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31 de março de 2021

Sobre a polémica em torno dos prémios do turismo

Depois do presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve ter sugerido que os prémios do turismo são comprados, os World Travel Awards e, nomeadamente, os prémios repetidamente atribuídos aos Passadiços do Paiva naquele evento, têm estado a ser questionados e até desacreditados, por algumas pessoas de Arouca e mesmo por forasteiros.

A alegada compra dos prémios prende-se com o facto dos interessados em colocar locais ou equipamentos de atração turística a concurso, terem de pagar uma inscrição e depois terem que pagar também o respetivo troféu e diploma, bem como suportar os custos da presença na respetiva gala.

E, ao que julgo saber, é isto que tem causado estranheza, estupefação e indignação a algumas pessoas, que, por isso, estão empenhadas em questionar, desacreditar e, também assim, desmerecer os prémios que o Município tem repetidamente alcançado com aquele equipamento turístico ou, simplesmente, como convém à época de concurso ao poder, apenas ver o "circo a arder". Assim, como se fosse a cereja no topo do bolo de todos quantos regressam dos Passadiços do Paiva, com o sentimento de que não valeu a pena ou de que foram enganados. Só que não!

Abstendo-me de comentar o funcionamento desse tipo de eventos e prémios, pois é o que mais para aí há, mesmo entre nós, como, por exemplo, as também bem pagas "7 Maravilhas de Portugal"; em minha opinião, "levantada a lebre", quando muito, poderá questionar-se (em órgão próprio) o custo/benefício "da compra" para o município e para os arouquenses, tal como se faria com o investimento num qualquer tipo de publicidade. Mais do que isso, é pura demagogia e populismo e, em alguns casos, mero oportunismo eleitoralista, que não beneficia ninguém.

Pessoalmente, acho plenamente justificado o investimento (que não conheço, mas que também nunca vi questionado por deputados municipais e vereadores, pelo que não será de grande monta), pois, para além de efetivamente existir um concurso, "comprado" ou "por comprar", com mais participantes (alguns dos quais até ficarão aquém do prémio pretendido, apesar do investimento, imagine-se...),  tem sido evidente a publicidade e retorno para Arouca e para os Arouquenses, nomeadamente para a hotelaria e restauração.

4 de dezembro de 2019

As eleições no PSD - tomada de posição


O PSD vai a votos no dia 11 de Janeiro de 2020 para eleger o seu líder.

Até ao momento são conhecidos três candidatos: Rui Rio, Luís Montenegro e Miguel Pinto Luz.

Nesta circunstância e tempo eleitoral que se adivinha acredito que Rui Rio será, dos três, aquele que melhor poderá servir país. Escrevo primeiramente servir o país pois acho que terá que ser desta forma de total espírito de missão e compromisso sério e inabalável para com o país que o líder do partido deverá encarar a sua estratégia política. Primeiro Portugal, secundariamente o partido. Só assim se conseguirá fazer com que os portugueses, os militantes de base e todos os apoiantes sintam motivação para se aproximarem novamente da política e consequentemente do partido. O caminho não será fácil nem curto, mas acredito que passe pelas linhas mestras que Rui Rio nos vem apresentando.

O trabalho que desenvolveu até aqui- está à frente do partido há sensivelmente dois anos- não permitiu mudar tudo o que está mal nem tudo o que até aqui foi feito esteve livre de mácula. Mas a pergunta que interessa colocar será: “Haveria quem fizesse melhor, de forma mais clara, mais convicta, mais séria?”
O PSD uma semana antes das eleições legislativas de 2019 tinha em sondagens publicadas 20 % das intenções de voto. Obteve 28 %, um aumento de quase 50 %. Haveria quem fizesse melhor?
Rui Rio teve dois anos de liderança num partido completamente partido e minado, onde oposição interna foi tão ou mesmo mais destruidora que a externa; como líder manteve o norte, disse ao que vinha e cumpriu com a linha orientadora do seu programa, não enganou nem defraudou ninguém. Haveria quem tivesse feito melhor?

