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16 de fevereiro de 2021

COVID(A) com Humor - Isto de usar máscara

     “Isto de usar máscara está-me a parecer uma grande treta”, ouvi de raspão, ao atravessar a nossa linda Praça Brandão de Vasconcelos, em Arouca. Esta tirada tão sui generis (ou talvez nem tanto), logo me despertou a curiosidade, como não podia deixar de ser. Sou uma pessoa atenta aos que os outros pensam, interesso-me pelas opiniões e modos de sentir as coisas daqueles que me rodeiam. Ser curioso não é crime (por enquanto).

Abrandei o passo, disfarçadamente, apurei os ouvidos e lá consegui apanhar mais algumas coisitas da conversa entre dois senhores já de alguma idade. “Pois… não tenhas dúvidas…foram os chineses, claro…estou em crer que isso do bicho até é invenção só para nos prejudicarem”. “Achas?” “Acho, acho… não tenhas dúvidas… qual bicho qual quê… primeiro inventam o bicho, depois é só vender máscaras.” “Às tantas…eles têm é inveja… tinham de arranjar maneira de estragar a economia mundial”. “Pois… e arranjaram… enquanto isso, a deles… é só subir à nossa custa! É máscaras, é ventiladores…mas as máscaras então… ui, ui!”

Gostei, sobremaneira, deste “ui, ui!”. Gostava de ter visto as caras que acompanharam esta expressão, mas para isso, teria de olhar de frente os dois interlocutores, e não me atrevi a tanto. Também gostei das máscaras colocadas no queixo (isso ainda vi pelo canto do olho), usadas como quem diz “Se é obrigatório usar, usa-se, mas que não servem para mais do que aquecer o queixo, lá isso bem sabemos que não servem”.

Segui o meu caminho, imersa em mil reflexões, como gosto de fazer quando deambulo pelas ruas calmas da nossa linda Vila.

Ora não é que aqueles senhores até não deixavam de ter razão?! Nunca tinha pensado nisso desta forma, mas isto de usar máscaras… Acho que nos devíamos recusar a cair nestas armadilhas dos chineses. É só mais uma forma de nos enganarem e nos sugarem o nosso rico dinheirinho. As máscaras serão todas de fabrico chinês? Que importa isso? É apenas um pormenor. O que importa é que estávamos muito bem sem elas antes de eles terem inventado “o bicho”. Lá se vai o nosso rico dinheirinho e pronto! Devíamos recusar-nos, volto a dizer!

Aliás… pesando bem… se calhar, há muito mais coisas que são um perfeito abuso e não são só as máscaras. E não é de agora, isto já dura há muito, muito mais tempo do que podemos imaginar. Não sei se é tudo culpa dos chineses, mas enfim…

Se não, vejamos.

Nos bons e saudosos tempos do paraíso bíblico, os nossos pais andavam nus. Hoje pode parecer-nos estranho e despropositado. Mas, o facto é que para eles era bastante normal. É claro, temos de reconhecer, que nos dias de hoje, esse uso (ou falta dele, depende do ponto de vista) seria inadequado ao nosso clima. Mas, suspeito eu, que, precisamente desde aquela decisão de se usar esses trapinhos a cobrir-nos, foi que o nosso corpo se desadaptou do clima e começou a sentir necessidade de se cobrir para não morrer de frio. Nós em Portugal, até temos um clima (dizem) bastante ameno, por isso, se calhar, pensando bem, até poderíamos passar bem sem essas roupinhas inventadas sabe-se lá por quem. Mas não. Pegou a moda e agora… temos todos de segui-la como carneirinhos. É ou não verdade que, seguindo a versão das máscaras, são tudo invenções para gastarmos o nosso rico dinheirinho e fazer subir a economia de alguém que lucra à nossa custa? Devíamos pensar bem nisso e rever a nossa posição em relação a esta questão.

Outro exemplo. E este, parece que até é mesmo culpa (mais uma vez) dos chineses. Estou a falar dos guarda-chuvas. Não há registo histórico de quem e em que data exata foi este instrumento inventado. Mas, segundo se sabe, foi na China que surgiu, por volta do séc. XI antes de Cristo. Ah, pois é! Mais uma perseguição dessa cultura, e esta já de longa data. Ora, também me está a parecer que vou deixar de comparar esse malfadado instrumento de tortura. Tortura, digo e repito. Nem sei ao certo quantos guarda-chuvas compro por ano, mas vai em boa conta. Estão sempre a perder-se, a ser deixados em todo o lado. Então para que servem. Compramos… compramos… e, quando deles precisamos, nunca estão lá! E ainda por cima, o melhor sítio para se comprarem, para além das feiras, é mesmo nas lojas chinesas.

Não que eu tenha alguma coisa contra esse povo. Antes pelo contrário. O mundo é um lugar que obtemos de empréstimo (por sinal, por uns quantos anos, às vezes até bem poucos) e que temos o dever de partilhar. Sinto-me, acima de qualquer outra coisa, cidadã do mundo). Um pequeno quinhão chega-me bem (até me hei de, um dia, contentar com bem menos). E, se os chineses inventam coisas, acho muito bem. Eles ou quaisquer outros, evidentemente. Mas, o que me aborrece é que tenhamos que usar tantas e tantas coisas, eu que até sou (digo eu!) pouco consumista. Ou gostaria de ser.

Para concluir, deixo aqui algumas dicas. Isto das máscaras, das roupinhas, dos guarda-chuvas… e até das comidinhas, se pensarmos bem, não passam de invenções para nos fazer gastar dinheiro e consumir a paciência.

Recuso-me! Vou deixar-me disso! Máscaras, então, nem pensar!

