28 de julho de 2020

A Pensar Alto! Olhares...


Conheci o não me lembro há quantos anos,sei que foi no verão, durante o mês de Julho,aí pelo meio do mês.Finalmente conheci aquela casa que tinha sempre visto vazia, encher se de gargalhadas e suspiros de quem por momentos mesmo que poucos, esquecia as agruras de uma vida longe e fazia destes breves regressos uns dias de festas sem fim, como se o tempo se escoasse mais depressa e nada pudesse ficar por comemorar.A apresentação foi breve,era o vizinho mais próximo, e logo recebi um abraço bem apertado, e só nessa primeira vez veio sem a garrafa com aqueles líquidos repletos de fama  que se identificam com o sucesso,e que  desde esse dia passou a fazer parte do ritual do reencontro. E sempre a acompanhar, as conversas, e alguns desabafos, de quem não vive só  coisas boas por terras distantes de outras gentes e hábitos diferentes.Lembro me bem dos abraços,depois talvez porque os filhos cresciam sempre um bom bocado e se comentava a beleza desse crescimento,passei a receber beijos de companhia,dois, três e até quatro porque era sempre bom mostrar as modernidades dos encontros  e as novidades importadas .E sempre muita conversa com olhos de felicidade e ideias  amontoadas o ano inteiro.E ano após ano foi sempre assim.Não havia pretexto para alterar o que bem estava, e lá vai abraço,beijos,conversas, e umas palmadinhas que sem elas parece que não se mostra bem a alegria, uma espécie de café forte com belas colheradas de açúcar.Somos criaturas de afetos acompanhados, onde o tato é um sentido que muito contribui para os momentos mais efusivos e por incrivel que pareça para os mais tristes também.Vale mais um abraço que mil palavras,ouvia por aí.Nunca foi preciso imaginar tudo isto sem a proximidade que demonstra e complementa.E sabe bem, porque fomos ensinados  a saber transmitir assim as emoções mais fortes,  silenciosas ou não, muitas vezes a substituir palavras que por muito que se procurem não são as adequadas e têm um som que incomoda . E de repente,nem  5 meses passaram,  as nossas vidas deram uma volta e tiveram alterações inimagináveis até há  bem pouco tempo. Estamos todos fartos destas vidas sem contatos, de higienização em higienização e de encolheres de ombros á distância que os regulamentos e os cuidados,sei lá a sobrevivência, impõem.No meio deste novo mundo,lá veio de novo meados de Julho e deu se de novo o reencontro,mas tão diferente foi.Passamos a substituir o tato pela visão.Agora os olhos saõ o mais importante,abraçam,confortam, envolvem em abraços o mais apertados possiveis,os amigos e toda a gente que disso necessite,choram até de outra maneira, e aproveitam misturar ansiedades e angústias com outros sentimentos acumulados,calam se, enganam e duplicam as funções,tanto festejam com regressos como se embaciam com despedidas.Os olhos entendo eu finalmente são o espelho da alma, são o nosso espelho, falam, o mais alto possivel.Já tive dessa maneira tão estranha de despedir me de amigos próximos,de confortar filhos e viúvas,de enganar até a mim próprio, com indiferença fingida para me  manter liberto, apesar da sensação de bicho encurralado.Já beijei até com muitas ganas familia próxima sem qualquer toque,á distância possivel.No meio disto tudo, foi assim o reencontro deste Julho de 2020 .Como a conversa tinha pedaços maiores de tristezas e novidades muito incómodas,falou se pouco e justificou se com a distância de segurança.Passou se a garrafa de mãos com alguns receios á mistura,será que ...apesar de tudo não se esqueceram na totalidade os sorrisos e os desejos foram ainda mais sinceros.Para o ano havemos de dar aqueles abraços e esquecer o pesadelo,para o ano....vivemos agora a agarrar o futuro sem braços,a reprimir impulsos tão naturais, mas como o naúfrago, a  tentar salvar se sem olhar a quem o segura firme.Para o ano,prometo já, vou abraçá-los,vou beijá los todos e até dançar se fôr possivel. Nesse momento vou fechar os olhos cansados de tantas canseiras pelos trabalhos antigos e mais os novos, e pelo menos continuar a sonhar.Pelo menos isso, os sonhos nada os impede.Respeitemos todos as regras que a isso nos irão conduzir.Vamos todos ficar bem.Abraço apertado,dos tais....A contrariar a pandemia!

