9 de fevereiro de 2019

ESTA SEMANA NA HISTÓRIA DE AROUCA (VII)

1863.II.07 - O Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, aprova o Orçamento e Caderno de Encargos do 2.º Lanço da Estrada de Arouca-Oliveira de Azeméis, compreendido entre a povoação de Santo António, do Burgo, e da Pedra-Má, na partilha das freguesias de Várzea e Rossas.

1891.II.05 - A Diocese do Porto permite a demolição da Igreja de São Bartolomeu, antiga matriz da paróquia de São Bartolomeu de Arouca.

1909.II.04 - Dá-se o falecimento do padre José Gomes de Figueiredo, natural da Casa do Fundo da Aldeia, Covelo de Paivó, morador no Alto da Estrada, freguesia de Arouca. Tinha 72 anos, ocupava a vice-presidência da Câmara e havia sido pároco em Manhouce, São Pedro do Sul, Cabreiros, Santa Eulália e Burgo, sendo ainda capelão da Santa Casa da Misericórdia de Arouca.

1921.II.06 - É constituída a Cooperativa de Cabeçais, de consumo, crédito, produção, instrução e federativa.

1929.II.09 - Reaparece o jornal "Gazeta de Arouca", agora sob direcção do médico Dr. Ângelo Miranda.

1963.II.10 - Depois de importantes melhoramentos na sua casa de espectáculos, reabre o Cine-Arouca, a funcionar nas antigas instalações da Separadora de Volfrâmio.

1975.II.08 - José Soares Correia Belém é eleito presidente do Secretariado da Secção de Arouca do Partido Socialista. Ângelo Alberto Campelo de Sousa preside à Mesa da Assembleia Geral.

1976.II.04 - Entra em funções o primeiro Conselho Directivo da Escola Secundária de Arouca, presidido pela professora Maria Odete Lacerda Teles Soares Crespo Oliveira Esteves.

1981.II.06 - É constituída a associação Centro Juvenil de Arouca. Esta organização, assim denominada desde 1971, teve origem no denominado «Oratório Festivo», da Obra Salesiana de Arouca.

2004.II.09 - É fundado o Centro Social de Canelas-Espiunca, Instituição Particular de Solidariedade Social.

2009.II.07 - É inaugurado o Complexo das Piscinas de Escariz.

2009.II.10 - Com o propósito de assumir a organização do Festival de Cinema de Arouca, organizado desde 2003, por impulso, criação e direcção de António João Tavares Gomes, mais conhecido por João "Rita", natural da freguesia de Rossas, é fundado o Cine Club de Arouca.

5 de fevereiro de 2019

Onde param as pedras da rotunda?

A rotunda com as "pedras", aquando das eleições de Autárquicas de 1993
Muitos de nós terão ainda memória da principal rotunda da vila de Arouca ter tido, em tempos, um arranjo decorativo: "os calhaus da rotunda" como então ficaram conhecidos.
Eram três blocos maciços de três rochas características da nossa região: o granito, o xisto  e não estando certo do terceiro que seria um bloco de ardósia. Estas três rochas eram entrelaçadas por uma folha de chapa de cobre por onde corria água.
Esta é a memória actual que tenho dessa "instalação artística"; embora desconheça quem terá sido o autor da mesma, nem tenha no meu arquivo melhor registo fotográfico. Seria interessante ter esses registos e informações. Alguém terá?
E o porquê de referir esta "estrutura" agora? Esta obra desde a sua instalação foi envolta em polémica e toda a encenação associada à sua retirada tem um simbolismo histórico na viragem politica do concelho de Arouca.
Estas "pedras" após terem sido motivo de acesas e vivas discussões durante toda a campanha eleitoral para as Autárquicas de 1993, onde pela primeira vez ocorreu a vitória autárquica do PS em terras de Arouca, desapareceram, numa célebre manhã de nevoeiro... para nunca mais lhe sabermos o paradeiro. 
Nem as pedras nem outra qualquer decoração para a rotunda não vá o temor de nova opção voltar a ser tema politico e  provocar nova viragem politica. Será?
Seria interessante encontrar uma opção definitiva para a principal rotunda do centro urbano de Arouca. Um concurso de ideias entre todos os Arouquenses seria uma opção entre outras. Fica a memória e a sugestão.

4 de fevereiro de 2019

Um ensaio de muita qualidade sobre a Região Norte de Portugal...

 Na sequência daquilo que foi abordado num dos meus textos anteriores: o fenómeno do ultra-centralismo e do ultra-parasitismo de Lisboa e arredores em relação à Região Norte de Portugal, há um ensaio de muitíssima qualidade que também aborda essa temática, da autoria de Henrique Raposo, publicado na revista Exame de Julho de 2016, que terá todo o interesse para os Arouquenses e para as instituições de Arouca, porque descreve bem, com rigor e lucidez, como a Região Norte (onde Arouca pertence e sempre pertenceu e onde Arouca, de modo identitário, se insere e sempre se inseriu) é, de facto, o «motor económico» de Portugal. 

Fazer, por favor, o «download» do ensaio, em ficheiro pdf, aqui:

Apesar de ter algumas imprecisões, penso que é dos melhores textos que se escreveram, nos últimos anos, sobre o assunto, onde se revela a idiossincrasia empreendedora e inovadora, de trabalho e de poupança, das gentes do Norte (em particular do Noroeste de Portugal) e como ela se mantém, de modo consolidado, com os seus fortes traços identitários milenares, na contemporaneidade, no actual contexto de Modernidade avançada, em que Portugal está integrado no espaço político e económico da União Europeia.
Mas esse esforço pessoal, familiar e colectivo das pessoas do Norte é, infelizmente, em grande parte, parasitado, de modo muitíssimo injusto, por Lisboa e arredores, devido ao modo ultra-centralista como funciona, há muito tempo, o Estado português. E essa situação muitíssimo injusta não pode mesmo continuar mais assim...


Tem, de facto, de haver uma inversão urgente desta situação muitíssimo prejudicial para a Região Norte (que é também a mais populosa do país, com cerca de 3 690 000 habitantes), visto que se constata que o ultra-centralismo e o ultra-parasitismo de Lisboa e arredores (com o anúncio de uma suposta 'descentralização', que é mais um logro para perpetuar esse ultra-centralismo), estão, cada vez mais, no presente, injustos e vigorosos, como informa, recentemente, a imprensa nacional, ao referir "que num dossiê tão sensível como é o da distribuição de subsídios para os passes sociais, inserido na estratégia do Governo para fomentar a utilização dos transportes públicos, a Grande Lisboa recebe o dobro do dinheiro por passageiro atribuído ao Grande Porto, três vezes mais em relação às restantes regiões, percebemos que é impossível sossegar", realçando que a "Região Norte foi responsável pela diminuição, em quase 50%, do desemprego do país, desde o pico da crise, dando um contributo decisivo para alavancar a economia. Mas na hora de o Poder Central distribuir riqueza, outras latitudes são privilegiadas. E, assim, a regionalização começa, cada vez mais, a fazer sentido".

