Um ano. Passou um ano que de repente sem grandes discussões, experimentamos pela primeira vez o confinamento, uma espécie de prisão dourada, quase todos nos domicílios sem contactos ,o mínimo de companhias, com receios a substituir as conversas e futuros negros nos pensamentos. Num instante, lá foi a vida que julgávamos nunca sofreria tais alterações, nunca na pior das hipóteses e logo da maneira que foi. Assustados, intimidados com as notícias e mais, cada um se fechou num casulo de aparente segurança, e esperou que os dias passassem com muita rapidez, para numa qualquer manhã quando os olhos se abrem mais, com sol mais quente e pensamentos mais brilhantes, tudo tivesse terminado e lá íamos de novo para o costume, aquelas rotinas de que temos saudades. Sem abraços, sem beijos, muitos sem família, sós com os receios que podíamos ser os escolhidos pelo vírus invisível e mais assustador, presente em todo o lado, até nos sorrisos de uma inocente criança. Raio de doença, e logo nesta altura, como se houvesse data escolhida para mal de tal dimensão. Como conforto à medida do passar dos dias, os arco-íris com coloridos a apagar o negro da situação, e muitas esperanças que no fim, sim, porque isto ia ter um fim, íamos ficar todos bem. Mas não era só isso, no final o mundo ia ficar diferente, passe de mágica que o tal estranho vírus ia conseguir. Nunca mais se repetiriam erros tão habituais, de ganância a atropelar homens e natureza, o ambiente ia ficar um brinco, as sociedades iam cair em si e alterar as produções, a poluição reduzida a quase zero, enfim cada respiro só com ar do mais puro, tudo embrulhado naquela solidariedade de oportunidades que muitos já nem se lembravam que existia e que finalmente iria permitir um mundo mais solidário e igual. Passou um ano, um ano e mais alguns dias. Alguns, muitos, não conseguiram terminá-lo porque as coisas foram ficando mais complicadas, ora melhor ora menos pior, sempre os receios presentes, a esperança a ter dias, os desânimos a aparecer cada vez mais como aquelas visitas que nem precisam que se abra a porta principal e vão entrando nem que seja pelos fundos mais escondidos. Mais um dia, de repente outro, mais um mês e é verdade mais um ano, um instantinho. Agora sei que não vamos ficar todos bem, pelo contrário, muitos vão ficar bem piores, outros além de se esconderem do horrível diário, ensaiam já a indiferença que foi sempre o rumo que mais os orienta. Não está para contemplações como dizia o meu pai quando jogava o Porto. Salve-se quem puder, ou cada um por si e logo se vê. Afinal está tudo na mesma e não vamos ficar todos bem, uns melhores que outros, o costume sem novidades. As vacinas chegaram. Primeiro passo ou último, para que regressem os abraços e o estalar dos dedos num aperto de mão a que temos que nos habituar de novo antes que isto se prolongue tanto tempo que já nem nos iremos lembrar do calor de coisas tão banais. Critérios sempre a deixar dúvidas, “porque ele e não eu??” Casos a aparecer em catadupa, “sou eu o prioritário”, “e eu?” “ainda mais prioritário que todos os outros”, “estou em contato com muita gente,” “foi para aproveitar pois iam para o lixo”, em resumo, “eu é que devo ser o primeiro, perguntem ao meu médico,” “logo vão ver que a minha intenção era a melhor.” Tudo na mesma, bastou caírem os primeiros raios de sol de uma possível melhoria que tudo voltou, o pior voltou. Fraco sinal para o que ainda nos aguarda. Agora são as marcas, entendidos em marcas de vacinas aparecem como cogumelos, “só tomo a tal, as outras não me servem”, “não inspiram confiança”, organismos diferenciados neste retorno que não aparenta ser definitivo. Tudo igual. Com a cabeça mais enfeudada às tristes e longuíssimas horas de televisão com a acefalia no máximo, estão de regresso. Pelo menos não enganam, durou pouco a esperança de melhores dias e melhores tempos. Vai ficar tudo pior ou é impressão minha? Aguardemos para ver. Foi bonito enquanto durou e é pena mudar as cores ao arco-íris da esperança para um arco-íris de cores quase negras que perpetuem a falta de esperança. Isto sou eu a pensar, porque estou num momento de pessimismo e as luzes ao fundo do túnel estão a ficar raras e muito caras para quem começa a ficar sem grandes alternativas. Estamos a ficar assim a modos de esgotados, nervosos e os dias passam e as soluções de tanto procuradas parecem querer brincar ao esconde, esconde, aparecendo num dia e desaparecendo no outro. De resto a vida prossegue cavando ainda mais as diferenças e isso não há arco-íris capaz de esconder, isso será mais uma coisa que irá depender de todos, de nós, de si em particular. Não contribuamos para ser culpados neste retrocesso que se aproxima na vida de muita gente, por omissão ou comodismo. Da mesma forma que acreditamos nas vacinas e no esforço que muitos fazem para a nossa saúde, devemos acreditar que ninguém vai ser abandonado e mesmo com dificuldades o indispensável não está perdido. Temos que acreditar no bom senso e em que vale a pena acreditar nos desenhos das crianças porque estas os fazem com o coração pequenino, mas os sentimentos muito grandes.
