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14 de novembro de 2020

VII - Soares de Figueiredo, de Canelas

Os Soares de Figueiredo, de Canelas, que associamos a Manuel Joaquim Soares de Figueiredo (1801-1856), bacharel formado em Cânones e antigo administrador de Castelo de Paiva, e, entre outros, aos atuais proprietários da Louseira aí existente, tiveram origem no antiquíssimo lugar do Toural, daquela freguesia.

Com efeito, foi do casamento do capitão José Soares, filho de Manuel Soares e Maria Alves, do lugar do Toural, com Maria Luísa Figueiredo, filha de Francisco Duarte e Luísa Maria Figueiredo, do lugar de Moimenta, freguesia de Cabril, do vizinho concelho de Castro Daire, em finais do século XVIII, que houve a primeira geração do apelido Soares de Figueiredo, composto por sucessiva predominância dos apelidos maternos.

O lugar do Toural era já povoado muito antes dos Soares de Figueiredo, antes até da chegada da primeira Soares ao lugar, ainda no século XVII, proveniente do lugar de Casais, da freguesia de Alvarenga, quiçá até mesmo desde 1201, data em que essa herdade foi doada ao Mosteiro de Arouca. No entanto, foram os Soares de Figueiredo que mais contribuíram para o crescimento e importância da isolada Quinta do Toural.

E tanto assim foi, que a riqueza que por ali se guardava terá sido mesmo motivo de cobiça alheia, até do afamado Zé do Telhado, levando a que os moradores se vissem na contingência de esconder, aparentemente sem sucesso, a fortuna e até a própria família, tendo feito mesmo com que o proprietário de então, João Joaquim Soares de Figueiredo, também escaldado pelas refregas liberais, tivesse deixado a inóspita propriedade e fixado residência no centro da freguesia, com sua esposa e filhos, que ali deram continuidade ao principal ramo da família, sob as bênçãos do padre Manuel Joaquim Soares de Figueiredo.

Dos primeiros Soares de Figueiredo, gerados e criados no misterioso e lendário lugar do Toural, até à geração atual, nomeadamente dos Valério Soares de Figueiredo, contam-se cinco ininterruptas gerações daquele apelido composto, o que permite afirmar que Soares de Figueiredo, de Canelas, é um nome de família originário de Arouca.

Mais nomes de família originários de Arouca

31 de dezembro de 2018

VI - Vaz Pinto, do Burgo

Os Vaz Pinto, do Burgo, que, geralmente, associamos a Bernardino António Teixeira Vaz Pinto (1766-1834) proprietário, que entre outros cargos e funções desempenhou as de capitão-mor de Ordenanças de Arouca, reconduzem-se à casa do Burgo, sita no lugar e freguesia do mesmo nome, que ainda hoje ostenta o seu brasão de armas.

Com efeito, foi na descendência de Gaspar José Teixeira Pinto, filho do capitão-mor Manuel José Teixeira e sua mulher Maria Teresa Clara, neto paterno do capitão Manuel Teixeira Barbosa de Escobar e Maria Barbosa de Ataíde, do Burgo, e neto materno de Manuel Pinto da Fonseca e Jerónima Vaz, de Urrô, casado com Luísa Teresa Angélica de Pinho Brandão, filha de Domingos Fernandes Ferreira e Antónia de Pinho Brandão, da Cavada, de Rossas, cujo casamento se realizou na igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição, em 24 de Janeiro de 1763, que se conformou o apelido composto aparente Vaz Pinto.


Os filhos daqueles ficaram órfãos de mãe e pai ainda antes dos vinte anos, o que fez com fossem acolhidos e orientados pelos avós e tios maternos da Cavada de Rossas, onde, compreensivelmente, fizeram prevalecer o apelido materno Brandão sobre os apelidos paternos Vaz Pinto. No entanto, uma vez orientados, Lourença Vitória, casada com o capitão-mor de Ordenanças Manuel José de Almeida Ferraz Bravo, Dionísio António, feito capitão de Ordenanças da Espiunca, e Bernardino António feito capitão-mor das Ordenanças de Arouca, sucedendo a seu cunhado, apenas passaram os apelidos paternos às gerações seguintes.