O PSD viveu dois anos de guerrilha interna permanente e instaurada desde a primeira e até quase a última hora. Rui Rio combatia em duas frentes simultaneamente quase com a mesma necessidade e obrigatoriedade de rebater e afirmar as suas ideias e andar constantemente “apagar os fogos” e fogachos internos. Haveria quem tivesse feito melhor?

Ao longo do seu mandato, ao longo da sua campanha foram notórios os apoios de faz de conta, o aparecer para tão somente marcar presença para o futuro; somos um partido de divergências e pluridisciplicar, sempre fomos, mas não podemos ser um partido onde a falsidade e a hipocrisia prevaleçam sobre valores maiores da boa e saudável democracia. Não acredito que quem quer que fosse, nestas condições tivesse feito melhor.

Seria contraproducente não admitir que existiram erros no percurso, com erros de casting, com tomadas de decisões polémicas e discutíveis; acredito e espero que os erros façam parte da aprendizagem  de melhoria  do caminho que se pretende implementar , ou melhor cimentar.
Vejo Rui Rio, o político e homem, como uma pessoa ponderada, sincera e pragmática onde as convicções e o espírito de missão prevalecem acima do interesse partidário. O país à frente do partido.

Pelas razões atrás expostas e por muitas outras poderá contar Rui Rio com o meu apoio na sua recandidatura. Acredito que os militantes de base na sua larga maioria partilham desta mesma convicção. O problema e maior desafio que Rui Rio poderá ter será o de mobilizar os militantes que deverão, à data da eleição, ser militantes activos e com quotas pagas. O afastamento que se vem verificando ao longo das últimas décadas dos militantes e apoiantes de base dos partidos e das suas cúpulas e estruturas organizativas poderá ser neste momento o “calcanhar de aquilies” da candidatura. 
O apelo à mobilização dos militantes, que neste caso passará por estarem dispostos a pagar as cotas, dispostos a reactivarem a sua militância activa para poderem votar deverá ser a mensagem central e fundamental da candidatura correndo o risco se tal não acontecer que a máquina partidária se sobreponha a militância de base.
Como já escrevi e o disse sou essencialmente uma pessoa de convicções. E estou convicto que Rui Rio é o melhor para o partido, mas acima de tudo para Portugal.