7 de julho de 2020

A Pensar Alto! O colégio de Santo António ( ao meu amigo e primo Joaquim Arouca de quem tenho imensas saudades e a quem não pude agradecer a amizade que me dedicava).


Local de encontro de muitos dos nossos estudantes masculinos nos anos cinquenta e sessenta, o colégio de santo António desapareceu sozinho, e em pouco tempo discretamente se vão apagando as lembranças de um local que possibilitou a muitos jovens rapazes frequentarem aulas, e dar os passos que lhes permitiram abandonar a vida triste e sem grandes expetativas que o anterior regime vendia. Foi a porta que se abriu ou entreabriu para muitos jovens rapazes do nosso Vale e de todo o Concelho, que apesar de difíceis deslocações, e outro tipo de sacrifícios, aí encontraram um local onde aprenderam as primeiras letras, e prosseguiram por caminhos muito pouco usados num caminho pleno de descobertas. Foi também aí que tiveram os primeiros amigos, encontraram os primeiros heróis e começaram a aperceber se que por muito que se amedrontem as pessoas com fronteiras e mordaças, o espirito e a ânsia por conhecimentos permite fugir de todas as prisões. Era um prédio sem conforto como eram a grande maioria da altura. Um rés do chão com secretaria, duas ou três salas, um pequeno ginásio, e um primeiro andar quase igual enriquecido com um inicio de biblioteca e laboratório muito rudimentar. Nem aquecimentos nem arrefecimentos, carteiras quanto bastassem, quadros pretos sempre prontos a receber o branco dos pedaços de giz, quase só o indispensável. As aulas eram sempre de manhã e de tarde, não existia cantina e os alunos que não podiam ir almoçar a casa ou traziam logo de manhã ou almoçavam em casas de particulares amigos ou de família ali próximas. Se não me engano havia uma turma por ano de ensino e a quantidade de alunos não era muito grande. Era um ensino dirigido por um padre muito conhecido, o padre de S. Miguel e um professor de Sta. Eulália o Prof. Brito. Se me falta alguém as minhas desculpas, não me lembro de mais. Como alternativa para quem queria estudar, só o Colégio Salesiano na Vila onde todos entravam com a perspetiva de serem futuros Padres mesmo que a vocação fosse pequena mas grande a vontade de aproveitar novas oportunidades. A memória recorda bem os meus queridos e primeiros profs. o Prof. Fernando Justo figura famosa por acontecimentos posteriores, a quem estavam entregue as matemáticas e a Prof. Irene Brandão Rios, pessoa de família que sempre me acompanhou e tão carinhosamente me acolheu. A ela estavam entregue as letras e recebi dela o primeiro elogio pela facilidade na escrita. Estudar naqueles tempos era para privilegiados e imagino agora o que a maior parte dos pais sofreu para pagar a pequena mensalidade que poderia abrir grandes portas que todos queriam ultrapassar. Era um colégio só masculino, as raparigas andavam na Vila no Santa Mafalda, sabíamos que existiam pela bata especial e por algum encontro nos caminhos para casa, onde um simples e desprendido olhar era sinal de grande interesse. Não existiam transportes escolares, muito poucos alunos tinham bicicleta, motorizada eram exceções, e as deslocações eram a pé, umas mais longas, pois os alunos vinham desde Chave, Cabreiros e Moldes até aos lugares mais próximos. Era provável que um ou outro pai tivesse meio de transporte e de longe em longe desse uma boleiazita que sempre ajudava ao descanso. E os profs tinham as mesmas dificuldades. Automóveis um ou dois. E lá vinham invernos rigorosos, caminhos difíceis, sol a queimar, mas transformavam se os esforços em brincadeiras e muitos convívios que nos ensinaram a gostar de ter amigos, a gostar de respirar ar puro, a gostar de fazer poeira pelos caminhos inventados, e ouvir e ver como a natureza se transforma todos os dias e generosa se oferece aos nossos olhos, assim queiramos aproveitar. O ensino era muito diferente do de hoje. O instrumento mais utilizado para relembrar que eramos estudantes e tínhamos que aproveitar o tempo, era uma cana que na mão do Padre era meio cega e caía onde menos se esperava. Se fosse preciso avivar mais as memórias uma palmatória, que muitos nem sabem o que é mas prefiro mantê-los na ignorância. O local para o recreio era um pequeno espaço ao lado do prédio, em terra batida que todas as turmas transformavam para o adequado, tanto era campo de futebol, como ringue de hóquei ou pavilhão para correrias, e até um imaginário campeonato do mundo se lá disputou. E todos aproveitavam aquele espaço de tempo, tudo misturado desde os mais pequenos da primária aos homens do 5º ano, atual 9º.Conheci lá muitos rapazes que por muitas razões nunca mais esqueci, uns amigos ainda, outros já o foram, mas aquela estranha cumplicidade com que enfrentamos tempos tão diferentes nunca mais se perdeu. É isso mesmo, tempos muito diferentes. Tempos diferentes de uma vida muito diferente para todos e que esta rapidez repleta de mudanças  com que fomos vivendo, quase nos fez esquecer. Não me recordo em que ano encerrou as portas, e terminadas as funções até o prédio foi demolido ou reconvertido como é habitual. Ficaram as memórias, e os amigos, só por isso valeu a pena. Há portas que se abrem em locais escuros mas conduzem à luz, foi o caso. E muito mais havia a dizer, mas fico por aqui, deixei a lembrança. Abraço Quim.
(Fotografia da coleção de Adílio Silva a quem agradeço a disponibilidade)