Memórias da Feira de S. Brás

Quanto tempo já passou! Ou não, porque o tempo passa depressa e fica-se com a sensação que ainda foi há pouco tempo.

Mas era assim: nos finais de Janeiro, começava a ouvir a minha mãe dizer: "Para a semana é a Feira do S. Brás. Vamos todos comer figos, regueifa branca e beber vinho branco".

E este anúncio, que nos anos sessenta fui ouvindo algumas vezes, deixava-me altamente contente, sei lá eu porquê. Afinal era só para se comer figos, regueifa branca e beber vinho. Mas este "só", visto hoje, passados tantos anos, era um "SÓ" com letra grande.

Ir à feira do S. Brás era uma alegria. Era uma festa. A "primeira feira do ano" como muitos lhe chamavam, durava dois dias. Tudo se comprava, tudo se vendia. Roupas, calçado, louças, produtos agrícolas, galos, galinhas...lembro-me da minha mãe ter comprado um porco nessa feira e depois levá-lo ao colo até ao curral. "Este reco-reco vai ser abençoado, porque foi comprado no dia do S. Brás e ele é o padroeiro das gargantas", dizia a minha mãe enquanto caminhava com o "reco-reco" ao colo...

A próxima feira, depois de S. Brás, seria a da Rainha Santa, para a qual faltavam três meses. Daí a importância de se fazer as "mercolas" necessárias, ou possíveis, para se governarem até lá.

Para mim, no entanto, o mais importante de tudo na Feira do S. Brás, era ir à "Loja do Somer" com os meus irmãos e os meus pais, comer os tais figos com a regueifa e beber o vinho branco. Naquele tempo as crianças bebiam vinho... eu e os meus irmão também bebíamos...não nos fez mal, nem ficamos a gostar demasiado dele. A "Loja do Somer" era um lugar bem porreiro. Entrava-se pelo lado da praça, atravessava-se o primeiro patamar, descia-se três ou quatro degraus e lá estavam umas mesas de madeira corrida com canecas cheias de vinho em cima delas. Partilhava-se essas mesas com quem já lá estivesse ou chegasse depois. E eis a festa!! Conversava-se com conhecidos e desconhecidos, comia-se e bebia-se e...até ao ano, se Deus quiser.

Foi nesta loja, que ainda existe na minha memória, tal como era nos tempos em que eu comia lá os figos, que mais tarde nasceu o Café União.

Quanto ao S. Brás!!! Oh! Que ele me desculpe! Naquele tempo eu não sabia nada a respeito dele, a não ser que era a primeira feira do ano à qual eu ia feliz. Agora, porém, também sei pouco! Que foi Bispo, mártir e santo católico, padroeiro das doenças de garganta à conta de ter tirado, depois de uma oração, um espinho da garganta de uma criança (a minha mãe tinha razão...lá isso ela sabia!). Capturado pelos romanos e decapitado no ano 316.

Hoje, o que vi na Igreja a comemorar o S. Brás, foi uma estátua pequenina, com o santo e uma criança. Ao lado, um cesto com velas e outro para colocar dinheiro. QUE S. BRÁS NOS DESCULPE A TODOS!!

Hoje também sei pouco e continuo a pedir-lhe desculpa.
"Maria"

3 de fevereiro de 2019

Quem foi Virgílio Pereira, o etnomusicólogo que organizou o Cancioneiro de Arouca e fez a sua recolha?...

