegetação ripícola, onde se salientam bosques com amieiros, freixos e carvalhos alvarinho. Apesar de menos referenciada pelo reduzido número de avistamentos, é também de salientar a presença da águia de asa redonda que imponente voa e plana no rio Paiva, de montante a jusante, e vice-versa, presença que estará na origem do nome da Cascata das Aguieiras, por ser conhecida como local onde as águias nidificavam. Será pacífica a coexistência entre este projeto de grande afluência de turistas e a preservação destes ecossistemas???


Sem querer tirar o mérito aos Passadiços do Paiva que têm como objetivo tornar acessível à população as margens do Rio Paiva, para fruição da beleza paisagística e para educação e sensibilização ambiental, passados 3 anos, penso ser altura de passar do “Verbo” à “Ação” e implementar mais medidas que protejam de facto este património natural de valor incalculável: limitar mais o número de visitantes por dia; criar alternativas à circulação automóvel poluente utilizando veículos elétricos para transbordo entre pontos de acesso; melhorar a planificação e gestão dos resíduos; garantir que os esgotos provenientes das populações e lugares ribeirinhos sejam alvo de tratamento em ETARs, eliminando as tradicionais fossas ou o esvaziamento através de cisternas; melhorar a segurança rodoviária em estradas perigosas pela sinuosidade que apresentam; aumentar e enquadrar paisagisticamente o número de parques de estacionamento que, na minha opinião, deveriam ser pagos; melhorar estruturas de acolhimento - maior número de WC e já agora substituir os WC em contentores na praia fluvial do Vau; realizar obras nos esquipamentos das praias fluviais do Areinho e Paradinha e dotá-los de painéis solares capazes de forma a evitar o recurso a geradores; procurar garantir a colocação de rails de proteção na estrada que serve o lugar da Paradinha, à semelhança dos rails colocados para acesso ao lugar de Meitriz, etc.

Estas são apenas algumas das muitas intervenções que serão necessárias realizar a médio prazo, para que o nosso património natural seja “preservado” e sofra o menor impacto possível e para que as expectativas colocadas nos Passadiços do Paiva e, para o ano, na maior ponte pedonal suspensa do mundo, não sejam defraudadas, sob pena dos holofotes dos media se virarem contra nós.

Os prémios acarretam responsabilidade e compromisso e, havendo clareza de visão, discernimento e juízo crítico, não é necessário ser adivinho para antever onde serão aplicados os orçamentos municipais dos próximos anos. Enquanto arouquense, espero que o dinheiro público investido seja utilizado de forma criteriosa, equilibrada e que vise o desenvolvimento de uma solução sustentável.

Sem querer alongar este meu artigo que já vai extenso, acrescento que é premente angariar financiamento comunitário quer para a ponte pedonal suspensa, quer para a ligação desta junto à Cascata das Aguieiras à aldeia de Alvarenga, atravessando os lugares da Chieira em direção à Ribeira, Miudal ou Santo António.

Também esta ligação deverá ser planificada em respeito pelas características rurais, preservando-se caminhos, regos de água, muros, fontes e fontanários que tão bem caracteriza Alvarenga e que é um elemento cultural diferenciador a respeitar.

Enquanto alvarenguense, espero igualmente que as tão almejadas obras na Quinta da Picota sejam uma realidade a curto prazo e não se tornem promessas vãs nem ideias que não saem do papel, hasteadas como bandeiras de campanha eleitoral, como a malograda 2.ª fase da Variante de Arouca, a “marinar” há mais de 12 anos.