26 de março de 2021
16 de fevereiro de 2021
COVID(A) com Humor - Isto de usar máscara
“Isto de usar
máscara está-me a parecer uma grande treta”, ouvi de raspão, ao atravessar a
nossa linda Praça Brandão de Vasconcelos, em Arouca. Esta tirada tão sui
generis (ou talvez nem tanto), logo me despertou a curiosidade, como não podia
deixar de ser. Sou uma pessoa atenta aos que os outros pensam, interesso-me
pelas opiniões e modos de sentir as coisas daqueles que me rodeiam. Ser curioso
não é crime (por enquanto).
Abrandei
o passo, disfarçadamente, apurei os ouvidos e lá consegui apanhar mais algumas
coisitas da conversa entre dois senhores já de alguma idade. “Pois… não tenhas
dúvidas…foram os chineses, claro…estou em crer que isso do bicho até é invenção
só para nos prejudicarem”. “Achas?” “Acho, acho… não tenhas dúvidas… qual bicho
qual quê… primeiro inventam o bicho, depois é só vender máscaras.” “Às
tantas…eles têm é inveja… tinham de arranjar maneira de estragar a economia
mundial”. “Pois… e arranjaram… enquanto isso, a deles… é só subir à nossa custa!
É máscaras, é ventiladores…mas as máscaras então… ui, ui!”
Gostei,
sobremaneira, deste “ui, ui!”. Gostava de ter visto as caras que acompanharam
esta expressão, mas para isso, teria de olhar de frente os dois interlocutores,
e não me atrevi a tanto. Também gostei das máscaras colocadas no queixo (isso
ainda vi pelo canto do olho), usadas como quem diz “Se é obrigatório usar,
usa-se, mas que não servem para mais do que aquecer o queixo, lá isso bem
sabemos que não servem”.
Segui
o meu caminho, imersa em mil reflexões, como gosto de fazer quando deambulo
pelas ruas calmas da nossa linda Vila.
Ora
não é que aqueles senhores até não deixavam de ter razão?! Nunca tinha pensado
nisso desta forma, mas isto de usar máscaras… Acho que nos devíamos recusar a
cair nestas armadilhas dos chineses. É só mais uma forma de nos enganarem e nos
sugarem o nosso rico dinheirinho. As máscaras serão todas de fabrico chinês?
Que importa isso? É apenas um pormenor. O que importa é que estávamos muito bem
sem elas antes de eles terem inventado “o bicho”. Lá se vai o nosso rico
dinheirinho e pronto! Devíamos recusar-nos, volto a dizer!
Aliás…
pesando bem… se calhar, há muito mais coisas que são um perfeito abuso e não
são só as máscaras. E não é de agora, isto já dura há muito, muito mais tempo
do que podemos imaginar. Não sei se é tudo culpa dos chineses, mas enfim…
Se não, vejamos.
Nos bons e saudosos tempos do paraíso bíblico,
os nossos pais andavam nus. Hoje pode parecer-nos estranho e despropositado.
Mas, o facto é que para eles era bastante normal. É claro, temos de reconhecer,
que nos dias de hoje, esse uso (ou falta dele, depende do ponto de vista) seria
inadequado ao nosso clima. Mas, suspeito eu, que, precisamente desde aquela
decisão de se usar esses trapinhos a cobrir-nos, foi que o nosso corpo se desadaptou
do clima e começou a sentir necessidade de se cobrir para não morrer de frio.