 Uma das riquezas patrimoniais de Arouca é a sua música tradicional, onde se destacam os seus corais femininos tradicionais, que são milenares, muitíssimo anteriores à música da Igreja e que, como bem sublinhava o etnógrafo arouquense Albano Ferreira, não derivam da música da Igreja nem do Convento de Arouca. Na realidade, estes belos corais femininos polifónicos, a duas vozes ou a três vozes, paralelas ou sobrepostas, típicos do 'Espaço Cultural do Mundo Mediterrânico', têm milénios e são endógenos, autóctones, possuindo uma tonalidade muitíssimo peculiar que não se enquadra na canonicidade das escalas musicais comuns do Ocidente.
 Arouca tem um acervo significativo de cerca de 531 espécies musicais desses corais tradicionais antiquíssimos, que foram recolhidos e estudados pelo etnomusicólogo Virgílio Pereira e publicados no célebre Cancioneiro de Arouca, editado, em 1959, pela Junta de Província do Douro Litoral - Comissão Provincial de Etnografia e História, sediada no Porto, com Notas Monográficas Introdutórias do Dr. Simões Júnior. A Associação de Defesa do Património Arouquense reeditou o Cancioneiro de Arouca no ano de 1990.
 Este texto de Alda Neto (apesar de ter uma lacuna grave, visto que, por paradoxo, não menciona o Cancioneiro de Arouca, que é, para Virgílio Pereira, o mais rico e significativo de todo o país) descreve, em termos gerais, o perfil biográfico deste etnomusicólogo, natural do concelho de Paredes, que passou uma parte considerável da sua vida no território arouquense, a recolher, a estudar e a transpor, para a pauta musical, os belíssimos corais femininos polifónicos milenares de Arouca:
"  Virgílio Pereira, etnomusicólogo, nasceu na freguesia de Vilela a 7 de Outubro de 1900. De seu nome completo Virgílio José Gaspar Pereira, era filho do prof. António Gaspar Pereira e de Francisca Romana Coelho Pereira. O seu pai tinha já uma tradição cultural na freguesia, tendo sido o fundador da mais antiga Associação de Paredes, e uma das mais prestigiadas – a Banda Musical de Vilela. Desde criança, Virgílio Pereira foi atraído pela música, até porque tinha um ambiente familiar favorável nesse campo. Frequentou o Conservatório do Porto e a extinta Academia Mozart.
O etnomusicólogo Virgílio Pereira (1900-1965)
 Com apenas 19 anos, já era professor do ensino primário e Director da Escola Anexa à Normal do Porto. É nessa altura que funda o Orfeão Infantil do Porto. Em 1924, regressou a Paredes, a sua terra-natal, desta vez para Lordelo, onde leccionou durante dez anos, fundou e dirigiu o “Orfeão Castro Araújo”, formado exclusivamente por trabalhadores rurais. Um Orfeão amador que, no entanto, obteve a Medalha de Ouro do 1º Concurso Orfeónico de Portugal, realizado no Porto em 1932. Neste mesmo ano, e até 1934, Virgílio Pereira continuou a “semear” a arte e a cultura pelos seus conterrâneos. Fundou um novo agrupamento musical, o “Orfeão Oliveira Martins”, formado por alunos da escola técnica do mesmo nome. No ano seguinte, formou e dirigiu o Coro Infantil do Porto, constituído por 1600 jovens das escolas oficiais da cidade.
 Entre 1941 e 1953, dirigiu o grupo coral “Pequenas cantoras de Portugal”, mais conhecido como “Pequenas Cantoras do Postigo do Sol”. Um grupo que realizou perto de 250 concertos, em Portugal e no estrangeiro, ao longo dos seus doze anos de existência e que atingiu a fama, pela qualidade demonstrada. Conquistou, mesmo, os favores dos mais exigentes críticos da especialidade. O Maestro italiano Ino Savini, quando esteve em Portugal, referiu: “Conheci grande número de coros polifónicos, mas nenhum assim de tanta coesão, de tanta homogeneidade, de tal volume de som, que brota surpreendentemente apenas de quinze meninas”. Fernando Lopes Graça considerou-o mesmo um artista, “um pedagogo de notável mérito, um exemplo de constância e dedicação”.
 A partir de 1951, e até 1958, Virgílio Pereira foi Director do Orfeão do Porto. Neste período, o grupo do Orfeão desempenhou a parte coral da Nona Sinfonia de Beethoven. Uma vida preenchida e integralmente dedicada à música. O nosso etnomusicólogo não parava e respondia com o máximo empenho a todas as solicitações. Nos últimos anos da sua carreira, teve a seu cargo o Conservatório, o Orfeão e o Coro Etnográfico da Covilhã, onde se deslocava semanalmente.
 Mas Virgílio Pereira não se limitou a transmitir os seus conhecimentos práticos aos mais novos. Fez também um importante trabalho de recolha e de investigação do Cancioneiro no interior do país. Publicou, no “Douro Litoral”, duas Colectâneas: os “Corais Geresianos” e os “Corais Mirandeses”. Quando morreu, tinha então 64 anos de idade, preparava a publicação de todo o conjunto de materiais que recolhera – encarregado pela Fundação Gulbenkian – na Beira Baixa, na Guarda e nos concelhos de Felgueiras e de Baião. Colaborara, pouco tempo antes, na constituição do volume “Cancioneiro de Santo Tirso”. Além de tudo isto, foi colaborador de “O Tripeiro”, do “Jornal de Notícias” e de algumas revistas periódicas. Foi membro correspondente da Federação Musical Francesa, sócio efectivo da Sociedade Portuguesa de Escritores, da Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto e da Sociedade de Autores e Compositores Teatrais Portugueses. A 1 de Junho de 1957, como reconhecimento pelo extraordinário trabalho que desenvolveu ao longo da sua carreira e pelo muito que deu à música portuguesa, foi agraciado com o Grau de Cavaleiro da Ordem da Instrução Pública. Um homem brilhante, um autêntico génio nascido e criado em Paredes.  "

2 de fevereiro de 2019

ESTA SEMANA NA HISTÓRIA DE AROUCA (VI)

1805.I.30 - D. João, Príncipe Regente, concede autorização para que se construa, ao lado da capela da Misericórdia, uma nova casa para os Paços do Concelho.

1927.II.01 - Abre ao público, na Praça Brandão de Vasconcelos, o estabelecimento comercial de mercearia "A Comercial", de António Ferreira Pinto.

1930.II.02 - António Brandão de Vasconcelos, natural da freguesia do Burgo, proprietário e médico municipal em Colares, concelho de Sintra, lidera a constituição do Sindicato Agrícola da Região de Colares.

1938.II.02 - É constituída a Banda Musical de Rossas.

1951.II.02 - D. Agostinho de Jesus e Sousa, bispo do Porto, aprova os estatutos do Patronato da Rainha Santa Mafalda.

1967.II.01 - Entra em vigor o Código de Posturas da Câmara Municipal.

1975.I.31 - É lançado o concurso para a construção da 1.ª Fase da sede do Centro Cultural e Recreativo de Moldes.

1976.II.02 - Inicia funções o Centro de Saúde de Arouca, a funcionar no antigo Hospital Concelhio.

1994.I.31 - É publicado em Diário da República o reconhecimento da Carne Arouquesa como denominação de origem protegida «Carne Arouquesa - DOP», propriedade da Cooperativa Agrícola de Cinfães.

1992.I.30 - Abre portas, na Alameda D. Domingos de Pinho Brandão, a agência do Banco Crédito Predial Português.

2001.I.30 - Dá à estampa pela derradeira vez o jornal "Cruz de Malta", Mensário da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Rossas, inicialmente Mensário do Grupo Cultural e Recreativo de Rossas.

2005.II.01 - A Câmara Municipal aprova por unanimidade o projecto de recuperação das aldeias tradicionais de Cabaços, Tebilhão, Rio de Frades, Cando, Covelo de Paivó, Drave e Paradinha.

1 de fevereiro de 2019

Chegar daqui a Arouca por transportes públicos? Esqueça!


   Nado e criado no torrão de Arouca, mas transplantado para o Ribatejo, de onde escrevo, tive há dias e a estes cerca de 300 Kms de distância da minha terra natal uma breve conversa com uma colega de trabalho. A conversa deu-se em Vila Franca de Xira e iniciou-se precisamente por eu ser arouquense. Embora tenha sido uma conversa trivial, acabou por bater na tragicomédia que são as acessibilidades do concelho de Arouca, e por isso transcrevo-a:

   COLEGA DE TRABALHO (CT) – O José disse que é de Arouca. Qual a melhor maneira de lá chegar de transportes públicos?
   JOSÉ ROCHA (JR) – Ah…, bom…, pois…, de autocarro tem a Rede Expressos até à Feira e São João da Madeira, pelo menos.
   CT – E de comboio, qual a melhor estação para sair? Talvez aí alugássemos um carro.
   JR – Seria Espinho, mas daí para Arouca é complicado. Ou Gaia, ou o Porto, mas não sei. A que parte de Arouca é que pretende ir?
   CT – Alvarenga.
   JR – Ui! Isso, então, leva um dia para lá chegar. É melhor ir de carro.
   CT – Vou lá com a família no fim de março passar um fim de semana para percorrer os passadiços do Paiva. Já reservámos alojamento por uma noite e agora queremos ver as alternativas de transporte. Se desse para não ter de levar o carro...
   JR – Esqueça. Para ir de transportes, fazer os passadiços e passar lá uma só noite, perderia o tempo nas viagens. O melhor é levar o carro e fica com autonomia.
   CT – Pois. Se calhar vai ter de ser.
   JR – E aproveite para ver outras coisas, há lá muito mais para ver. Tudo o que é Arouca me interessa, eu já lhe faço chegar algumas dicas para preparar a sua passagem por lá.