O vírus? Bem… não sei se é invenção, mas logo se vê. Se vier… bem… há hospitais, não há? E UCIs, não há? E ventiladores, se me faltar a capacidade de respirar sem ajuda, não há?

 Esperem lá!... Quem terá inventado estas coisas?! 

5 de janeiro de 2021

COVID(A) com Humor - Crescei e multiplicai-vos

“Pandemia pode acelerar perda da população portuguesa”, dão-nos conta as notícias recentes, referentes à diminuição da natalidade no nosso país. Não só em Portugal, mas no mundo em geral, parece que o Covid-19 está a fazer com que as nossas futuras criancinhas adiem os seus planos para nascer, deixando para melhores dias.

Este facto vem contrariar o que tanto ouvíamos dizer (por graça? por convicção?) nos tempos em que a quarentena se instalou: “Agora é que vai ser teletrabalhar em série. Daqui a nove meses é que vamos ver nascer meninos”. Pois, se calhar o problema terá sido mesmo esse: teletrabalhou-se demais e trabalhou-se ao vivo e em presença de menos. Deu nisto! Dizia-me, alguém, um destes dias, que “não admira, tem andado tudo com medo de se tocar, até um beijo é perigoso”. Isso ou a regressão económica, a perda de confiança no futuro, o medo de enfrentar uma gravidez covídica… Tantos podem ser os motivos!

O certo é que estão a nascer cada vez menos crianças. Parece que nada as convence a vir a um mundo infestado de vírus por todo o lado, mesmo com coloridos arco-íris a dizer-nos que “Tudo vai ficar bem”, pintados por outras criancinhas que já por cá andavam antes da “bomba” estourar e não tiveram tempo de adiar a viagem para cá. E isto não é nada bom, principalmente para um país tão envelhecido como o nosso. As nossas mais belas flores vão murchando e começa a não haver ninguém para fazer novas sementeiras.

“Crescei e multiplicai-vos”, disse Deus (Génesis, 9:7).

Pois bem: até agora sempre pensei que este dito de Deus se dirigia a nós humanos. E como eu, penso que muitos outros terão pensado o mesmo. Afinal, naquela altura, Ele falava com Noé e sua família, acabadinhos de ser salvos de um dilúvio que dizimara a humanidade inteirinha, e sem dúvida, era preciso começar a (re)produção em massa para substituir os afogados e repovoar a Terra (imagino a trabalheira que deve ter dado!).

            Mas não! Temos andado, todos estes milénios, completamente equivocados. Não podemos esquecer que, com Noé, na Arca por ele fabricada, estava também um casal de cada ser vivo do planeta, para que a Natureza também ela se refizesse. O engraçado é que, segundo as ilustrações que se divulgaram desde essa altura, e chegaram, sabe-se lá por que meios, até aos nossos dias, acostumámo-nos a ver, na Arca, elefantes, girafas, cobras, macacos, galinhas (não! nunca vimos galinhas, mas certamente teriam de estar lá, se não ter-se-iam extinguido). Sabe-se lá porquê, também nunca vimos, nessas belas ilustrações bíblicas, vacas arouquesas (nem de outra espécie, reparo agora), mas também devia haver. De outro modo, como teriam elas chegado a Arouca? Terá sido nesse dilúvio que se extinguiram os famosos dinossauros? Não, acho que estou a confundir as coisas. Mas também não é de galinhas, vacas arouquesas ou dinossauros que quero falar.

            De quem eu quero falar é desse bichinho estranho que dá pelo nome de SARS-COV-2 (mais conhecido como coronavírus), que, sem qualquer dúvida, também deve ter sido salvo na Arca (mal imaginavam eles as consequências para os descendentes de Noé). Ninguém o viu, mas disso não me admiro nada. Ainda não tinha sido inventado o microscópio.

            Chego agora à conclusão que, ao fim e ao cabo, era para esse famigerado vírus que Deus falava. Só não teria sido preciso o “crescei”. Essa parte está a mais. Este bichinho é tão minúsculo, tão minúsculo, que não há quem o enxergue. No entanto, lá multiplicar-se, multiplica-se ele. Bem mais do que seria de desejar.

Ter-se-á o Deus do Génesis enganado? Teria estado a enganar-nos a nós, fazendo-nos pensar que se nos dirigia, enquanto preconizava o crescimento de uma espécie tão malévola (pelo menos do nosso ponto de vista)? Isso não sei.

O que acho é que, a par das ordens de Deus para que crescêssemos e nos multiplicássemos (e isso, mal ou bem, até fomos cumprindo, porque até nos ia dando jeito) temos andado à ordem dos nossos póprios projetos (ou falta deles, às vezes mais parece), nos quais temos incluido como  meta primordial, a curto e longo prazo, a destruição da nossa habitação planetária, fazendo extinguir umas espécies e contribuindo para a disseminação de outras, a nosso bel-prazer. E pronto: cá estamos com o “crescei e multiplicai-vos”, mas no sentido inverso do que seria aceitável.

O que nos vale é que “Tudo vai ficar bem”, dizem alguns arco-íris que ainda vão havendo por aí, meio desbotados. Esperemos que, antes que desbotem de vez, a Esperança não se esvaia e a Humanidade ainda vá a tempo de crescer noutro sentido.

E já agora… quem tiver idade para isso, logo que estejam imunizados pela vacina (vamos a ver quando será), vá lá, multipliquem-se! Façam criancinhas, que bem precisamos delas.

 Entretanto, cuidem-se. Continuem a manter o necessário distanciamento social e a cumprir todas as regras previstas pela DGS, a ver se saímos desta o mais depressa possível. Já ninguém aguenta!