Paulo Teixeira

Arouca,  4 de Dezembro de 2019

7 de outubro de 2019

As legislativas 2019 em Arouca

Decorreram ontem as eleições legislativas. Em meu entender existiram cinco partidos vencedores PS, PAN, IL, CHEGA e Livre, dois partidos grandes perdedores, o CDS e o PCP, e um perdedor em menor escala, o PSD. Esta é a minha visão simplista dos resultados nacionais. Muito teria para escrever sobre estes resultados nacionais sendo que optei por centrar este meu texto nos resultados em Arouca. Focar-me-ei unicamente nos números eleitorais de Arouca (lidos no site da CNE/MAI) deixando a ressalva da consciência exigida na leitura dos mesmos quando estamos perante eleições nacionais.
A abstenção nacional foi de quase 50%. Uma vergonha para todos! Enquanto cidadãos e por mais argumentos que tentem apresentar os abstencionistas, nenhum colhe defesa de minha parte. Em Arouca, a abstenção foi de 43%. Melhor que a média nacional mas mesmo assim muito mau. Se pensarmos que, por hipótese, se todos os eleitores inscritos por Arouca (20003) votassem no mesmo partido, poderia não ser suficiente para ter impacto e influência para eleger um único deputado por Aveiro. Votaram cerca de 11454 Arouquenses. Visto por muitos como um concelho de interior e pequeno, a importância que Arouca tem ou poderia vir a ter em termos de reivindicação eleitoral e politica é muito menor quando representamos somente cerca de 3% de todos os votantes do distrito.  Talvez seja altura de se pensar em voto uninominal em listas abertas, que poderia eventualmente ser benéfico para concelhos como Arouca, ou então numa adaptação a um sistema misto.
O PSD ganhou mais uma vez em Arouca. O PSD sempre ganhou em Arouca em eleições de âmbito nacional. No entanto, o PSD nunca teve um resultado tão baixo em Arouca e o PS nunca teve um resultado tão elevado. A diferença entre ambos os partidos foi de cerca de 10 pontos percentuais. Num concelho, reconhecido por todos e comprovado pelos números, de matriz ideológica social democrata e onde a diferença entre os principais partidos já chegou a ser de quase 40%, o que explicam estes novos números? Estará a matriz sociológica e política do concelho a mudar? Será reflexo dos 26 anos de governação socialista em Arouca? Ou um mero "arrastamento" dos resultados nacionais para os locais?
Estes números ficar-se-ão a dever a mérito do PS nacional ou da estrutura local? Ou então por outro lado: a demérito e erros do PSD nacional ou local?
Interessante verificar que freguesias como Escariz, que a nível local são "bastiões" do poder socialista e a nível nacional têm resultados muito expressivos de votos no PSD. Por outro lado, Moldes parece ser o único bastião socialista de Arouca em eleições nacionais.
Fará sentido nos dias de hoje a divisão e classificação ideológica do concelho? Somos um concelho de esquerda ou de direita? Ou somos um concelho do centro?
O CDS em Arouca também perdeu. Não sofreu a hecatombe que sofreu a nível nacional mas perdeu muito quando comparado com outras eleições, com o facto de já ter representado quase 20% dos votos arouquenses e, o que não é de somenos, o facto de ter um vereador no executivo municipal.
O BE cresceu em Arouca em termos percentuais mais do que cresceu a nível nacional e, ao invés, o PCP decresceu, não conseguindo fixar a totalidade dos seus eleitores.
Interessante também, é verificar que o R.I.R. do Tino de Rans foi o quinto partido mais votado no nosso concelho. O Tino esteve nas colheitas, fez campanha à moda do Tino e conseguiu capitalizar em Arouca 197 votos, certamente de protesto pelo actual estado da politica nacional.

5 de fevereiro de 2019

Onde param as pedras da rotunda?

A rotunda com as "pedras", aquando das eleições de Autárquicas de 1993
Muitos de nós terão ainda memória da principal rotunda da vila de Arouca ter tido, em tempos, um arranjo decorativo: "os calhaus da rotunda" como então ficaram conhecidos.
Eram três blocos maciços de três rochas características da nossa região: o granito, o xisto  e não estando certo do terceiro que seria um bloco de ardósia. Estas três rochas eram entrelaçadas por uma folha de chapa de cobre por onde corria água.
Esta é a memória actual que tenho dessa "instalação artística"; embora desconheça quem terá sido o autor da mesma, nem tenha no meu arquivo melhor registo fotográfico. Seria interessante ter esses registos e informações. Alguém terá?
E o porquê de referir esta "estrutura" agora? Esta obra desde a sua instalação foi envolta em polémica e toda a encenação associada à sua retirada tem um simbolismo histórico na viragem politica do concelho de Arouca.
Estas "pedras" após terem sido motivo de acesas e vivas discussões durante toda a campanha eleitoral para as Autárquicas de 1993, onde pela primeira vez ocorreu a vitória autárquica do PS em terras de Arouca, desapareceram, numa célebre manhã de nevoeiro... para nunca mais lhe sabermos o paradeiro. 
Nem as pedras nem outra qualquer decoração para a rotunda não vá o temor de nova opção voltar a ser tema politico e  provocar nova viragem politica. Será?
Seria interessante encontrar uma opção definitiva para a principal rotunda do centro urbano de Arouca. Um concurso de ideias entre todos os Arouquenses seria uma opção entre outras. Fica a memória e a sugestão.