   Despedimo-nos e a conversa ficou por aí. Porém, fiquei a pensar com os meus botões no quão mal está servida a nossa terra de transportes públicos. Já para se usar carro próprio é o que é para lá chegar, fará em transportes públicos.
   Depois, lembrei-me de ter lido há tempos que por 1913 a Câmara Municipal de Arouca tinha feito ao Governo um pedido para incluir na rede dos caminhos de ferro uma linha férrea que, saindo de Vila Nova de Gaia, passasse por Arouca e dali por Castro Daire até Trancoso (Guarda). Pois, pois.

31 de janeiro de 2019

Apontamentos sobre a história recente do apoio social em Arouca (II) - o Padre Adriano e o seu projecto para o Salão Paroquial do Burgo

Enquanto pároco de Arouca e do Burgo, o Padre Adriano procurou desenvolver projetos de âmbito coletivo em ambas as freguesias, de modo a que, em particular a população mais jovem, tivesse condições para evoluir culturalmente e socialmente, numa época em que a comunicação se fazia de forma direta e presencial (como parecem longínquos esses tempos...).

No início da década de oitenta, num artigo publicado no Jornal "Defesa de Arouca" o Padre Adriano apresentava o projeto para a construção de um Salão Paroquial no Burgo, mencionando as deliciosas razões que, em seu entender, justificavam tal construção. 

Deixo ao caro leitor a imagem desse artigo, para que possa, por si mesmo, recordar o modo altruísta e generoso como este pároco procurava desenvolver os seus projetos.


30 de janeiro de 2019

ESTA SEMANA NA HISTÓRIA DE AROUCA (V)

1860.I.28 - É criada a Companhia Arouquense de Exploração Carbonífera.

1912.I.28 - Tem inicio a curta publicação do Jornal Político-Noticioso "O Arouquense", dirigido pelo Pe. António Brandão e editado por José Luís de Sousa.

1926.I.28 - A Câmara Municipal autoriza a Junta de Freguesia de Arouca a realizar as suas Sessões no Salão da «Porta Nobre» do extinto Mosteiro, dando-lhe ainda autorização para manter o asseio do claustro e cozinha.

1928.I.29 - Realiza-se o concurso público para arrematação da construção de duas casas contíguas destinadas à habitação dos Magistrados Judiciais a servir em Arouca, a edificar à entrada da vila.

1967.I.29 - O Reverendo Pe. Domingos de Pinho Brandão, natural da freguesia de Rossas, Bispo Auxiliar de Filaca desde Dezembro de 1966, é ordenado Bispo.

1979.I.28 - Realiza-se, na igreja do Mosteiro, o I Encontro de Corais Religiosos das Comunidades Católicas de Arouca.

1981.I.29 - É inaugurada a Escola Primária da Boavista, na freguesia de Santa Eulália.

1982.I.28 - É inaugurada a estrada e respectiva luz pública para o lugar da Regadas, na freguesia de Rossas.

1984.I.29 - Dá-se o falecimento de Afonso Pinto de Magalhães, natural da freguesia do Burgo, figura muito conhecida dos meios comerciais, industriais, bancários, desportivos e culturais, que deixou bem vincada a sua personalidade e dinamismo em Arouca.

2001.I.30 - É publicada no Diário da República a ordenação heráldica do brasão e bandeira da freguesia de Urrô.

2005.I.28 - A Assembleia Metropolitana do Porto aprova a adesão do concelho de Arouca àquela circunscrição administrativa, denominada GAMP - Grande Área Metropolitana do Porto.

2005.I.29 - São inauguradas as novas instalações sociais e desportivas do Centro Cultural, Recreativo e Desportivo do Burgo, então presidido pelo empresário Carlos Manuel Gonçalves Teixeira.

26 de janeiro de 2019

ESTA SEMANA NA HISTÓRIA DE AROUCA (IV)

1847.I.24 - É constituída a Companhia dos Voluntários Cartistas do Concelho de Arouca.

1901.I.22 - Têm início as obras de estabelecimento de um Chafariz no centro da Praça Brandão de Vasconcelos, que acabava de se compor no centro da vila.

1913.I.23 - Por proposta de António Brandão de Vasconcelos, de Alhavaite, freguesia do Burgo, é deliberado propor a passagem administrativa da freguesia de Covelo de Paivó, do concelho e comarca de S. Pedro do Sul, para o concelho e comarca de Arouca.

1919.I.26 - Dá-se o falecimento de Inácio Teixeira Brandão de Vasconcelos, de Alhavaite, freguesia do Burgo, fundador e benemérito da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda de Arouca, que se notabilizou, entre outras coisas, pela argumentação junto da Comissão da Fazenda Nacional, que levou à extinção dos foros pagos ao Mosteiro de Arouca.

1930.I.22 - O Governo da República, pelo Ministro da Justiça e dos Cultos, manda entregar, em uso e administração, à Corporação encarregue do culto católico na freguesia de São Bartolomeu de Arouca, a igreja paroquial, com o claustro de cima, o dormitório da Rainha Santa, a denominada Casa do Bacalhau e quintal junto, e todas as capelas da freguesia, bens que haviam sido arrolados em virtude da Lei da Separação do Estado da Igreja, de 20 de Abril de 1911.

1951.I.26 - O Director Geral do Ministério das Finanças anula a autorização de cedência de uma dependência do Mosteiro de Arouca à Filarmónica local.

1978.I.21 - É constituída a SICOMAR - Sociedade Industrial e Comercial de Madeiras, Limitada, com sede no lugar da Mata, freguesia de Arouca.

1989.I.23 - É constituída a Associação do Rancho Folclórico "As Lavradeiras de Canelas".

1990.I.26 - É fundada a FAJDA - Federação das Associações Juvenis do Distrito de Aveiro, com sede em Arouca. Victor Mendes, presidente da Direcção da Associação Cutural Jornal Jovem de Alvarenga, foi seu fundador e primeiro presidente.

1991.I.22 - Por deliberação da Câmara Municipal, aquela que foi a Rua 5 de Outubro, Avenida da República, Avenida Dr. Oliveira Salazar, Avenida Movimento das Forças Armadas e Avenida das Descobertas, passa a denominar-se Avenida 25 de Abril.

2000.I.23 - É inaugurada a Casa da Cultura e a Sede da Academia de Música, no edifício da antiga Casa dos Magistrados.