Carlos S. Sousa

6 de julho de 2020

Feiras das Colheitas 2020

A Feira das Colheitas decorre ininterruptamente desde o ano de 1944, ano em que o seu ideólogo António de Almeida Brandão, fundou uma efeméride que celebrasse a lavoura e Arouca enquanto terra agrícola.
Certamente este ano, por causas que são sobejamente conhecidas e relacionadas com a pandemia Covid 19, a feira das colheitas não poderá decorrer nos moldes que a conhecemos . 
Os arouquenses ver-se-ão privados da sua Festa em que a vila se engalana para receber todos os arouquenses e forasteiros. São milhares os que habitualmente vivem e sentem a Feira. 
Não teremos a nossa Feira das Colheitas, como o Porto não teve São João, Matosinhos o Senhor de Matosinhos, como Ponte de Lima não terá Feiras Novas ou Viana do Castelo a romaria da Senhora da Agonia, só para citar algumas das mais pitorescas e conhecidas festas do Norte de Portugal.
O motivo de cancelamento é o mesmo e penso estarmos todos de acordo no que toca à exigência da saúde pública como bem maior primordial.

A minha questão é a seguinte : não poderemos criar um plano alternativo, SEMPRE DENTRO DAS NORMAS LEGAIS E PERMITIDAS PELAS AUTORIDADES DE SAÚDE  e tendo sempre em linha de conta a evolução da situação pandémica?

A sugestão passaria, como já tive oportunidade de apresentar noutro local, pela organização de micro e pequenos eventos que ao invés de se concentrarem numa única semana e todos no mesmo local como vem habitualmente sendo realizados, realizar várias  pequenas "Feiras das Colheitas " em datas distintas e nas diversas freguesias do concelho.