A par com os investimentos no Turismo em Alvarenga, sugiro que se diversifique ainda a oferta com a criação de um percurso pedestre de índole cultural e histórico, aproveitando a ligação da ponte pedonal suspensa à aldeia de Alvarenga, iniciando na Chieira, atravessando a Vila, o Passal, o Paço, Quintela, Ribeira, Trancoso, Casais, Picota e terminando em Miudal ou em Santo António. Neste percurso cultural e histórico, poder-se-ia (re)visitar a história de Arouca/Alvarenga (e à sua semelhança a história nacional), abarcando pelo menos onze séculos de história (X-XXI), abordando temas como as antigas “vila” romanas, a Reconquista Cristã, a proeminência da família de Egas Moniz – o Aio, preceptor de Afonso Henriques, a atribuição das cartas de foral manuelinas, que fez de Alvarenga concelho, o que se manteve até ao séc. XIX, as Ordenanças de Alvarenga, as invasões francesas, a exploração mineira de volfrâmio tendo no lugar da Chieira ocorrido a 1.ª concessão mineira em 1911, a separadora do volfrâmio da Espinheira sita no lugar da Vila, onde hoje está instalado o Hotel Quinta da Vila, o Motim de 1942 e o contrabando de minério por altura da II Guerra Mundial, a emigração para o Brasil, com especial atenção para a figura de Adriano Telles, fundador do café A Brasileira, o poder e a influência de famílias de Alvarenga junto do governo central, designadamente dos Galvão, dos Telles e dos Noronhas, a construção do rego do Boi, que atravessa desde a Serra todo o vale de Alvarenga, desaguando na Cascata das Aguieiras, etc.

Para terminar (mesmo!) há que festejar e ter orgulho em Arouca e nos Passadiços do Paiva – e futura ponte pedonal suspensa – acreditar na boa gestão local e acompanhar, sempre atentos, o desenvolvimento das políticas locais, numa atitude de cidadania participativa, consciente e responsável porque, como vemos, há muito trabalho a fazer e um mar de oportunidades a rentabilizar!

2 de dezembro de 2018

Os passadiços e os seus parentes


   Mais dois prémios para o projeto dos Passadiços que, sendo do Paiva por causa do rio, são de Arouca porque são em Arouca. Este percurso marginal ao rio Paiva construído em tábuas de madeira é um sucesso do qual, como arouquenses, só nos podemos orgulhar. Temos um dos entabuados mais famosos e percorridos do mundo.
   Tanta fama fez-me lembrar outros percursos, os tradicionais percursos pedestres, dos quais em Arouca creio haver 14 de pequena rota e um de grande rota. Percorri a maioria, alguns por várias ocasiões. Prefiro-os aos passadiços. Pela sua maior discrição e naturalidade. Porque são endógenos. Porque percorrendo-os se vivem Arouca e as suas matizes, andando por caminhos, carreiros, estradões, pontões e escadas, atravessando aldeias, serras, vales, encostas, montes, bosques, campos, socalcos e ribeiros.
  Até ao ano passado, não havia um único destes percursos nas freguesias mais ocidentais do concelho. Como mansorense, fiquei feliz ao ver inaugurado em abril passado um destes percursos (o PR 11 – Trilho das Levadas) na minha freguesia natal. Até porque tive uma pequena ligação ao projeto.
   A Câmara Municipal de Arouca investiu a certa altura nestes percursos e, creio que por 2008, registou a marca “Arouca, capital do Pedestrianismo”, mas dá impressão que não se tem feito tanto uso desta marca quanto se poderia. Exceto, obviamente, se considerarmos que “Arouca = Passadiços do Paiva”.
  Não é segredo nenhum que o valor intrínseco de um projeto turístico não basta para que ganhe prémios. É preciso muito marketing, muito lobby, muito “soft power” para se levar o turista a julgar que descobriu aquilo que queríamos que descobrisse. Pois bem, agora que temos em Arouca um percurso “vip” e milionário, mais do que consolidado, porque não instrumentalizar a sua fama e a sua riqueza em favor dos seus parentes pobres, os tradicionais percursos pedestres? Fica a ideia.