2008.I.22 - O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, visita o Mosteiro de Arouca, num itinerário pela divulgação, defesa e promoção do património nacional.

25 de janeiro de 2019

Reforçar, cada vez mais, a forte ligação do concelho de Arouca ao Porto e ao Grande Porto

 O concelho de Arouca está muito bem enquadrado e inserido na nova NUTS III da Área Metropolitana do Porto (AMPorto). Muito bem mesmo. A cidade do Porto e espaço circundante (capital da Área Metropolitana do Porto (NUTS III) e da Região Norte de Portugal (NUTS II) ) sempre foram o espaço urbano principal de referência de Arouca e dos Arouquenses. É um facto óbvio, real e concreto, com validade ontológica. É um território onde moram milhares de Arouquenses e seus descendentes e sempre foi o local da sua «mobilidade espontânea e natural». Na parte noroeste, o concelho de Arouca dista, em linha recta, apenas cerca de 22Km da cidade do Porto. Com a conclusão da variante à EN326, a deslocação, da vila de Arouca ao centro da cidade do Porto, demorará cerca de 35 a 40 minutos, por essa nova estrada.
 Os Arouquenses e as instituições de Arouca devem reforçar, cada vez mais, essa ligação muito forte, muito antiga, muito consolidada e empática de Arouca e dos Arouquenses em relação ao Porto e ao denominado 'Grande Porto' (que são uma parte considerável da AMPorto) e "abandonar", de vez, sem hesitar, Aveiro e o distrito de Aveiro, visto que Arouca foi integrada, de modo arbitrário e sem nexo, desde 1835, no distrito de Aveiro, à semelhança daquilo que aconteceu, de modo errado, com Espinho ou Santa Maria da Feira, para dar mais dois exemplos de outros concelhos do extremo norte do distrito de Aveiro. Os elementos autóctones de Arouca nada têm que ver com Aveiro e com a Região Centro, para além de Arouca nunca ter pertencido à Região Centro nem estar localizada num hipotético 'Centro-Norte' ou num ainda mais fantasioso 'Aveiro-Norte', que são localizações que não existem e que, só por si, a priori, são muitíssimo imprecisas e muitíssimo arbitrárias como delimitações do território.
 Os Arouquenses são, como sempre foram, desde que Portugal é Portugal, nortenhos. Os Arouquenses sempre foram, 'até à medula', pessoas autóctones da Região Norte de Portugal e Arouca localiza-se em pleno e típico território nortenho.
A cidade do Porto, capital da Área Metropolitana do Porto e da Região Norte, sempre foi o espaço urbano principal de referência dos Arouquenses
 Muito tempo antes de pertencer ao distrito de Aveiro, Arouca pertenceu, durante cerca de sete séculos, desde a formação da nacionalidade de Portugal, de modo muito consolidado, à Região do Entre-Douro-e-Minho e à Região Norte. Repito: sete séculos. O Entre-Douro-e-Minho e a Região Norte são, de facto, na realidade, o verdadeiro território autóctone onde a identidade do concelho de Arouca se insere, que têm, como cidade principal e como cidade central, o Porto. E, no século XX, a província do Douro Litoral, que é uma espécie de 'suavização identitária' do Minho, é a divisão territorial onde Arouca melhor se enquadra, protagonizada pela cidade do Porto e que corresponde à quase totalidade do actual distrito do Porto.
 Não se podem cometer mais erros históricos, irracionais e irresponsáveis, a partir das instituições, que podem ser irreversíveis e muitíssimo perniciosos, em relação ao presente e futuro rumo histórico de Arouca e dos Arouquenses. O "caminho" de Arouca e dos Arouquenses, em termos de enquadramento e de pertença territorial e institucional, é só um, à escala nacional: Porto, Área Metropolitana do Porto e Região Norte. E à escala europeia: Euro-região 'Galiza-Norte de Portugal'.
 Para bem de Arouca e dos Arouquenses. Para bem do seu enquadramento territorial, institucional e identitário.

 -Área Metropolitana do Porto (NUTS III)

-Região Norte de Portugal (NUTS II)


-Euro-região da Galiza-Norte de Portugal

24 de janeiro de 2019

Vêm aí novas competências para as autarquias locais e entidades intermunicipais

E com elas, a necessidade de mais recursos financeiros, humanos e patrimoniais. O tema já não é novidade, mas começou já a fase de concretização de transferências e a batata quente está agora nas mãos de cada uma das autarquias locais e entidades intermunicipais. Em Arouca, o tema será tratado já amanhã, dia 25 de Janeiro, em Sessão Extraordinária da Assembleia Municipal convocada para o efeito.

Em sequência da Lei-quadro da transferência de competências para as autarquias locais e para as entidades intermunicipais, aprovada em 18 de Julho e publicada em 16 de Agosto de 2018, foram já publicados os respectivos diplomas sectoriais e os municípios e entidades intermunicipais têm agora que concretizar, ainda que gradualmente, a transferência das novas competências até 1 de Janeiro de 2021.

Para além das competências que já decorriam da Lei n.º 75/2013, de 12 de Setembro, com as suas sucessivas alterações, os municípios passarão a ter novas competências nas seguintes áreas: Educação, Acção Social, Saúde, Protecção Civil, Cultura, Património, Habitação, Áreas portuário-marítimas e áreas urbanas de desenvolvimento turístico e económico não afectas à actividade portuária, Praias marítimas, fluviais e lacustres, Informação cadastral, gestão florestal e áreas protegidas, Transportes e vias de comunicação, Estruturas de atendimento ao cidadão, Policiamento de proximidade, Protecção e saúde animal, Segurança dos alimentos, Segurança contra incêndios, Estacionamento público e modalidades afins de jogos de fortuna e azar.

De acordo com a referida Lei-quadro, os órgãos dos municípios podem, através de contrato interadministrativo, delegar competências nos órgãos das freguesias em todos os domínios dos interesses próprios das populações das freguesias. No entanto, essa delegação, que, por regra, abarcará todo o mandato autárquico, terá de ser efectuada de forma a que todas as freguesias do município beneficiem das mesmas competências e, em termos proporcionais, de recursos equivalentes.