A título de exemplo ficam algumas sugestões:
Feira dos Produtos Agrícolas em Rossas
Concurso Pecuário em Alvarenga
Concertos de Bandas Filarmónicas  com cada banda dar um concerto na sua freguesia
Concurso de Vinho Verde em Santa Eulália
Concurso de Broa em Urrô
Exposição de produtos Agrícolas em Chave
Exposição de actividades empresariais em Escariz
Cito somente alguns eventos e algumas freguesias somente para exemplificar a ideia. Todas as freguesias poderiam e deveriam ser envolvidas.

Fica a sugestão

2 de julho de 2020

A variante à EN326 não tem mãe nem pai, nem é uma «obra-mãe»...

Na realidade, o primeiro troço da variante à EN326 não termina em plena localidade da Ribeira, mas sim na parte mais próxima da Ponte da Cela. Com mais precisão: termina entre a parte de baixo da Ribeira e a Ponte da Cela, que são localidades da freguesia de Tropêço, no concelho de Arouca. Será a partir desse sítio que tem de se construir, com muitíssima urgência, o terceiro troço até à Abelheira, em Escariz. 

Esta estrada já devia estar concluída, de uma só vez, há muitos anos e tem, como é óbvio, de ser uma estrada directa, funcional e eficaz de acesso a Arouca, no contexto da Área Metropolitana do Porto. É uma estrada de Arouca e dos Arouquenses. Não é uma obra que partiu de uma só pessoa em Arouca: não tem mãe nem pai, nem é uma «obra-mãe». É apenas uma estrada, ainda que seja uma estrada muitíssimo relevante para Arouca…

O viaduto de Rôssas é um atentado estético e ambiental imperdoável e irreversível 
Se partiu da acção do Executivo Municipal da altura, o Executivo Municipal é um órgão eleito pelos Arouquenses que representa a vontade colectiva e de cidadania dos Arouquenses e está apenas a cumprir o seu dever e a sua função. Mesmo assim, infelizmente, o Executivo Municipal da altura não o cumpriu como devia, foi irresponsável e ignorante, já que a obra, passadas décadas, ainda não está concluída, para não falar daquele viaduto monstruoso que esventrou o vale de Rôssas e que nunca, mas nunca, deveria ter sido construído. O viaduto de Rôssas é um atentado estético e ambiental imperdoável e irreversível e revela, de facto, infelizmente, a irresponsabilidade e a teimosia ignorante do Executivo Municipal da altura, num acto que foi contestado por milhares de Arouquenses

Ler, por favor:

17 de junho de 2020

A Pensar Alto! Passeios à beira mar.

