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12 de março de 2021

Poema publicado há precisamente 100 anos!

Completa hoje, 12 de março de 2021, precisamente, uma centena de anos que José Pereira Pinto publicou o poema "Junto a um berço", na Gazeta de Arouca e que abaixo se transcreve:

Junto a um berço

Oh! Quanto é bela, ó Sol, a tua luz calma

E lindo o teu sorrir - beleza estranha! -

Que arroubos que prazer se sente n'alma

Quando despontas no alto da montanha!


Mas mais belo que tu, Sol cristalino

Que vejo despontar no Oriente,

É o fulgor que do berço pequenino

Esparge uma criança, um inocente.


escrito em março de 1917 por José Pereira Pinto, 

publicado na Gazeta de Arouca, a 12 de março de 1921


José Pereira Pinto é um ilustre arouquense, nascido na freguesia de Alvarenga a 16 de janeiro de 1898, que concluiu o curso da Escola Normal do Porto, em 12 de agosto de 1920, com 17 valores.

Iniciou a carreira docente em Nespereira, concelho de Cinfães, em dezembro de 1920. Transitou para a escola do Paço, em Alvarenga, onde tomou posse como professor efetivo em 1926, ainda a escola não estava concluída. Entre 1926 e 1945 José Pereira Pinto deu aulas em Alvarenga e viveu na escola onde estava instalada a "casa do professor". Em 1945, muda-se para o Porto com a esposa e com os seis filhos, para que estes pudessem prosseguir os seus estudos.

Em 1949 foi nomeado professor de Didáctica Especial e Legislação e Administração Escolar na Escola do Magistério Primário do Porto. Aposentou-se em 1966, após 42 anos de lecionação.

Além de professor, José Pereira Pinto foi autarca, assumindo o pelouro de Vereador da Câmara Municipal do Porto no quadriénio de 1969-1972, presidindo à Comissão Municipal das Construções Escolares, sendo Vogal do Conselho de Administração dos Serviços Municipalizados de Gás e Eletricidade, foi Vereador Delegado à Junta Distrital do Porto, etc.

É reconhecido o seu mérito no Porto pelo seu trabalho em prol da Educação e da Cultura e por ter constituído uma família ilustre, com numerosa prole, todos dedicados ao ensino.

José Pereira Pinto, professor, poeta, músico, pai e amante das árvores e da natureza, desde novo publicou nos jornais da sua terra natal poemas como o que agora se relembra e livros de sua autoria, em vida e póstumos, pela mão do seu filho José Nuno Pereira Pinto.

Bibliografia:

Pinto, José Pereira, Esparsos. Arouca: edição de José Nuno Pereira Pinto, maio de 2019

20 de dezembro de 2020

Torrão Natal


Guardado por alterosas montanhas
Nas suas faldas roçadas encaixado
Este vale de qualidades tamanhas
P'los caprichos orográficos afagado

P'los caprichos orográficos afagado
Pela intercessão Mariana protegido
Um destino sempre muito desejado
Por quem nele se viu à vida trazido

Por quem nele se viu à vida trazido
Nos seus campos desenvencilhado
Nunca será deste vale desaparecido
Pois a ele estará sempre destinado

Pois a ele estará sempre destinado
Quem vai com o aperto da saudade
Para realização do sonho desejado
De nele vir completar a felicidade

14 de dezembro de 2020

Aqui no alto…


Ergueram-se aos Céus por Fé e devoção
A capelinha, a casa da ceia e o Cruzeiro
Neste monte entre a Freita e o Gamarão
Onde se fez lenda o cristão prisioneiro

Onde se fez lenda o cristão prisioneiro
dentro de uma arca segura por uma mó
por fazer preces neste monte altaneiro
Viu-se molestado sem piedade nem dó

Viu-se molestado sem piedade nem dó
Sem nunca ceder à sua Fé e devoção
Ficou para sempre da Senhora da Mó
Este monte entre a Freita e o Gamarão

Este monte entre a Freita e o Gamarão
Que do vale se levanta sobranceiro
Encimado pela Cruz acesa na escuridão
Onde se fez lenda o cristão prisioneiro

29 de outubro de 2018

Arouca

Arouca, terra dos pais, conheci-te nas minhas várias férias de verão.

Ruas em terra, nas quais adorava brincar descalça, porque não as tinha, onde nasci e cresci.

O teu cheiro era diferente, era pura, "era"? Não! É!

Uma terra que se tornou minha também,

Cá, finalmente, encontrei o meu lugar, de uma tranquilidade eterna

Arouca, por ti me apaixonei, em ti me encontrei.


Ana Almeida
(texto recebido em defesadearoucablog@gmail.com)

1 de outubro de 2018

Arouca


AI MINHA  TERRA!, DE RIOS E FONTES,
ONDE  NASCE O SOL NO CIMO DA MÓ.
ONDE CANTAM MELROS NOS VALES, NOS MONTES,
ONDE NASCE PÃO, DA TERRA, DO PÓ.

AI MINHA TERRA! DA SERRA DA FREITA,

DAS SOMBRAS FRONDOSAS, DO ARDA AO GONDÍM.
DO PURO PAIVÓ, ONDE SE DELEITA
MEU CORPO, MINHA ALMA, O FUNDO DE MIM.

OH TERRA! PRENHE DE  PAIXÕES, DE AMORES

DE CANTARES, DE CHOROS, DE SORRISOS, DORES,
QUINTA SINFONIA, PRIMEIRO ANDAMENTO.

SE NASCI DE TI, QUAL CARDO, QUAL ROSA

JÁ QUE EM TI VIVI MINHA VIDA TODA
SÊ MINHA MORTALHA NO FIM DO MEU TEMPO.

António Manuel Ferreira