Para além das competências que já tinham e das que poderão agora ser delegadas pelo município, os órgãos das freguesias passarão a ter ainda as seguintes competências próprias, transferidas pelo Estado: Instalar e gerir os espaços do cidadão, em articulação com a rede nacional de lojas de cidadão e com os municípios. E as seguintes competências próprias, transferidas pelos municípios: a) Gestão e manutenção de espaços verdes; b) Limpeza das vias e espaços públicos, sarjetas e sumidouros; c) Manutenção, reparação e substituição do mobiliário urbano instalado no espaço público, com excepção daquele que seja objecto de concessão; d) Gestão e manutenção corrente de feiras e mercados; e) Realização de pequenas reparações nos estabelecimentos de educação pré-escolar e do primeiro ciclo e ensino básico; f) Manutenção dos espaços envolventes dos estabelecimentos de educação pré-escolar e do primeiro ciclo do ensino básico; g) Utilização e ocupação da via pública; h) Afixação de publicidade de natureza comercial; i) Autorizar a actividade de exploração de máquinas de diversão; j) Autorizar a colocação de recintos improvisados; k) Autorizar a realização de espectáculos desportivos e divertimentos na via pública, jardins e outros lugares públicos ao ar livre, desde que estes se realizem exclusivamente na sua área de jurisdição; l) Autorizar a realização de acampamentos ocasionais; m) Autorizar a realização de fogueiras, queimadas, lançamento e queima de artigos pirotécnicos, designadamente foguetes e balonas.

A transferência de competências será, naturalmente, diferenciada em função da natureza e dimensão das freguesias, considerando a sua população e capacidade de execução. Os recursos financeiros afectos à transferência de novas competências pelo Estado, provirá do Orçamento de Estado e os recursos financeiros afectos à transferência de novas competências pelo Município, provirá do Orçamento Municipal, após deliberação das respectivas entidades e assembleias nesse sentido.

As entidades intermunicipais (no caso que nos interessa, e de acordo com a referida Lei-quadro, «até à criação de outra forma de organização territorial autárquica», a Área Metropolitana do Porto), passarão também a ter novas competências, nas seguintes áreas: Educação, ensino e formação profissional, Acção Social, Saúde, Protecção Civil, Justiça, Promoção Turística, e ainda: participar na gestão dos portos de âmbito regional, designar os vogais representantes dos municípios nos conselhos de região hidrográfica, gerir projectos financiados com fundos europeus, e programas de captação de investimento.

Apontamentos sobre a história recente do apoio social em Arouca - o Padre Adriano

Foto: "Do meu mirante"
No ano em que se comemora o septuagésimo aniversário de uma das instituições mais respeitadas em Arouca, onde inúmeras crianças se fizeram adultas, aprendendo diferentes artes e desenvolvendo diversas competências que, ainda hoje, marcam a sua personalidade, é da mais elementar justiça falar no nome que lhe deu origem e que deu boa parte da sua vida ao engrandecimento de uma obra que, como muitas outras, começou rodeada de incertezas e fragilidades, mas que com o passar do tempo e com a sua abnegação, resultou naquilo que hoje se vê - uma instituição com diferentes valências e respostas sociais que conta com mais de duas centenas de utentes a usufruir das excelentes condições e infra-estruturas de que dispõe. O Padre Adriano

Nascido em São Paio da Portela, Penafiel, em 10 de Abril de 1910, foi ordenado padre em 1933 e logo nesse ano foi nomeado vigário ecónomo das freguesias de Espiunca e Canelas. Ali se manteve até ao ano de 1944 quando, por morte do padre Joaquim Carneiro Leão, veio ocupar o lugar deste na paróquia de São Bartolomeu de Arouca.

Foi nesta paróquia que, ao longo de sessenta e sete anos, exerceu a sua vocação e acabaria por dar corpo ao projecto que o acompanhou para o resto dos seus dias. No dia 1 de Dezembro de 1949, nas atuais instalações da Junta de freguesia de Arouca, o Padre Adriano inaugurava um espaço para ocupação de tempos livres e escola de costura, para crianças mais necessitadas. A partir de 1960 as instalações passam a localizar-se na atual biblioteca municipal de Arouca e só a partir de 1975 se mudam para a atual localização, na Rua Dr. Figueiredo Sobrinho (Rua D´arca).

Desde a sua criação, foi preocupação do padre Adriano percorrer um caminho de qualidade, alicerçado em valores de verdade e justiça, que permitisse aos arouquenses acreditar no trabalho desenvolvido e confiar nos serviços prestados por uma instituição que, à época, assumia um papel único na vida de todas as crianças que, sem ambiente ou estrutura familiar, não encontravam outro caminho que lhes garantisse um crescimento pessoal efetivo e fora de riscos.

Ainda hoje, graças a todo o trabalho desenvolvido nas primeiras décadas, também pela Da. Mafalda, cujo papel foi igualmente importante e sem o qual, muito provavelmente, esta instituição não teria o nível de confiança dos arouquenses que tem no presente, o Patronato é um exemplo para outras instituições, que entretanto surgiram, e veem no seu funcionamento um modelo a seguir.

Foto: Jornal "Roda Viva"
Todos aqueles que, presentemente, dão o seu melhor para manter vivo o legado deixado pelos seus fundadores, merecem o nosso respeito e consideração. Que continuem a perpetuar o nome do Padre Adriano e da Da. Mafalda, com o seu trabalho e altruísmo. Que continuem a credibilizar o papel desta instituição na resposta a todas as crianças que, ainda hoje, se veem em situações de risco.

23 de janeiro de 2019

Limpeza de terrenos prioritária na maior parte das freguesias de Arouca, mas atenção às queimadas, que necessitam agora de autorização.

No passado dia 17 de Janeiro foi publicado em Diário da República,  o Despacho n.º 744/2019, contendo a lista das freguesias classificadas de 1.ª e 2.ª prioridade no que respeita à limpeza de matas, terrenos e florestas, que se traduz num apelo do Governo ao reforço da atitude preventiva, consolidando os trabalhos de gestão de combustíveis que já começou a ser feito no ano passado.

Listagem das Freguesias prioritárias no concelho de Arouca
Assim, de acordo com o referido Despacho, são áreas prioritárias para a fiscalização da gestão de combustível: as freguesias de 1.ª e 2.ª prioridade.

Apresse-se a limpar, mas muita atenção às queimas e queimadas! Pois no passado dia 21 de Janeiro foi publicado o Decreto-Lei n.º 14/2019, com entrada em vigor no dia seguinte ao da publicação, que vem clarificar aspectos do Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de Junho, de acordo com o qual a realização de queimadas (uso do fogo para renovação de pastagens e eliminação de restolho) só é permitida após comunicação e autorização prévia pela autarquia local.
Em período crítico ou quando o perigo de incêndio seja elevado, a queima de matos cortados e amontoados e qualquer tipo de sobrantes de exploração, bem como a que decorra de exigências fitossanitárias de cumprimento obrigatório, está agora também sujeita a autorização da autarquia local, que definirá o acompanhamento necessário para a sua concretização, tendo em conta o risco do período e da zona em causa. Fora do período crítico é apenas necessária comunicação prévia à autarquia local.
De acordo com aquele diploma legal, a comunicação poderá ser efectuada através de contacto telefónico, em termos que ainda não se encontram regulamentados, sendo que a resposta será dada ao interessado através de correio electrónico ou mensagem telefónica. Pelo que, entretanto, deve contactar-se a Câmara Municipal. De contrário, a realização de queimadas sem comunicação e/ou autorização e sem o acompanhamento definido no referido Decreto-Lei, será considerada uso de fogo intencional e ficará sujeita às consequências decorrentes da lei.