Naquele dia encontrei sem querer um velho barco meio perdido encalhado na beira do mar. É estranho como ao lado de um mar tão imenso o barquito se perdeu e sem forças se encostou de lado a meia dúzia de gastas rochas e por lá ,ponto de descanso para as gaivotas intervalarem daquelas viagens de ida e volta. Chamou me a atenção o leve ruído da água sempre repetida a afagar lhe o casco, a única maneira que encontrou para o confortar e ficar em repouso, quem sabe esquecer as muitas dificuldades que o tinham conduzido aquele sítio. Para nós habitantes de um Vale rodeado de montanhas é sempre com grande agrado que reencontramos o mar, velho conhecido que por muitos sustos que pregue é sempre igual aquele velho amigo a quem perdemos o rasto e de repente encontramos mais velho mas com o mesmo olhar de ternura imensa. Não conheço ninguém que não goste de ir dar aquele passeio domingueiro sem escolher dia ou hora e que sem dar por isso fica parado a rever os murmúrios das ondas, os brilhos nunca repetidos das águas e aqueles cabelos brancos que a espuma brilhante tão bem imita. Desde sempre fomos para ele atraídos, somos todos descendentes de marinheiros, e mares navegados ou por navegar, é cá connosco. Lembrei me disto quando se deu mais um passo para nos aproximar do mar, um passo mais pequeno do que gostaríamos, mas mesmo assim mais um. Lá vem mais um pedaço de Variante, agora com outro nome, pequeno, atendendo ao tamanho das promessas, mas suficiente já que lhe vislumbramos o restante, agora que o que falta está encurralado no meio e mais cedo ou mais tarde justiça será feita, nem que seja por vergonha de quem tem de tomar as decisões. Claro que a razão principal para esta melhoria não é levar nos, pobres do interior ver as ondas, são razões de economia e desta vez de mãos dadas com o desenvolvimento que esperamos por consequência receber de volta. Já ouvi e li várias vezes que Arouca é uma terra que não ficou parada á espera da estrada que nos iria aproximar do litoral, espécie de oásis onde tudo acontece, pelo contrário, fez se ao caminho e com os caminhos manhosos que por cá vamos tendo, se conseguiu desenvolver e fazer até escola com ideias de muito sucesso. Grande verdade. Mas se os deveres são para todos, os benefícios também o devem ser e nada justifica este imenso atraso na concretização da nossa maior aspiração, enquanto Arouquenses. Vivemos num País retalhado por magníficas auto estradas, algumas até paralelas, como se pudessem competir umas com as outras, e nós, olhamos para essa imensidão de dinheiro gasto, olhamos para os anos em que sonhamos, em que tivemos esperança que as promessas iriam ser cumpridas, e com muito desencanto recebemos 9,9 km e agora mais meia dúzia para ver o tal litoral mais perto. É pouco, em tanto tempo de espera, por muita festa que se faça, por muitas contas que se acrescentem ás distâncias, é pouco. Nos próximos 3 anos vamos aguardar a concretização deste novo troço mas temos que continuar a lutar para que os poderes do nosso País sejam constantemente inquietados por esta enorme injustiça que anos após anos poucos quiseram corrigir. Nós os mais velhos gostaríamos que esta luta não tivesse que ser continuada pelos nossos filhos ou netos mas se tal acontecer que lhes deixemos o legado de quando se trabalha por uma causa justa não há cansaço, nem vontade de desistir. Queremos a conclusão desta via e com ela concluída mais o muito que se tem feito sem ela, iremos dar o passo que falta para o tal desenvolvimento que traz emprego, qualidade de vida, e oportunidades mais equilibradas e justas que há várias gerações Arouca reclama. Queremos todos ver o mar…ali mais perto. Não vamos desistir.

Carlos S. Sousa

14 de junho de 2020

O 'hall' de entrada de Arouca...

Tal como refere, com razão, no 'post' anterior, Paulo Teixeira, coordenador e colaborador deste blogue «Defesa de Arouca», o denominado «Fundo do Concelho de Arouca» é, como sempre foi, na realidade, o hall de entrada de Arouca. É um facto, é uma evidência, é uma verdade.
A expressão antiga «Fundo do Concelho» surgiu, em Arouca, no inconsciente colectivo, a partir das populações que residem na sede do concelho (na vila de Arouca) ou no núcleo territorial identitário do concelho, que é o território do vale do Arda e da sua influência. Surge, portanto, dessa percepção, no inconsciente colectivo arouquense, de quem reside na área mais central do concelho, em termos administrativos.
O território do concelho de Arouca localiza-se, quase na sua totalidade, na Bacia e na Região Hidrográfica do Douro. E pertence, com pleno direito, à Área Metropolitana do Porto, que é a porta de entrada estrutural, via terrestre, via aérea, via ferroviária, via marítima e via fluvial de acesso ao território do Arouca Geopark. A cidade do Porto sempre foi o principal espaço urbano de referência para Arouca e para os Arouquenses, em relação à qual mantêm uma forte ligação sócio-económica.