21 de outubro de 2018

O lobo que atravessou a vila de Arouca



   Vi um lobo em Arouca. Um “Canis lupus signatus” autêntico. Vi-o ao vivo, embora estivesse morto. Explico-me. Não recordo a data precisa, mas terá sido nos dois ou três primeiros anos dos 90’s do século passado, era eu aluno da Escola Secundária de Arouca. Certo dia circulou na escola a notícia de que estava um lobo no posto da GNR, então nas traseiras do complexo escolar. Fomos espreitar e lá o vimos. Estendido no chão, jazia morto, esvaziado da dignidade mítica e da ferocidade que nas nossas terras se reconheceu a esta espécie. Recordo os tons da cor do seu pelo, entre o castanho e o bege e, àquela distância, uma certa semelhança com um cão de raça pastor alemão. 
   Que fazia ele ali? A justificação que correu foi que um homem de uma aldeia serrana de Arouca o matara à paulada e, dando-se aras de Hércules lá do sítio, ao tempo que ignorava a lei que punia quem tirasse a vida a estes animais, o amarrara na sua motorizada, vindo depois exibi-lo pelas ruas da Vila. A GNR viu ou foi avisada e o incauto lobicida, o homem que caçou o lobo, foi também ele “caço” ali mesmo. O homem, detido, terá visto a sua vida a andar para trás. O lobo, cadáver, ficou ali a aguardar ser recolhido pelas autoridades a quem competia recolhê-lo.
   Foi o único lobo que vi na vida. Sempre tive um certo fascínio pelo lobo ibérico, creio que à custa de ter crescido a ouvir lendas e memórias sobre lobos, nalguns casos sem perceber onde é que nessas lendas e memórias começava a realidade e acabava a ficção. Como sucede com a explicação etiológica para a Cruz de Santas Cristinas, em Escariz. A cruz lá está; o lobo, terá existido?
   Ignoro se nos tempos que correm passam lobos por Arouca. Mas, anima-me uma informação que acabo de descobrir no website Arouca Geopark a respeito desta espécie de canídeos. Transcrevo: “Onde encontrar no Arouca Geopark: Serra da Arada e Serra da Freita.” Este “onde encontrar”, assim, sem reservas e no infinitivo, reforçado pela credibilidade da fonte, dá a entender que por ali se “encontram” lobos. Alguém que partilhe fotos dos que for encontrando.

Mancha florestal

Após os grandes incêndios de Arouca de 2005 e 2016, do qual resultaram diversos relatórios e dossiers mais generalistas e mais particulares, muito continua por fazer no que toca a todo o reordenamento florestal que o concelho necessita.
Podemos, por exemplo, analisar os números passados e mais recentes, para perceber que o "quadro" global do concelho no que toca à diversidade da floresta não é muito animador.

Dados de 2006
Lendo e conhecendo estes e outros dados conseguimos tomar consciência de alguns números que põem em evidência a realidade da floresta do concelho.
A título exemplificativo temos um concelho que evoluiu, ou regrediu(?), no que à diversidade e ocupação do solo florestal diz respeito.
Os números actuais mostram o seguinte (percentagem por total de zona florestal): 
Zona de florestal de eucalipto: 68%
Zona florestal de eucalipto e Pinheiro Bravo: 22%
Zona florestal de Pinheiro Bravo: 5%
Zona florestal de outras folhosas: 5%

Dados de 2018 (Ec=eucalipto; Of=outras folhosas; Or=outras resinosas; PnB= Pinheiro Bravo)
O reordenamento florestal foi tema de intenso debate principalmente após os devastadores incêndios que assolaram o país e Arouca.  Esta razão seria por si só suficiente para que se avançasse de vez e de forma séria e consciente para um verdadeiro repovoamento das nossas florestas.
Infelizmente, não é isso que está acontecer, aliás, como já foi bem exemplificado aqui neste blog pelo colaborador José António Rocha.
Volto também a um tema que me é grato, e que já expus em diversos fóruns, que seria o de avançar para a criação do Parque Florestal de Arouca. Uma zona projectada e pensada de raiz, onde as árvores e plantas autóctones teriam o devido destaque na ocupação dos solos, e que abrangeria os terrenos florestais baldios da freguesia de Moldes, os terrenos florestais camarários e os terrenos florestais baldios da freguesia de Arouca.
Uma verdadeira mancha verde com pendor didático, turístico, desportivo e, em primeira e última instância, florestal e ambiental.