Entretanto, com data de 18 de Janeiro de 2019, também a Câmara Municipal fez divulgar e afixar nos locais habituais o Edital n.º 5/2019, relativo à limpeza de terrenos.
De acordo com o referido Edital, cujo teor corresponde ao disposto na legislação actualmente em vigor, os proprietários, arrendatários, usufrutuários, ou entidades que, a qualquer título, detenham terrenos confinantes a edifícios inseridos em espaços rurais, são obrigados a proceder à limpeza desses terrenos, fazendo a gestão do combustível numa faixa com a largura mínima de 50m em torno dos referidos edifícios, bem como se detiverem terrenos dentro da faixa exterior dos aglomerados populacionais inseridos ou confinantes com espaços florestais numa largura mínima de 100m em redor dos mesmos. O prazo de limpeza decorre até dia 15 de Março e a infracção ao disposto nas normas legais aplicáveis constitui uma contraordenação punível com coima de 10.000€ a 120,000€.

22 de janeiro de 2019

Matéria Prima - um exemplo positivo

Os anos de 2016 e 2017 não são de boas memórias para Arouca e para os Arouquenses no que toca à floresta. O nosso concelho a ser assolado por grandes incêndios que queimaram mais de 60% do território florestal.
Quase todo o perímetro de floresta concelhio foi afectado e queimado incluindo uma grande parte da encosta da Serra da Freita.

Ali para os lados da Ameixieira na freguesia de Santa Eulália um grupo de pessoas procuraram no ano de 2016 travar as chamas que desciam a encosta. Além da sua grande vontade e enorme esforço físico as muitas pessoas que por ali se juntaram num esforço conjunto pouco mais puderam fazer que minimizar os estragos das chamas. Não conseguiram suster o fogo mas ali logo surgiu uma vontade de fazer diferente. Extintas as chamas deitaram mãos às enxadas no sentido literal com o intuito de voltar a reflorestar uma parte razoável da área ardida. Os terrenos baldios da Ameixieira, Currais e Cales seriam o campo de trabalho que estes apaixonados pela natureza teriam nos meses e anos seguintes. Primeiramente organizados como um simples movimento cívico que depois evolui naturalmente para uma associação a Matéria Prima - Associação para a Reabilitação da Serra da Freita -  está aí para mostrar como devemos bem agir enquanto parte integrante de uma sociedade que se quer e deseja consciente para a problemática e soluções ambientais.

Tive oportunidade de por uma ou duas vezes poder contribuir para este seu meritório trabalho. Este pequeno texto fica como um reconhecimento pessoal pelo esforço e trabalho que vêm desenvolvendo desejando que o prolonguem por muitos e bons anos. Parabéns a todos os envolvidos!

21 de janeiro de 2019

Sou o Zé das Quintas...- Memórias de emigrante (1/3)

Lembrança de uma época passada e de percursos de vida comuns a muitos dos nossos conterrâneos.
O Zé das Quintas é o meu pai.
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Deilão, 2 de fevereiro de 1967,

Sou o Zé das quintas. Tenho apenas 16 anos. Nascido e criado em Deilão. Pequena aldeia de pouco mais vinte almas perdida algures entre Covas do Rio e Janarde.

Minha vida é uma rotina diária. Desde do amanhecer, trabalho no campo e trato do gado. Raras diversões a não ser apanhar bogas no rio e disfrutar das poucas romarias em redor.

Não vivemos bem ou mal. É assim. Vivemos apenas. Sem realmente sofrer de nossa condição porque não conhecemos outras.

Chega-nos, no entanto, um ruído, cada mais forte, notícias de um ultramar que deveríamos defender. Defender algo do outro lado da terra enquanto o meu mundo vivido limita-se a um raio de 20 km ao redor de Deilão? Eu que apenas vou a «Bila» 2 ou 3 vezes por ano.

Meu pai não quer que eu participe numa guerra que não considera a dele. Já enviou meu irmão para o Brasil há alguns anos por esse motivo. Chegou a minha vez. Vou partir. Já contatou e pagou o passador. Vou para a França. Saio hoje. Pela noite dentro para o mundo obscuro.

Sinto-me dividido entre o entusiasmo de descobrir novos universos e a ansiedade de me confrontar a eles. Tenho medo. Sei que a viagem, «O Salto», será difícil. Será longa. Estou ansioso também de não saber quando voltarei. Triste de deixar os meus pais e amigos. Serà a última vez que vejo a minha avó por quem eu tenho um carinho especial?

Mas não me pergunto se é a escolha certa porque não tenho alternativa. Trata-se de sobrevivência. Saio daqui ou potencialmente morro! Como tantos otros que não voltarão do Ultramar.

Sou o Zé das quintas, com apenas 16 anos, e hoje vou a caminho do mundo desconhecido!

Darei-lhes conta, uma proxima vez, da minha viagem. Do meu salto. Da minha chegada em França.

Até Breve.
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"Porque quem deixa o seu torrão natal,
E fora dos seus caminhos põe os pés,
Quando troca o certo pelo incerto.
Motivos há-de ter."
Adriano Correia de Oliveira – Emigração

O valor dos rios, ribeiros, riachos e cursos de água de Arouca

 Os Passadiços do Paiva revelaram-se, em pouco tempo, como um bom exemplo de como os rios podem ser uma fonte de rendimento para Arouca e para os Arouquenses, mantendo vivo, de modo dinâmico, esse património natural e ambiental. Contudo, os Passadiços do Paiva, já bem reconhecidos, ainda terão de se desenvolver muito melhor, numa direcção em que a sua área territorial se rejuvenesça cada vez mais, ao se repor (entre muitos outros aspectos e acções que são necessárias realizar) a sua fauna e flora autóctones envolventes, com eficácia e consistência.
 Mas, para além do rio Paiva, o concelho de Arouca, situado na Bacia Hidrográfica do rio Douro, tem inúmeros rios, ribeiros, riachos e cursos de água que, devidamente, aproveitados, poderiam ter um valor considerável, que muito poderia contribuir para consolidar a «intencionalidade identitária» do 'Arouca Geopark'.
 Seria um indicador de avanço civilizacional e teria, de certeza, muito sucesso, quer à escala nacional, quer à escala europeia, quer à escala mundial, se os Arouquenses e várias instituições de Arouca se mobilizassem no intuito de despoluir, por completo, integralmente, todos os rios, ribeiros, riachos e cursos de água de Arouca, configurando, do melhor modo possível, o seu caudal, com métodos avançados e técnicas, recorrendo a verdadeiros especialistas no assunto, em colaboração com os municípios vizinhos, onde alguns desses rios, ribeiros, riachos e cursos de água nascem e de onde se direccionam para o concelho de Arouca, etc.
O rio Urtigosa, em Rôssas-Arouca
 