Nós em Portugal, até temos um clima (dizem) bastante ameno, por isso, se
calhar, pensando bem, até poderíamos passar bem sem essas roupinhas inventadas
sabe-se lá por quem. Mas não. Pegou a moda e agora… temos todos de segui-la
como carneirinhos. É ou não verdade que, seguindo a versão das máscaras, são
tudo invenções para gastarmos o nosso rico dinheirinho e fazer subir a economia
de alguém que lucra à nossa custa? Devíamos pensar bem nisso e rever a nossa
posição em relação a esta questão.
Outro
exemplo. E este, parece que até é mesmo culpa (mais uma vez) dos chineses.
Estou a falar dos guarda-chuvas. Não há registo histórico de quem e em que data
exata foi este instrumento inventado. Mas, segundo se sabe, foi na China que
surgiu, por volta do séc. XI antes de Cristo. Ah, pois é! Mais uma perseguição
dessa cultura, e esta já de longa data. Ora, também me está a parecer que vou
deixar de comparar esse malfadado instrumento de tortura. Tortura, digo e
repito. Nem sei ao certo quantos guarda-chuvas compro por ano, mas vai em boa
conta. Estão sempre a perder-se, a ser deixados em todo o lado. Então para que
servem. Compramos… compramos… e, quando deles precisamos, nunca estão lá! E
ainda por cima, o melhor sítio para se comprarem, para além das feiras, é mesmo
nas lojas chinesas.
Não
que eu tenha alguma coisa contra esse povo. Antes pelo contrário. O mundo é um
lugar que obtemos de empréstimo (por sinal, por uns quantos anos, às vezes até
bem poucos) e que temos o dever de partilhar. Sinto-me, acima de qualquer outra
coisa, cidadã do mundo). Um pequeno quinhão chega-me bem (até me hei de, um
dia, contentar com bem menos). E, se os chineses inventam coisas, acho muito
bem. Eles ou quaisquer outros, evidentemente. Mas, o que me aborrece é que
tenhamos que usar tantas e tantas coisas, eu que até sou (digo eu!) pouco
consumista. Ou gostaria de ser.
Para
concluir, deixo aqui algumas dicas. Isto das máscaras, das roupinhas, dos
guarda-chuvas… e até das comidinhas, se pensarmos bem, não passam de invenções
para nos fazer gastar dinheiro e consumir a paciência.
Recuso-me!
Vou deixar-me disso! Máscaras, então, nem pensar!
O
vírus? Bem… não sei se é invenção, mas logo se vê. Se vier… bem… há hospitais,
não há? E UCIs, não há? E ventiladores, se me faltar a capacidade de respirar
sem ajuda, não há?
Esperem lá!... Quem terá inventado estas coisas?!
5 de janeiro de 2021
COVID(A) com Humor - Crescei e multiplicai-vos
“Pandemia pode acelerar perda da população portuguesa”, dão-nos conta as notícias recentes, referentes à diminuição da natalidade no nosso país. Não só em Portugal, mas no mundo em geral, parece que o Covid-19 está a fazer com que as nossas futuras criancinhas adiem os seus planos para nascer, deixando para melhores dias.
Este facto vem contrariar o que tanto
ouvíamos dizer (por graça? por convicção?) nos tempos em que a quarentena se
instalou: “Agora é que vai ser teletrabalhar em série. Daqui a nove meses é que
vamos ver nascer meninos”. Pois, se calhar o problema terá sido mesmo esse:
teletrabalhou-se demais e trabalhou-se ao vivo e em presença de menos. Deu
nisto! Dizia-me, alguém, um destes dias, que “não admira, tem andado tudo com
medo de se tocar, até um beijo é perigoso”. Isso ou a regressão económica, a
perda de confiança no futuro, o medo de enfrentar uma gravidez covídica… Tantos
podem ser os motivos!
