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21 de agosto de 2021

A mancha florestal de Arouca - 72% Eucalipto

Arouca é, ainda hoje, um território maioritariamente agrícola e florestal. A enorme mancha verde que se espalha por todo o concelho pode ser vista e verificada subindo a qualquer um dos montes e serras do concelho ou percorrendo as estradas e caminhos rurais que serpenteiam todas as encostas e vales. 

O último grande incêndio de Arouca ocorreu nos anos de 2016 e 2017, em que no somatório dos dois anos cerca de 70 % da área de floresta e mato do concelho se perdeu. De lá para cá o que de diferente se fez? Que politicas florestais se implementaram? Que espécies autóctones se promoveram e plantaram? Que controlo se fez da monocultura desenfreada do eucalipto? 

O parque florestal municipal, já por mim apresentado, aqui e noutros locais, quando sairá do papel? Passaram 5 anos desde 2016. Temos uma mancha florestal com uma idade de corte das árvores e matos muito semelhante pois todos arderam faz 5 anos. De que estamos à espera? De mais 5 anos para voltarmos a zero? 


Deixo um número em forma de questão para possamos refletir: num concelho que se pretende exemplar num turismo de natureza e práticas ambientais de vanguarda termos cerca de 72% da mancha florestal coberta por eucalipto. Será um bom exemplo e o caminho a seguir?

5 de outubro de 2020

Parque Florestal de Arouca

Arouca, a sua área, é maioritariamente agrícola e florestal.

Apesar do peso que estas duas actividades têm na produção de riqueza no nosso concelho não terem o fulgor de outros tempos continuam ainda centenas ou mesmo milhares de Arouquenses directa ou indirectamente a terem uma relação muito estreita com a floresta e com agricultura quer seja como sua principal actividade laboral, quer seja como actividade complementar ou de subsistência quer seja ainda uma ligação à floresta de cariz ambiental e de proteção dos nossos ecossistemas ambientais.

Arouca, à semelhança do resto do país, não tem tido a sorte de ficar à margem dos incêndios que destruíram e queimaram uma grande parte do território nacional. Nos últimos grandes incêndios de 2016 e 2017 terá ardido 65 a 75 % do território florestal do concelho!

A pergunta que se deve e tem de colocar, agora que passaram pelo menos 4 anos será: 

O que de novo, de bom, diferente ou inovador foi feito?

O reordenamento florestal foi assumido como uma das principais prioridades, ou mesmo como a principal prioridade para o nosso concelho.

Já algumas medidas foram anunciadas no âmbito da proteção da floresta sendo que a mais mediática terá sido a corredor florestal da estrada Arouca- Alvarenga, medida que não consegui perceber muito bem em que fase se encontra

Uma grande parte dos montes e encostas que circundam a Norte e Este o perímetro urbano da vila de Arouca são propriedade e geridos a saber por:

• Comissão de Baldios Moldes 

• Camarários 

• Comissão de Baldios de Arouca 

• Privados (a mais pequena parcela)

E porque não começar por aqui? E porque não começar por dar o exemplo? 

Porque não criar uma grande mancha de floresta concelhia à base de espécies autóctones e folhosas? Um projecto de arquitetura paisagista acima de tudo exemplar “de como deve ser feita” a recuperação da nossa floresta

A totalidade desta área perfaz um total aproximado de 1500 ha hectares de monte e floresta. 

Estou convicto que tanto da parte da a autarquia como das comissões de baldios deveria ser possível um entendimento fácil e conjunto para este propósito. Estas entidades, que deverão liderar no que toca ao exemplo, não terão como principal factor de decisão de reflorestação o lucro que advém da floresta e devem sim guiar as suas decisões de gestão ambiental por princípios de sustentabilidade. 

A “pressão” de ter que reflorestar com espécies de crescimento rápido, à qual à cabeça surge o eucalipto, para daí tirarem rendimentos do corte e abate dos mesmos a curto prazo, advindo daí enormes manchas florestais que funcionam como barris de pólvora com os resultados que infelizmente se conhecem não deverá influir no que toca à gestão destes territórios.

Deverá a autarquia e as comissões de baldios em conjunto mostrarem como se deve” bem fazer e bem reflorestar” e assumir a liderança no que toca uma nova forma de pensar a floresta por parte dos privados que detêm quase 90 % do território florestal do país.

Acho que nada disto está a ser feito. Existe ainda no monte alguma madeira queimada e por retirar do incêndio de 2016!

Senão for pelas razões já atrás descritas, que por si só deveriam ser suficientes, para elaborar e avançar para um projecto desta envergadura enumero mais algumas como fortes factores de decisão:

• Mancha florestal que serviria como barreia de proteção do avanço de fogos entre a zona Sul e Norte do concelho

• Mancha Florestal Autóctone com potencial turístico enorme

o Caminhos Florestais

o Percursos pedestres

o Circuitos de manutenção

o Percursos de BTT

o Manutenção e Regeneração de fauna residente

o Embelezamento paisagístico

o Diversidade florestal

A elaboração de um projecto desta índole fará todo sentido se for a complementado com uma correta ordenação e fiscalização do território florestal para que não surjam novamente por todo o concelho plantações de eucaliptos e outras espécies vegetais exóticas em zonas onde anteriormente não existiam, que é infelizmente o que se tem vindo a verificar.

