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8 de novembro de 2020

As associações na encruzilhada do presente

No passado dia 31 de Outubro, assisti, com todo o interesse, a mais uma “conversa digital”, promovida pelo Circulo Cultura e Democracia, desta feita subordinada ao tema “Participação cidadã: o papel das associações”. No final, apesar de aparentemente não ser esse o objectivo inicial, ficou patente a necessidade das associações se unirem, congregando esforços na prossecução de actividades e objectivos comuns.

Talvez tenha sido a primeira vez, desde há pelo menos duas décadas, que um debate sobre este tema, ainda que muito circunscrito ao ponto de vista dos cinco dirigentes de associações que nele participaram e dos próprios organizadores, evidenciou a fragilidade e dependência em que a maior parte das nossas associações se encontra novamente. E novamente porque, embora seja hoje agravado por novos factores, o que está na génese do problema não é novo.

Foi exactamente por se identificarem necessidades de união e cooperação para melhor prossecução de actividades e alcance de objectivos comuns, que há precisamente vinte anos se criou em Arouca uma federação municipal (logotipo em imagem), com vista a congregar todas as associações do concelho, de forma a contribuir para aquele desiderato e, também assim, para o fortalecimento e autonomia de cada uma das associações face ao poder politico.

Entretanto, por vicissitudes próprias, essa federação esmoreceu e desapareceu, e, ao mesmo tempo, cresceu e quase que se normalizou uma certa instrumentalização de grande parte das associações por parte do poder politico, que hoje põe e dispõe das mesmas e suas actividades, ao ritmo das suas próprias necessidades.

Cada uma por si, grande parte com atividade diminuta e na quase exclusiva dependência da atribuição arbitrária de subsídios ou inclusão discricionária na agenda municipal, a maior parte das associações do nosso concelho evidencia hoje estar novamente desguarnecida, fragilizada e muito exposta a uma dependência do poder político que em nada ajudará a tomar rumo na encruzilhada do tempo presente.

29 de julho de 2019

O Rotary e a anual transmissão de mandatos


No passado dia 2 de julho aconteceu a Transmissão de Tarefas do Rotary Club de Arouca.

Em que consiste este momento com esta denominação? Nada mais que a passagem de testemunho de funções de toda a direção. No Movimento Rotary, as funções, mesmo a da presidência, mudam todos os anos. Tal como o símbolo do Rotary (a Roda dentada) tudo se encontra em constante movimento. Os lugares não são dos seus membros. Os lugares são uma passagem pelas mais diversas funções.

Tudo isto faz com que os projetos não sejam de uma pessoa em particular mas sim do clube e dos seus membros e vão-se desenvolvendo ao longo do tempo até se encontrarem concluídos. Claro que o Presidente é o timoneiro de cada ano rotário.

O resultado disto é que o Rotary ajuda a formar líderes. E fá-lo da forma que penso ser a mais democrática. Todos podem ambicionar passar pelos mais diversos cargos de direção sem qualquer tipo de impedimento ou constrangimento.

Da mesma forma, entrada num clube rotário é aberta a todos os profissionais, na maior parte das vezes decorrente de um convite de um Companheiro. Os Clubes Rotários são, na sua essência, Clubes de Profissionais idóneos reconhecidos nas suas comunidades locais. Esta entrada é, normalmente, posta à consideração do clube e os valores do novo Companheiro devem ser reconhecidos por unanimidade pelos membros do Clube, para a sua entrada neste Movimento Internacional.

Anualmente, o objetivo primordial de qualquer Clube é unir voluntários a fim de prestar serviços humanitárias e promover valores éticos e a paz a nível internacional.

Tudo isto acontece todos os anos em cerca de 34 mil clubes Rotary espalhados pelo mundo, com cerca de 1,2 milhões de membros há 115 anos.

2 de julho de 2019

A Pensar Alto. Envelhecer com o coração cheio. É bom viver em Arouca.