O mais notável e renomado Vaz Pinto foi, sem dúvida, Bernardino António, que quase sempre assinou Teixeira Vaz Pinto Brandão de Carvalho, e foi dos poucos e últimos armigerados de Arouca, com cartas de brasão de armas passadas em 1819 e 1825.

Tal como com o brasão de armas, os seus descendentes fizeram questão de preservar e replicar o apelido composto aparente, que conta já hoje cinco gerações e permite afirmar que este Vaz Pinto, do Burgo, é um nome de família originário de Arouca.

29 de dezembro de 2018

V - Pinho Brandão, de Rossas

Os Pinho Brandão, de Rossas, que geralmente associamos a Dom Domingos de Pinho Brandão (1920-1988), bispo e historiador, que entre outros cargos e funções ascendeu à dignidade de bispo auxiliar das Dioceses de Leiria e do Porto, reconduzem-se à Casa do Outeiro e, mais remotamente, à Casa de Cimo de Vila, daquela freguesia.

Foi com o casamento de Domingos Brandão e Antónia de Pinho, moradores no lugar e serventes do Morgado de Terçoso, de Rossas, que se deu origem ao apelido composto aparente Pinho Brandão. José de Pinho Brandão, filho daqueles, contraiu matrimónio na igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição, em 21 de Agosto de 1717, com Maria Vaz, filha de António Vaz e Isabel Jorge, do lugar de Cimo de Vila, onde foram depois residir e tiveram larga descendência do referido apelido.


Os tempos, porém, eram de "terra, quanta vejas; casa, quanta caibas", e, de facto, era pequeníssima a casa de Cimo de Vila, o que não a impediu de chegar a ser uma das mais abastadas da freguesia, permitindo aos que dali saíram levar bom dote e assegurar a continuidade do bom nome. Assim fez o neto daqueles, Domingos Manuel de Pinho Brandão, que autonomizou um ramo do mesmo apelido, dando origem aos também conhecidos Pinho Brandão, da Sêca, de Rossas. E deste um outro, Manuel de Pinho Brandão, que levou o apelido à casa de Telarda de Baixo. E ainda por aquelas mesmas razões, compraram os Pinho Brandão a casa do Outeiro ao insigne doutor Egas Moniz, e passaram também à casa de Campo de Fora e à casa de Telarda de Cima.

Da formação do apelido "composto" ao renomado bispo de Rossas, homónimo do pai e do mais antigo dos três clérigos da família, contaram-se cinco gerações ininterruptas do mesmo sobrenome, ali criadas e hoje disseminadas por todo o vale da freguesia, o que permite afirmar que este Pinho Brandão, de Rossas, é um nome de família originário de Arouca.

27 de dezembro de 2018

IV - Pinto de Magalhães, do Burgo

Os Pinto de Magalhães, do Burgo, que geralmente associamos a Afonso Pinto de Magalhães (1913-1984), empresário, banqueiro e dirigente desportivo, que entre outros cargos e funções foi fundador do Banco Pinto de Magalhães e presidente do Futebol Clube do Porto, pese embora se reconduzam ao lugar e freguesia do Burgo, devem o seu apelido "composto" a casamento realizado na freguesia da Espiunca, quando esta, tal como a do Burgo, ainda não pertencia ao concelho de Arouca.

Efectivamente, foi com o casamento de Dionísio António Teixeira Vaz Pinto Brandão, filho de Gaspar Teixeira Pinto e D. Luísa Teresa Angélica de Pinho Brandão, do Burgo, com Luísa Joaquina de Magalhães, filha do capitão Custódio José Rodrigues e D. Josefa Teresa Joaquina de Magalhães, da Espiunca, realizado na igreja matriz de São Martinho, em 8 de Fevereiro de 1796, que se formou o apelido composto aparente Pinto de Magalhães.


Com o falecimento de Dionísio António, já feito capitão de Ordenanças, em plena Guerra Civil, e uma vez instituído o regime liberal, os seus descendentes retomaram a Arouca, pela mão do primogénito padre Joaquim António Pinto de Magalhães, pároco de Tropeço, estabelecendo-se nessa freguesia, na vila e no Burgo, onde tiveram descendência do mesmo apelido.