O certo é que estão a nascer cada vez
menos crianças. Parece que nada as convence a vir a um mundo infestado de vírus
por todo o lado, mesmo com coloridos arco-íris a dizer-nos que “Tudo vai ficar
bem”, pintados por outras criancinhas que já por cá andavam antes da “bomba”
estourar e não tiveram tempo de adiar a viagem para cá. E isto não é nada bom,
principalmente para um país tão envelhecido como o nosso. As nossas mais belas
flores vão murchando e começa a não haver ninguém para fazer novas sementeiras.
“Crescei e multiplicai-vos”, disse Deus (Génesis, 9:7).
Pois bem: até agora sempre pensei que
este dito de Deus se dirigia a nós humanos. E como eu, penso que muitos outros
terão pensado o mesmo. Afinal, naquela altura, Ele falava com Noé e sua
família, acabadinhos de ser salvos de um dilúvio que dizimara a humanidade
inteirinha, e sem dúvida, era preciso começar a (re)produção em massa para
substituir os afogados e repovoar a Terra (imagino a trabalheira que deve ter
dado!).
Mas não!
Temos andado, todos estes milénios, completamente equivocados. Não podemos
esquecer que, com Noé, na Arca por ele fabricada, estava também um casal de
cada ser vivo do planeta, para que a Natureza também ela se refizesse. O
engraçado é que, segundo as ilustrações que se divulgaram desde essa altura, e
chegaram, sabe-se lá por que meios, até aos nossos dias, acostumámo-nos a ver,
na Arca, elefantes, girafas, cobras, macacos, galinhas (não! nunca vimos
galinhas, mas certamente teriam de estar lá, se não ter-se-iam extinguido).
Sabe-se lá porquê, também nunca vimos, nessas belas ilustrações bíblicas, vacas
arouquesas (nem de outra espécie, reparo agora), mas também devia haver. De
outro modo, como teriam elas chegado a Arouca? Terá sido nesse dilúvio que se
extinguiram os famosos dinossauros? Não, acho que estou a confundir as coisas.
Mas também não é de galinhas, vacas arouquesas ou dinossauros que quero falar.
De quem eu
quero falar é desse bichinho estranho que dá pelo nome de SARS-COV-2 (mais
conhecido como coronavírus), que, sem qualquer dúvida, também deve ter sido
salvo na Arca (mal imaginavam eles as consequências para os descendentes de
Noé). Ninguém o viu, mas disso não me admiro nada. Ainda não tinha sido inventado
o microscópio.
Chego agora
à conclusão que, ao fim e ao cabo, era para esse famigerado vírus que Deus
falava. Só não teria sido preciso o “crescei”. Essa parte está a mais. Este
bichinho é tão minúsculo, tão minúsculo, que não há quem o enxergue. No
entanto, lá multiplicar-se, multiplica-se ele. Bem mais do que seria de
desejar.
Ter-se-á o Deus do Génesis enganado? Teria estado a enganar-nos a nós, fazendo-nos pensar
que se nos dirigia, enquanto preconizava o crescimento de uma espécie tão
malévola (pelo menos do nosso ponto de vista)? Isso não sei.
O que acho é que, a par das ordens de Deus para que crescêssemos e nos multiplicássemos (e isso, mal ou bem, até
fomos cumprindo, porque até nos ia dando jeito) temos andado à ordem dos nossos póprios projetos (ou falta deles, às vezes mais parece), nos quais temos incluido como meta primordial, a curto e longo prazo, a destruição da nossa habitação planetária, fazendo extinguir umas espécies e contribuindo para a disseminação de
outras, a nosso bel-prazer. E pronto: cá estamos com o “crescei e
multiplicai-vos”, mas no sentido inverso do que seria aceitável.
O que nos vale é que “Tudo vai ficar
bem”, dizem alguns arco-íris que ainda vão havendo por aí, meio desbotados.
Esperemos que, antes que desbotem de vez, a Esperança não se esvaia e a
Humanidade ainda vá a tempo de crescer noutro sentido.
E já agora… quem tiver idade para isso, logo que estejam imunizados pela vacina (vamos a ver quando será), vá lá, multipliquem-se! Façam criancinhas, que bem precisamos delas.
Entretanto, cuidem-se. Continuem a
manter o necessário distanciamento social e a cumprir todas as regras previstas
pela DGS, a ver se saímos desta o mais depressa possível. Já ninguém aguenta!