Daqui a uns tempos, a segunda fase da variante à EN326 estará concluída e ligará o nó de Pigeiros da A32 à localidade da Abelheira, em Escariz. E tornará esse hall de entrada de Arouca muito mais rápido e funcional. A partir dessa altura, como é óbvio, as várias instituições de Arouca terão que tornar muito mais visíveis, em termos de eficácia e racionalidade, os acessos e a mobilidade ao concelho de Arouca, numa altura em que a nova Ponte 516 Arouca já estará, provavelmente, a ter muito sucesso nacional e internacional, com a visita em massa de muitos forasteiros aos Passadiços do Paiva e à nova ponte pedonal. Será importante, portanto, publicitar e tornar bem visível esse trajecto mais directo e funcional a partir do hall de entrada de Arouca, quando for concluída a segunda fase da variante à EN326:
É a partir da parte mais a litoral da Área Metropolitana do Porto que, de certeza, acorrerão, ao concelho de Arouca, muitos, muitos e muitos visitantes, para ver a nova Ponte 516 Arouca, que, para além de se deslocarem por estrada, certamente também se deslocarão via aérea (Aeroporto Francisco Sá Carneiro e Aeródromo Municipal da Maia), via ferroviária (Estação Ferroviária de Porto-Campanhã), via marítima (Porto de Leixões e Marina 'Porto-Atlântico') ou via fluvial (Marina 'Douro-Marina' e Marina do Freixo).
Mapa: Área Metropolitana do Porto

11 de junho de 2020

As Fontes de Fermedo

Fermedo foi sede de concelho até 24 de Outubro de 1855, com a designação oficial de Cabeçais e Fermedo, passando daí em diante a incorporar o concelho de Arouca . É a freguesia mais a poente de todo território concelhio , sendo vulgarmente designada por “fundo do concelho “ . Esta designação é, em minha opinião , errónea porque depende da localização geográfica de quem a profere . Tendo em conta o número de turistas que nos visita hoje em dia Fermedo será , porque uma cota parte muito grande desses turistas vem de norte e da GAMP, o início do concelho . Neste ponto de vista Fermedo é o hall de entrada de Arouca . E para que não seja somente um local de passagem fica a sugestão da criação de um percurso pedonal/ pedestre nesta zona do concelho . Todo o vale de Fermedo , que tem como centro a igreja matriz dedicada a nossa senhora da Expectação , tem várias fontes de água já devidamente identificadas e sinalizadas mas um pouco esquecidas . Ali pelo lugares da Igreja Matriz,Parameira, de Trás do Rio , Adegas , Val do conde , Presa Grande , Abrunhal , Romão, Resumil e Cabeçais existem várias fontes e fontanários públicos que poderiam servir de base a um futuro percurso pedonal quer para usufruto dos Fermedenses quer para apresentação da hoje freguesia outrora concelho a todos quantos a visitam . Fica a sugestão .

9 de junho de 2020

Ainda não há dinheiro para a construção das 3ª e 4ª fases da variante à EN326 de Arouca, mas para… ... ...