25 de julho de 2019

Arouca vai arder... assim como Portugal

Os últimos grandes incêndios de Arouca ocorreram nos anos de 2005 e 2016
Passaram 11 anos entre o primeiro e último.
Em ambos, isoladamente, a mancha florestal ardida do concelho foi de mais de 60 %, sendo que no fogo de 2016 o que ficou por arder, ardeu no ano ano de 2017.
Muitas medidas e anúncios, muitas palestras e explicações, faixas de combustão, corredores ecológicos, planos florestais, reforços de meios, simulacros,  nos foram apresentados e anunciados.
Na prática e na grande maioria da área florestal tudo continua na mesma. Desafio qualquer um a dar uma volta pelo concelho de forma atenta desde a sua parte mais a este até à zona mais oeste. As zonas ardidas originaram grandes manchas verdes de eucalipto jovem que desgovernadamente toma de assalto os montes e florestas. Não estou a diabolizar esta árvore sendo que também não sou um grande defensor da mesma no sentido da monocultura mesmo que organizada e bem gerida. Toda esta mancha que ardeu em 2005 e 2016 está agora a "renascer" das cinzas que com árvores com o mesmo corte estão somente à espera que uma nova "fagulha maluca" despolete uma nova tragédia e desta vez ainda mais difícil de travar.
O que há aqui a diabolizar em Arouca como no país é a desinvestimento que se tem feito ao longo de décadas no sector agrícola e florestal. O que diabolizo é a não valorização que este sector merece por parte dos nosso agentes políticos. Acredito convictamente que enquanto não invertermos este paradigma de desinvestimento no sector primário, no meio rural e no interior tudo isto vai continuar acontecer ciclicamente. Somente uma discriminação VERDADEIRAMENTE positiva do interior, do meio rural poderá iniciar a inversão de muitos dos principais problemas que afectam o nosso país. O despovoamento do interior, tal como a baixa taxa de natalidade, a excessiva centralização, a falta de quadros superiores, o encerramento de serviços, etc... afinal no final das contas e em bom português ... isto anda tudo ligado!!!!

17 de fevereiro de 2019

A floresta enquanto bem comum - preâmbulo

Agradeço desde já o convite por parte deste blog. Irei, ao longo de alguns pequenos textos abordar o tema da floresta.
A Floresta, organizada ou não, foi durante milénios a fonte primária de energia da humanidade. Dada sua abundância e fácil aproveitamento esta fonte de energia tem sido negligenciada em termos de investimento. O investimento efectuado nas últimas duas décadas nos sectores eólico e solar é de uma grandeza brutal face ao investimento na floresta. 
Padrões, regras, legislação, gabinetes e tudo relacionado com aspectos técnicos e burocratas são de fácil criação e estão perfeitamente definidos. No mudar de mentalidades é que reside a tarefa hercúlea. Na cultura do povo português, esta mudança de mentalidade face à floresta, não passa pela regulação, nem pela fiscalização e muito menos pela admoestação mas sim pela criação de valor monetário e patrimonial ao proprietário florestal e pela garantia de segurança desse mesmo valor, de forma a garantir que este zelará e investirá na sua propriedade florestal.
O principal entrave ao investimento na floresta por parte dos proprietários reside no escasso retorno que esta proporciona face ao elevado risco de perda do capital investido. O investidor é avesso ao risco, logo vai exigir ciclos de retorno curtos e mitigação dos riscos mais previsíveis. 
Usando uma relação de causa efeito, esta falta de investimento conduz ao desinteresse, abandono e desordenamento, que por sua vez, levam ao microfúndio, falta de cadastro, falta de meios de regulação e fiscalização. Todas estas relações são silenciosas e discretas na escala temporal, sendo visíveis apenas nos mega incêndios que tem ocorrido em Portugal desde 2003.

21 de outubro de 2018

Mancha florestal

Após os grandes incêndios de Arouca de 2005 e 2016, do qual resultaram diversos relatórios e dossiers mais generalistas e mais particulares, muito continua por fazer no que toca a todo o reordenamento florestal que o concelho necessita.
Podemos, por exemplo, analisar os números passados e mais recentes, para perceber que o "quadro" global do concelho no que toca à diversidade da floresta não é muito animador.

Dados de 2006
Lendo e conhecendo estes e outros dados conseguimos tomar consciência de alguns números que põem em evidência a realidade da floresta do concelho.
A título exemplificativo temos um concelho que evoluiu, ou regrediu(?), no que à diversidade e ocupação do solo florestal diz respeito.
Os números actuais mostram o seguinte (percentagem por total de zona florestal): 
Zona de florestal de eucalipto: 68%
Zona florestal de eucalipto e Pinheiro Bravo: 22%
Zona florestal de Pinheiro Bravo: 5%
Zona florestal de outras folhosas: 5%

Dados de 2018 (Ec=eucalipto; Of=outras folhosas; Or=outras resinosas; PnB= Pinheiro Bravo)
O reordenamento florestal foi tema de intenso debate principalmente após os devastadores incêndios que assolaram o país e Arouca.  Esta razão seria por si só suficiente para que se avançasse de vez e de forma séria e consciente para um verdadeiro repovoamento das nossas florestas.
Infelizmente, não é isso que está acontecer, aliás, como já foi bem exemplificado aqui neste blog pelo colaborador José António Rocha.
Volto também a um tema que me é grato, e que já expus em diversos fóruns, que seria o de avançar para a criação do Parque Florestal de Arouca. Uma zona projectada e pensada de raiz, onde as árvores e plantas autóctones teriam o devido destaque na ocupação dos solos, e que abrangeria os terrenos florestais baldios da freguesia de Moldes, os terrenos florestais camarários e os terrenos florestais baldios da freguesia de Arouca.
Uma verdadeira mancha verde com pendor didático, turístico, desportivo e, em primeira e última instância, florestal e ambiental.