7 de junho de 2020
Crónica com nome: Matilde
Matilde é uma menina de seis anos, semelhante a qualquer outra menina da sua idade que vive
com a sua mãe, Angelina. Matilde tem no seu olhar meigo o reflexo das cores do arco-íris que nos fazem recordar a nossa infância, com os aromas e os paladares que persistem na nossa memória e que nos levam a acreditar e a sentir que ficaremos bem.
Matilde é a protagonista desta crónica e desta história que tanto têm de real como de peculiar, em tempos de pandemia.Durante cerca de dois meses e meio, os jardins-de-infância estiveram encerrados, os alunos passaram a ter aulas à distância, através da ressurgida telescola ou estudo em casa, foi decretado distanciamento social, circularam veículos nas ruas com altifalantes a apelar à população, repetidamente, para “ficar em casa”. As ruas ficaram esvaziadas de pessoas, de frenesim, de barulho, de gargalhadas, de apitadelas de condutores impacientes, e os cafés, os restaurantes, o comércio e as repartições públicas encerraram o atendimento ao público.
Os encarregados de educação de filhos menores de 12 anos ficaram em casa para os acompanhar neste novo modelo de ensino, à distância, a partir de casa.
Vilas e cidades guardaram silêncio para serem palco de grandes e inusitados concertos e despiques esvoaçantes da passarada, que há muito não se ouviam por serem ensurdecidos pelo barulho citadino ou, simplesmente, porque estes são esquivos à confusão.
E a Matilde? Como viveu ela esta quarentena? Com a sua mãe, à janela, a perscrutar e a ouvir os trinados dos pássaros nas pausas do estudo?
Já devem calcular que a resposta à última interrogação é negativa, não tratasse esta crónica de uma história peculiar…
Matilde foi das poucas crianças que não pôde ficar em casa porque a sua mãe teve de continuar a trabalhar, uma vez que é funcionária hospitalar e integra o corpo de bombeiros, assumindo assim funções indispensáveis, ainda mais neste contexto pandémico.
A nossa menina (sim, nossa, porque quando gostamos tendemos a apoderarmo-nos afetivamente), contrariamente à maioria das crianças da sua idade e apesar das escolas terem encerrado, continuou todos os dias a levantar-se cedo, a vestir-se, a tomar o pequeno-almoço, a escovar os dentes, a preparar a mochila e a ir para a escola, não para a sua, mas para outra nova e depois ainda outra!
Numa primeira fase, Matilde e um aluno do 3.º ano de escolaridade eram os únicos alunos a frequentarem a escola primária de Arouca e a serem acompanhados por professores novos que se revezavam diariamente, durante a manhã, e por educadoras, à tarde. Dois dias depois, os dois meninos passaram a frequentar a escola secundária, e a surpresa foi muita! Os dois pequenos conheceram uma escola enorme, conheceram os funcionários, a direção, o porteiro e as câmaras de videovigilância, a cantina, a sala dos professores e, claro, conheceram e foram “paparicados” por todos os adultos que assumiram a sua “guarda” e que ficaram rendidos aos seus encantos.
Quando perguntei à Matilde de que escola gostava mais, se da escola normal, ou se desta escola nova, ela disse-me que gostava mais desta escola nova e que não tinha saudades dos seus colegas, porque nestes dois meses e meio não havia tanta confusão.
Por incrível que possa parecer, Matilde experimentou realmente o ensino personalizado, com diálogo e interação constante entre aluno/professor, estando os “holofotes” centrados em si, sendo alvo de toda a atenção.
Matilde entrava na escola às 8h da manhã e saía às 18h e estava sempre acompanhada por professores e por educadores, que a ajudavam e a desafiavam a manter as rotinas de estudo: de manhã assistia a telescola na televisão com o aluno do 3.º ano de escolaridade, ouvia com atenção a hora da leitura, dedicava-se nas expressões plásticas e no desenho, na matemática, no estudo do meio, fazia exercício físico, treinava a escrita e aprendeu a escrever melhor com letras maiúsculas! De tarde as atividades eram de carácter mais lúdico e artístico.
Matilde confessou-me que gosta mais de ir à escola do que de estar em casa, porque gosta de trabalhar e de estudar. Mostrou-me a capa com os trabalhos que fez, as fotografias que as professoras tiraram com ela, as mensagens que lhe escreveram, para que não as esquecesse e disse que a diretora, a Prof. Amélia, a convidou para a ir visitar, que as portas da secundária estariam sempre abertas!