Apelido que resistiu mesmo ao Pereira de Vasconcelos, de António Pinto, dos rivais e vitoriosos liberais, com que se casou Antónia Amália, não sendo já de estranhar a predominância pelos casamentos dos rapazes Bernardo António, José Júlio e António Augusto, com as primas Vaz Pinto, e Maria do Carmo Brandão, respectivamente. O que tudo somado ditou a continuidade do apelido e, uma vez integradas em Arouca as freguesias do Burgo e da Espiunca, permite afirmar que este Pinto de Magalhães, do Burgo, é um nome de família originário de Arouca.

O referido banqueiro, Afonso Pinto de Magalhães, filho natural de Maria Amália Pinto de Magalhães, foi já a quarta geração desse mesmo apelido.

19 de dezembro de 2018

III - Brandão de Vasconcelos, de Alhavaite

Os Brandão de Vasconcelos, de Alhavaite, freguesia do Burgo, que geralmente associamos a António Teixeira Brandão de Vasconcelos (1835-1897), proprietário e autarca, que entre outros cargos e funções desempenhou as de presidente da Câmara Municipal de Arouca e está imortalizado na toponímia da praça da vila de Arouca, não têm origem em Alhavaite, mas antes na casa da Felgueira, na freguesia de Rossas, donde aquele era natural.

Com efeito, foi pelo casamento de António Brandão, filho de Manuel Brandão e Maria Francisca, da Felgueira, de Rossas, com Antónia Teixeira de Vasconcelos, filha de Vicente Teixeira de Vasconcelos e Maria Vaz, de Sequeiros, de Rossas, realizado na igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição, em 16 de Novembro de 1789, que se formou o apelido composto aparente Brandão de Vasconcelos, com evidente e rara preponderância dada ao apelido da mulher.


Quando consorciados na casa da Felgueira, não terá sido alheia à preponderância do Vasconcelos face ao Brandão, o facto de Antónia Teixeira de Vasconcelos ser sobrinha e irmã de dois padres, cónegos da Sé do Porto, do mesmo apelido.

E tudo se conformou ainda mais quando daqueles procederam, entre outros, Domingos Teixeira Brandão de Vasconcelos, que foi casar à Pena, de Tropeço, onde deu continuidade ao apelido, e António Teixeira Brandão de Vasconcelos, que ascendeu à categoria de capitão das Ordenanças de Malta, sucedendo a Manuel Joaquim de Sousa Brandão, da Vinha do Souto de Várzea. Já feito capitão, António Teixeira Brandão de Vasconcelos, contraiu matrimónio com a filha de um outro antigo capitão das mesmas Ordenanças, da Cavada de Rossas, de seu nome Margarida Amália Aranha Brandão de Mendonça, que lhe sobreviveu com seus filhos ainda menores.

Dentre aqueles, entretanto criados e educados pelos tios maternos da Cavada, de Rossas, António Teixeira Brandão de Vasconcelos passou à casa de Alhavaite, do Burgo, por casamento com Ana Emília Soares de Sousa, e com ele o irmão Inácio, donde se notabilizaram e afirmaram o apelido ainda hoje mantido por alguns descendentes do primeiro, o que permite afirmar que este Brandão de Vasconcelos, de Alhavaite (com origem em Rossas), é um nome de família originário de Arouca.

15 de dezembro de 2018

II - Sousa Brandão, de Várzea

Os Sousa Brandão, de Várzea, que, geralmente, associamos a Dom Leonardo de Sousa Brandão (1767-1838), clérigo e partidário do absolutismo, que veio a ser o último bispo da extinta diocese de Pinhel, são descendentes do primeiro filho varão sobrevivente de Manuel Brandão e Maria de Almeida, da casa da Vinha do Souto de Baixo, que, como já vimos, são também progenitores dos Almeida Brandão, de Rossas.

Irmão mais velho de António de Almeida Brandão, que seguiu para Rossas, Manuel de Almeida dos Santos Brandão, que, em 1741 havia já recebido ordens menores para padre, mas depois, tal como seu pai, se viu admitido a Familiar do Santo Ofício, acabou por arrumar o hábito e contrair matrimónio, em 5 de Setembro de 1757, na igreja matriz de São Salvador de Várzea, com Angélica Joaquina Margarida de Sousa, filha do sargento-mor das Ordenanças Manuel Bernardo de Sousa e de D. Luísa Teresa de Sousa, da Lavandeira, de Arouca, dando assim origem ao apelido composto aparente Sousa Brandão.