Ainda não há dinheiro para a construção da 3ª fase (que ligará a Ponte da Cela a Escariz) e da 4ª fase (que ligará o nó de Pigeiros da A32 ao nó de Santa Maria da Feira da A1) da variante à EN326 de Arouca, em plena Área Metropolitana do Porto, mas houve mais dinheiro para doar (num acto dum governo supostamente de centro-esquerda...e será que é mesmo um governo de centro-esquerda?!!!) mais 850 milhões de euros ao Novo Banco. Banco que está sediado em Lisboa e que é uma expressão do tipo de capitalismo inútil e parasitário de Lisboa e arredores, que o opõe ao capitalismo produtor, laborioso e exportador da Região do Norte de Portugal. No Novo Banco, que surge desse capitalismo inútil de lobbys de Lisboa e arredores (já bem antigos e que sempre andaram à volta do Palácio de São Bento e do Terreiro do Paço), foram injectados, até ao momento, cerca de 7 mil milhões de euros provenientes dos impostos dos Portugueses!!!...Repito: 7 mil milhões de euros provenientes dos contribuintes!!!...
E a Área Metropolitana do Porto e a Região do Norte, onde Arouca se insere e pertence, estão também, no presente, a viver a ameaça da redução dos vôos da TAP a partir do Aeroporto Francisco Sá Carneiro, que é o aeroporto mais moderno de Portugal, movimentando mais de 12 milhões de passageiros/ano, tendo um hinterland que representa mais de 5 milhões de cidadãos do Norte e Centro do país e boa parte da Galiza, mas que serve, sobretudo, a Região do Norte, que é a região mais populosa, a mais produtora e a mais exportadora de Portugal, etc.etc. O plano de retoma de rotas da TAP prevê o restabelecimento de 55 ligações internacionais em Lisboa, mas apenas quatro no Porto, constatando-se que os passageiros que já tinham viagem marcada estão a ser “transferidos” para Lisboa sem serem consultados!!!...A TAP, cujo capital é maioritariamente do Estado Português, ou seja, dos Portugueses, na prática está a funcionar como uma empresa local de Lisboa e arredores e para Lisboa e arredores e não como uma empresa-instituição nacional do Estado Português, penalizando, fortemente, a sua região mais populosa, mais produtora e mais exportadora, que é a Região do Norte.
Gravura: Transportes em Revista
São apenas dois elementos recentes do ultra-centralismo ultra-parasita de Lisboa e arredores, onde se injectam, descaradamente e de modo injusto, fundos e activos que são gerados e produzidos noutras regiões de Portugal, sobretudo provenientes da Região do Norte.
Mas para concluir um pequeno e muito urgente troço de estrada na Área Metropolitana do Porto (a 3ª e 4ª fases da variante à EN326 de Arouca) ainda não há dinheiro!!!!! Será que não há mesmo dinheiro?!!!!
E esta situação muitíssimo injusta e imoral do ultra-centralismo ultra-parasita de Lisboa e arredores não pode continuar mais assim. Não pode mesmo. A Regionalização de Portugal continental nas cinco regiões identificadas é mesmo uma das reformas estruturais mais urgentes que tem de ser concretizada com lucidez e eficácia, para bem de todo o Portugal e de todos os Portugueses. E este grande problema não se reporta apenas ao facto da existência muito duradoura do sórdido ultra-centralismo ultra-parasita de Lisboa e arredores, mas também ao facto da capital de Portugal não se encontrar no sítio certo e adequado, há séculos: a capital de Portugal devia localizar-se no núcleo identitário do território português, que é, como sempre foi, o Entre-Douro-e-Minho.

7 de junho de 2020

Crónica com nome: Matilde


Matilde é uma menina de seis anos, semelhante a qualquer outra menina da sua idade que vive 

com a sua mãe, Angelina.
Matilde tem no seu olhar meigo o reflexo das cores do arco-íris que nos fazem recordar a nossa infância, com os aromas e os paladares que persistem na nossa memória e que nos levam a acreditar e a sentir que ficaremos bem.