Nestes dois meses e meio, Matilde ganhou novas amizades da Prof. Helena e da Prof. Margarida e de outros de que já não recorda o nome…
Aprendeu a desinfetar as mãos, percebeu que esta não era uma situação normal e que não podia estar na sua escola habitual com os seus colegas por casa do “bicho”, do “coronavírus” e do “Covid-19”, nomes que ela referiu de uma só vez e que ficarão, certamente, na sua memória.O coronavírus para a Matilde é mau, mas o saldo desta experiência inusitada é positivo, porque lhe trouxe ainda mais atenção, carinho, afeto e novas amizades!
O que os olhos da Matilde nos
dizem é que quando há bondade, honestidade e amizade, as dificuldades são
ultrapassadas, o sol aparece e, juntamente com a chuva, faz surgir um grande e
colorido arco-íris!
29 de maio de 2020
23 de abril de 2020
Arouca no pós Covid-19
Nos últimos anos tivemos um desenvolvimento económico, à semelhança do resto do país, muito alicerçado no sector do turismo com os Passadiços do Paiva como ex-libris desse desenvolvimento. Se existem sectores que poderão ser exemplo máximo do "fechar tudo" são o sector do turismo e restauração. Todo o sector terciário foi severamente atingido.
De portas fechadas, sem turistas, sem receitas, com as despesas que se adiarem agora a terem que se pagar no futuro (são estas as indicações do governo). As empresas vêem-se em enormes dificuldades.
20 de abril de 2020
Depois da tempestade, virá a bonança e, necessariamente, um tempo novo.
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| Imagem: Olivier Douliery/AFP/Getty Images |
Refiro-me concretamente aos contactos pessoais e de grupo, para trabalho e mero convívio, como é já hoje possível e está a ser feito por muitos de nós através da aplicação WhatsApp. Mas também às aulas, conferências e formações online, reuniões de trabalho, de gestores ou administradores de empresas, às reuniões de direcção de associações e instituições, às assembleias gerais de umas e outras, de freguesias e municípios, como já é possível e está ser participado por muitos de nós através, entre outras, da aplicação Zoom. Mas também do contacto e conversação com familiares acamados e/ou adoentados, internados em lares e hospitais, como é já hoje possível e está ser feito por muitas instituições através da disponibilização de um contacto de aparelho com videochamada, para ligações pré-agendadas. E até da assistência à própria Missa, cujas transmissões em directo via Facebook estão já a ser implementadas por vários párocos e paróquias, possibilitando a assistência de muitos que, já antes da circunstância que estamos a viver, não o podiam e continuarão a não poder fazer presencialmente.
Enfim, todo um conjunto de plataformas e ferramentas que, a reboque deste distanciamento que agora nos é imposto e continuará a ser recomendado por mais algum tempo, nos está a aproximar e relacionar com grande eficácia, nomeadamente, em proveito do funcionamento das organizações de que fazemos parte.
4 de abril de 2020
Um agradecimento a todos os profissionais de saúde de Arouca. Um reconhecimento especial aos Bombeiros Voluntários de Arouca.
18 de março de 2020
O que significa e o que implica o Estado de Emergência?
14 de março de 2020
Covid-19: a pandemia do nosso tempo
Por outro lado, mostra-se muito prudente evitar a desinformação, fazendo uma selecção de fontes de notícias de organismos, entidades e instituições credíveis, nomeadamente, da Direcção Geral de Saúde e do Governo (das quais, mais do que nunca, se reclama que sejam verdadeiras nos números e nas previsões), de forma a que cada um de nós possa proceder em conformidade com esses cenários e instruções, cabendo-nos também evitar derivas, desorientações, irresponsabilidades e egoísmos, que possam prejudicar ou agravar a situação de pessoas mais indefesas, incautas ou desprevenidas.
Trata-se, com efeito, de uma luta de todos, contra um inimigo que não é nenhum de nós. Devemos, pois, defendermo-nos uns aos outros para um combate mais eficaz. Para já, evitarmo-nos, pensando em todos, é apenas o que se pede.