Ao sargento-mor Manuel Bernardo de Sousa se ficou a dever a admissão dos Brandões da Vinha do Souto, de Várzea, nas Ordenanças de Malta, da comenda de Rossas, de que António se viu promovido a alferes e Manuel a capitão, de que depois abdicou em favor de seu primeiro filho varão sobrevivente Manuel Joaquim de Sousa Brandão, o qual se viu viúvo prematuramente e, já com 50 anos, contraiu novas núpcias com a jovem Luciana Laurinda Libania de Almeida, filha do capitão-mor de Macieira de Cambra, que lhe sobreviveu por 46 anos, sem descendência, proprietária de uma casa enorme, mas desafortunada de trazer aos dali o título de Visconde de Baçar, que por certo tocaria a um seu filho se o tivesse tido.

Mas entre os onze filhos do capitão Manuel de Almeida dos Santos Brandão, contavam-se ainda o frei Feliciano de Sousa Brandão e o bispo Dom Leonardo de Sousa Brandão, foragido à vingança dos liberais até à sua morte inglória e enterrado às escondidas para evitar represálias sobre os seus familiares, nomeadamente, sobre seu irmão Dâmaso de Sousa Brandão, antigo tenente do Regimento de Milícias de Arouca, entretanto mudado para o Sobral, no extremo nascente das lavouras da Vinha do Souto, onde teve larga descendência do mesmo apelido.

Dos treze Sousa Brandão que Dâmaso teve de D. Marcelina Cândida da Mota, apenas o último, padre Luís de Sousa Brandão, que paroquiou Várzea e Urrô, viveu quase cem anos e cedeu, uma vez por outra, à fragilidade humana, conseguiu impor o Sousa Brandão por mais uma geração. O suficiente, no entanto, para se poder afirmar que este Sousa Brandão, de Várzea, de que procedem, entre outros, os Brandão de Almeida, é um nome de família originário de Arouca.

11 de dezembro de 2018

I - Almeida Brandão, de Rossas

Os Almeida Brandão, de Rossas, que geralmente associamos a António de Almeida Brandão (1893-1986), professor e autarca, que entre outros cargos e funções desempenhou as de presidente da Câmara Municipal de Arouca, reconduzem-se à Casa de Telarda de Cima, daquela freguesia. No entanto, o seu apelido composto aparente teve origem na Casa da Vinha do Souto de Baixo, da vizinha freguesia de Várzea.

Foi o casamento de Maria de Almeida, filha de Domingos de Almeida e Catarina de Almeida, da Vinha do Souto, de Várzea, com Manuel Brandão, filho de António Brandão e Maria Fernandes, das Eiras, do Burgo, realizado no dia 19 de Janeiro de 1712, na igreja matriz de São Salvador de Várzea,  a que assistiram o capitão-mor Diogo Malafaia de Mascarenhas e o futuro capitão-mor Teotónio de Vasconcelos Portugal Mendes e Cirne, que deu origem ao apelido composto aparente Almeida Brandão.


Manuel Brandão, cujos avós paternos e maternos eram de Rossas, foi feito Familiar do Santo Ofício em 20 de Abril de 1725. Para se ver admitido a essa qualidade, cujas principais funções estavam ligadas à hierarquia policial do Santo Oficio, os candidatos, bem como a esposa, respectivos pais e avós, eram sujeitos a um processo que incluía diligências exaustivas sobre a pureza de sangue e conduta de todos os inquiridos.

A passagem dos Almeida Brandão a Rossas e, mais concretamente, à Casa de Telarda de Cima, deu-se com o casamento de um dos filhos daqueles, de seu nome António de Almeida Brandão (o primeiro de três homónimos), agricultor e alferes das Ordenanças de Malta, com Mariana de Azevedo e Melo, filha de António Duarte e Paula de Azevedo, que teve lugar na igreja matriz de São Salvador do Burgo, em 27 de Abril de 1760. O casal foi então residir na companhia do irmão de Mariana, padre José Duarte Monteiro, que havia alguns anos assistia no lugar de Telarda, da freguesia de Rossas, onde tiveram descendência, nomeadamente, José Vicente de Almeida Brandão (também primeiro de três homónimos), que veio a ser um dos dois herdeiros do referido padre, casou com a prima directa D. Maria Vitória de Sousa e Almeida e ali permaneceram dando continuidade aos Almeida Brandão.