 Uma das consequências estruturais seria o restabelecimento da fauna e da flora autóctones próprias dos rios, sendo claro que uma das acções a serem praticadas seria o repovoamento dos rios com as espécies piscícolas que lhes são típicas, das quais a mais relevante é a Truta Fário, que tem muito valor gastronómico e vários usos culinários apreciados, para além de ser objecto de um tipo de pesca que é das mais estimulantes. Também faria todo o sentido, no âmbito do 'Arouca Geopark', criar um viveiro científico de Trutas Fário, coordenado por especialistas no assunto, provenientes, por exemplo, da Universidade do Porto ou de instituições que tenham competências para tal, que teriam, entre outras funções científicas e técnicas, de efectuar, precisamente, a coordenação e a supervisão do repovoamento piscícola dos rios, etc.
 Mas os rios, os ribeiros, os riachos e os cursos de água de Arouca têm muitas, muitas, muitas mais potencialidades, em muitos e variados aspectos, pelo que o seu aproveitamento e a sua dinamização teriam, de certeza, sucesso garantido e acrescentariam mais valor e reconhecimento ao território arouquense, localizado apenas a 35Km da cidade do Porto, no âmbito do 'Arouca Geopark', tal como os Passadiços do Paiva já bem o demonstraram.

O rio dos Passadiços, em Arouca, é um rio da Área Metropolitana do Porto

O rio dos Passadiços, em Arouca, é um rio da Área Metropolitana do Porto, sendo um dos principais afluentes do rio Douro.

Volfrâmio - Memória e Património Físico em Arouca

Mina da Fiveda ou "Gola" em Alvarenga
Volvidos quase 6 anos desde a notícia divulgada pelo Jornal “As Beiras”, a Câmara Municipal e a Associação Geoparque Arouca, com o apoio da Adrimag, têm desenvolvido alguns esforços no sentido de dotar as minas de volfrâmio de Regoufe e Rio de Frades de melhores condições de visitabilidade e de promover esta oferta no âmbito do turismo cultural e histórico.
De facto, algum deste património está promovido do ponto de vista turístico e integra a “Rota da Água e da Pedra”.

Contudo, apesar do trabalho que vem sendo desenvolvido nesta matéria, ainda não foi possível constituir efectivamente a almejada Rota do Volfrâmio na Europa com reais benefícios/investimentos para Arouca, tão necessários à recuperação de algumas minas e edifícios, em ruína, e à constituição de um museu ou centro interpretativo ou, por que não, da constituição de uma rota do volfrâmio no concelho de Arouca, garantindo ao visitante uma experiência global, histórica e cultural do fenómeno no nosso concelho que, desde a primeira grande guerra (recorde-se que a primeira concessão mineira ocorreu em 1911, na Chieira, Alvarenga) suscitou grandes mudanças económicas, sociais e culturais, sem esquecer a construção de importantes redes rodoviárias, a electrificação e a colocação de telefones.

Arouca, muito mais que o concelho vizinho de Sever do Vouga (que possui e expõe um acervo importante, bem organizado e definido no Museu Municipal sobre a temática do volfrâmio ), tem história, infraestruturas, documentos/registos da época, notáveis estudos como “Volfro!” e “O Volfrâmio de Arouca”, documentários, fazendo com que seja possível reconstituir núcleos museológicos em torno da exploração do volfrâmio, evitando que este património se perca no tempo e se dilua em intenções/projectos que vão surgindo aqui e ali, estanques, descontextualizados, ficando muito aquém do que é necessário e merecido.

Arouca tem complexos mineiros em Rio de Frades, em Regoufe; a mina da Gola (ou da Fiveda), em Alvarenga, freguesia onde ainda existem antigos donos de mina vivos (Sr. Fernando Pinto, do lugar de Miudal); tem ainda o edifício onde estivera instalada a Separadora de Minério da Espinheira, no lugar da Vila, ocupado pelo Hotel “Quinta da Vila”; tem uma das casas onde eram alojados operários vindos de fora para trabalhar como jornaleiros nas minas, no lugar da Travessa, em Alvarenga; tem com certeza importantes acervos particulares das famílias Peres, Noronha e Pereira Pinto (arouquenses donos de minas, ao contrário do que acontecia em Rio de Frades e Regoufe que eram de propriedade alemã e inglesa, respectivamente.

De facto, temos património de raridade excepcional, de âmbito concelhio, que permitiria criar um núcleo museológico do volfrâmio, complementado pela rota do volfrâmio em Arouca, com pelo menos 3 ou 4 pontos ou spots de visitação que deverão incluir a freguesia de Alvarenga, praticamente ignorada neste contexto.

O nosso património é mais que reconhecido externamente, tendo sido transportado para a área da literatura, da televisão, do cinema e do teatro, basta recordarmos o romance histórico “Da outra margem” do autor arouquense José Nuno Pereira Pinto, “Volfrâmio” do célebre Aquilino Ribeiro, “O Rei do Volfrâmio” de Miguel Miranda, a série televisiva “A febre do ouro negro” e o filme “Volfrâmio” de Joel Sá Pinto, além de várias peças de teatro.

Conforme facilmente se constata, perante tamanho Património, é inegável a enorme responsabilidade e urgência na sua preservação que poderá passar por iniciativa privada, além da pública, como o que já acontece com o centro de interpretação geológica de Canelas, de índole do empresário Manuel Valério, pelo que internamente merece um olhar mais atento, quer da autarquia, quer da população local.

O reconhecimento e a valorização externa são evidentes. E a população local, será que valoriza e confere grau de prioridade à preservação e promoção deste património?

Na minha opinião, há muito a fazer: é urgente a localização, inventariação e (se possível) a aquisição de máquinas, utensílios e equipamentos associados à actividade mineira em Arouca, por forma a “rechear” um futuro museu ou Núcleo museológico e a preservar a memória e o património físico que ainda existe.

Tenho consciência que o nosso Município, pelo património diversificado que possui, tem muito onde investir, mas não deve ignorar as oportunidades, pois como diz o ditado, “não se deve por os ovos todos no mesmo cesto”, e cestos é o que não falta a Arouca!

Fonte: Diário As Beiras