Matilde é a protagonista desta crónica e desta história que tanto têm de real como de peculiar, em tempos de pandemia.
Durante cerca de dois meses e meio, os jardins-de-infância estiveram encerrados, os alunos passaram a ter aulas à distância, através da ressurgida telescola ou estudo em casa, foi decretado distanciamento social, circularam veículos nas ruas com altifalantes a apelar à população, repetidamente, para “ficar em casa”. As ruas ficaram esvaziadas de pessoas, de frenesim, de barulho, de gargalhadas, de apitadelas de condutores impacientes, e os cafés, os restaurantes, o comércio e as repartições públicas encerraram o atendimento ao público.
Os encarregados de educação de filhos menores de 12 anos ficaram em casa para os acompanhar neste novo modelo de ensino, à distância, a partir de casa.
Vilas e cidades guardaram silêncio para serem palco de grandes e inusitados concertos e despiques esvoaçantes da passarada, que há muito não se ouviam por serem ensurdecidos pelo barulho citadino ou, simplesmente, porque estes são esquivos à confusão.
E a Matilde? Como viveu ela esta quarentena? Com a sua mãe, à janela, a perscrutar e a ouvir os trinados dos pássaros nas pausas do estudo?
Já devem calcular que a resposta à última interrogação é negativa, não tratasse esta crónica de uma história peculiar…
Matilde foi das poucas crianças que não pôde ficar em casa porque a sua mãe teve de continuar a trabalhar, uma vez que é funcionária hospitalar e integra o corpo de bombeiros, assumindo assim funções indispensáveis, ainda mais neste contexto pandémico.
A nossa menina (sim, nossa, porque quando gostamos tendemos a apoderarmo-nos afetivamente), contrariamente à maioria das crianças da sua idade e apesar das escolas terem encerrado, continuou todos os dias a levantar-se cedo, a vestir-se, a tomar o pequeno-almoço, a escovar os dentes, a preparar a mochila e a ir para a escola, não para a sua, mas para outra nova e depois ainda outra!
Numa primeira fase, Matilde e um aluno do 3.º ano de escolaridade eram os únicos alunos a frequentarem a escola primária de Arouca e a serem acompanhados por professores novos que se revezavam diariamente, durante a manhã, e por educadoras, à tarde. Dois dias depois, os dois meninos passaram a frequentar a escola secundária, e a surpresa foi muita! Os dois pequenos conheceram uma escola enorme, conheceram os funcionários, a direção, o porteiro e as câmaras de videovigilância, a cantina, a sala dos professores e, claro, conheceram e foram “paparicados” por todos os adultos que assumiram a sua “guarda” e que ficaram rendidos aos seus encantos.
Quando perguntei à Matilde de que escola gostava mais, se da escola normal, ou se desta escola nova, ela disse-me que gostava mais desta escola nova e que não tinha saudades dos seus colegas, porque nestes dois meses e meio não havia tanta confusão.
Por incrível que possa parecer, Matilde experimentou realmente o ensino personalizado, com diálogo e interação constante entre aluno/professor, estando os “holofotes” centrados em si, sendo alvo de toda a atenção.
Matilde entrava na escola às 8h da manhã e saía às 18h e estava sempre acompanhada por professores e por educadores, que a ajudavam e a desafiavam a manter as rotinas de estudo: de manhã assistia a telescola na televisão com o aluno do 3.º ano de escolaridade, ouvia com atenção a hora da leitura, dedicava-se nas expressões plásticas e no desenho, na matemática, no estudo do meio, fazia exercício físico, treinava a escrita e aprendeu a escrever melhor com letras maiúsculas! De tarde as atividades eram de carácter mais lúdico e artístico.
Matilde confessou-me que gosta mais de ir à escola do que de estar em casa, porque gosta de trabalhar e de estudar. Mostrou-me a capa com os trabalhos que fez, as fotografias que as professoras tiraram com ela, as mensagens que lhe escreveram, para que não as esquecesse e disse que a diretora, a Prof. Amélia, a convidou para a ir visitar, que as portas da secundária estariam sempre abertas!

Nestes dois meses e meio, Matilde ganhou novas amizades da Prof. Helena e da Prof. Margarida e de outros de que já não recorda o nome…

Aprendeu a desinfetar as mãos, percebeu que esta não era uma situação normal e que não podia estar na sua escola habitual com os seus colegas por casa do “bicho”, do “coronavírus” e do “Covid-19”, nomes que ela referiu de uma só vez e que ficarão, certamente, na sua memória.

O coronavírus para a Matilde é mau, mas o saldo desta experiência inusitada é positivo, porque lhe trouxe ainda mais atenção, carinho, afeto e novas amizades!



O que os olhos da Matilde nos dizem é que quando há bondade, honestidade e amizade, as dificuldades são ultrapassadas, o sol aparece e, juntamente com a chuva, faz surgir um grande e colorido arco-íris!