Da origem do apelido composto aparente ao acima referido António de Almeida Brandão (1893-1986), primogénito dos treze filhos de José de Almeida Brandão com Maria Soares de Figueiredo e Joaquina Soares de Pinho Brandão, contam-se seis gerações ininterruptas desse mesmo apelido, geradas e criadas naquela mesma casa de Telarda de Cima, da freguesia de Rossas, o que permite afirmar que este Almeida Brandão, de Rossas, é um nome de família originário de Arouca.

8 de dezembro de 2018

Nomes de família originários de Arouca

Não é preciso fazer nem recorrer a qualquer estudo sociológico ou genealógico para verificar a existência de famílias arouquenses, com gerações geradas e criadas em Arouca desde há vários séculos. Há notícia e memória suficiente para o afirmar. Mas podemos dizer que existem nomes de família originários de Arouca?

Para responder a esta questão, não podemos, naturalmente, pensar em apelidos isolados do sobrenome, como, por exemplo, Almeida ou Brandão, mas antes em apelidos "compostos" por baptismo ou casamento, como Almeida Brandão ou Brandão de Almeida. Pois, com efeito, sabendo nós que os nossos apelidos, à excepção talvez de apenas três ou quatro (resultantes de alcunhas), não são originários de Arouca, nem cá chegaram, na maior parte dos casos, por uma mesma e só pessoa do respectivo apelido; regra geral, só é possível falar-se de nomes de família originários de Arouca, por referência a apelidos "compostos" por baptismo ou casamento. Sendo ainda necessário que esses apelidos, que julgo poderem dizer-se "compostos aparentes", se mantenham intencionalmente por mais de três gerações.

E "aparentes" porque, não raras as vezes, tomamos por compostos muitos desses apelidos, quando na realidade, na sua origem, não o são. Castelo Branco ou Corte Real, por exemplo, como facilmente se depreende, são apelidos compostos simples ou originários, outrora unidos inclusive por hífen. O que é diferente de Castelo Branco Corte Real (tudo junto), composto por casamento, e que também existiu entre nós, mas não ao ponto de se poder dizer um nome de família originário de Arouca. De resto, como muitos outros, tanto ou mais conhecidos, normalmente, devido à notabilidade de uma ou outra personalidade, mas cujo apelido composto aparente não se manteve nas gerações seguintes.

Exemplos de apelidos compostos aparentes; nem todos, porém,
nomes de família originários de Arouca
Estes apelidos compostos aparentes, para além de se reportarem a famílias que facilmente identificamos, conhecemos ou já ouvimos falar, são tanto mais relevantes quando sabemos que, mais do que resultantes de uma regulação antiga ou muito rígida, são pouco mais do que mera conformação e convenção de práticas ditadas pelo costume e tradição, para distinção e diferenciação dos membros de determinada família, para além da alcunha, da referência ao lugar ou a um dos progenitores. O que era extremamente relevante quando, em tempo ainda não muito distante, as pessoas, mais do que por si, se faziam valer pelos costados.

Com efeito, como é sabido, o sobrenome, que, na nossa cultura, é constituído pelos apelidos de família, para além de ser recentíssimo por baptismo e/ou registo civil de nascimento, nunca obedeceu a regras muito rígidas e, por isso, não fosse o costume e tradição de fazer perdurar inalterados os apelidos "compostos" pelo baptismo ou casamento na respectiva varonia, dificilmente poderíamos falar em nomes de família (tão comuns) com referência restrita a um qualquer lugar, freguesia ou concelho, pois que o dito apelido composto aparente, só por mera casualidade perduraria por mais do que uma geração.

De resto, é já assim nos nossos dias. Os apelidos compostos aparentes já só por mera casualidade se verificam por mais do que uma geração. Mas houve, de facto, como noutras terras, casos em que perduraram por mais de três gerações, podendo dizer-se nomes de família originários de Arouca. Porém, fruto de maior igualdade e menor condescendência dos cônjuges, estão hoje em extinção, tendo já desaparecido a maior parte deles.

Sentido pelo qual, não é nada descabido olhar os apelidos compostos aparentes, estabelecidos por casamento ou baptismo celebrado na nossa terra e mantidos por razoável número de gerações, como património cultural imaterial de Arouca. Trarei aqui a origem e brevíssima história de alguns deles nos próximos artigos.