Conheci a Academia Sénior de Arouca há mais ou menos 3 anos. Terminara algum tempo antes a minha vida plena de atividade com grande intensidade de trabalho, e encontrava-me na fase em que todos os que se reformam sabem que mais cedo ou mais tarde vão encontrar, os dias passam a ser mais longos e o medo de não conseguir enganar a inatividade assusta mais que aqueles trovões negros em dias de temporal. Os filhos estão nas suas vidas, os netos nas escolas e a casa aumenta de tamanho, e se é grande passa a ser enorme, ocupada com silêncios e velhas fotos de muitos sorrisos. Estar reformado, não quer dizer estar incapacitado, por vezes é precisamente o contrário, as ideias e as intenções aparecem mais fluidas sem o stress insuportável de um dia a dia num trabalho exigente. Sentia me, e como eu muitos terão tido a mesma ligeira impressão, completamente a perder o rumo e a cair num espaço de intranquilidade ao qual não estava habituado. Por isso naquela manhã que agora vejo, igual a muitas outras, decidi inscrever-me na Academia, decidi continuar a aprender, senti saudades dos tempos dos bancos das escolas, e como se esse tempo regressa-se, encontrei me de novo com novos colegas e novos professores mesmo que os rostos de alguns me fossem familiares. Já agora, também quis partilhar o gosto pela música e pude fazê-lo no côro da Academia. E fiz muito bem, como muitos fizeram antes de mim. A Academia Sénior é uma associação que está implantada há já largos anos, a desenvolver uma atividade em prol da qualidade de vida dos mais velhos da nossa terra. Frequentar  a Academia não é só ir a aulas, cantarolar e está concluída a semana. Frequentar a Academia em Arouca é saber ser companheiro, ganhar e aumentar as amizades, é comparar opiniões, e temos tantas, é gargalhar nas pausas que os convívios permitem, é esquecer o tamanho dos dias, é ter alguém que nos escuta e quer também falar, é esquecer os desgostos e eliminar a solidão, é dar exemplos aos mais novos, tudo isto enquanto se vão adquirindo conhecimentos, alguns sonhados há muito mas que pareciam já inalcançáveis. E de vez em quando tudo á volta da mesa que se nada mais houver a festejar, festeja-se a vida e os prazeres que ela dá, festeja-se o que passou e o bom que há de vir. É muito bom frequentar a Academia Sénior. Cada dia que passa sentimos o coração cheio de boas emoções, de muitas alegrias, sentimo-nos úteis e mais realizados. Envelhecemos mais sábios, mais cordiais com menos rugas, sem rancores e muito mais solidários e tranquilos. Partilhar os dias é uma decisão que aumenta a saúde e afasta o que ninguém quer. Tudo isto mantendo a identidade pessoal, sem atropelos e com muito espirito de equipa, lembrando sempre a família ou os afazeres de ocasião. E partilhamos experiências, engraçado como sem fazer balanços de qualquer espécie, encontramos pontos em comum que nos aproximam mais que nos dividem. Finalmente sabemos o que significa ”gozar a reforma” e dia atrás de dia aproveitamos o tempo e somos felizes. É isso mesmo, temos direito a ser felizes. Aproveitemos. É mesmo muito bom poder envelhecer em Arouca.

9 de abril de 2019

A Pensar Alto... A fotografia e o Movimento Fotográfico de Arouca.

com o João Martins
Surgiram no início do século dezanove e a magia nunca mais parou. As memórias passaram a ter rosto e o encantamento de quem consegue olhar para o passado ainda hoje surpreende. Por cá, há uma dezena de anos fundou-se uma associação que festeja isso mesmo, a fotografia. Formou-se como associação juvenil, adotou o nome que lhe deu de imediato um certo carisma, MFA, Movimento Fotográfico de Arouca, e cresceu com o entusiasmo dos que a ela aderiram e que amam a luz, a imagem e querem imortalizar o presente. Qualquer associação tem muito do seu presidente, para o bem ou para o mal, e neste caso pelos resultados bem visíveis, temos o homem certo no lugar certo. Há meia dúzia de anos já, o MFA tem como presidente o João Martins, acompanhado de outros jovens a quem Arouca deve muito pela divulgação destas terras e pelo carinho que se vê brotar em cada imagem. Como gostam de fotografar Arouca! E nunca se cansam, de dia ou de noite, ao sol à chuva ou à neve. Graças ao seu empenhamento, aos seus conhecimentos, á sua imensa disponibilidade, apesar do prejuízo da vida pessoal e profissional, Arouca e as suas terras nunca foram tão fotografadas e divulgadas com quadros que despertam ainda mais a beleza com que convivemos. Sendo muito habitual, na classe que dirige, fazerem um grande esforço para “aparecer na fotografia”, neste caso, todos querem é partilhar, e com discrição, concretizarem os estatutos que enobrece uma associação, discretamente e sem bicos de pé. Dão-se agora os passos que terminam a assoc. juvenil e nasce uma nova associação, com os mesmos princípios e o mesmo plano de intenções. Os jovens cresceram, rodearam-se de alguns mais velhos mas como o entusiasmo é o mesmo, ou maior ainda, há que alterar para melhorar. Conheci-os há alguns anos e em boa hora aderi a este projeto. Revi locais conhecidos mas com um encanto que não tinha apercebido, fiz enormes caminhadas e aprendi a ver a minha terra com momentos de muita tranquilidade e companheirismo, dei passeios por sítios que nem sabia existirem, regressei  a locais de muitas histórias, imaginei tempos antigos e até consegui respirar ares carregados de vida em locais desabitados. Até nos aventuramos pelo estrangeiro para comparar hábitos e regiões. Sempre com a presença, as ideias, a criatividade, os ensinamentos e a capacidade organizativa do João Martins um jovem que pelas características de quem lidera um tal empreendimento irá fazer parte, estou certo disso, do futuro da nossa terra. Hoje somos todos melhores fotógrafos, mesmo nós os mais velhos quisemos aprender as técnicas mais básicas, as edições, a composição fotográfica, os retratos, um pouco de tudo, mas somos também melhores companheiros. Agora, não há dúvida que quando do lado de lá do visor estão as nossas paisagens ou as nossas gentes as imagens parecem saltar mais rápidas com a vontade enorme de também aparecer e mostrar a todos mais um pedacinho de Arouca, Tudo parece mais simples. A pequena contribuição de cada um aí fica para os vindouros, com instantes que nunca se vão repetir. Esta magia vai continuar. Grato ao João, ao Rafael, ao Luís, ao André, e a todos os que tornam a nossa terra ainda mais colorida. Esta magia vai continuar. Que o Movimento Fotográfico de Arouca continue também.